20 de dez de 2010

Restauração do pavilhão do Serviço da Hora





 
Observatório Nacional - Restauração do pavilhão do Serviço da Hora e ocupação da mesma pela Divisão de Atividades Educacionais.


Em 1916, Luiz da Rocha Miranda e Silva, antigo astrônomo do Observatório Nacional, construiu às suas custas, o pavilhão em que funcionaria o Serviço da Hora. Esse novo pavilhão foi batizado com o nome do seu antigo mestre e amigo Luiz Cruls. A edificação incluía além de um escritório para o cálculo das observações horárias e laboratório para os aparelhos telegráficos no andar térreo, um subterrâneo destinado a receber pêndulas e os cronógrafos à pressão constante.

Mais tarde foi construído outro pavilhão, Almirante Alvaro Alberto, que foi anexado ao primeiro.

O serviço da hora funcionou nesses pavilhões. Desde então, foram construídos outros anexos mais modernos e, em outubro de 2007, quando o ON comemorava seus 180 anos, a Divisão do Serviço da Hora passou a ocupar um prédio novo, especialmente construído para a mesma, denominado Pavilhão Carlos Lacomb.

Em janeiro de 2010 o ON, assessorado pelo IPHAN, começou a restauração desse patrimônio histórico. Os anexos mais atuais foram demolidos e, após um delicado e meticuloso trabalho, os dois pavilhões foram entregues totalmente restaurados com inauguração em 17 de dezembro de 2010.



Nessa inauguração celebrou-se também a ocupação desse patrimônio histórico pela Divisão de Atividades Educacionais (DAED) do Observatório Nacional.


Scientific American Brasil -14/12/ 2010


Projeto multinacional mede energia liberada por 71 supernovas

por David Biello

Quando Albert Einstein trabalhava em suas equações da teoria da relatividade, lançou uma constante cosmológica para mostrar o Universo em equilíbrio harmonioso. No entanto, observações posteriores por Edwin Hubble provaram que o Universo não é estático. Pelo contrário, as galáxias estavam se movimentando em velocidades variadas. Einstein então abandonou esse conceito de equilíbrio, chamando-o de maior erro da sua vida acadêmica.

E observações na década de 1990 provaram que o Universo não se expandia lentamente, mas muito rápido. Isso parecia apontar para uma energia escura que preenche o espaço. Uma série de teorias tem sido desenvolvida para explicar o que pode ser esta energia escura.

Agora, novas observações de uma equipe internacional de astrônomos parecem mostrar que a energia escura é invariável ao longo do espaço e do tempo. Ao medir as distâncias de 71 supernovas, os cientistas foram capazes de determinar, com um elevado grau de confiabilidade, o grau de energia produzida pela explosão da estrela. Os pesquisadores também incluíram esses dados em uma equação que mede a relação entre pressão e densidade, descobrindo que a energia escura deve ser inferior a 0,85 – muito perto da constante cosmológica de Einstein de -1. "Nossa observação conflita com uma série de idéias teóricas sobre a natureza da energia escura, segundo as quais ela deve mudar à medida que o Universo se expande", diz o membro da equipe de Carlberg Universidade de Toronto. Os resultados serão publicados em uma edição futura daAstronomy & Astrophysics.

As 71 observações de supernovas são os resultados de apenas um ano do estudo Supernova Legacy Survey, realizado com telescópios em todo o mundo. Os dados recolhidos ao longo dos próximos quatro anos deverão aumentar a precisão da localização e ajudar os pesquisadores a determinar mais sobre a natureza enigmática da energia escura, que parece constituir pelo menos 70% do Universo.

Cassini encontra vulcão de gelo em lua de Saturno

Redação do Site Inovação Tecnológica - 16/12/2010

Os cientistas têm debatido há anos se vulcões de gelo - também chamados de criovulcões - existiriam em luas ricas em gelo, e quais seriam suas características. [Imagem: NASA/JPL-Caltech/USGS/University of Arizona]

 Vulcão de gelo

A sonda Cassini descobriu uma formação na lua Titã, de Saturno, que pode ser um vulcão de gelo.

Da mesma forma que os vulcões terrestres expelem lava incandescente, o vulcão "titânico" cuspiria gelo.

Dados da topografia e da composição da superfície permitiram aos cientistas identificar um local com grande probabilidade acomodar o vulcão de gelo.Os resultados foram apresentados hoje na reunião da União Geofísica Americana, em São Francisco.

"Quando olhamos para o nosso novo mapa 3-D de Sotra Facula, em Titã, somos surpreendidos pela sua semelhança com vulcões como o Monte Etna, na Itália, e o Laki, na Islândia," disse Randolph Kirk, que conduziu o trabalho de mapeamento 3-D da superfície da lua de Saturno.

Criovulcão

Os cientistas têm debatido há anos se vulcões de gelo - também chamados de criovulcões - existiriam em luas ricas em gelo, e quais seriam suas características.

As hipóteses levantadas especulam que algum tipo de atividade geológica subterrânea aqueceria o ambiente frio o suficiente para derreter parte do interior do satélite e enviar gelo fofo ou outros materiais através de uma abertura na superfície.

Vulcões na lua Io, de Júpiter, e na Terra, cospem lava quente rica em silicatos.



Hubble fotografa bolha espacial

Redação do Site Inovação Tecnológica - 15/12/2010

Apesar da aparência delicada e suave, flutuando serenamente no espaço, a bolha guarda em seu interior um ambiente de grande agitação.[Imagem: NASA/ESA/Hubble Heritage Team (STScI/AURA)]

Bolha espacial

Há alguns anos, dois grupos de astrônomos resolveram olhar ao mesmo tempo para o mesmo lugar no céu, e descobriram uma inusitada bolha de sabão cósmica.

Agora o ocupado Hubble teve tempo de virar suas lentes para aquele ponto específico, situado em nossa galáxia vizinha, a Grande Nuvem de Magalhães.

Os astrônomos acreditam que a bolha espacial formou-se a partir da explosão de uma supernova, ocorrida há quatro séculos. Seu nome é SNR B0509-67.5, mas ela também atende pelo diminutivo SNR 0509.

Apesar da aparência delicada e suave, flutuando serenamente no espaço, a bolha espacial guarda em seu interior um ambiente de grande agitação, onde remanescentes da explosão inicial a fazem crescer a mais de 18 milhões de quilômetros por hora - a SNR 0509 já tem 23 anos-luz de diâmetro.

As ondulações vistas na superfície externa da bolha podem ser causadas por variações sutis na densidade do gás ambiente interestelar, ou, eventualmente, serem geradas do interior por fragmentos da explosão inicial.

Supernova Tipo Ia

Os astrônomos concluíram que a explosão foi um exemplo de uma variedade especialmente energética e brilhante de uma supernova, conhecida como Tipo Ia.

Eles acreditam que essas supernovas são geradas quando uma estrela anã branca, em um sistema binário, rouba mais material de sua parceira do que consegue suportar e explode.

No caso da bolha espacial, a explosão parece ter ocorrido há cerca de 400 anos. Outro exemplo bem mais recente desses acontecimentos colossais é a supernova 1987A.

