28 de jul de 2011

Encontrado primeiro asteroide cavalo de troia da Terra

Redação do Site Inovação Tecnológica - 27/07/2011

Encontrado primeiro asteroide cavalo de troia da Terra
Os astrônomos já haviam previsto que a Terra teria esses companheiros dissimulados, mas é muito difícil encontrá-los porque eles são relativamente pequenos e sempre aparecem perto do Sol. Nesta ilustração, o asteroide aparece em cinza e sua órbita estranha está em verde. A órbita da Terra é mostrada pelos pontos azuis.[Imagem: Paul Wiegert]

Cavalo de troia espacial

O telescópio de infravermelho WISE, da NASA, descobriu o primeiro asteroide "cavalo de troia" ligado à Terra. Cavalos de troia são asteroides que compartilham uma órbita com um planeta, ficando próximos aos pontos gravitacionalmente estáveis, chamados pontos de Lagrange, na frente ou atrás do planeta.
Como eles constantemente estão à frente ou atrás, na mesma órbita que o planeta, eles nunca podem colidir com ele. Em nosso sistema solar, já se conhecem asteroides cavalo de troia que compartilham as órbitas de Netuno, Marte e Júpiter. Duas das luas de Saturno também dividem suas órbitas com cavalos de troia.

Cavalo de troia da Terra

Os astrônomos já haviam previsto que a Terra teria esses companheiros dissimulados, mas é muito difícil encontrá-los porque eles são relativamente pequenos e, do ponto de vista da Terra, aparecem sempre perto do Sol.
"Esses asteroides aparecem principalmente à luz do dia, tornando muito difícil vê-los," comentou Martin Connors, da Universidade de Athabasca, no Canadá. "Mas nós finalmente encontramos um, porque o objeto tem uma órbita incomum para um cavalo de troia, que o leva mais longe do Sol."
Na verdade, o telescópio WISE foi capaz de detectar nosso primeiro cavalo de troia, chamado 2010 TK7, devido à sua órbita excêntrica, que o coloca até 90 graus de distância do Sol. O WISE varre todo o céu a partir de uma órbita polar, por isso ele tinha a posição perfeita para encontrar o 2010 TK7.

Sem riscos de invasão

O asteroide tem aproximadamente 300 metros de diâmetro. Ele tem uma órbita incomum, que traça um movimento complexo perto de um ponto gravitacionalmente estável no plano da órbita da Terra, apesar de o asteroide também se mover acima e abaixo do plano.

O objeto está a cerca de 80 milhões de quilômetros da Terra.

Sua órbita é bem definida e, pelo menos nos próximos 100 anos, não se aproximará da Terra a menos do que 24 milhões de quilômetros. Em Abril deste ano, outro grupo descobriu um asteroide que acompanha a órbita da Terra, mas ele não se enquadrou na categoria de cavalo de troia.

Bibliografia:

Earth s Trojan asteroid
Martin Connors, Paul Wiegert, Christian Veillet
Nature
27 July 2011
Vol.: Published online
DOI: 10.1038/nature10233

Brilho na ionosfera anuncia tsunami com uma hora de antecedência

Redação do Site Inovação Tecnológica - 19/07/2011

Luminescência na ionosfera

Uma equipe internacional de pesquisadores, incluindo um cientista brasileiro, descobriu que pode ser possível detectar mais rapidamente um tsunami olhando para o ar do que para a água.
O grupo descobriu que a formação do tsunami gera uma "assinatura" característica na forma de uma leve luminescência, uma espécie de brilho, nas camadas mais altas da atmosfera.
A luminescência precede o tsunami em cerca de uma hora, sugerindo que a tecnologia poderá ser usada como um sistema de alerta complementar para a população.
Os pesquisadores usaram uma câmera especial em Maui, no Havaí, para captar a assinatura gerada pelo terremoto de 11 de Março, que gerou um tsunami que devastou grandes áreas de Japão.
A luminescência foi detectada a 250 quilômetros de altitude.

Ondas de grande amplitude

Tsunamis podem gerar ondas de amplitudes significativas na atmosfera superior - neste caso, gerando o brilho na camada de ar.
Conforme um tsunami se move através do oceano, ele produz ondas de gravidade atmosféricas, forçadas pelas ondulações na superfície do oceano, mesmo que estas tenham poucos centímetros de altura.
As ondas podem alcançar vários quilômetros de altitude, onde a atmosfera neutra coexiste com o plasma na ionosfera, causando perturbações que geram o brilho.
Os cientistas verificaram que as propriedades das ondas na alta atmosfera coincidiam com as medições do tsunami ao nível do mar, confirmando que o brilho foi originado pela onda gigante.

Céu claro e sorte

A observação confirma uma teoria desenvolvida na década de 1970, que propõe que a assinatura de tsunamis pode ser observada na atmosfera superior, especificamente na ionosfera. Mas, até agora, a teoria só havia sido demonstrada usando sinais de rádio transmitidos por satélites.
"Gerar uma imagem dessa resposta usando a luminescência é muito mais difícil porque a janela de oportunidade para fazer as observações é muito estreita," explica Jonathan Makela, da Universidade de Illinois em Urbana-Champaign, nos Estados Unidos. "Nossa câmera estava no lugar certo, na hora certa."
Na noite do tsunami, as condições acima do Havaí estavam ótimas para permitir o registro da luminescência: eram quase 02:00 horas da madrugada, sem a lua e sem nuvens obstruindo a visão do céu noturno.

De cima para baixo

O grande inconveniente de usar o brilho da ionosfera como um sistema de alerta de tsunamis é que ele somente seria eficaz em noites de céu muito claro.
Os cientistas afirmam que a alternativa é colocar uma câmera especial a bordo de um satélite geoestacionário, que poderia monitorar continuamente grandes regiões oceânicas.
O estudo contou com a participação do pesquisador Alan Kherani, do Instituto Nacional de Pesquisais Espaciais (INPE).

Bibliografia:
Imaging and modeling the ionospheric airglow response over Hawaii to the tsunami generated by the Tohoku earthquake of 11 March 2011
J. J. Makela, P. Lognonné, H. Hébert, T. Gehrels, L. Rolland, S. Allgeyer, A. Kherani, G. Occhipinti, E. Astafyeva, P. Coïsson, A. Loevenbruck, E. Clévédé, M. C. Kelley, J. Lamouroux
Geophysical Research Letters
Vol.: 38, L00G02
DOI: 10.1029/2011GL047860



Rotação da galáxia pode explicar disparidade entre matéria e antimatéria

Site Inovação Tecnológica
Peter Dunn - 18/07/2011

Rotação da galáxia pode explicar disparidade entre matéria e antimatéria
A rotação da nossa galáxia tem um efeito de torção no nosso espaço local que é um milhão de
vezes mais forte do que a causada pela rotação da Terra,
o que poderia explicar vários "efeitos estranhos" detectados
na física das partículas. [Imagem: University of Warwick/Mark A Garlick]


Violação da paridade de carga

Um físico da Universidade de Warwick, no Reino Unido, produziu uma solução de dimensões galácticas para explicar um dos mais desafiadores quebra-cabeças da física atual.
E a solução ainda deixa uma porta aberta para explicar o enigma do "desaparecimento" da antimatéria que deve ter sido criada no surgimento do nosso Universo.
Os físicos adorariam um universo bem-comportado, onde as leis da física fossem tão universais que cada partícula e sua antipartícula se comportassem da mesma maneira.
No entanto, nos últimos anos, observações experimentais de partículas conhecidas como kaons e mésons B revelaram diferenças significativas na forma como a matéria e a antimatéria decaem.
Esta "violação da paridade de carga", ou "violação de CP", é uma anomalia inconveniente para alguns pesquisadores, mas é um fenômeno útil para outros, já que pode abrir o caminho para uma explicação de por que mais matéria do que antimatéria parece ter sobrevivido ao nascimento do nosso universo.
Arrastamento do espaço-tempo em escala galáctica
Agora, o Dr. Mark Hadley, acredita ter encontrado uma explicação testável para a aparente violação da paridade de carga, uma explicação que não apenas preserva a paridade, mas também torna a violação da paridade de carga uma explicação ainda mais plausível para a divisão entre matéria e antimatéria.
O Dr. Hadley sugere que os pesquisadores têm negligenciado o impacto significativo da rotação da nossa galáxia no padrão de quebra das partículas atômicas.
"Segundo os pontos de vista aceitos na física de partículas, a natureza é fundamentalmente assimétrica. Existe uma clara assimetria da esquerda para a direita nas interações fracas e uma violação de CP bem menor em sistemas Kaon, que têm sido medidos, mas nunca explicados.
"Esta pesquisa sugere que os resultados experimentais em nossos laboratórios são uma consequência da rotação galáctica torcendo nosso espaço-tempo local.
"Se isso se mostrar correto, então a natureza seria, afinal de contas, fundamentalmente simétrica. Esta previsão radical é testável com os dados que já foram coletados no CERN [LHC] e [no experimento] BaBar, bastando olhar os resultados que foram distorcidos no sentido que a galáxia gira," explica o Dr. Hadley.

