29 de mar de 2012

Explosão de laser mostra como magnetismo surgiu no Universo

Redação do Site Inovação Tecnológica


A explosão revelou a formação de campos magnéticos e correntes elétricas ao redor da onda de choque - o fenômeno ocorreu em uma janela de 1 microssegundo após o disparo. [Imagem: Oxford University]


Origem do magnetismo

Há campos magnéticos por todo o espaço galáctico e intergaláctico.

O que é intrigante é imaginar como é que eles foram criados originalmente, e como se tornaram tão fortes.

Agora, uma equipe internacional de cientistas usou um laser para criar campos magnéticos semelhantes àqueles que se imagina serem necessários para a formação das primeiras galáxias, na infância do Universo.

Os resultados são um primeiro elemento importante na tentativa de solucionar o enigma de como o Universo gerou seu próprio magnetismo.

"Nosso experimento recriou o que estava acontecendo no início do Universo e mostrou como os campos magnéticos galácticos apareceram," afirmou o Dr. Gianluca Gregori, da Universidade de Oxford, no Reino Unido.

"Isso abre a perspectiva emocionante de sermos capazes de explorar a física do cosmos, que remonta a bilhões de anos, em um laboratório de laser aqui na Terra," completou.

Explosão a laser

A equipe, liderada por físicos da Universidade de Oxford, no Reino Unido, usaram um laser de alta potência para explodir uma haste de carbono, semelhante a uma ponta de lápis, imersa em gás hélio.

A explosão foi projetada para imitar o caldeirão de plasma do qual foram formadas as primeiras galáxias - o plasma é um gás ionizado contendo elétrons livres e íons positivos.

O disparo revelou a formação de campos magnéticos e correntes elétricas ao redor da onda de choque - o fenômeno ocorreu em uma janela de 1 microssegundo após a explosão.

Os astrofísicos pegaram estes resultados e os ampliaram em 22 ordens de grandeza (x * 1022) para descobrir que a medição é compatível com as chamadas "sementes magnéticas", previstas pelas teorias de formação de galáxias.
Bibliografia:

Generation of scaled protogalactic seed magnetic fields in laser-produced shock waves
G. Gregori, A. Ravasio, C. D. Murphy, K. Schaar, A. Baird, A. R. Bell, A. Benuzzi-Mounaix, R. Bingham, C. Constantin, R. P. Drake, M. Edwards, E. T. Everson, C. D. Gregory, Y. Kuramitsu, W. Lau, J. Mithen, C. Niemann, H.-S. Park, B. A. Remington, B. Reville, A. P. L. Robinson, D. D. Ryutov, Y. Sakawa, S. Yang, N. C. Woolsey, M. Koenig, F. Miniati
Nature
Vol.: 481, 480-483
DOI: 10.1038/nature10747



A Lua é filha da Terra?

Redação do Site Inovação Tecnológica 

A Lua é filha da Terra?
As descobertas podem lançar pelo espaço a teoria mais aceita atualmente sobre a formação da Lua. [Imagem: Cosmic Collisions Space Show/Rose Center for Earth and Space/AMNH]

Formação da Lua

Uma nova análise química de rochas lunares mostrou que nosso satélite é muito mais parecido com a Terra do que os cientistas acreditavam.

A teoria mais aceita atualmente afirma que a Lua teria sido gerada quando um planeta hipotético do tamanho de Marte - conhecido como Théia, ou Téia - teria saído de sua órbita e entrado em rota de colisão com a Terra.

O impacto arrancou as camadas externas de Téia e da Terra, deixando enormes quantidades de detritos em órbita da nova Terra-híbrida. Esse material eventualmente coalesceu sob sua própria gravidade e formou a Lua.

Composição da Lua

Para que esse modelo seja consistente, cerca de 40% da composição da Lua deveria ter vindo de Téia.

Contudo, ao comparar a abundância relativa dos isótopos titânio-47 e titânio-50 em rochas lunares, Junjun Zhang e seus colegas da Universidade de Chicago descobriram que a proporção dos dois isótopos é exatamente a mesma da Terra - cerca de 4 partes por milhão.

Já se sabia que a composição isotópica do oxigênio na Lua também é similar à da Terra, mas o oxigênio se vaporiza muito facilmente durante uma colisão, e essa semelhança pode ser resultado de uma troca posterior.

Ocorre que o titânio não vaporiza tão facilmente. Segundo Zhang, seria virtualmente impossível que a Lua e a Terra tivessem atingido a mesma composição.

Análises de meteoritos, por outro lado, vistos como restos de eventuais corpos planetários errantes pelo Sistema Solar, confirmam que a composição de Téia seria muito diferente da composição da Terra.