Sonda Voyager aproxima-se do espaço interestelar

Redação do Site Inovação Tecnológica - 14/12/2010

Concepção artística das duas sondas Voyager conforme elas se aproximam do espaço interestelar.[Imagem: NASA]


Fronteira do Sistema Solar


A odisséia de 33 anos da sondaVoyager 1 alcançou um ponto na fronteira do Sistema Solar onde não existe nenhum movimento do vento solar.

Rumo ao espaço interestelar, a 17,3 bilhões de km do Sol, a Voyager 1 cruzou uma região onde a velocidade do gás quente ionizado, ou plasma, que emana diretamente do Sol, diminuiu até chegar a zero.

Os cientistas suspeitam que o vento solar foi desviado para o lado pela pressão do vento interestelar, emanado da região entre as estrelas.

O evento é um marco importante na passagem da Voyager 1 pela heliosheath, uma parte da heliosfera, a "concha externa" da esfera de influência do Sol - veja mais em Sondas Voyager desvendam enigma interestelar.

"O vento solar virou a esquina", afirmou Ed Stone, cientista do projeto Voyager. "A Voyager 1 está chegando mais perto do espaço interestelar."

Vento solar

Nosso Sol emite uma corrente contínua de partículas carregadas que formam uma bolha, conhecida como heliosfera, em torno do nosso Sistema Solar.

O vento solar viaja a uma velocidade supersônica, até cruzar uma onda de choque chamada choque de terminação. Neste ponto, o vento solar diminui drasticamente de velocidade e se aquece na heliosheath.

Lançada em 5 de setembro de 1977, a Voyager 1 cruzou o choque de terminação em dezembro de 2004.

Os cientistas verificaram que a velocidade do vento solar chegou a zero quando a velocidade das partículas carregadas que atingem o lado da Voyager voltado para o Sol coincidiu com a velocidade da nave.

O fenômeno foi registrado em Junho. Mas como as velocidades podem flutuar, os cientistas acompanharam mais quatro leituras mensais antes de se convencerem que a velocidade do vento solar tinha realmente caído para zero. O valor foi zero em todas as cinco leituras.

Entre as estrelas

Contudo, os cientistas acreditam que a Voyager 1 ainda não cruzou a heliosfera para o espaço interestelar.

A passagem para o espaço interestelar deveria vir acompanhada de uma queda brusca na densidade das partículas quentes e um aumento na densidade das partículas frias. Os dados indicam que isso deverá acontecer dentro de cerca de quatro anos.

A irmã da Voyager 1, a Voyager 2, foi lançada em 20 de agosto de 1977 e está agora a 14 bilhões de quilômetros do Sol, mas em outra direção.

A Voyager 1 está viajando mais rápido, a uma velocidade de cerca de 61.100 km/h, enquanto a Voyager 2 segue a 56.300 km/h.

NASA apresenta conceitos dos aviões do futuro


Redação do Site Inovação Tecnológica - 13/12/2010

No começo do estudo havia projetos bem estranhos, para dar total liberdade aos visionários. Siga as setas para acompanhar o processo de seleção dos candidatos mais prováveis a aviões do futuro. [Imagem: NASA/Northrop Grumman Systems Corporation]
Aviões do futuro

A NASA acaba de concluir um estudo de 18 meses que reuniu seus próprios engenheiros e engenheiros da indústria privada para tentar visualizar como serão os aviões de passageiros do futuro.

No começo do estudo havia projetos bem estranhos, para dar total liberdade aos visionários. Na segunda etapa ainda havia pelo menos dois esquisitões, incluindo um "avião-linguado", mais parecido com o peixe ou com um carrinho de rolimã com esteroides.

Mas o resultado final tinha que ser realista e factível a médio prazo.

Assim, você provavelmente não terá problemas em reconhecer um avião quando ver um modelo 2050 em algum aeroporto no futuro. Em termos de aparência externa, todos parecem bem familiares, longe de ideias exóticas saídas de algum filme de ficção científica.

Inovações nos aviões

Mas um mecânico de aviões terá dificuldades em se adaptar: tecnicamente, os aviões das próximas décadas serão muito superiores e muito diferentes dos aviões de hoje.

"Ficando ao lado do avião você poderá não ser capaz de apontar as diferenças, mas as melhorias serão revolucionárias," disse Richard Wahls, cientista do Centro de Pesquisas Langley, da NASA. "A beleza tecnológica é bem mais do que uma pele bonita."

As diferenças começarão pela superfície externa. Essa nova geração de aviões terá fuselagens duplas construídas com ligas de memória de forma ultramodernas, cerâmicas e fibras de materiais compósitos. E sua superfície será coberta porrevestimentos anticorrosão e capazes de autocicatrizar quando ocorrem fissuras.

Os sistemas de controle e comunicação utilizarão um mínimo de fios metálicos, que serão substituídos por cabos de fibra óptica e de nanotubos de carbono.

"Embaixo do capô" as diferenças não serão menores: esses aviões terão estruturas e tecnologias de propulsão concebidas para deixá-los mais silenciosos, menos poluentes e menos beberrões - e oferecendo mais conforto aos passageiros.

As tradicionais turbinas serão substituídas por sistemas híbrido-elétricos. As asas serão dobráveis e altamente flexíveis.

O híbrido H-Wing Body Series foi idealizado pelos engenheiros do MIT. Será um avião gigantesco, voltado para voos intercontinentais. Este avião é projetado para voar a Mach 0,83, carregando 354 passageiros por até 14.000 km. [Imagem: NASA/MIT/Aurora Flight Sciences]

O que esperar

Os objetivos da Nasa para os aviões que entrarão em operação a partir de 2030, em comparação com uma aeronave entrando em serviço hoje, são:

• Uma redução de 71 decibéis abaixo da norma atual de ruído, o que fará com que o barulho de um avião decolando ou pousando não vá além dos limites do aeroporto.

• Uma redução de 75 por cento em relação ao padrão atual para as emissões de óxidos de nitrogênio, melhorando a qualidade do ar em torno dos aeroportos.

• Uma redução de 70 por cento no consumo de combustível, o que poderia reduzir as emissões de gases de efeito de estufa e os custos das viagens aéreas.

• A capacidade de implementar um conceito chamado "metroplex", que permitirá a melhor utilização das pistas em vários aeroportos em áreas metropolitanas, como forma de reduzir o congestionamento do tráfego aéreo e os atrasos.

Mais lentos e mais alto

Os engenheiros das diversas entidades envolvidas foram unânimes em alguns conceitos.

Por exemplo, os aviões comuns de passageiros deverão voar em velocidades de 5 a 10% mais lentas (Mach 0,7) do que os atuais, e a altitudes mais elevadas, com o objetivo de consumir menos combustível.

As pistas dos futuros aeroportos também deverão ser mais curtas, com 5.000 pés de comprimento em média. E, na opinião dos especialistas, a tendência de aviões cada vez maiores deverá se reverter: os aviões não deverão ser maiores do que os 737 atuais, e deverão fazer mais voos diretos, para diminuir os custos.

O próximo passo no esforço da Nasa para projetar os aviões de 2030 é uma segunda fase de estudos, para começar a desenvolver as novas tecnologias que serão necessárias para atender aos objetivos agora estipulados. As equipes começarão a trabalhar por volta de Abril de 2011.