Dilatação do tempo

Parece ser fácil negligenciar o efeito de algo tão grande quanto uma galáxia, porque o que parece mais óbvio para nós é o campo gravitacional local da Terra ou do Sol, sendo ambos muito mais facilmente perceptíveis do que o efeito gravitacional que nossa galáxia como um todo exerce sobre nós.
No entanto, o Dr. Hadley acredita que o que é mais importante neste caso é um efeito gerado pelo giro de tal corpo tão maciço.
A velocidade e o momento angular do giro de um corpo tão maciço quanto nossa galáxia cria um "arrastamento" sobre o espaço e o tempo locais, torcendo o formato desse tempo-espaço e criando efeitos de dilatação do tempo.
A rotação da nossa galáxia tem um efeito de torção no nosso espaço local que é um milhão de vezes mais forte do que a causada pela rotação da Terra.

Decaimento

Quando a violação de CP foi observada no decaimento dos mésons B, a diferença fundamental observada entre a dissolução das versões de matéria e de antimatéria da mesma partícula é uma variação nas diferentes taxas de decaimento.
Curiosamente, embora os pesquisadores observem essa larga variação no padrão das taxas de decaimento, quando as taxas de decaimento individuais são somadas elas aumentam o total tanto para as versões de matéria quanto de antimatéria da mesma partícula.
O Dr. Hadley acredita que o efeito de arrastamento de toda a galáxia sobre o tempo-espaço local explica todas essas observações.
Versões de matéria e antimatéria da mesma partícula vão manter exatamente a mesma estrutura, exceto quando elas forem imagens espelhadas umas das outras. Não é sem sentido esperar que o decaimento dessas partículas também comece como uma imagem espelhada exata uma da outra.
No entanto, não é assim que ele termina. O decaimento pode começar como uma imagem espelhada exata, mas o efeito de arrastamento induzido pela rotação da galáxia é significativo o suficiente para fazer com que as diferentes estruturas em cada partícula experimentem diferentes níveis de dilatação do tempo e, portanto, decaiam de formas diferentes.
A variação geral dos diferentes níveis de dilatação do tempo, contudo, fica na média quando cada partícula no decaimento é levada em conta - a violação de CP desaparece e a paridade é conservada.

Teoria testável

A beleza desta teoria é que ela também pode ser testada: há previsões que podem ser feitas feitas a partir da teoria e testadas experimentalmente.
A enorme variedade de dados que já existe, que mostram a aparente violação de CP em alguns decaimentos, pode ser re-examinada para ver se há um padrão que está alinhado com a rotação da galáxia.
O artigo do Dr. Hadley somente trata de como o arrastamento do espaço-tempo em escala galáctica poderia explicar as observações experimentais da aparente violação de CP.
Entretanto, a explicação também deixa aberta a porta para aqueles teóricos que acreditam que a violação de CP seria uma ferramenta útil para explicar a separação entre matéria e antimatéria no nascimento do nosso Universo, e o subsequente predomínio aparente da matéria.
De fato, o arrastamento do espaço-tempo em escala galáctica pode até mesmo deixar a porta ainda mais larga: as estruturas primitivas do universo, talvez as mais antigas, podem ter tido massa e giro suficientes para gerar efeitos de arrastamento que poderiam ter tido um efeito significativo na distribuição da matéria e da antimatéria.

Bibliografia:
The asymmetric Kerr metric as a source of CP violation
Mark J. Hadley
Europhysics Letters
Vol.: 95 (2011) 21003
DOI: 10.1209/0295-5075/95/21003
http://arxiv.org/abs/1107.1575

Telescópio Hubble acha quarta lua em Plutão, o planeta rebaixado

Folha de São Paulo - 21/07/2011


Nova lua tem entre 13 km e 34 km; cientistas querem entender como um corpo celeste pequeno como Plutão pode ter tantos satélites

RAFAEL GARCIA
DE WASHINGTON

Astrônomos anunciaram ontem a descoberta de uma nova lua na órbita de Plutão.
O novo satélite, detectado em imagens do Telescópio Espacial Hubble, é o quarto a ser encontrado em torno daquele planeta-anão.
A nova lua, batizada provisoriamente de P4, tem um diâmetro estimado entre 13 km e 34 km, o que é considerado bastante pequena.
Caronte, a maior lua de Plutão, é cerca de 50 vezes maior que isso.
Segundo Mark Showalter, astrônomo do Instituto Seti, da Califórnia, e líder da campanha de observação que fez a descoberta, foi preciso muita insistência para conseguir uma imagem inequívoca da nova lua de Plutão.
"Nós conseguimos obter algumas imagens com bastante tempo de exposição -entre oito e dez minutos- e foi aí que ela apareceu", disse o cientista à Folha.
"Agora que nós sabemos que ela está lá, somos capazes de identificá-la em imagens anteriores do Hubble", completou o cientista.
Showalter tinha obtido tempo extra de observação no telescópio espacial porque estava ajudando a equipe da sonda New Horizons, da Nasa, a planejar sua missão.

RUMO A PLUTÃO
A espaçonave robô está a caminho de Plutão desde de 2006 e já trilhou mais da metade da rota.
"Estamos tentando obter mais dados sobre a órbita de P4 agora para saber onde ela vai estar quando a New Horizons chegar a Plutão em 2015", afirma o astrônomo.
A New Horizons, de acordo com Showalter, vai passar muito perto de Plutão e de Caronte. Mas a P4 estará em uma órbita um pouco mais afastada, o que dificultará a obtenção de imagens.
"De qualquer forma, vamos enxergá-la muito melhor. Tudo o que temos, por enquanto, é um ponto numa imagem", explica.
Segundo o astrônomo, sem imagens coloridas mais detalhadas do satélite, qualquer afirmação sobre sua composição química ainda seria especulação.

QUASE PLANETA
A equipe de cientistas da New Horizons estava entre as vozes descontentes quando, em 2006, Plutão foi rebaixado de planeta para planeta-anão pela IAU (União Astronômica Internacional).
O rebaixamento aconteceu depois que um astrônomo americano descobriu um astro com dimensões maiores que as de Plutão.
Showalter diz que concorda com a nova classificação, mas afirma que ainda há muito a se entender sobre os objetos que ficam na mesma região orbital de Plutão, o Cinturão de Kuiper. Não é comum um corpo celeste tão pequeno ter tantos satélites.
"Pode ser que plutão seja um tipo de objeto meio único, porque ele é um planeta-anão muito parecido com um planeta de verdade", diz.
"Nós vamos entender isso melhor quando a New Horizons chegar lá."



Nordeste perde um quinto dos reservatórios de água em 2010

Folha de São Paulo - 20/07/2011

Relatório aponta bacias da região semiárida como as mais críticas

DE BRASÍLIA

A região Nordeste do país perdeu, entre outubro de 2009 e outubro de 2010, 20% dos reservatórios de água que possuía no período anterior, segundo a ANA (Agência Nacional de Águas).
O dado está em um relatório sobre os recursos hídricos do país, publicado ontem e disponível em http://bit.ly/pnZBqo.