Novas teorias para a formação da Lua

Mas os cientistas afirmam que ainda não é hora de descartar a hipótese do choque Téia-Terra para explicar a origem da Lua, porque o choque pode ter desencadeado processos sobre os quais ainda não se tem conhecimento.

A principal razão, contudo, é que a única teoria alternativa para a formação da Lua propõe uma Terra girando extremamente rápido, a ponto de atirar material de sua própria crosta para o espaço - mas ninguém tem uma ideia sobre o que teria diminuído posteriormente a velocidade do nosso planeta.

Enquanto isso, as sondas gêmeas STEREO estão procurando sinais de meteoritos com composição similar à da Lua e da Terra, com o objetivo de dar novas ideias sobre a formação da Lua.

Outra novidade recente, que pode ajudar neste estudo, é a descoberta de dois planetas na mesma órbita, o que poderia sugerir uma composição mais similar entre Téia e Terra se ambos fossem gêmeos orbitais.

Bibliografia:

The proto-Earth as a significant source of lunar material
Junjun Zhang, Nicolas Dauphas, Andrew M. Davis, Ingo Leya, Alexei Fedkin
Nature Geoscience
Vol.: Published online
DOI: 10.1038/ngeo1429



26 de mar de 2012

Lixo espacial deixa astronautas de estação em alerta

BBC Brasil

A tripulação da Estação Espacial Internacional teve de se refugiar em cápsulas de fuga de emergência temendo uma colisão com um pedaço de lixo espacial.

O detrito, um pedaço descartado de um foguete russo, foi detectado na sexta-feira, quando já era tarde demais para mover a estação espacial.



A agência espacial americana, a Nasa, afirmou que o detrito não chegou a se aproximar tanto da estação a ponto de constituir uma ameaça, mas acrescentou que foi preciso tomar medidas de precaução.

Foi a terceira vez em doze anos que a Estação Espacial Internacional enfrenta o risco de ser atingida por lixo espacial.

Em junho, um detrito chegou a 335 metros da plataforma espacial.

Segundo a agência espacial russa, o pedaço de foguete deste sábado passou a uma distância de 23 quilômetros da estação.

Nasa estima que cerca de 22 mil detritos estariam orbitando em volta da Terra


'Exercício de abrigo'

A plataforma espacial atualmente conta com três astronautas russos, dois americanos e um japonês.

A equipe recebeu ordens de se refugiar em duas cápsulas Soyuz na eventualidade de a estação ser atingida, mas um porta-voz da Nasa informou que eles receberam o sinal verde para regressar à estação na madrugada do sábado.

O ''exercício de abrigo'', segundo o porta-voz, foi realizado ''com extremo zelo e de forma muito cuidadosa''. Ele acrescentou que tudo ocorreu ''como manda o figurino e o pequeno detrito passou pela Estação Espacial Internacional sem que houvessem incidentes''.


A Nasa está atualmente rastreando cerca de 22 mil objetos que estão percorrendo a órbita terrestre, mas a agência espacial acredita que possam exitir milhões de objetos rondando o espaço, como consequência de décadas de programas espaciais.

Os detritos variam de tamanho, podendo ser desde pequenos objetos com menos de um centímetro de comprimento ou até grandes pedaços de foguetes, satélites que não operam mais ou tanques de combustível descartados.

Todos estes detritos que constituem o lixo espacial viajam a velocidades de vários quilômetros por segundo e, numa eventual colisão, podem provocar sérios danos à plataforma espacial ou a satélites.

Um dos eventos que provocou a maior criação de detritos se deu em 2007, quando a China usou um míssil para destruir um de seus próprios satélites. A explosão criou mais de 3 mil detritos, que puderam ser rastreados, e outras 150 mil partículas.



23 de mar de 2012

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SEM ATRASOS - Cientistas querem relógio atômico cem vezes mais preciso que o atual

Folha de S. Paulo

DA EFE - Cientistas trabalham na construção de um relógio com margem de erro de um décimo de segundo em 14 bilhões de anos, informou o Instituto Tecnológico da Geórgia (EUA). A precisão extrema desse relógio, cem vezes superior à dos atuais relógios atômicos, provém do núcleo de um só íon de tório, diz um artigo na revista "Physical Review Letters".

A precisão dos relógios atômicos vem de oscilações dos elétrons nos átomos induzidas por raio laser. É com base nelas que os padrões de tempo e de frequência são calculados.

Esses relógios atômicos "comuns" podem sofrer um desvio de quatro segundos ao longo da existência do Universo.

O mês do céu mágico

Folha de S. Paulo
MARCELO GLEISER

Se a conjunção de planetas no céu deste mês
fosse vista há dois séculos, 
as pessoas ficariam em pânico


A ideia de que o mundo vai acabar é tão antiga quanto a ideia de mundo. Na maioria das culturas, o fim do mundo virá e, quando vier, será anunciado pelo mais completo caos celeste. O que muda de cultura para cultura é o que ocorre depois do fim: ou um novo começo ou uma era em que o tempo deixa de passar.