[Imagem: NASA/MIT/Aurora Flight Sciences]
 Bolha Dupla

O D8 é chamado de "bolha dupla" pelos seus projetistas do MIT (Massachusetts Institute of Technology).

A ideia é juntar dois tubos dos aviões comuns para fazer uma fuselagem mais larga e ganhar sustentação. As asas, em contrapartida, podem ser muito finas, diminuindo o peso e o arrasto. Para isso, os motores foram levados para a traseira.

O D8 foi projetado para voos domésticos, voando a Mach 0,74, carregando 180 passageiros e com autonomia de 5.500 km.

.[Imagem: NASA/The Boeing Company]
Ultra verde

O SUGAR Volt é uma das propostas da equipe da Boeing.[Imagem: NASA/The Boeing Company]

SUGAR é um acrônimo para Subsonic Ultra Green Aircraft Research, aeronave de pesquisas subsônica ultra verde.

O Volt vem do conceito de um sistema bimotor com propulsão híbrida que combina a tecnologia de turbinas a gás e baterias. Um sistema modular permite que o banco de baterias seja trocado, sem que o avião precise ficar parado esperando pela recarga.

Aqui também é possível ver o trabalho para tornar as asas mais delgadas: elas são sobrepostas ao corpo tubular do avião, com um apoio extra na parte inferior da fuselagem.

Este avião está sendo projetado para voar a Mach 0,79, carregando 154 passageiros, com autonomia de 6.500 km.

[Imagem: NASA/Lockheed Martin Corporation]

Supersônico sem boom

Os conceitos supersônicos não poderiam ficar de fora. Mas os projetistas sabem que, para se tornar viável, um avião supersônico deverá superar a barreira do som sobre a terra, e não apenas sobre o oceano, longe de áreas habitadas, como acontecia com o Concorde.

A equipe da Lockheed Martin utilizou ferramentas de simulação para mostrar que é possível alcançar o voo supersônico sobre a terra reduzindo drasticamente o nível do ruído gerado quando se quebra a barreira do som.

Segundo os projetistas, isto pode ser obtido com a utilização de uma configuração de motores sobre as asas, que têm a forma de um V invertido. Outras tecnologias ajudam a alcançar a escala, a capacidade de carga e as metas ambientais.



[Imagem: NASA/The Boeing Company]

Avião icônico

O Ícone II é o conceito de avião supersônico da Boeing.

Aqui também a principal preocupação é permitir o voo supersônico sobre a terra.

Os motores também foram levados para cima das asas, embora a empresa não comente as "tecnologias revolucionárias exigidas para reduzir o consumo de combustível e a redução no ruído".



Planeta de carbono pode ter montanhas de diamantes


Redação do Site Inovação Tecnológica - 10/12/2010


"A vida em um planeta de carbono seria muito estranha. Materiais que contenham oxigênio seriam inflamáveis na sua atmosfera rica em hidrocarbonos."[Imagem: NASA/JPL-Caltech/CFHT/MIT/Princeton/UCF]
Planeta de diamante

Em 2005, o astrofísico Marc Kuchner propôs a possibilidade de existirem "planetas de carbono", nos quais o carbono seria o principal elemento.

Apesar da vida na Terra ser à base de carbono, o principal elemento por aqui é o silício e, por decorrência, a maior parte das rochas na Terra são os silicatos.

A principal decorrência dessa teoria é que um planeta de carbono, que tenha um núcleo metálico como a Terra, teria em suas camadas intermediárias, a grandes profundidades, as condições ideais para a formação de compostos de carbono - seja o familiar grafite, seja o tão desejado diamante.

E não uma ou outra pedrinha de diamante, mas camadas de diamante com quilômetros de espessura.

Planetas de carbono

Agora, um grupo de astrônomos ligados à NASA anunciou que o exoplaneta WASP-12b, é o primeiro planeta de carbono já encontrado - conheça mais sobre o WASP-12b na reportagem Planeta mais quente já descoberto está sendo engolido por estrela.

As observações, que concluíram que o exoplaneta é composto primariamente de carbono, foram feitas com o Telescópio Espacial Spitzer.

"Este planeta revela a impressionante diversidade de mundos lá fora," disse Nikku Madhusudhan do MIT, um dos autores da pesquisa. "Planetas ricos em carbono seriam exóticos em todos os sentidos - em formação, em seu interior e em sua atmosfera."

Um planeta rico em carbono traz logo à mente a possibilidade de vida. Kuchner não descarta a possibilidade de vida em um planeta de carbono, mas ressalta que ela seria muito estranha.

"A vida em um planeta de carbono seria muito estranha. Materiais que contenham oxigênio seriam inflamáveis na sua atmosfera rica em hidrocarbonos. Assim, o metabolismo poderia ser o inverso da vida terrestre - queimando oxigênio como alimento, em vez de compostos de carbono," explicou.

Montanhas de diamante

O WASP-12b é o primeiro planeta encontrado que possui uma relação carbono-oxigênio maior do que um (a taxa real é mais provável entre um e dois). Isso significa que o planeta tem excesso de carbono, uma parte dele na forma de metano atmosférico.

"Quando a quantidade relativa de carbono fica tão alto, é como você virar uma chave e tudo mudar," explica Kuchner, que não participou deste estudo. "Se algo assim tivesse acontecido na Terra, o seu anel de noivado teria uma pedra de vidro, que seria muito raro, e as montanhas seriam todas feitas de diamantes."

Contudo, o WASP-12b parece ser um gigante gasoso, e nada se sabe sobre sua crosta, seu relevo e suas eventuais montanhas.

Não é a primeira vez que os astrônomos lidam com "exodiamantes". Um estudo mostrou que os diamantes negros, ou carbonados, têm origem extraterrestre. Se os diamantes dos planetas de carbono se parecerem com os diamantes carbonados, talvez o interesse por eles não seja tão grande.

Bibliografia:

A high C/O ratio and weak thermal inversion in the atmosphere of exoplanet WASP-12b
Nikku Madhusudhan, Joseph Harrington, Kevin B. Stevenson, Sarah Nymeyer, Christopher J. Campo, Peter J. Wheatley, Drake Deming, Jasmina Blecic, Ryan A. Hardy, Nate B. Lust, David R. Anderson, Andrew Collier-Cameron, Christopher B. T. Britt, William C. Bowman, Leslie Hebb, Coel Hellier, Pierre F. L. Maxted, Don Pollacco, Richard G. West
Nature
8 December 2010
Vol.: Published online
DOI: 10.1038/nature09602

Sonda espacial encontra vulcão gelado em satélite de Saturno


Folha de S. Paulo - 16/12/ 2010

0Cientistas da Nasa dizem que montanha tem 1.500 m de altura

Divulgação/Nasa
Representação digital feita pela Nasa mostra a montanha e o buraco que seria o vulcão
DE SÃO PAULO

A sonda espacial não tripulada Cassini, da Nasa, que investiga o planeta Saturno e seus arredores, encontrou indícios de um grande vulcão de gelo em Titã, o maior satélite do gigante gasoso.

Apelidado de "A Rosa", o vulcão foi encontrado com a ajuda de radares especiais e está localizado em uma montanha com aproximadamente 1.500 metros de altura.

Cientistas agora investigam seu nível de atividade e o tipo de dejeto que expele.

O anúncio foi feito ontem por Randy Kirk, que faz parte do time de especialistas que trabalham na Cassini.