Segundo a agência, a perda de reservatórios na região se deve à menor quantidade de chuvas.
Na região ficam as bacias do Semiárido, um dos pontos críticos quanto aos recursos hídricos, segundo o relatório. Também são classificadas assim as bacias do rio Meia Ponte, no Centro-Oeste, e a do Tietê, no Sudeste.
A definição leva em conta a disponibilidade e o uso de água, além da presença ou não de vegetação nativa e como é feito o tratamento dos resíduos sólidos no local.
Segundo a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, a ideia é, a partir dos dados do relatório, "focar os esforços nas áreas críticas".
A ampliação dos serviços de saneamento foi apontada como prioridade pela ministra, principalmente nas cidades de até 50 mil habitantes.
O pior índice de qualidade da água é o das áreas de grande densidade urbana.
(NÁDIA GUERLENDA CABRAL)

Amazônia tem maior reservatório subterrâneo de água do planeta

Jornal Hoje


27 de jul de 2011

O Canhão orbital de Isaac Newton. Como assim?

Informe-se em 60s do ON
O "Principia", um dos mais influentes livros na história da ciência, teve sua origem nas especulações do jovem Isaac Newton sobre a trajetória da Lua durante sua estadia em Woolsthorpe Manor, casa localizada em Lincolnshire (Inglaterra), onde ele nasceu. A história de que Newton teria notado a existência da lei da gravitação a partir da queda de uma maçã sobre a sua cabeça é, quase certamente, não verdadeira.

24 de jul de 2011

Chega ao fim o programa de ônibus espaciais dos EUA

Site Inovação Técnologica
Com informações da BBC - 21/07/2011




Último pouso
Depois de 30 anos, o programa de ônibus espaciais norte-americano chegou ao fim com o pouso do Atlantis, nesta quinta-feira.
A espaçonave e seus quatro tripulantes aterrissaram em segurança no Centro Espacial John F. Kennedy, na Flórida, às 5h56 pelo horário local (6h56 em Brasília), pouco antes do amanhecer.
O Atlantis passou 13 dias em órbita, em uma missão para levar suprimentos à Estação Espacial Internacional.
Uma multidão compareceu ao local para ver o pouso final da espaçonave. Calcula-se que 2 mil pessoas estavam presentes ao longo da pista de aterrissagem.
Fim da hegemonia?

O jornalista da BBC no local Andy Gallacher disse que muitos lá acreditavam que o evento marcou o fim da era de hegemonia norte-americana no espaço.
As espaçonaves foram importantes para a construção da Estação Espacial e foram usados para o lançamento do telescópio Hubble.
"O ônibus espacial mudou a forma como vemos o mundo e o universo", disse o comandante Chris Ferguson, na aterrissagem.
"Há muita emoção hoje, mas uma coisa é indiscutível: os EUA não vão parar de explorar (o espaço)", disse ele, por meio de rádio, ao controle da missão.
Espaçonaves alugadas
A aposentadoria do programa criado em 1981 foi decidida em parte por motivos financeiros e significa que o governo norte-americano não terá meios para colocar astronautas em órbita.
A NASA pretende convidar o setor privado para parcerias que forneçam o transporte. Algumas empresas já anunciaram que desenvolvem espaçonaves, embora elas devam levar pelo menos de três a quatro anos para começar a voar.
Até lá, a NASA deve usar espaçonaves russas para transporte de pessoal para a Estação Espacial.
Nesta semana, mais de 3 mil funcionários da agência vão ser demitidos.
Consciente disso, o chefe da NASA e ex-astronauta, Charles Bolden, agradeceu à equipe que trabalhou no programa em discursos realizados logo depois do pouso.
"Eu quero que todos que estiveram envolvidos nisto se sintam incrivelmente orgulhosos do que fizeram e daquilo que foi o seu papel", disse.
"Assim como eu, (a tripulação do Atlantis) foi quem acabou voando, mas nós temos uma incrível dívida para com os milhares, literalmente dezenas de milhares de pessoas em todo o país que tornaram isto possível.

Naves, foguetes e museus
A NASA espera investir o dinheiro economizado em uma nova espaçonave e foguetes que possam levar astronautas além da Estação Espacial, até destinos como os asteroides da Lua e Marte.
Segundo o correspondente de ciência da BBC News Jonathan Amos, a nave cônica, conhecida como Órion, já foi definida e está em um estágio avançado de desenvolvimento. Por outro lado, o foguete ainda é desconhecido.
O Congresso norte-americano disse à NASA quais devem ser as capacidades mínimas do foguete. No entanto, a agência está se esforçando para encaixar estas especificações em um conceito que, segundo ela, possa ser construído dentro dos prazos e orçamentos definidos pelo Legislativo.
De acordo com Amos, a NASA promete detalhar as linhas gerais do design do foguete antes do fim deste verão no hemisfério norte.
O Atlantis vai ser mantido para visitação do público no Centro Espacial da Flórida.
Os ônibus espaciais Discovery e Endevour também fizeram suas missões finais este ano e vão para museus na Virgínia e Califórnia, respectivamente.








Antártida já foi paraíso tropical, diz cientista

Site inovação Tecnológica
BBC - 21/07/2011

Pólo quente

Uma pesquisadora britânica afirmou que a Antártida era um paraíso tropical há cerca de 40 milhões de anos.

Segundo Jane Francis, do Colégio de Meio Ambiente da Universidade de Leeds, o continente gelado, que hoje apresenta uma camada de quatro quilômetros de gelo, passou a maior parte dos últimos cem milhões de anos como uma região de clima quente e fauna rica.

"Era assim há cerca de 40 milhões de anos. Durante a maior parte da história geológica da Antártida a região estava coberta por bosques e desertos, um lugar que tinha um clima quente", disse Francis à BBC Mundo.

"Muitos animais, incluindo dinossauros, viviam na região. Foi no passado geológico recente que o clima esfriou", acrescentou.

A cientista afirma ainda que provavelmente, o clima mais ameno no passado da Antártida "foi causado por elevados índices de dióxido de carbono na atmosfera".

"Se continuarmos emitindo grandes quantidades de dióxido de carbono, esquentando o planeta, poderíamos chegar à mesma situação em que voltariam a aparecer animais e bosques na Antártida", acrescentou a cientista.

Dióxido de carbono na atmosfera

De acordo com cientistas, há 50 milhões de anos havia mais de mil partes por milhão (ppm) de dióxido de carbono na atmosfera, o que esquentou o planeta a ponto de derreter todas as camadas de gelo.

Nos últimos anos a quantidade de dióxido de carbono na atmosfera apresentou um aumento, passou de 280 ppm registradas na era pré-industrial para 390 ppm no presente, o que aumentou em um grau as temperaturas globais.

Os especialistas afirmam que, continuando com este ritmo de crescimento, de cerca de 2 ppm por ano, será necessário muito tempo para que se chegue aos mil ppm. Mas, o problema, segundo os especialistas, é que, quando chegarmos aos 500 ppm já começaremos a observar o derretimento de uma grande parte das calotas de gelo.

"A diferença é que, no passado, o aquecimento ocorreu devido a causas naturais como vulcões. E ocorreu em um período muito grande de tempo, os animais e plantas tiveram tempo de se adaptar", disse Jane Francis à BBC.

"Mas o problema com a mudança climática atual, que está sendo provocada principalmente por fatores humanos, é que está ocorrendo muito depressa, em comparação a como poderia ocorrer em um período geológico normal, por isso não vamos ter muitas oportunidades para nos adaptar", afirmou.

Pessimismo

A cientista da Universidade de Leeds afirma que os governos de todo o mundo estão trabalhando para reduzir as emissões de dióxido de carbono, mas destaca que os esforços precisam ser maiores.

Alguns céticos afirmam que agora é tarde para evitar o aquecimento global e que devíamos nos concentrar mais na adaptação para as novas condições climáticas.

Mas, para Jane Francis, esta é uma postura muito pessimista. A cientista afirma que deveríamos nos concentrar em fazer mais para evitar o aquecimento global e mais rapidamente.





PROGRAMA DE OBSERVAÇÃO DO CÉU DO OBSERVATÓRIO NACIONAL

Estão abertas as inscrições para o Programa de Observação do Céu do ON. Este programa se insere num contexto amplo de divulgação para todas as faixas etárias, passando pelos jovens até chegar aos adultos.


É a oportunidade de uma instituição de pesquisa colocar a serviço do país os conhecimentos que são produzidos por seus pesquisadores, democratizando assim o acesso à informação científica e motivando a sociedade para a ciência e a compreensão do Universo.

Sobre a Observação

Será utilizado um telescópio refletor robótico para realizar observações do céu. As observações serão feitas no campus do Observatório Nacional, Rio de Janeiro, com número limitado de 20 pessoas por dia de observação e, a princípio, uma vez por mês. O programa será constituído de observações de corpos do Sistema Solar (Planetas, Satélites Naturais, Cometas, Asteroides do Cinturão Principal). Também serão observadas: Estrelas duplas, Aglomerados de estrelas, nebulosas e Galáxias brilhantes.