Fora a escatologia bíblica do Apocalipse de João ou do livro de Daniel, alguns leitores devem se lembrar de Abracurcix, o chefe da aldeia de Asterix, o bravo guerreiro gaulês, cujo único medo era que o céu caísse sobre sua cabeça.

Ao contrário das culturas monoteístas, com seu tempo linear, para os celtas e seus druidas o fim de um ciclo marcava o começo de outro. A noção do tempo cíclico, presente também na mitologia hindu por meio da dança de Shiva, em geral representa uma sequência de mundos. Não existe um final, mas uma sequência de existências.

Que o fim do mundo vem anunciado nos céus parece ser uma simbologia universal: se a ordem celeste é alterada, o pior está ainda por vir. Não é à toa que cometas até hoje são tidos como mau agouro. Se os céus são a morada dos deuses, por consequência são também seu quadro de mensagens. Fenômenos fora do comum eram e ainda são temidos. "Arrependa-se antes que seja tarde!", diz o firmamento.

Neste mês, o céu está belíssimo. Os dois planetas mais brilhantes, Vênus e Júpiter, estão em conjunção (próximos) no oeste logo após o poente. A lua reaparecerá perto deles no final do mês, amplificando a beleza do evento. Enquanto isso, no leste, Marte está em oposição (ou quase) com o Sol, o que o torna bem brilhante e alaranjado.

Até o elusivo Mercúrio andou mostrando sua cara no início do mês. Saturno aparece na linha do horizonte leste no início da noite. Ou seja, durante o mês, os cinco planetas visíveis a olho nu estarão presentes no céu. Se isso tivesse ocorrido há dois séculos, viria o pânico.

Felizmente, não há nada a temer. Pelo contrário, a beleza do céu neste mês deveria inspirar todos a olhar para cima. Ao fazê-lo, percebemos o quanto somos pequenos perante a imensidão do espaço. Porém, percebemos também o quanto somos grandes -pois foi por meio de nossa criatividade que conseguimos aprender tanto sobre os céus, sobre as leis que regem os movimentos planetários e sobre as órbitas e a composição dos cometas.

É ela, também, a responsável pela nossa capacidade de datar com precisão de segundos a ocorrência de eclipses solares e pela compreensão dos processos responsáveis pela produção de luz e energia no Sol, que nos permitem existir na sua vizinhança. Aliás, não deixe de celebrar o dia do Sol e da Terra, dia 19, que também é meu aniversário.

Pela primeira vez na história, estamos olhando para outros mundos, misteriosos e distantes, que giram em torno de outras estrelas. Cada qual é um livro aberto, com suas propriedades únicas e, quem sabe, a promessa de vida em alguns deles.

Os que pensam que, ao compreendermos o mundo cientificamente, tiramos sua beleza, deveriam repensar sua posição. Pelo contrário, ao nos ajudar a ver mais longe, a ciência alimenta ainda mais os sonhos de tudo o quanto ainda não conhecemos e o senso de mistério ao contemplarmos o Universo.

MARCELO GLEISER é professor de física teórica no Dartmouth College, em Hanover (EUA), e autor de "Criação Imperfeita".
Facebook: goo.gl/93dHI



Hubble mostra aglomerado deslumbrante de estrelas

Site Inovação Tecnológica
Com informações da NASA

O substantivo é Aglomerado Globular Messier 9. Os adjetivos ficam por conta de quem observa. 
[Imagem: NASA/ESA] 


Messier 9 

Este é o Messier 9, um aglomerado globular, um enxame aproximadamente esférico de estrelas que fica a cerca de 25.000 anos-luz da Terra, perto do centro da Via Láctea - tão perto que as forças gravitacionais do centro galáctico distorcem ligeiramente sua forma. 

Acredita-se que os Aglomerados globulares abriguem algumas das estrelas mais antigas da nossa galáxia, nascidas quando o Universo tinha apenas uma pequena fração da sua idade atual. 

Além de serem muito mais velhas do que o Sol - cerca do dobro da idade - as estrelas de Messier 9 também têm uma composição muito diferente, com uma quantidade muito menor de elementos pesados do que o Sol. 

Em particular, os elementos cruciais para a vida na Terra, como oxigênio e carbono, além do ferro que compõe o núcleo do nosso planeta, são muito escassos em Messier 9 e em outros aglomerados globulares do seu tipo. 

Nuvem de estrelas 

Messier 9, como o próprio nome sugere, foi descoberto pelo astrônomo francês Charles Messier, em 1764. 