"Boa parte do material do exterior de Titã é gelo e amônia. Por isso, trata-se de um material que possivelmente poderia derreter a baixas temperaturas e flutuar na superfície", disse Kirk

Segundo ele, a atual descoberta tem provas mais consistentes do que trabalhos anteriores, que também chegaram a levantar a possibilidade de vulcões gelados em Titã, mas foram posteriormente descartados.

A maior dificuldade em identificar vulcões e outros fenômenos em Titã é a sua atmosfera espessa e escura. Ela dificulta a observação de sua superfície e pode levar a erros de interpretação.

O radar da Cassini consegue "ver" através da neblina e determinar a topografia. Assim, os cientistas fazem um modelo 3D do terreno.

Já o aparelho de infravermelho da sonda pode coletar algumas informações sobre a variação na composição dos materiais de superfície. Em conjunto, a equipe de Kirk diz que essas provas são "bastante convincentes".

Os enigmáticos buracos negros

Folha de São Paulo - 12/12/2010
MARCELO GLEISER

No buraco negro, nossas noções de espaço e tempo não fazem sentido; nada escapa dele, nem a luz.

RECENTEMENTE, CIENTISTAS USANDO o observatório espacial Chandra, da Nasa, fizeram uma descoberta fabulosa: a partir dos raios-X coletados pelas antenas do local, visualizaram pela primeira vez um buraco negro "recém-nascido", com apenas 30 anos de idade. A descoberta pode ajudar a decifrar alguns dos muitos enigmas sobre eles.

Esse pertence à galáxia M100 que, estando a 50 milhões de anos-luz da Terra, não é exatamente nossa vizinha. Isso significa que a radiação coletada deixou o buraco negro há 50 milhões de anos, pouco depois dos dinossauros desaparecerem do nosso planeta.

Pode parecer estranho que saibamos que ele tinha apenas 30 anos mesmo estando tão distante, mas não é: imagine a foto de um bebê enviada de navio do Brasil para a África. A viagem é longa, mas a foto mostra o mesmo bebê.

O buraco negro é o que sobrou de uma estrela gigante, com massa 20 vezes maior do que a do Sol. Como toda estrela, essa chegou ao fim de sua vida e explodiu violentamente, lançando parte de sua matéria ao espaço. A que sobrou, compactada pela ação da gravidade, condensou-se até formar um buraco negro -onde nossas noções de espaço e tempo deixam de fazer sentido.

Podemos imaginá-lo como uma região envolvida por uma membrana chamada de "horizonte de eventos". Tal como numa praia, onde o horizonte demarca o limite do que podemos ver, o horizonte de eventos demarca a fronteira entre o exterior e o interior do buraco negro: o que passa dele jamais retorna, inclusive a luz. Daí seu nome.

A questão é o que ocorre dentro do horizonte. Buracos negros são classificados pela sua massa e rotação. Os mais simples, os que não rodam, são caracterizados por uma "singularidade" em seu centro, um ponto onde as leis da física como as conhecemos deixam de funcionar.

O problema é que, perto da singularidade, a teoria que usamos para descrever os buracos negros -a relatividade geral de Einstein- não faz sentido. Precisaríamos usar uma teoria quântica da gravidade, algo que ainda não temos.

O pouco que sabemos, após o trabalho de Stephen Hawking, é que buracos negros evaporam: eles emitem radiação eletromagnética e, aos poucos, vão perdendo sua massa. Podemos até associar uma temperatura a eles, a temperatura de Hawking, T = (1023kg/M)K, onde M é a massa do buraco negro em quilogramas e K sua temperatura em Kelvin (1 Kelvin = -273 Celsius).

Portanto, um buraco negro com a massa do Sol (M=1030kg) emite radiação a 10-7K, muito fria. Mas como a temperatura vai com o inverso da massa, buracos negros leves podem brilhar bem intensamente. É o que ocorre ao fim de suas vidas! O que levanta uma questão interessante: o que ocorre com a singularidade quando o buraco negro evapora até o fim? Será que o horizonte desaparece por completo, revelando ao mundo a singularidade, feito o Aleph do conto homônimo de Jorge Luis Borges? Ninguém sabe.

Talvez um dia, usando os descendentes do Chandra, enxerguemos o ponto onde o espaço deixa de fazer sentido. Ou, talvez, algo de inesperado ocorra antes disso. Afinal, quando se trata de buracos negros, o inesperado é a norma.

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MARCELO GLEISER é professor de física teórica no Dartmouth College, em Hanover (EUA), e autor do livro "Criação Imperfeita"

10 de dez de 2010

Ciência brasileira contabiliza avanços dos últimos quatro anos

Ministério da Ciência e Tecnologia - 09/12/2010

Aumento de recursos, aperfeiçoamento do marco legal e notável avanço no ambiente da inovação tecnológica nas empresas. Na avaliação do ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende, esses foram os grandes resultados obtidos na área de Ciência e Tecnologia e Inovação (C,T&I) no Brasil nos últimos quatro anos.
 
O balanço foi apresentado na reunião do Conselho Diretor do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), nesta quarta-feira (8), em Brasília, com a presença de representantes de ministérios, de agências de fomento e de instituições ligadas aos setores científico, acadêmico, financeiro e empresarial.

Para Rezende, o maior aporte de recursos financeiros permitiu ampliar a formação de recursos humanos e o financiamento da pesquisa básica e aplicada. As Leis aprovadas (Inovação, Biossegurança, Lei do Bem, Regulamentação do FNDCT, entre outras) e a articulação com os governos estaduais contribuíram para a consolidação do Sistema Nacional de C,T&I. E ainda os novos mecanismos operados pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep/MCT) possibilitaram oferecer um leque de instrumentos para financiar projetos de empresas.

O ministro falou sobre a evolução da Política de C&T no País em 60 anos e divulgou números atualizados do relatório do Plano de Ação em C,T&I, (PACTI 2007-2010), que teve entre seus objetivos o de organizar e sistematizar as modalidades de apoio no setor, por intermédio de quatro prioridades, 21 linhas de ação e 87 programas e iniciativas.

Resultados

Os resultados são animadores na opinião do ministro. As bolsas de pesquisa oferecidas pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq/MCT) passaram de 63 mil (em 2007) para 80 mil (em 2010). O CNPq aprovou 35 mil projetos de pesquisa no mesmo período e a Finep contemplou mais de três mil grandes projetos em 84 editais e chamadas.

No âmbito empresarial, um dos saldos positivos é o maior investimento do setor em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), via incentivos fiscais da Lei do Bem, totalizando mais de R$ 8 bilhões (em 2008 e em 2009), ante R$ 5 bilhões (em 2007) e R$ 2 bilhões (em 2006).

O Brasil também assume a liderança na América Latina e se aproxima de países mais desenvolvidos em relação ao investimento em P&D. Em levantamentos mais recentes, a soma dos valores investidos pelo setor público e pelo empresarial deve alcançar a marca de R$ 44 bilhões este ano. Esse montante representa quase o dobro do total aplicado em 2004, de R$ 24 bilhões, e 1,25% do Produto Interno Bruto (PIB).