O diferencial deste programa, em relação às clássicas observações astronômicas para o público, é que será usado um sistema de observação igual ao dos telescópios de grande porte.

O Programa de Observação do Céu do Observatório Nacional é inteiramente gratuito e requer inscrições antecipadas, pois as vagas são limitadas.


As Observações

Antes de começar as observações será apresentada uma pequena palestra na Coordenação de Astronomia e Astrofísica do Observatório Nacional sobre telescópios e alguns aspectos do céu.

As observações serão iniciadas a partir do pôr do Sol (ocaso), que é calculado para o local da observação (Observatório Nacional). Portanto, para cada época do ano as observações terão seu início em horários diferentes. O período estimado de atividades será entre 17h e 21h.

Mais informações no Site do Programa.






 

19 de jul de 2011

Última prova do Curso EAD - Evolução Estelar


Atenção Alunos!


ÚLTIMA PROVA - De 22 a 25 de julho de 2011


MÓDULO 4
EVOLUÇÃO ESTELAR II: APÓS A SEQUÊNCIA PRINCIPAL E O DESTINO FINAL DAS ESTRELAS




Atenção todos os inscritos na Escola de Inverno 2011 do Observatório Nacional




O evento começa dia 25 de julho e a comissão organizadora está enviando informações através do email cadastrado no momento da inscrição. Não deixe de verificar sua caixa de email e, principalmente, caixa de spam, em caso de dúvidas entre em contato.

Lembramos que:


* O curso é inteiramente gratuito;
* Somente as pessoas inscritas terão acesso aos mesmos;
* O ON não oferece qualquer tipo de auxílio financeiro aos participantes;
* O ON não dispõe de alojamento para os participantes; 
* Passagem e allimentação é de responsabilidade dos participantes.

Maiores informações no site do evento.

A história magnética do Brasil

Revista Pesquisa Fapesp
Edição Impressa 185 - Julho 2011

Análise de fragmentos de tijolos de construções antigas registra enfraquecimento do campo magnético sobre a América do Sul

Carlos Fioravanti

Durante quatro anos, o físico Gelvam Hartmann coletou e examinou quase 600 fragmentos de tijolos de igrejas e casas antigas da Bahia, de São Paulo, do Rio de Janeiro e do Espírito Santo para conhecer a variação do campo magnético terrestre sobre o Brasil nos últimos 500 anos, um período sobre o qual praticamente não havia informação do ponto de vista geofísico. Seu trabalho registrou uma inesperada queda na intensidade do campo magnético nas regiões Nordeste e Sudeste e, a partir daí, estabeleceu um método de análise de materiais arqueológicos brasileiros que confirmou ou definiu as prováveis datas de construções antigas, algumas delas sem nenhuma documentação histórica.

Ao lado de arqueólogos, arquitetos e geólogos, Hartmann tirou pequenas lascas de tijolos de igrejas e casas coloniais do Pelourinho, no centro histórico de Salvador, com martelo e talhadeira quando era possível ou, quando não, com uma furadeira resfriada a água. Aos poucos, enquanto examinava esse material no Instituto de Física do Globo de Paris (IPGP) e no Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da Universidade de São Paulo (USP), ele construiu a história magnética do Brasil, ao confirmar as datas das construções e associá-las com as respectivas intensidades magnéticas. Assim é que emergiu uma informação nova – a intensidade do campo magnético, de 36,2 microteslas (tesla é a unidade de medida da densidade de fluxo magnético) – de uma das mais antigas construções do Brasil, a Catedral de São Salvador, erguida pelos jesuítas entre 1561 e 1591 com dinheiro do terceiro governador-geral do Brasil, Mem de Sá, e um sino trazido de Portugal.

Quase não houve problemas com a maioria das amostras das fundações e das paredes das igrejas de Salvador, mas, estranhamente, a análise de uma amostra da casa do poeta Gregório de Matos, conhecido como Boca do Inferno por causa do sarcasmo com que tratava as autoridades de Salvador, indicou que a construção teria sido erguida em 1830, não entre 1695 e 1700, como os documentos indicavam. Hartmann verificou depois que essa era a data apenas do terceiro piso – construído mais tarde –, de onde ele havia coletado amostras de tijolos quando aquela parte da casa passava por uma restauração.

“Os geofísicos estão nos ajudando a contar a história da ocupação do Brasil”, reconhece Marisa Afonso, professora de arqueologia e vice-diretora do Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE) da USP. Em abril de 2004, ela atravessava um longo dia chuvoso no centro regional do MAE em Piraju, interior paulista, quando recebeu um e-mail de Ricardo Trindade, professor do IAG e orientador de Hartmann no doutorado. De Paris, Trindade a convidava para ajudar a construir a curva de datação de materiais arqueológicos, como ainda não havia sido feita no Brasil, usando registros do campo magnético, nos moldes do que ele já tinha visto por lá. “Quanto mais métodos de datação, melhor, porque as técnicas mais usadas, como carbono 14 e termoluminescência, nem sempre funcionam em todos os casos”, diz ela. “Por sorte tanto Gelvam quanto Ricardo gostam de arqueologia e sabem falar do que fazem de maneira simples.”

Ao mesmo tempo, Hartmann e outros pesquisadores do IAG estão detalhando as variações do campo magnético terrestre, principalmente nas regiões onde é menos intenso. O campo é gerado pelo movimento do ferro líquido no núcleo da Terra, expressa-se na superfície do planeta, orientando as bússolas, e forma uma barreira invisível a 30 mil quilômetros acima da superfície do planeta que dificulta a entrada de partículas vindas do Sol. Agora está claro que a região onde o campo é mais fraco em toda a superfície terrestre, a Anomalia Magnética do Atlântico Sul, está se deslocando e se expandindo. Antes restrita ao sul da África, essa área atualmente cobre parte do sul da América do Sul e quase todo o Atlântico Sul.

O ponto de menor intensidade dessa mancha está se deslocando para oeste: já esteve no sul da África, e depois no meio do Atlântico Sul, a meio caminho entre o Brasil e a África do Sul. Por volta de 1930 estava perto da cidade do Rio de Janeiro, migrou para o sul e estacionou sobre o estado de Santa Catarina e atualmente se encontra no Paraguai, com uma intensidade de cerca de 22 microteslas (ver mapa). Algumas consequências são conhecidas: justamente nas áreas onde o campo é mais fraco os satélites de telecomunicações e os ônibus espaciais podem sofrer mais interferências magnéticas, que podem danificar seus equipamentos, tanto quanto, em uma escala menor, um ímã pode desmagnetizar um computador e o fazer perder as informações.

O Universo tem um eixo central de rotação?

Redação do Site Inovação Tecnológica - 11/07/2011



O Universo tem um eixo central de rotação?
Nova pesquisa sugere que o formato do Big Bang pode ser mais complicado
do que se pensa. Como há mais galáxias espirais girando em um
 sentido do que em outro, pode ser que o Universo tenha um eixo central
de rotação.[Imagem: NASA, ESA]



Simetria do Universo

Pesquisadores estão levantando dúvidas sobre a pressuposta simetria do Universo.
Seus cálculos parecem sugerir que, no seu início, nosso Universo girava sobre um eixo central. E que esse movimento de rotação influenciou a formação das galáxias.
Os físicos e astrônomos há muito tempo acreditam que o Universo tem uma simetria de espelho, como uma bola de basquete.
A imagem espelhada de uma galáxia girando no sentido horário teria, obviamente, o sentido anti-horário de rotação.
Mas se os astrônomos encontrarem um número maior de galáxias girando num sentido do que em outro, isto seria uma evidência de uma quebra de simetria, ou, no jargão da física, uma violação de paridade em escala cósmica.

Sentido de rotação das galáxias

Para aferir isso, Michael Longo e uma equipe da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, catalogaram o sentido de rotação de dezenas de milhares de galáxias espirais fotografadas pelo projeto Sloan Digital Sky Survey, que faz a catalogação de galáxias e que recentemente divulgou a maior imagem já feita do Universo.
E o grupo do Dr. Longo descobriu exatamente isso, que as galáxias têm uma "preferência" para girar em uma direção.