Mesmo usando os telescópios mais avançados da época, nenhuma das estrelas do aglomerado podia ser vista individualmente. Messier, vendo apenas um leve borrão, classificou o objeto como uma nebulosa - na verdade ele usou o termo latim para "nuvem". 

O contraste entre o equipamento de Messier e as ferramentas à disposição dos astrônomos de hoje é gritante. 

Esta imagem do Hubble, por exemplo, que é a imagem de mais alta resolução já feita de Messier 9, é capaz de mostrar estrelas individuais, bem no centro lotado do aglomerado. 

Mais de 250.000 delas foram bem focalizadas pelo detector da "Câmera Avançada de Rastreamento" do Hubble, em uma imagem que cobre uma área não maior do que o tamanho da cabeça de um alfinete vista a uma distância equivalente ao comprimento de um braço. 

Temperatura e cor 

Além de mostrar estrelas individuais, a imagem do Hubble mostra claramente as diferentes cores das estrelas. 

A cor de uma estrela está diretamente relacionada à sua temperatura - contra-intuitivamente, quanto mais vermelha, mais fria ela é, e quanto mais azul, mais quente. 

A vasta paleta de cores visíveis na imagem do Hubble revela, portanto, que, quando se trata de temperaturas estelares, ou de cores, Messier 9 tem opções para todos os gostos.



Astrônomos descobrem uma galáxia retangular

Redação do Site Inovação Tecnológica

Uma galáxia retangular "é uma daquelas coisas que só pode fazer você rir, porque ela não deveria existir, ou, pelo menos, nós não esperávamos que existisse."[Imagem: Swinburne University of Technology]

Desafiando as leis da natureza

Uma equipe internacional de astrônomos achou algo quase inacreditável: uma galáxia retangular.

"No Universo ao nosso redor, a maioria das galáxias tem uma dentre três formas: esferoidal, disco ou irregular," comentou o professor Alister Graham da Universidade de Tecnologia de Swinburne, na Austrália, membro da equipe que congrega ainda astrônomos da Alemanha, Suíça e Finlândia.

Mas descobrir uma galáxia retangular "é como descobrir uma nova espécie que, à primeira vista, parece desafiar as leis da natureza".

"É uma daquelas coisas que só pode fazer você rir, porque ela não deveria existir, ou, pelo menos, nós não esperávamos que existisse," disse Graham.

A galáxia retangular, batizada de LEDA 074886, está a 700 milhões de anos-luz da Terra. [Imagem: Swinburne University of Technology]

Galáxia retangular

A galáxia retangular, que lembra a lapidação típica de uma esmeralda, foi descoberta durante um rastreio feito pelo telescópio japonês Subaru.

Serão necessárias observações adicionais para desvendar o mistério, mas os astrônomos afirmam que seja improvável que essa galáxia seja um cubo.

O mais provável, acreditam eles, é que ele lembra um disco inflado visto de lado.

Quanto à explicação do seu formato, a hipótese mais plausível é que ela seja fruto de uma colisão entre galáxias, ainda estando em processo de se "ajeitar" - o único problema é que ela é muito pequena, considerada uma galáxia-anã.

A galáxia retangular, batizada de LEDA 074886, está a 700 milhões de anos-luz da Terra.

Bibliografia:

LEDA 074886: A remarkable rectangular-looking galaxy
Alister W. Graham, Lee R. Spitler, Duncan A. Forbes, Thorsten Lisker, Ben Moore, Joachim Janz
arXiv
http://arxiv.org/abs/1203.3608v1




22 de mar de 2012

Nasa divulga imagens de aurora boreal no Hemisfério Norte

BBC BRASIL

Astronautas da Estação Espacial captaram as imagens entre janeiro e fevereiro deste ano



A Nasa, a agência espacial americana, divulgou imagens, que registram o fenômeno da aurora boreal no Hemisfério Norte.

As imagens foram captadas pela equipe da Estação Espacial Internacional e foram registradas entre janeiro e fevereiro desse ano.

As cenas foram registradas principalmente no norte dos Estados Unidos e no Canadá.

O fenômeno da aurora boreal é um fenômeno ótico que ocorre em decorrência do impacto de partículas de partículas provenientes do sol - o chamado vento solar - e a poeira espacial da Via Láctea em contato com a alta atmosfera terrestre.



Livro traz estratégia para próximos anos e atividades de 2011

MCT

O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) elaborou a publicação Estratégia Nacional de Ciência,Tecnologia e Inovação 2012-2015 e Balanço das Atividades Estruturantes 2011. O livro está disponível para leitura em PDF.

Foram impressos 3 mil exemplares, a serem distribuídos entre segmentos representativos da sociedade, em especial entidades da área de ciência, tecnologia e inovação, comunidade científica e instituições de ensino e pesquisa em todo o território nacional. Além disso, uma versão digital em e-book estará disponível para o público baixar em breve.