Para o secretário executivo do MCT, Luis Antonio Elias, a avaliação pode ser ainda mais otimista se somados os recursos investidos em C&T e em P&D. “Nós chegaremos na verdade a quase R$ 60 bilhões ao longo do período de cinco anos. “O que nos permite ter em conhecimento, ou seja, naquilo que é o fundamento em ciência e tecnologia, 1,62%, portanto, ultrapassamos a meta de 1,5% (como percentual do PIB)”, argumenta Elias.

Segundo o ministro Rezende, só o orçamento do MCT (executado entre 2007 e 2009 e previsto em 2010) chega a R$ 41 bilhões. “Os resultados desse grande avanço, com recursos e financiamentos, já estão aparecendo. A formação de recursos humanos continua avançando no País. Estamos formando mestres e doutores 10 vezes mais do que há 20 anos”, comemorou.

Dados da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), do Ministério da Educação (MEC), que também investe na pós-graduação, revelam o quantitativo de 38 mil mestres e 11 mil doutores titulados em 2009.

O crescimento das publicações científicas brasileiras também mereceu destaque do ministro, com média de 10,5% de aumento, em 28 anos. O desempenho despertou o interesse de grandes revistas científicas internacionais, neste ano, como a Nature e a Science Magazine. “O avanço no cenário internacional (desse reconhecimento) é maior do que no próprio País”, comentou.

Chama gigante é observada no Sol

Scientific American Brasil - 08/12/2010

Ponte de matéria de 700 mil quilômetros é lançada no espaço sob efeito de explosões que atingem o corpo gasoso solar.


SDO/Nasa


POR ULISSES CAPOZZOLI


Uma enorme explosão solar, que ejeta matéria a até 700 mil quilômetros sobre a superfície da estrela aflora, desde domingo, junto ao pólo sul solar, de acordo com imagens distribuídas hoje (7/12) pela agência espacial americana, Nasa.

O atual ciclo de explosões solares, o 24º, desde que começaram a ser observados com fins científicos, deve ter seu pico de intensidade em maio de 2013. Mas essa é apenas uma previsão, já que o ciclo médio de 11 anos, entre as fases de máxima e mínima atividade solar, varia entre 9 a 14 anos.

Nos períodos de máxima intensidade, como ocorre agora, satélites que transmitem imagens de televisão podem ser afetados, fazendo com que os sinais sejam interrompidos por alguns minutos. Entre outras conseqüências, isso faz com que as explosões solares sejam percebidas por um número significativo de pessoas, ao contrário do que ocorria no passado, quando a existência de serviços baseados em satélites em órbita não existiam ou estavam restritos a uma elite.

As explosões que ocorrem neste momento, no entanto, a exemplo do que já foi observado no passado podem afetar até mesmo a eficiência de redes de transmissão de energia elétrica, especialmente em regiões mais próximas dos pólos. Isso porque um escudo magnético desvia chuva de partículas produzidas por essa atividade e que afeta todo o interior do Sistema Solar, incluindo a Terra, a 150 milhões de quilômetros do Sol.

Se o pico de atividades, que também produz as incríveis auroras solares, afeta instrumentos eletrônicos em órbita e mesmo na superfície do planeta, a fase de mínimo solar também tem impactos. Neste caso, a ausência de explosões implica em quedas de temperaturas na Terra, o que resulta em menos evaporação e, em consequência, redução nas chuvas com impacto na produção agrícola, entre outras atividades.

Para compreender as explosões solares é preciso levar em conta, basicamente, que o Sol é uma enorme bomba atômica, mais especificamente uma bomba de hidrogênio, em atividade há 5 bilhões de anos. A cada segundo o Sol transforma aproximadamente 600 mil toneladas de hidrogênio em hélio, por um processo que os físicos chamam de reação de fusão, neste caso numa reação próton-próton.

Isso significa que as pessoas não devem alarmar-se com notícias de que enormes pontes de matéria emergem da superfície solar, produzem chamas visíveis mesmo com pequenos telescópio e voltam a precipitar-se na superfície da estrela.

Mas, atenção: proprietários de pequenos telescópios não devem observar a estrela com esses equipamentos sob pena de terem severa queima de retina e ficarem cegos. Para observação solar direta é necessário o uso de filtros especiais. Ou, de forma ainda mais segura, projetar a imagem em um pequeno painel.

Explosões solares estão associadas a manchas que se manifestam na superfície solar. Elas resultam de campos magnéticos torcidos que atravessam o corpo esférico do Sol e podem ser observadas em hemisférios opostos dessa estrela. Essas linhas magnéticas, segundo físicos solares, inibem a ascensão de energia do coração do Sol até sua superfície e daí para o Sistema Solar e mesmo fora dessa região, quando a chuva de partículas, o vento solar, interage com a atividade de estrelas vizinhas, como o sistema estelar triplo de Alfa do Centauro, a 4,3 anos-luz de distância.

Além de sistemas eletrônicos a bordo de satélites em órbita, e mesmo instrumentos em Terra, astronautas a bordo da Estação Espacial Internacional (ISS), por exemplo, devem ter proteção especial e não realizar operações externas (EVA) fora da proteção da estação.

Apesar da ponte observável no Sol neste momento, previsões são de que o ciclo atual deve ser o mais ameno desde 1928, durante o 16º ciclo de observações, segundo previsões da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOOA) dos Estados Unidos.

Uma grande tempestade solar, ocorrida em 1859, conhecida como “Evento de Carrington” provocou, entre outros efeitos, incêndios em equipamentos de telégrafos e auroras polares tão intensas que permitiam a leitura de jornais mesmo durante a noite, no caso do hemisfério norte já que, nessa época, a Antártida ainda não estava equipada com as atuais estações de pesquisa científica.

Dados da Academia Nacional de Ciência, nos Estados Unidos, estimam que a repetição de uma tempestade dessa magnitude agora produziriam danos de até U$ 2 bilhões e exigiria até 10 anos de trabalhos para recuperações.

Revelada forma de vida que incorpora arsênico em seu DNA

Scientific American Brasil
03 de dezembro de 2010


Desculpe, mas ainda não descobriram ETs, conforme circulou na Twitterlândia

por John Matson

Cultura da bactéria que se desenvolve com arsênico
Science/AAAS

A vida como a conhecemos é extremamente diversificada e adaptável, permitindo que organismos existam em alguns dos lugares mais inóspitos do planeta. Mas a “vida” tende a se basear em uma matriz, recombinando seis elementos básicos e deixando aberta a possibilidade de outras combinações que compõem tipos totalmente diferentes de atividades biológicas. A vida como a conhecemos pode não ser tudo o que existe, tanto para a biologia terrestre ou extraterrestre.

Essa possibilidade parece agora mais promissora à luz de um novo estudo sobre uma bactéria isolada do lago Mono, na Califórnia, que usa arsênico, geralmente venenoso à vida, como um dos seus principais nutrientes. O microrgonismo pode até levar o arsênico à suas biomoléculas, substituindo o fósforo como elemento estrutural no DNA e, possivelmente, em moléculas de transporte de energia, como trifosfato de adenosina (ATP). O estudo foi publicado on-line no dia 2 de dezembro na revista Science.