Eles descobriram um excesso de galáxias com rotação anti-horária na parte do céu em direção ao pólo norte da Via Láctea.
O efeito se estende por mais de 600 milhões de anos-luz de distância.
"O excesso é pequeno, cerca de 7 por cento, mas a chance de que ele possa ser um acidente cósmico é algo como 1 em um 1.000.000", explica Longo. "Estes resultados são extremamente importantes porque parecem contradizer a noção quase universalmente aceita de que, em escalas suficientemente grandes, o universo é isotrópico, sem nenhuma direção especial."

Rotação do Universo

O trabalho fornece novos insights sobre a forma do Big Bang. Um Universo simétrico e isotrópico teria começado com uma explosão esfericamente simétrica, em forma de uma bola.
Se o Universo nasceu girando, por sua vez, afirma Longo, ele teria um eixo preferencial, e as galáxias teriam mantido esse movimento inicial.
Então, será que o nosso Universo ainda está girando, em um movimento de rotação universal?
"Pode ser", diz Longo. "Eu acho que este resultado sugere que é."
Como o telescópio do projeto Sloan está nos Estados Unidos, os dados que os pesquisadores analisaram vieram na maior parte do hemisfério norte do céu.
Um teste importante dos resultados será verificar se há um excesso de galáxias em espiral com sentido horário no hemisfério sul. Esta pesquisa já está em andamento.

Bibliografia:

Detection of a dipole in the handedness of spiral galaxies with redshifts znot, vert, similar0.04
Michael J. Longo
Physics Letters B
Vol.: 699, Issue 4, 16 May 2011, Pages 224-229
DOI: 10.1016/j.physletb.2011.04.008

Energia do ar: ondas eletromagnéticas do ambiente viram fonte de energia

Redação do Site Inovação Tecnológica - 08/07/2011


Energia do ar: ondas eletromagnéticas do ambiente viram fonte de energia
As antenas, projetadas para captar diversos
comprimentos de onda, são impressas sobre plástico ou papel.
[Imagem: Gary Meek]



Colheita de ondas

Estamos literalmente mergulhados em um mar de ondas eletromagnéticas.

Rádios, TVs, telefones celulares, redes de computador, satélites artificiais e uma infinidade de outros equipamentos emitem essas ondas continuamente.

Agora, um grupo de pesquisadores desenvolveu uma forma de coletar essa energia do ar, transformando-a em eletricidade pronta para ser usada em outros equipamentos.

É mais um elemento da chamada "colheita de energia", um conceito que vem chamando a atenção dos pesquisadores pela possibilidade de extrair energia do meio ambiente, disponível na forma de luz, vibrações, calor - e ondas de rádio.


 
Captando energia do ar

Para coletar a energia das ondas eletromagnéticas do ar, a equipe do Dr. Manos Tentzeris, da Universidade da Geórgia, nos Estados Unidos, criou um novo tipo de antena.

As antenas foram fabricadas por uma técnica de impressão por jato de tinta, que aplica tintas condutoras sobre plástico ou papel. Isso permitirá que as antenas sejam construídas junto com o aparelho que deverão alimentar.

Com uma banda ultra-larga, a antena permite captar uma grande variedade de sinais em diferentes faixas de frequência, o que aumenta a capacidade de captação das ondas.

No estágio atual, elas são capazes de captar energia da faixa de frequência das rádios FM até a frequência dos radares - de 100 megahertz (MHz) a 15 gigahertz (GHz).

Na faixa de frequência de TV, os testes mostraram uma capacidade de "colheita" de várias centenas de microwatts - com a antena de colheita de energia posicionada a 500 metros da antena da estação de TV.

As antenas multibanda podem gerar até um miliwatt, o que é suficiente para alimentar circuitos miniaturizados ou sensores sem fios. Ou podem ser usadas para alimentar circuitos menores com mais segurança, uma vez que a antena captará energia de outras faixas de frequência quando uma delas for interrompida ou diminuir de potência.

Energia do ar: ondas eletromagnéticas do ambiente viram fonte de energia
Uma das antenas e o circuito eletrônico utilizado para aproveitamento da energia que ela capta. [Imagem: Gary Meek]Transformar ondas eletromagnéticas em energia

O processo de captar ondas eletromagnéticas e usá-las para alimentar um circuito não é novo: ele está na base do funcionamento das etiquetas RFID, por exemplo.

Essas chamadas etiquetas inteligentes não possuem baterias: sua antena capta a energia do leitor que está querendo ler seus dados e usa essa energia para "acordar" seu circuito, fazê-lo funcionar e transmitir de volta a informação solicitada.

A ideia do Dr. Tentzeris é fazer isso em maior escala, criando fontes de energia versáteis que possam ser usadas para alimentar qualquer pequeno aparelho, incluindo sensores, microprocessadores e chips de comunicação.

Segundo ele, usando supercapacitores e operação cíclica, será possível, numa próxima etapa, alcançar uma capacidade de geração na casa dos 50 miliwatts.


 
Geração híbrida

O dispositivo de colheita de energia poderia ser usado sozinho ou em conjunto com outras tecnologias de geração.

Por exemplo, a energia coletada das ondas eletromagnéticas do ar poderia ajudar um painel solar a carregar uma bateria durante o dia.

À noite, quando as células solares não fornecem energia, a energia coletada continuaria a aumentar a carga da bateria ou impediria sua descarga.




 
Folha de São Paulo - Ciência - 15/07/2011


Yuri Beletsky /ESO/Divulgação


LÁCTEA - O ar seco e livre de poluição do deserto do Atacama (Chile) permite ver claramente o plano da Via Láctea no céu dos arredores do ESO (Observatório Europeu do Sul)



País fará concurso para cérebros internacionais

Folha de São Paulo - 15/07/2011

Cientistas de fora serão atraídos para vaga temporária em universidades, diz ministro.

ANA FLOR
MÁRCIO FALCÃO
DE BRASÍLIA

O Brasil se prepara para realizar um concurso internacional que deve recrutar pesquisadores e docentes de fora do país para as áreas de ciência e tecnologia.
Ao sair de encontro em que a presidente Dilma Rousseff recebeu o neurocientista Miguel Nicolelis, o ministro Aloisio Mercadante (Ciência e Tecnologia) disse que o governo abrirá, em breve, vagas para pesquisadores estrangeiros temporários nas instituições de ponta do Brasil.
Segundo ele, o alvo são cientistas que perderam seus postos em universidades estrangeiras por causa da crise.
O ministro citou experiência recente da Unicamp, que trouxe pesquisadores e professores estrangeiros para períodos de até dois anos na universidade paulista.
"Vamos dar um salto quântico", disse o ministro, falando também do recém-anunciado programa que pretende enviar 75 mil graduandos e doutorandos brasileiros para universidades no exterior.
O governo espera que a maior parte das bolsas seja bancada por empresas daqui.
"Hoje é um momento raro na história econômica, o Brasil cresce, tem estabilidade, investe. E estamos assistindo a uma recessão nos países desenvolvidos. Então nós tivemos uma diáspora de cérebros no passado, mas agora queremos atrair inteligência para o Brasil", declarou.
O ministro diz que o país tem excelentes cientistas, mas que a iniciativa do governo responde à exigência da sociedade atual de expandir a fronteira do conhecimento.
"Você não desenvolve projeto de ponta em tecnologia e ciência sem colaboração internacional. E o Brasil tem de pensar em estar na ponta."

LISTA DE DESEJOS
Na conversa com Dilma, Nicolelis pediu apoio para dois projetos: instalação de 12 escolas multilíngues nas fronteiras do Brasil e o desenvolvimento do projeto "Andar de Novo" para o início da Copa de 2014.
As escolas teriam ensino normal pela manhã e os estudantes dos dois países teriam aulas conjuntas de ciência no período da tarde. As aulas seriam em português e espanhol, propõe Nicolelis.
Sobre o "Voltando a Andar", a ideia é que um paraplégico possa dar o pontapé inicial da Copa do Mundo. Os cientistas trabalham para unir homem e máquina, nesse caso uma veste robótica controlada pelo cérebro.
"A presidente adorou a ousadia", disse Nicolelis.
Mercadante afirmou que o projeto é um 'sonho'. "Imagine um menino, uma menina, tetraplégico ou paraplégico entrar andando em um campo de futebol e chutar uma bola. É uma coisa tão fantástica quanto os feitos de Santos Dumont. Espero que a gente consiga fazer isso."