O documento, organizado pela Secretaria Executiva, descreve os desafios, eixos de sustentação, programas prioritários, fontes de recursos e metas da estratégia nacional (conhecida pela sigla Encti) para os próximos quatro anos.

O capítulo sobre as atividades de 2011 destaca a formulação da Encti e programas e ações ligados a: desenvolvimento tecnológico e inovação, áreas de pesquisa e desenvolvimento, tecnologias para inclusão social, formação de recursos humanos, área espacial, área nuclear e gestão estratégica. Trata, ainda, do padrão de financiamento do setor e da execução dos recursos orçamentários da pasta.

Nos anexos estão detalhados o Projeto Aquarius, de gestão estratégica e dados abertos, e o planejamento do Programa Nacional de Atividades Espaciais para o período 2012-2020.




21 de mar de 2012

Austríaco testa salto livre no espaço com sucesso

BBC Brasil
Foto: Jay Nemeth/Red Bill Stratos e Jorg Mitter/Red Bill Stratos

O aventureiro austríaco Felix Baumgartner testou com sucesso, na quinta-feira, o salto que pode lhe dar o novo recorde mundial de skydiving, modalidade de esporte em que uma pessoa salta de grandes altitudes e faz manobras no ar, antes de abrir um paraquedas.

Baumgartner saltou quando estava a 21,8 km de altitude, em uma cápsula pressurizada conectada a um balão de hélio. O austríaco voou acima de uma zona crítica conhecida como a Linha Armstrong, a partir da qual a sobrevivência é impossível por conta da alta pressão. A temperatura externa chega a 70 graus negativos.

O acessório mais importante usado no salto é a roupa que cobre toda a superfície do seu corpo. O vestuário é fundamental para manter o corpo sob a pressão atmosférica adequada e para o fornecimento de oxigênio.

Ao saltar, segundo informações da Red Bull Stratos (projeto que combina patrocinador e cientistas em torno do propósito de Baumgartner), o austríaco teria atingido a velocidade de 585,7 km/h.

'Vista incrível'

O objetivo do projeto é permitir que Baumgartner salte do balão a 36,5 quilômetros de altitude. O salto não tem data marcada, mas será feito ainda este ano.

Se a tentativa for bem-sucedida, Baumgartner conseguirá bater um recorde estabelecido em 1960 pelo aventureiro Joe Kittinger, que pulou de um balão a 31 quilômetros de altura. Kittinger faz parte hoje da equipe de Baumgartner e acredita que todo o esforço do austríaco dará certo.

O salto de quinta-feira foi o mais alto que Baumgartner fez em sua vida. "A vista é incrível, muito melhor do que eu imaginava", disse ele depois do feito, segundo sua assessoria de imprensa.

Ainda antes de saltar, o austríaco chegou a se curvar para ter uma noção da altura "Pensei que tinha que abrir o paraquedas, mas me dei conta de que eu ainda estava a pouco mais de 15 km de altitude", brincou.

O austríaco, de 42 anos de idade, ficou famoso por ter saltado de paraquedas de lugares como o Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, o Millau Viaduct, no sul da França, e da torre Taipei 101, em Taiwan.

Equipes da BBC e da National Geographic estão fazendo um documentário sobre o salto no espaço de Baumgartner.



Universidade israelense atualiza arquivo de Einstein

Ultimo Segundo


Site dá acesso a mais de 80 mil documentos relacionados ao físico, que doou todo seu acervo à Universidade Hebraica


A Universidade Hebraica de Jerusalém lançou nesta segunda-feira uma versão atualizada de seu site 'Arquivos de Einstein', dando acesso a mais de 80.000 documentos relacionados ao cientista pioneiro.

Um dos fundadores da Universidade Hebraica, Albert Einstein legou todos os seus escritos e sua herança intelectual a esta instituição.

O novo site disponibilizará ao público o acesso a 40.000 documentos com base em artigos pessoais de Einstein e mais de 30 mil itens adicionais do físico ou relacionados a ele desde 1980, destacou a Universidade.

Entre os novos documentos disponibilizados no site estão uma carta de 1930 que Einstein escreveu ao editor do jornal Falastin sobre o conflito árabe-israelense, um cartão postal para a sua mãe, doente, e uma carta de uma jovem amante.

O arquivo pode ser acessado no link http://alberteinstein.info.