"Isso é um verdadeiro avanço, uma verdadeira surpresa para mim", exulta o coautor do estudo Ronald Oremland, geomicrobiologo do U.S. Geological Survey (USGS), em Menlo Park, Califórnia. "Temos um novo elemento no grupo dos seis que, pelo menos para esse organismo, pode sustentar a vida.” O padrão dos seis elementos são carbono, hidrogênio, nitrogênio, oxigênio, fósforo e enxofre.

Oremland havia descoberto no lago Mono bactérias hipersalinas ricas em arsênico que usam o elemento nas reações de fotossíntese ou respiração, mas ninguém havia demonstrado a absorção do elemento para uso interno celular. Ele explica que continuou estudando com a companheira e geomicrobiologa Felisa Wolfe-Simon, primeira autora do novo estudo, que levantou uma questão interessante: e se o arsênico, na forma do íon arseniato, legendar íons de fosfato no interior celular? Afinal, o arsênico é o vizinho de baixo do fósforo na tabela periódica dos elementos, e fosfato e arsenato são primos químicos.

Oremland inicialmente não acreditou na ideia de Felisa. "Olhei para ela como se fosse maluca", diz ele. Mas Felisa e seus colegas continuaram a desenvolver a hipótese e, no início do ano, junto com Oremland, obtiveram uma bolsa de estudos em exobiologia pela Nasa.

Com os estudos, descobriram que a bactéria se desenvolve melhor com fósforo, porém cresce muito bem com arsênico. "Continuávamos dizendo que isso não poderia ser real, que deveria estar faltando alguma coisa", relata Oremland. Mas depois de um conjunto de alta tecnologia de espectroscopia, analises de raio-x, marcadores de radioisótopos, espectroscopia de massa, os pesquisadores descobriram que arsenato era de fato incorporado as biomoléculas, incluindo a estrutura do DNA, espaço habitualmente ocupado por fosfato.

O “porquê” de essa bactéria ter uma propensão para o arsênio ainda não está claro. Talvez algumas formas de vida tenham, evoluído em ambiente rico em arsênico e depois migraram para uma região mais típica da Terra, onde o fósforo é muito mais abundante. "A vida poderia ter sido adaptada para o uso de arsênico e/ou fósforo," diz Oremland.

Antes da publicação do estudo, circulou uma especulação desenfreada através do Twitter e na blogosfera, por causa de um comunicado de imprensa da Nasa prometendo uma entrevista coletiva para “discutir um achado da exobiologia que teria impacto na busca por evidências de vida extraterrestre". Um blog popular, kottke.org, provocou frenesi com a manchete "A Nasa descobriu vida extraterrestre?".

Alguns, sem dúvida, devem estar decepcionados com a resposta a essa questão e pela natureza francamente terrestre dos novos resultados. Mas a pesquisa não deixa de ter implicações para a miríade de tipos de vida que exobiólogos algum dia encontrarão no Sistema Solar ou fora dele. Esse estudo evidencia o fato de como a vida pode ser adaptável e como deveríamos esperar o inesperado. Se olharmos para outros lugares, como os lagos de hidrocarbonetos de Titã ou os desertos de Marte, realmente não devemos subestimar a capacidade de vida adaptada a esse lugares.

Radiação de buracos negros é simulada com raios laser

Site Inovação Tecnológica
 
A radiação calculada pela teoria foi de fato emitida e capturada pela câmera infravermelha, o que pode tornar o experimento uma demonstração indireta da radiação de Hawking, reforçando as atuais teorias. [Imagem: Alan Stonebraker]

Uma equipe de cientistas italianos disparou um feixe de laser em um pedaço de vidro para criar o que eles acreditam ser um análogo óptico da radiação de Hawking, que se acredita ser emitida pelos buracos negros.
Embora a potência do experimento com o laser nem se compare com os ultra-densos buracos negros, as teorias matemáticas utilizadas para descrever os dois casos são semelhantes o suficiente para que a confirmação da radiação de Hawking induzida pelo laser permita reforçar a confiança em que os buracos negros de fato emitam a radiação de Hawking.

Radiação de Hawking

Em 1974, Stephen Hawking previu a emissão de uma radiação pelos buracos negros, que seria produzida pela geração espontânea de fótons na fronteira desses corpos enigmáticos.
Mas os cálculos indicam que ela é tão fraca que muitos físicos acreditam ser virtualmente impossível detectá-la. Desta forma, a única maneira de testar a teoria de Hawking é fazer experimentos de laboratório que possam servir como análogos da situação real, impossível de ser observada.
Outros pesquisadores já haviam usado lasers para simular a radiação de Hawking, mas encontraram dificuldades em isolá-la de outras formas de luz emitidas durante os experimentos.
Belgiorno Franco e seus colegas idealizaram seu experimento combinando um feixe de laser ajustável com um alvo de vidro grosso, o que lhes permitiu limitar a radiação de Hawking a determinados comprimentos de onda da luz infravermelha e capturá-la com uma câmera infravermelha muito sensível.
A radiação calculada pela teoria foi de fato emitida e capturada pela câmera infravermelha, o que pode tornar o experimento uma demonstração indireta da radiação de Hawking, reforçando as atuais teorias.

Mitologias da ciência

A existência da radiação de Hawking também coloca um limite para a vida dos buracos negros: se eles emitem radiação, por maior que seja sua massa, ela poderá se exaurir, ainda que isso leve um tempo difícil de calcular - embora alguns cientistas afirmem que é possível imaginar um buraco negro eterno.
Buracos negros não podem ser detectados diretamente com a tecnologia atual, o que os tem transformado em verdadeiras "figuras mitológicas" da ciência moderna - não no sentido estreito de não existirem, mas de incorporarem significados que não pertencem ao objeto em si.
Os físicos já afirmaram que os buracos negros não são buracos, mas bolhas, que eles não são realmente negros e que podem nem mesmo ser buracos, que podem ser portais para outros universos e até mesmo que buracos negros podem não existir.
Mais recentemente, um grupo de físicos propôs uma maneira de criar buracos negros em laboratório, o que poderia permitir seu estudo mais pormenorizado.

Bibliografia:

Hawking Radiation from Ultrashort Laser Pulse Filaments
F. Belgiorno, S.L. Cacciatori, M. Clerici, V. Gorini, G. Ortenzi, L. Rizzi, E. Rubino, V.G. Sala, D. Faccio
Physical Review Letters
November 2010
Vol.: 105, 203901 (2010)
DOI: 10.1103/PhysRevLett.105.203901

Cientista comenta "bactéria alienígena" anunciada pela NASA

Morgan Bettex - MIT - 07/12/2010

Sara Seager é professora de Ciências Planetárias do MIT, e estuda organismos conhecidos como extremófilos, que podem viver em ambientes extremos. Nesta entrevista, ela comenta a descoberta de uma bactéria que parece substituir o fósforo por arsênio.[Imagem: NASA/MIT]
No último dia 2, a NASA anunciou a descoberta de uma bactéria que pode crescer em uma dieta de arsênio e, portanto, não compartilha os blocos de construção biológica tradicionalmente associados com as formas de vida que conhecemos.

A descoberta levanta a possibilidade de que podem existir organismos em configurações que não se acreditava serem possíveis - nem aqui na Terra e nem em outro lugar.
Sara Seager, professora de Ciências Planetárias do MIT, estuda organismos conhecidos comoextremófilos que podem viver em ambientes extremos.
Seu trabalho é parte de um esforço para procurar vida em planetas fora do Sistema Solar, os chamadosexoplanetas.
Ela falou sobre a descoberta - e o que essa descoberta significa para a busca de vida em outras partes do universo.