Mais distante planeta do Sistema Solar, Netuno faz 165 anos

Folha de São Paulo - 13/07/2011


O mais distante planeta do Sistema Solar, Netuno fez aniversário de descobrimento na terça-feira (12).

Para comemorar a data, a Nasa e ESA (as agências espaciais americana e europeia) divulgaram fotos do planeta gasoso que foram tiradas pelo telescópio espacial Hubble.

Como Netuno leva quase 165 anos para completar uma volta em torno do Sol, só agora se passou um ano netuniano desde que foi localizado, em 1846.

Netuno leva quase 165 anos para completar uma volta em torno do Sol; acima, imagens do planeta gasoso
Nasa, Esa, Hubble/Efe
Netuno leva quase 165 anos para completar uma volta em torno do Sol; acima, imagens do planeta gasoso.


Picape espacial vai facilitar acesso dos EUA à órbita da Terra

Folha de São Paulo, 12 de julho de 2011

ENTREVISTA MARK SIRANGELO

EMPRESÁRIO AMERICANO FIRMA PARCERIA COM A NASA PARA CRIAR NAVE PRIVADA E MAIS LEVE QUE O ÔNIBUS ESPACIAL, QUE PODERIA VOAR EM 2015


Concepção artística da Dream Chaser, nave da empresa americana Sierra Nevada Space Systems
Concepção artística da Dream Chaser, nave da empresa americana Sierra Nevada Space Systems

RAFAEL GARCIA
DE WASHINGTON

Enquanto os EUA choravam na sexta o lançamento do Atlantis, último ônibus espacial a decolar, um empresário tentava convencer o país a ser otimista.
Mark Sirangelo, da Sierra Nevada Space Systems, promete reestabelecer o transporte de americanos para a órbita em 2015, usando uma "caminhonete espacial".
Esse é o apelido que ele deu à espaçonave que a empresa está construindo, a Dream Chaser, um veículo menor, herdado de um projeto engavetado pela Nasa.
Na semana passada, ele anunciou a contratação de nove funcionários de alto escalão que estão deixando a Nasa e fechou um acordo com a agência para usar parte da infraestrutura de seu centro de lançamentos na Flórida. Parte do dinheiro para isso saiu da própria Nasa, que destinou US$ 100 milhões à empresa dentro de um programa de incentivo à exploração espacial privada.

Confira a entrevista.


Folha - O lançamento do último ônibus espacial em Cabo Canaveral ocorreu meio em clima de velório. Você acha que o público ainda não vê a exploração privada como uma alternativa viável?
Mark Sirangelo - Bem, nós estamos empolgados em ser uma voz positiva dentro daquilo que seria um momento negativo. Estamos muito contentes com nossa relação com a Nasa. Temos a oportunidade de estender isso para permitir que as pessoas em algumas das instalações do programa espacial anterior possam ser usadas no nosso programa. Talvez ele seja a luz em meio a esse ambiente desafiador que temos agora.

O programa do ônibus espacial termina em meio a críticas por ter sido caro demais e menos seguro do que as espaçonaves "descartáveis" dos russos. Como sua empresa pretende contornar isso?
O ônibus espacial tinha de ser muito grande para poder transportar os pedaços da estação espacial. Tinha de ter força suficiente para carregar um monte de suprimentos. Agora isso acabou. A estação espacial está completa, e não precisamos de veículos que sejam tão complexos para chegar até ela.
Se você está mudando de casa com sua família para o outro lado do país, precisa de um grande caminhão para carregar tudo. Uma vez que se estabelece, você só vai precisar de uma SUV [picape utilitária esportiva] para passear e levar alguma bagagem. O Dream Chaser será uma SUV, capaz de levar sete astronautas até a estação, junto com todas as coisas das quais precisam para viver lá, e trazê-los de volta.

O projeto da espaçonave prevê que ela seja lançada na ponta de um foguete, e não com a barriga colada no propulsor, como os ônibus espaciais. Isso muda tudo?
Isso foi uma das lições que aprendemos com o ônibus espacial. O veículo deve ser montado no topo do foguete para que não tenhamos mais problemas com pedaços que se desprendem dele e podem se chocar com a nave.

Qual é o custo estimado de construção e operação?
Nós não divulgamos esses números porque é preciso levar em conta que o projeto do veículo, na verdade, foi tocado pela Nasa por mais de dez anos no programa chamado HL-20, que acabou suspenso.
Depois disso, nós assumimos o projeto fora do âmbito da Nasa e permanecemos trabalhando nele por conta própria durante seis anos. Então, nosso projeto já conta com 16 anos de desenvolvimento e voa em um foguete que já existe. Agora que o ônibus espacial será aposentado, a única maneira de chegar à estação é usando uma Soyuz russa. Os EUA pagam US$ 63 milhões por assento por voo para seus astronautas.
Nós acreditamos que vamos conseguir fazer o mesmo com um preço bem menor. O custo da espaçonave não é mais tão importante, porque a Nasa não vai comprar o veículo, vai comprar o serviço.

Em que estágio de desenvolvimento o projeto está agora?
Estamos produzindo o primeiro veículo. Os dois motores de bordo já foram testados por completo. Acabamos de montar o primeiro simulador de voo, que será testado dentro de alguns dias.
Esperamos conseguir fazer o veículo voar já no ano que vem em testes em que o soltamos na atmosfera.

Como foi a negociação para contratar pessoal da Nasa?
São pessoas que nós já conhecíamos por trabalharmos na indústria [aeroespacial]. Primeiro contratamos Jim Voss [astronauta que voou em cinco missões do ônibus espacial]. Ele atraiu várias outras pessoas para o projeto.
Vemos nosso veículo como uma espaçonave internacional. Sem o ônibus espacial, perde-se a capacidade de transportar astronautas de países que não os EUA e a Rússia. Retomar essa capacidade é importante, e nós queremos fazer isso. Talvez um dia haja uma oportunidade de levar até um [novo] astronauta brasileiro conosco, coisa difícil no cenário atual.




Voo do Atlantis põe fim à era dos ônibus espaciais

Folha de São Paulo,08 de julho de 2011

Pela primeira vez desde 1961, EUA não terão opção própria para ir ao espaço.

Missão durará 12 dias e contará com quatro astronautas; mau tempo pode adiar o lançamento de hoje.

GIULIANA MIRANDA
DE SÃO PAULO

A despedida dos ônibus espaciais da Nasa pode finalmente começar hoje, com a decolagem do Atlantis para seu último voo. Após a viagem, os EUA, país que levou o primeiro homem à Lua, ficarão por tempo indeterminado sem meios próprios de chegar ao espaço.
Para a missão de 12 dias com destino à ISS (Estação Espacial Internacional), a nave levará apenas quatro astronautas. É a menor tripulação desde 1983, porque não há ônibus espaciais de reserva para resgatá-los caso haja um problema após a viagem.
Numa emergência, o comandante Chris Ferguson, o piloto Doug Hurley e os especialistas de missão Sandy Magnus e Rex Walheim, veteranos em ônibus espaciais, terão de aguardar o resgate das naves russas Soyuz, que só poderão carregar um dos americanos por vez.
Primeiras naves espaciais reutilizáveis, eles estão em operação desde abril de 1981, quando substituíram oficialmente o programa Apollo.

ADEUS
O movimento para aposentar as naves ganhou força após o acidente com o Columbia, em 2003. Ele explodiu minutos após a reentrada na atmosfera terrestre, matando seus sete astronautas.
Esse foi o segundo desastre com um "shuttle". Em 1986, a nave Challenger, a primeira da frota, explodiu 73 segundos depois da decolagem, também vitimando os sete tripulantes.
O primeiro passo antes do anúncio do fim do programa foi a redução drástica do número de viagens.
Lançados como a conquista definitiva do espaço, os "shuttles", segundo a Nasa, seriam uma opção muito mais barata e segura.
No entanto, o custo de todo o projeto, até 2010, foi de US$ 209 bilhões, pouco menos que o PIB do Chile. Cada uma das missões, portanto, custou US$ 1,6 bilhão, valor bem distante do inicialmente divulgado pelo governo americano: US$ 20 milhões.
Críticos do programa afirmam que, com os ônibus espaciais, a Nasa ficou "confinada" à baixa órbita da Terra, em vez de se dedicar à exploração do espaço.
Mesmo com falhas, porém, o programa dos ônibus espaciais foi fundamental para o desenvolvimento da ciência em órbita. Eles transportaram a maior parte das peças e equipamentos para a montagem da ISS, além do telescópio Hubble, ambos revolucionários em suas áreas.