Forte terremoto no México destrói edifícios e interrompe atividades do Parlamento

BBC Brasil
Atualizado em 21 de março, 2012


Um terremoto de pelo menos 7,4 pontos abalou o México na terça-feira, causando estragos em edifícios e residências na capital do país, Cidade do México e, de acordo com relatos, fazendo com que construções balançassem como se fossem ''trampolins''.
O tremor foi o mais forte a abalar o país desde o tremor de 8,1 pontos de 1985, que, na ocasião matou ao menos 10 mil pessoas, na capital mexicana.
O tremor obrigou moradores e funcionários de empresas a irem para as ruas, por questões de segurança. Até mesmo as atividades do Parlamento do país tiveram de ser interrompidas.
Ainda não se sabe a proporção exata do desastre desta terça-feira, mas o sentimento no país é de alívio, já que os estragos causados não parecem ser remotamente próximos ao da tragédia ocorrida nos anos 80.



O Brasil promove pela primeira vez a Olimpíada Internacional de Astronomia e Astrofísica

Observatório Nacional

Olimpíada acontece de quatro em quatro anos, certo?

Para estudantes do ensino médio de todo o mundo, não. Em agosto deste ano, estudantes dos cinco continentes desembarcarão no Rio de Janeiro para participar de uma olimpíada diferente: a Olimpíada Internacional de Astronomia e Astrofísica (IOAA), que será realizada no município de Vassouras/RJ. Nesta competição, reconhecida pela União Astronômica Internacional (IAU), a associação mundial dos astrônomos profissionais, os equipamentos são telescópios, calculadoras, muita criatividade e aplicação. No Brasil, os estudantes são selecionados a partir da Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA), realizada desde 1998.

A organização da IOAA determina que cada país participante se comprometa com a realização de uma edição da Olimpíada, arcando com todas as despesas relativas à estadia dos participantes e organização geral do evento. Para tal, é necessário o apoio de diferentes setores da sociedade.

Assim, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, por intermédio do CNPq e de seus Institutos de Pesquisa com foco em Astronomia – Observatório Nacional, Museu de Astronomia e Ciências Afins e Laboratório Nacional de Astrofísica; o Ministério da Educação, por meio da CAPES e do Observatório do Valongo (UFRJ); o Governo do Estado do Rio de Janeiro, com a Faperj, a Prefeitura do Rio de Janeiro, por meio da Fundação Planetário do Rio de Janeiro, e a Prefeitura de Vassouras estão unidos para apoiar o evento que reunirá equipes de 30 países, entre os dias 4 e 14 de agosto de 2012, na primeira olimpíada científica de nível mundial em solo brasileiro.

Como país sede, o Brasil tem direito a duas equipes. Todos os estudantes farão, como nas outras edições, as três modalidades de prova: observacional, na qual demonstram seus conhecimentos sobre o céu; teórica, resolvendo problemas de astronomia e astrofísica; e prova prática, na qual utilizam e interpretam dados como um astrônomo profissional.



19 de mar de 2012

Outono começa às 2h14 do dia 20 de março

Observatório Nacional
16/03/2012

O outono começa oficialmente nesta terça-feira, dia 20 de março, às 2h14 (horário de Brasília), noite em que ocorre o primeiro equinócio deste ano, quando o dia e a noite tem a mesma duração. As estações do ano são fenômenos naturais e ocorrem por causa da inclinação do eixo da Terra em relação ao Sol e pelo movimento de translação da Terra em torno do Sol. Desse modo, o início de cada estação é definido pelo comprimento do dia e da noite, que varia conforme a latitude, a época do ano e a inclinação do eixo de rotação da Terra.

Para a compreensão passagem das estações, a pesquisadora Josina Oliveira do Nascimento, da Coordenação de Astronomia e Astrofísica do Observatório Nacional, explica que é preciso imaginar a Terra parada e todos os outros astros se movendo em relação ao planeta. Assim, o movimento do Sol em torno da Terra durante um ano ocorre da seguinte maneira: em março o Sol atinge a linha do Equador indo de sul para norte – é o equinócio de outono no Hemisfério Sul e de primavera no Hemisfério Norte; em junho o Sol atinge o trópico de Câncer – é o solstício de inverno no Hemisfério Sul e de verão no Hemisfério Norte; em setembro o Sol chega novamente à linha do Equador, mas agora indo de norte para sul – é o equinócio de primavera no Hemisfério Sul e de outono no Hemisfério Norte; em dezembro o Sol atinge o trópico de Capricórnio – é solstício de verão no Hemisfério Sul e de inverno no Hemisfério Norte.

Assim, nos dias próximos à data do equinócio de outono, a duração do dia é igual à duração da noite. Em seguida, os dias ficam cada vez menores e as noites, cada vez maiores, até que no solstício de inverno ocorre a maior noite e o menor dia do ano. Depois acontece o inverso: os dias vão ficando cada vez maiores até que no equinócio da primavera novamente o dia e a noite estão com o mesmo comprimento. Os dias continuam ficando maiores e noites menores até que, no solstício de verão, é registrado o maior dia e a menor noite do ano.