P. Como esta descoberta pode impactar nossa compreensão corrente de como surgiu a vida na Terra?

A nova descoberta é sobre bactérias que podem substituir o fósforo por arsênio nos elementos fundamentais constituintes das células. O arsênio e o fósforo são quimicamente semelhantes.
Nessas bactérias, o arsênio está associado com os ácidos nucleicos e com as proteínas de uma maneira que levou os pesquisadores a sugerirem que o fósforo está sendo substituído pelo arsênio na cadeia de DNA da bactéria.
Contudo, descobertas extraordinárias exigem provas extraordinárias, e dados mais detalhados serão necessários para se chegar a conclusões mais robustas.


Um experimento realizado na Estação Espacial Internacional revelou que alguns animais e plantas sobrevivem até 18 meses no vácuo do espaço. [Imagem: ESA/NASA]
Por si só, a nova descoberta não sugere nada de novo para a compreensão da origem da vida na Terra.
O arsênio como um bloco de construção bioquímica é quase certamente uma adaptação, e não um remanescente de um cenário diferente para a origem da vida.
A conclusão é, no entanto, verdadeiramente entusiasmante ao mostrar que a vida pode existir fora das verdades tradicionais que têm sido convencionalmente aceitas até agora.
Os pesquisadores vão, sem dúvida, procurar por evidências que sustentem a existência de uma "biosfera sombra", uma biosfera microbiana com formas de vida que nós ainda não reconhecemos porque elas poderiam ter uma bioquímica radicalmente diferente.
Uma biosfera sombra significaria uma "segunda gênese" - uma origem e uma rota evolutiva independentes para o resto da vida como a conhecemos.

P. O que esta descoberta representa para a busca de vida em planetas extrassolares? Os pesquisadores vão começar a procurar arsênio nas atmosferas dos exoplanetas? Isso irá afetar os tipos de planetas que os pesquisadores irão procurar?

A descoberta reforça nossa motivação para pensar de forma tão ampla quanto possível sobre os tipos de ambientes que são adequados para a vida.
A descoberta não vai mudar o tipo de exoplanetas que estamos procurando na busca por vida em outros mundos; a este respeito, estamos limitados pela tecnologia e pelo número de estrelas próximas.
A descoberta apóia a noção de que a vida nos exoplanetas poderia ser muito diferente da vida na Terra. Não estamos preocupados do que é feita a vida nos exoplanetas, apenas o que essa vida faz e quais bioassinaturas ela gera.
Ainda que o arsênio não seja um gás tido como uma bioassinatura, a descoberta é uma clara advertência de que é provável haver gases não reconhecidos como bioassinaturas, e precisamos começar a trabalhar para identificá-los.

Um laboratório brasileiro, localizado em Valinhos (SP),estuda a vida fora da Terra, incluindo pesquisas sobre os extremófilos. [Imagem: NASA]

P. O que são extremófilos, e como eles se relacionam com as bioassinaturas, ou sinais de vida?

Os extremófilos são formas de vida que podem existir em ambientes extremos. Alguns organismos realmente prosperam em situações que matariam a maior parte das outras formas de vida, incluindo os seres humanos.
Alguns exemplos incluem os termófilos, que florescem em temperaturas acima do ponto de ebulição da água, os barófilos, que vivem nas altas pressões no fundo do oceano, e os acidófilos, que existem em condições altamente ácidas.
A nova descoberta envolve bactérias que vivem em um lago rico em arsênio - um lago que tem também uma elevada concentração de sal e muito baixa acidez.
Os extremófilos, como toda a vida, têm subprodutos metabólicos. Ao fazer o sensoriamento remoto de vida em planetas distantes, estamos interessados em gases que são subprodutos metabólicos que se acumulam na atmosfera do planeta e possam ser identificados. Nós os chamamos de bioassinaturas gasosas.
Os extremófilos são tão variados nas substâncias químicas que eles comem e respiram que podem produzir uma grande variedade de gases que poderiam ser potenciais bioassinaturas em outros mundos.

CERN dá mais um passo no estudo da antimatéria


Redação do Site Inovação Tecnológica - 07/12/2010


O experimento ASACUSA conseguiu produzir um número significativo de átomos de antihidrogênio, o equivalente de antimatéria do hidrogênio. [Imagem: Asacusa Group]

Mais um experimento ligado ao CERN, que gerencia o LHC, fez progressos no estudo da antimatéria, desta vez usando uma técnica diferente.
Utilizando uma nova armadilha de partículas, chamada Cusp, o experimento ASACUSA conseguiu produzir um número significativo de átomos de antihidrogênio, o equivalente de antimatéria do hidrogênio.

Pósitrons e antiprótons

A antimatéria - ou a falta dela - continua a ser um dos maiores mistérios da ciência. Matéria e antimatéria devem ser idênticas, exceto por terem cargas opostas.
O problema é que elas se aniquilam tão logo se encontram. Isso pode ser muito bom para quem está tentando construir um laser de raios gama, mas não é nada bom para quem quer estudar a própria antimatéria.
Assim, o maior desafio para estudar a antimatéria é criá-la e mantê-la afastada dos átomos de matéria ordinária por um tempo suficiente para fazer os experimentos.
A armadilha Cusp usa uma combinação de campos magnéticos para colocar antiprótons e pósitrons juntos para formar átomos de antihidrogênio. Depois eles são canalizados ao longo de um tubo de vácuo, onde podem ser estudados enquanto se movem.
Até agora, apenas alguns poucos átomos de antihidrogênio foram produzidos dessa maneira, mas o objetivo final do experimento é produzir uma quantidade suficiente para investigar seu comportamento em detalhes com a ajuda de micro-ondas.
A abordagem do experimento ASACUSA é complementar à do experimento ALPHA, que capturou os primeiros átomos de antimatéria há alguns dias.
"Com esses métodos alternativos de produzir e, eventualmente, estudar o antihidrogênio, a antimatéria não será capaz de esconder suas propriedades de nós por muito mais tempo", disse Yasunori Yamazaki, do instituto japonês RIKEN, que coordena o experimento ASACUSA. "Ainda há um caminho a percorrer, mas estamos muito felizes de ver que a técnica funciona bem."

A armadilha Cusp usa uma combinação de campos magnéticos para colocar antiprótons e pósitrons juntos para formar átomos de antihidrogênio. [Imagem: Asacusa Group]
Antimatéria híbrida

ASACUSA é uma sigla para Atomic Spectroscopy and Collisions Using Slow Antiprotons, ou espectroscopia atômica e colisões usando antiprótons lentos - um nome bem forçado para coincidir com o nome do templo mais antigo de Tóquio, já que o experimento é coordenado por pesquisadores japoneses.
Em vez de comparar diretamente átomos normais com seus correspondentes de antimatéria, como faz o ALPHA e outro experimento da área, o ATRAP, os físicos do ASACUSA criam átomos híbridos, como o hélio antiprotônico.
O hélio tem a segunda estrutura atômica mais simples depois do hidrogênio, sendo formado por dois elétrons em torno de um núcleo. O hélio antiprotônico é formado juntando um desses elétrons com um antipróton.
Esses átomos híbridos são mais fáceis de produzir do que os átomos de anti-hidrogênio, e podem ser conservados por mais tempo.
Para conhecer um híbrido de matéria e antimatéria ainda mais estranho, veja a reportagem Átomos de positrônio unem-se em moléculas de matéria e antimatéria.