FUTURO INCERTO
Com a aposentadoria dos "shuttles", a Nasa fica sem naves para transportar seus astronautas à estação internacional, dependendo de "caronas" milionárias na nave russa Soyuz.
Países parceiros na construção da ISS, como os da Europa, manifestaram-se contra a Nasa por essa situação.
Enquanto isso, a nave substituta dos ônibus espaciais, o MPCV (Veículo Multifuncional Tripulado) não deve começar suas missões tripuladas antes de 2019.
Ela, no entanto, será usada para missões de longa duração, inclusive em uma eventual visita a Marte. As visitas à ISS ficariam a cargo da iniciativa privada.
A agência espacial tem financiado alguns desses programas particulares, mas eles também não têm data certa para começar a voar.
Por conta dessa indefinição, ex-astronautas resolveram criticar abertamente a política espacial dos EUA.
Neil Armstrong, o primeiro homem na lua, e outros astronautas escreveram uma carta aberta dizendo que a Nasa está "consideravelmente fora de rumo".
O administrador da Nasa, Charles Bolden, minimizou as críticas. Para ele, a Nasa irá "consolidar a liderança americana no espaço".
Apesar da expectativa, é possível que o lançamento seja adiado devido às condições climáticas (risco de fortes chuvas com raios) em Cabo Canaveral, na Flórida, onde fica o centro de lançamento.
Caso as tempestades se confirmem, a Nasa tem até este domingo para a decolagem do Atlantis. Depois, será preciso esperar uma semana por conta do tráfego espacial. A Força Aérea dos EUA já tem um lançamento marcado para esse período.

O que faz um buraco negro entrar em atividade?

Site Inovação Tecnológica
Com informações do ESO - 13/07/2011


Um novo estudo, que combina dados do Telescópio VLT, do Observatório Europeu do Sul (ESO) e do observatório espacial de raios X XMM-Newton da Agência Espacial Europeia (ESA), fez uma descoberta surpreendente.


Buracos negros são dependem de colisões de galáxias para se tornarem ativos
O campo COSMOS, com os "alvos" mostrando o grande
número de galáxias de brilho muito fraco.
[Imagem: CFHT/IAP/Terapix/CNRS/ESO]

A maior parte dos buracos negros gigantes que se encontram no centro das galáxias desde os últimos 11 bilhões de anos não se tornaram ativos devido a fusões de galáxias, como se pensava até agora.

No coração da maior parte das grandes galáxias (ou até mesmo em todas) existe um buraco negro de massa extremamente elevada, com uma massa de milhões de vezes, ou até bilhões de vezes, a massa do Sol.

Em muitas galáxias, incluindo a nossa própria Via Láctea, o buraco negro central não se encontra em atividade.

Mas em algumas galáxias, particularmente no início da história do Universo, o monstro central alimenta-se de material que emite imensa radiação à medida que cai no buraco negro - as galáxias ativas mais brilhantes eram mais comuns no Universo cerca de três a quatro bilhões de anos depois do Big Bang, enquanto os objetos menos brilhantes aparecem mais tarde, cerca de oito bilhões de anos depois do Big Bang.

Ignição do ponto buraco negro

Um dos mistérios por resolver está em descobrir de onde vem o material que ativa um buraco negro adormecido, originando violentas explosões no centro da galáxia, tornando-o assim num núcleo ativo de galáxia.

Até agora, os astrônomos pensavam que a maioria destes núcleos ativos se "acendiam" quando se dava a fusão de duas galáxias ou quando duas galáxias passavam muito perto uma da outra e o material perturbado se tornava o combustível do buraco negro central.

No entanto, novos resultados indicam que esta ideia pode estar errada no caso de muitas galáxias ativas.

Viola Allevato, do Instituto Max-Planck, na Alemanha, juntamente com uma equipe internacional de cientistas da colaboração COSMOS observaram detalhadamente mais de 600 galáxias ativas numa região do céu extensivamente estudada, o chamado campo COSMOS.

O campo COSMOS é uma área com cerca de dez vezes o tamanho da Lua Cheia, na constelação do Sextante. Foi mapeada por uma série de telescópios em diferentes comprimentos de onda, de modo que muitos estudos e investigações possam se beneficiar desta imensidão de dados.

Núcleos ativos de galáxias

Buracos negros não dependem de colisões de galáxias para se tornarem ativos
Algumas das galáxias estudadas, incluindo galáxias com núcleos ativos (AGN) e galáxias com núcleos inativos. [Imagem: NASA/ESA/M. Cisternas]

Tal como se esperava, os astrônomos descobriram que os núcleos ativos extremamente brilhantes são raros, enquanto a maior parte das galáxias ativas nos 11 bilhões de anos anteriores são apenas moderadamente brilhantes.

No entanto, os cientistas tiveram uma enorme surpresa: os novos dados mostram que a maioria das galáxias ativas mais comuns, as menos brilhantes, não se tornaram ativas devido à fusão de galáxias.

A presença de núcleos ativos de galáxias revela-se através dos raios X emitidos pela região que circunda o buraco negro. O telescópio espacial XMM-Newton observou esta radiação e as galáxias foram a seguir observadas pelo VLT, no Chile, que mediu as distâncias até estes objetos.

Quando se combinam os dois tipos de observações é possível fazer um mapa tridimensional que nos mostra onde se encontram as galáxias ativas.

"Demoramos mais de cinco anos, mas conseguimos obter um dos maiores e mais completos catálogos de galáxias ativas no céu em raios X," diz Marcella Brusa, uma das autoras do estudo.

Os astrônomos utilizaram este novo mapa para determinar a distribuição das galáxias ativas e compararam estes resultados às predições feitas pela teoria. Determinaram também como é que esta distribuição varia à medida que o Universo envelhece - desde há aproximadamente 11 bilhões de anos até aos nossos dias.

Fundindo a teoria da fusão

A equipe descobriu que os núcleos ativos são encontrados majoritariamente em galáxias de massa muito elevada, que contêm muita matéria escura.

A matéria escura é uma substância misteriosa que forma uma componente invisível na maior parte, senão mesmo todas, as galáxias (ativas ou não) - incluindo a nossa própria Via Láctea. Os autores estimaram a quantidade de matéria escura em cada galáxia - valor que indica a sua massa total - a partir da distribuição de galáxias no novo estudo.

Este fato revelou-se surpreendente e nada consistente com as previsões feitas pela teoria - se a maior parte dos núcleos ativos fossem uma consequência de fusões e colisões entre galáxias seria de esperar que fossem encontrados em galáxias com massa moderada (cerca de um trilhão de vezes a massa do Sol).

A equipe descobriu que a maior parte dos núcleos ativos se encontra em galáxias com massas cerca de 20 vezes maiores do que o valor previsto pela teoria da fusão.

"Estes novos resultados abrem-nos uma nova janela sobre como é que os buracos negros de massa extremamente elevada iniciam as suas 'refeições'," diz Viola Allevato, autora principal do artigo que descreve este trabalho.

"Estes resultados indicam que os buracos negros são normalmente alimentados por processos gerados no interior da própria galáxia, tais como instabilidades do disco e formação estelar violenta, em oposição a colisões de galáxias," explica Allevato.

Alexis Finoguenov, que supervisou o trabalho, conclui: "Mesmo no passado distante, até cerca de 11 bilhões de anos atrás, as colisões de galáxias apenas justificam uma pequena percentagem das galáxias ativas moderadamente brilhantes. Nessa altura as galáxias estavam todas mais próximas umas das outras e portanto era de se esperar que a fusão fosse mais frequente do que no passado mais recente. Por isso mesmo os novos resultados são ainda mais surpreendentes."