Asteroide passará entre satélites artificiais e a Terra

Site Inovação Tecnológica
Com informações da ESA

O "2012 DA14" tem uma órbita muito parecida com a da Terra, com um período de 366,24 dias, apenas mais um dia que o nosso ano terrestre.[Imagem: ESA/La Sagra Sky Survey]

Órbitas gêmeas

Uma equipe de astrônomos amadores espanhóis descobriu um asteroide incomum, batizado de "2012 DA14", no último dia 22 de Fevereiro.

Por ser muito pequeno e ter uma órbita incomum, ele só foi visto depois de ter passado pela Terra, a uma distância de cerca de sete vezes a distância da Lua.

No entanto, as previsões indicam que ele vai voltar no ano que vem.

E, nesta sua próxima passagem, prevista para 15 de Fevereiro de 2013, ele passará a apenas 24.000 km da Terra - mais perto do que a maioria dos satélites artificiais de comunicação.

"Um cálculo preliminar da sua órbita mostra que o 2012 DA14 tem uma órbita muito parecida com a da Terra, com um período de 366,24 dias, apenas mais um dia que o nosso ano terrestre, e ele 'salta' para dentro e para fora do caminho da Terra duas vezes por ano," explica Jaime Nomen, um dos descobridores do asteroide.

Distância segura, mas monitorada

Apesar da grande aproximação na próxima passagem, a agência espacial europeia (ESA) afirma ser uma distância segura, mas que requer um acompanhamento.

"Esta é uma distância segura, mas perto o suficiente para deixar o asteroide visível com binóculos comuns," afirmou Detlef Koschny, responsável por monitorar os chamados "objetos próximos da Terra".

"Nós vamos também estar atentos para ver a órbita resultante do asteroide depois da próxima passagem, a fim de calcular futuros riscos de impacto," completou Koschny.

Olhou, achou

O asteroide foi descoberto pelo observatório de rastreio La Sagra, no sudeste da Espanha, perto de Granada, a uma altitude de 1.700 m, um dos pontos com menos poluição luminosa no continente europeu.

O observatório descobre centenas de asteroides e cometas todos os anos.

A equipe usou vários telescópios automatizados para rastrear o céu, e a descoberta ocorreu meio por acaso, depois que os astrônomos amadores decidiram pesquisar áreas do céu onde os asteroides não são geralmente vistos - ou não suficientemente procurados.

Embora um impacto com a Terra tenha sido descartado na próxima passagem do asteroide pela Terra, os astrônomos afirmam que irão usar essa super aproximação para fazer mais estudos e calcular os efeitos gravitacionais da Terra e da Lua sobre ele.



Observatório Nacional deposita seu primeiro pedido de registro de patente

Observatório Nacional

O Observatório Nacional (ON) depositou seu primeiro pedido de registro de patente junto ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). O objeto do pedido é um “dispositivo e método para simular a compensação de bússola náutica”, desenvolvido pelo pesquisador Cosme Ferreira da Ponte Neto, da Coordenação de Geofísica, e pelo estudante David Canabarro Savi, aluno do curso de doutorado em Geofísica no ON.

A invenção permite simular as manobras de compensação de uma bússola náutica para embarcações de médio e grande porte, e uma de suas principais vantagens é baratear e melhorar a eficiência do treinamento dos técnicos que fazem esse procedimento, normalmente realizado com navios em movimento.

Os procedimentos de apoio ao processo do pedido de patente de invenção foram realizados pelo Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT-RIO), e o depósito do pedido foi feito no dia 9 de março.



Cyberterror no espaço

Istoé

A Nasa divulga balanço assustador sobre os ataques sofridos em sua rede de computadores. Até a Estação Espacial Internacional ficou à mercê do domínio de hackers

Hélio Gomes

Sinônimo de tecnologia de ponta desde sua fundação, em 1958, a Nasa sempre foi vista como uma espécie de celeiro digital no qual os computadores mais modernos do mundo controlam missões a milhares de quilômetros da Terra com segurança e precisão absolutas. Infelizmente, tal imagem carece de revisão. Em depoimento concedido ao Comitê de Ciência, Espaço e Tecnologia do Congresso americano na semana passada, o inspetor-geral da agência espacial, Paul Martin, deu detalhes estarrecedores sobre as brechas de segurança nas redes e máquinas do órgão.

Apenas nos dois últimos anos, 5.408 incidentes foram contabilizados. Eles vão desde a simples contaminação por um vírus a invasões organizadas, que partiram de países como Turquia, Estônia e Nigéria (leia quadro). “Algumas das ocorrências afetaram milhares de computadores, causando danos a missões e resultando no roubo de dados sigilosos”, disse Martin durante a audiência. No mais grave dos casos, os hackers chegaram a controlar os sistemas do Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa. O endereço de IP da máquina que fez o ataque está localizado na China, um dos principais concorrentes dos EUA na corrida espacial contemporânea.