'Science' aplaude ciência brasileira

O Globo - 03/12/2010

Crescimento das pesquisas nacionais é tema de reportagem da revista

Renato Grandelle


O bom momento brasileiro, tema de muitas reportagens na imprensa estrangeira, chegou à "Science". A revista dedica sete páginas de sua edição de hoje às transformações da pesquisa científica no país na última década. Mas, além da multiplicação de recursos e de artigos acadêmicos publicados, o repórter Antonio Regalado também destaca pontos fracos, como a carência de mão-de-obra qualificada.

Entre 1997 e 2007, de acordo com a revista, o número de estudos publicados por pesquisadores brasileiros mais do que dobrou. Agora, são cerca de 19 mil, o que põe o país na 13ª posição entre os que mais produzem descobertas, à frente de Holanda, Israel e Suíça.

Este ano, o país concedeu duas vezes mais títulos de dourado do que em 2001. Cerca de 130 instituições federais de pesquisa foram criadas desde então. A conquista de tantos novos postos de trabalho não surpreende quem acompanha o orçamento do Ministério de Ciência e Tecnologia. Dez anos atrás, a pasta contava com US$600 milhões em caixa. Hoje, são US$4 bilhões. Isso permitiu ao governo, por exemplo, restabelecer, em 2008, o seu programa nuclear, após duas décadas de marasmo.
                   
"É a mudança na sorte de uma noção que, durante a década de 90, foi acossada por problemas econômicos", lembra a reportagem. "À época, os pesquisadores careciam de fundos; o Brasil chegou a ver sua bandeira ser removida do logotipo da Estação Espacial Internacional depois de não conseguir financiamento para a construção de seis componentes."

O reconhecimento internacional foi comemorado por Jacob Palis, presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC).

- Há uma correlação entre investimentos em ciência, tecnologia e inovação e o avanço no padrão de vida da sociedade - destaca. - O país está ciente disso, e, nos últimos 40 anos, formou uma equipe de cientistas muito forte. E o pré-sal será uma dádiva, porque multiplicará os recursos destinados às pesquisas, sobretudo aquelas ligadas ao meio ambiente.

Área biológica é mais carente de recursos

Para o presidente da ABC, a produção brasileira em matemática, física e engenharia já é semelhante à de países desenvolvidos. A área biológica, no entanto, ainda necessita de investimentos maciços em laboratórios, equipamentos e recursos humanos para tornar-se competitiva internacionalmente.

- Também temos um grande gargalo nas pesquisas promovidas por empresas - ressalta. - Embora haja projetos para estimular a produção científica nesse âmbito, muitas ainda preferem importar as novidades do exterior.

Outro calcanhar-de-aquiles, identificado pela "Science" e por Palis, é o baixo contingente de pesquisadores alocados na Amazônia - hoje, são apenas 300. Um estudo recente da ABC propõe ao governo oferecer salários maiores aos cientistas que moram na região.

Autoridades federais entrevistadas pela "Science" anunciaram sua pretensão de dobrar o volume atual de pesquisas até 2020, tornando o Brasil uma potência na área. Palis concorda com a meta, mas a condiciona à maior reserva de recursos ao Ministério de Ciência e Tecnologia.

- A pasta tem 1,1% do PIB à disposição. Precisamos de 2,2% - recomenda o pesquisador que reforçou a cobrança em uma nota divulgada ontem, em conjunto com a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, e destinada à equipe de transição do governo Dilma Rousseff.

O discurso do Universo

Folha de São Paulo - 05/12/2010

MARCELO GLEISER


"É verdade que tenho certo xodó pelos seres humanos, encontro neles uma magia que vai além do sobreviver"

Gostaria de começar agradecendo aos membros da raça humana que, usando sua criatividade e diligência, têm aprendido tanto sobre minhas propriedades nos últimos milênios. Neste discurso, para manter a clareza, usarei a noção humana de tempo, a qual, apesar de sua inocência, é bem prática.

Continuo em expansão, como é o caso já há 13,7 bilhões de anos. Confesso que, durante a maior parte desse tempo, me senti bem sozinho.

O silêncio era profundo, nenhuma mente perscrutando os mistérios que criei para me distrair durante a passagem das eras.

Na infância, meu volume era repleto de partículas e de radiação que, devido ao enorme calor e à grande pressão, interagiam furiosamente sem criar qualquer estrutura mais complexa.

Apenas após 400 mil anos surgiram os primeiros átomos. Mesmo assim, só os mais simples estavam presentes- os que os humanos chamam de "hidrogênio" e "hélio".

É verdade que tenho certo xodó pelos humanos. Existem muitas formas de vida espalhadas pelo meu domínio. Embora algumas sejam bem curiosas, a maioria não faz nada mais do que sobreviver. Já nos humanos, encontro aquela mágica que faz toda a diferença, uma apreciação por coisas que vão além do mero sobreviver. Inventaram conceitos como dignidade, respeito e amor, que considero muito criativos.

Talvez sejam eles a razão pela qual outras formas de vida inteligente se autodestroem após atingir uma certa sofisticação tecnológica, enquanto os humanos permanecem vivos.

Esses primeiros átomos de hidrogênio, devido à ação da gravidade, condensaram-se em esferas gigantes, as estrelas. No seu centro, temperaturas de 15 milhões de graus Celsius levam o hidrogênio a virar hélio, o segundo elemento.

É essa transmutação que mudou a minha história. Nada é mais importante do que ela! Dela, estrelas em ignição produzem a energia e a luz que aquecem seus planetas; dela, a vida extrai energia; dela, quando as estrelas se aproximam do fim de suas vidas, outros elementos químicos são formados e distribuídos pelo espaço, tornando a vida possível por todo o meu domínio.

Para o meu deleite, esses humanos entenderam tudo isso em apenas 400 anos. Mesmo assim, adorei ver a cara de alguns de seus cientistas quando descobriram, recentemente, que minha expansão está em aceleração. Acho que estão finalmente entendendo que é melhor manterem suas cabeças abertas e olhar para a Natureza com humildade. Quanto mais estudarem os meus mistérios, mais surpresas encontrarão. Espero que os outros brutos que existem em meu domínio, que passam sua existência lutando e se matando por razões patéticas, aprendam essa lição e comecem a se dedicar à busca pelo conhecimento.

Sei que fui parcial quando deixei a Terra se formar 4,6 bilhões de anos atrás. É mesmo um mundo especial. Estranho que os humanos estejam demorando tanto para entender isso. Especialmente agora, que podem estudar outros mundos. Espero que acordem logo. Nesse meio tempo, continuarei a criar e destruir mundos. Assim, me divirto e inspiro os humanos a aprenderem mais sobre mim. Afinal, preciso ser franco.

Até mesmo eu sou uma invenção das suas mentes.


MARCELO GLEISER é professor de física teórica no Dartmouth College, em Hanover (EUA), e autor do livro "Criação Imperfeita".