Bibliografia:

The XMM-Newton wide field survey in the cosmos field: redshift evolution of agn bias and subdominant role of mergers in triggering moderate luminosity agn at redshift up to 2.2
V. Allevato, A. Finoguenov, N. Cappelluti, T. Miyaji, G. Hasinger, M. Salvato, M. Brusa, R. Gilli, G. Zamorani, F. Shankar, J. B. James, H. J. McCracken, A. Bongiorno, A. Merloni, J. A. Peacock, J. Silverman, A. Comastri
Astrophysical Journal
July 2011
Vol.: Accepted for publication
http://arxiv.org/abs/1105.0520v1

14 de jul de 2011

Observatório Nacional na 63ª Reunião Anual da SBPC

A 63ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) teve início no domingo, 10 de julho, em Goiânia. Veja algumas imgens da participação do Observatório Nacional no evento.





O Ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, na abertura do evento.


O público sempre comparece em grande número no stand do Observatório Nacional


Stand do Observatório Nacional (ON)


As revistas da coleção "Observatório Nacional apresenta..." desperta grande interesse por parte do público.


A garotada se diverte e aprende um pouco sobre Astronomia com o CD-Rom de jogos e revistinhas do ON.

8 de jul de 2011

Peróxido de Hidrogênio Encontrado no Espaço

eso1123pt-br — Nota de Imprensa Científica
6 de Julho de 2011


Você sabia que tudo na Terra é feito de material de estrelas? Se você pudesse olhar o mundo à sua volta, com um microscópio super poderoso, veria que tudo é feito de coisas minúsculas chamadas átomos. Hoje nós sabemos sobre mais de 110 diferentes tipos de átomos, como o hidrogênio que é o átomo mais comum no Universo.


Alguns átomos, como o carbono, são feitos dentro das estrelas. Mas outros átomos, como o ouro, precisam de temperaturas ainda mais elevadas para formar e são feitos quando estrelas moribundas explodem o que é chamado de supernova. Quando os átomos se unem, o grupo de átomos é chamado de molécula. Você já sabe os nomes de algumas moléculas, como a água.

Agora, usando um telescópio chamado APEX, os astrônomos descobriram pela primeira vez uma molécula no espaço chamado de "água oxigenada". Esta molécula foi encontrada dentro de uma nuvem de gás e poeira em nossa galáxia (na área, marcado por um círculo vermelho, na imagem acima). Os médicos usam água oxigenada para limpar feridas, mas esta molécula também pode nos ajudar de outras maneiras.

Astrônomos acham que a maioria das moléculas de água na Terra é formada no espaço, mas ainda não entendem completamente como. Mas o peróxido de hidrogênio é feito dos mesmos tipos de átomos como os de água (oxigênio e átomos de hidrogênio), assim que a descoberta dessa molécula pode ser a chave para desvendar o mistério da água no espaço!


Fato legal

A temperatura no Polo Sul da Terra pode cair tão baixo quanto -60 ° C. Mas a nuvem de poeira e gás em que o peróxido de hidrogênio foi encontrado é insanamente frio: -250 ° C!








Aconteceu em 8 de julho de 1947

O jornal norte-americano Roswell Daily Record, de Roswell, New Mexico, Estados Unidos, publicou nessa data a notícia de que militares da força aérea norte-americana sediados nesta região haviam capturado um “disco voador” em um rancho ali situado. Um comunicado liberado pelos militares para a imprensa deu início a toda essa confusão. No comunicado os militares diziam ter recuperado um “flying disc” (disco voador) que havia caído em um rancho perto de Roswell. Mais tarde, no mesmo dia, o comando militar anunciou que o objeto recuperado era, na verdade, um balão meteorológico e não um “disco voador”. O caso ficou esquecido por quase 30 anos, mas em 1978 o major Jesse Marcel, que havia participado da operação de recuperação do balão em 1947, declarou em uma entrevista a um “ufólogo” que acreditava que os militares estavam escondendo a recuperação de uma espaçonave alienígena. A partir dai surgiu o chamado “Incidente Roswell”, uma delícia para os adoradores de discos voadores, que perdura até hoje. Em 1990 a Força Aérea norte-americana declarou que os restos recolhidos em Roswell pertenciam a um projeto ultra-secreto, chamado Project Mogul, que usava conjuntos de balões transportando microfones e rádio transmissores com o objetivo de detectar mísseis balísticos e testes nucleares soviéticos.




Uma única terra

Revista Pesquisa Fapesp
Edição Impressa 184 - Junho 2011
Neldson Marcolin

Há 85 anos, o alemão Reinhard Maack achava, no Brasil, evidências sobre a origem dos continentes


© ACERVO DE ALESSANDRO CASAGRANDE/FOTOS DE REINHARD MAACK
Maack lê mapa durante expedição no rio Ivaí, em 1934, enquanto material seca

A teoria de que todos os continentes estiveram unidos formando uma única extensão de terra há cerca de 250 milhões de anos foi proposta, de modo cientificamente fundamentado, pelo geólogo e meteorologista alemão Alfred Lothar Wegener em 1912. No livro A origem dos continentes e oceanos, publicado em 1915, reuniu evidências morfológicas (o “encaixe” da América do Sul com a África), paleoclimáticas (vestígios de glaciares em terras tropicais) e paleontológicas (fósseis de plantas tropicais no Ártico) para compor sua hipótese. A teoria foi debatida nas décadas seguintes e rejeitada pela maioria dos cientistas porque faltava uma boa explicação para a movimentação dos continentes. Alguns anos depois, no Brasil, um outro alemão, Reinhard Maack (1892-1969), achou evidências geológicas no oeste de Minas Gerais que iam 
na mesma direção dos trabalhos feitos por Wegener.

Maack havia passado 11 anos na colônia alemã África do Sudoeste (atual Namíbia) trabalhando como técnico em geodésia. Nos seus primeiros anos no Brasil realizou pesquisas no cerrado mineiro e deparou-se com formações geológicas iguais às da Namíbia.
No mesmo ano dessa descoberta, em 1926, ele 
a descreveu no artigo “Uma viagem de pesquisa do planalto de Minas Gerais até o Paranaíba”, publicado na Revista da Sociedade de Geografia em Berlim. “Foi o primeiro trabalho de pesquisa de Maack no Brasil e tinha várias falhas, mas suas observações foram comprovadas anos mais tarde”, conta o agrônomo Alessandro Casagrande, 
da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e coordenador da Rede Brasileira de História Ambiental-RBHA, autor 
de um capítulo sobre o alemão no livro Histórias 
de uma ciência regional, organizado por Fabiano Ardigó (Contexto, 2011).

Maack foi para a Namíbia em 1911. 
Lá realizou serviços de topografia para o governo e fazendeiros da colônia ao mesmo tempo que efetuava expedições memoráveis como a de 1917, que determinou 
a altura da Brandberg, a montanha mais alta do país, com 2.585 metros. Na mesma região, descobriu uma gruta com pinturas rupestres que foram reproduzidas em desenho por ele e posteriormente se tornaram importantes ao serem estudadas por historiadores da Pré-história. O afresco rupestre conhecido 
como Dama branca, por exemplo, ganhou grande notoriedade.

Em 1923, ele veio ao Brasil contratado pela Companhia de Mineração e Colonização Paranaense. Radicou-se em Curitiba, mas continuou fazendo expedições pelo mundo em razão de seu interesse pela história geológica 
da Terra. Voltou à Alemanha algumas vezes para estudar – em 1949, aos 57 anos, recebeu o título Rer. Nat. (doutor Rerum naturalium) com o trabalho sobre a glaciação gondwânica do Carbonífero Superior apresentado na Universidade de Bonn.

No Paraná Maack teve atuação marcante. Explorou rios como o Tibagi e o Ivaí, determinou a altura do 
pico do Paraná – batizado e escalado por ele –, publicou o mapa geológico e fitogeográfico do estado e foi crítico de primeira hora da destruição das florestas.Também sofreu reveses: por ser alemão, foi encarcerado no presídio da Ilha Grande, no Rio, durante a Segunda Grande Guerra. Em 1946 tornou-se professor na Universidade do Paraná, atual UFPR. Sua obra mais conhecida é A geografia física do estado do Paraná.

“Maack defendia a teoria de Wegener e viajou muito para comprová-la”, diz João José Bigarella, professor catedrático da UFPR, que trabalhou com o alemão. “Os norte-americanos sempre duvidaram dela, mas mudaram de posição no final da década de 1950 com as novas descobertas que surgiram.” A ideia central de Wegener – de que todos os continentes estiveram unidos num tempo remoto – só seria amplamente aceita a partir dos anos 1960.