Além das agressões via internet, as máquinas portáteis são outro fator de altíssimo risco, já que apenas 1% dos laptops, tablets e outros computadores de mão da agência são criptografados – processo no qual a informação é codificada de tal maneira que somente a pessoa (ou o computador) com uma chave específica pode decodificá-la. Há cerca de um ano, um notebook com os algoritmos usados para controlar a Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês) foi roubado, colocando em risco uma iniciativa de bilhões de dólares. Por sorte, não houve consequências.

Diante dos fatos, a única resposta possível para a Nasa é um investimento cada vez maior em sua segurança digital. Ainda segundo o depoimento do inspetor-geral da agência, US$ 58 milhões de um orçamento anual de U$ 15 bilhões foram gastos no setor em 2011. Os astronautas que vagam pelo espaço a bordo da ISS a 400 km da Terra agradecem.



MCTI completa 27 anos de criação

Jornal da Ciência


O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação completa seu 27º aniversário. Foi instituído pelo Decreto 91.146, de 15 de março de 1985.

O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) completou nesta quinta-feira (15) seu 27º aniversário. O nome original era Ministério da Ciência e Tecnologia, mas em 2011 o termo "Inovação" foi a ele incorporado, expressando a prioridade que essa dimensão ganhou na política de desenvolvimento sustentável do país.

Foi instituído pelo Decreto 91.146, de 15 de março de 1985, dia da instalação da chamada Nova República. A criação de uma pasta específica para tratar do desenvolvimento da ciência e tecnologia era antiga reivindicação da comunidade científica brasileira e foi atendida pelo presidente eleito Tancredo Neves. O primeiro titular do ministério foi Renato Archer. O servidor mais antigo do ministério ainda em atividade, Sergio de Barros Trannin, participou do trabalho de preparação do gabinete onde se instalaria Renato Archer, em edifício localizado então no Setor de Autarquias Sul de Brasília.

O atual ministro, Marco Antonio Raupp, é o 15º a ocupar o cargo. Ele assumiu em 24 de janeiro passado. Em mensagem publicada no site do MCTI, o ministro Marco Antonio Raupp destaca que ao longo dos 27 anos, o Ministério passou por várias transformações até consolidar-se como motor do desenvolvimento científico, tecnológico e da inovação do País. "Minha missão agora é dar seguimento ao esforço de fazer com os resultados do conhecimento científico contribuam de forma decisiva para o desenvolvimento social e econômico brasileiro. Estou confiante no êxito desta missão, contando para isso com a competência e dedicação do corpo de gestores e servidores do MCTI".

Estrutura - Compõem o sistema do MCTI duas agências de fomento à ciência, tecnologia e inovação: o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). Vinculam-se a ele, também, a Agência Espacial Brasileira (AEB), a Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen) e o Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), além de 19 unidades de pesquisa científica, tecnológica e de inovação, algumas de excelência reconhecida internacionalmente.

Há ainda quatro empresas públicas vinculadas ao sistema: Indústrias Nucleares Brasileiras (INB), Nuclebrás Equipamentos Pesados (Nuclep); Alcântara Cyclone Space (ACS) e Centro de Excelência em Tecnologia Eletrônica Avançada (Ceitec).

Do ponto de vista da estrutura organizacional interna, quatro secretarias temáticas são responsáveis pela gestão dos programas e ações do ministério: Secretaria de Ciência e Tecnologia para Inclusão Social (Secis); Secretaria de Política de Informática (Sepin); Secretaria de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento (Seped); e Secretaria de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (Setec).

A força de trabalho do MCTI, isto é, somente servidores atuantes no órgão central, é composta de 691 servidores, sendo 362 efetivos, 60 requisitados, 52 comissionados, 117 celetistas, 26 de exercício descentralizado (servidores de outras carreiras, como gestores públicos e procuradores da AGU) e 74 contratos temporários.
(Ascom do MCTI)



Morre Aziz Ab'Saber, Presidente de Honra da SBPC

Jornal da Ciência

Aziz Ab'Saber, um dos geógrafos mais respeitados do País, reconhecido internacionalmente, faleceu aos 87 anos, na manhã de hoje (16), às 10h20, de infarto.

Presidente de Honra, ex-presidente e conselheiro da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Ab'Saber é autor de estudos e teorias fundamentais para o conhecimento dos aspectos naturais do Brasil.

Nascido em São Luís do Paraitinga, em 24 de outubro de 1924, Ab'Saber desenvolveu ao longo de sua extensa carreira de cientista centenas de pesquisas e tratados de significativa relevância internacional nas áreas de ecologia, biologia evolutiva, fitogeografia, geologia, arqueologia e geografia. Ele foi presidente da SBPC de 1993 a 1995 e desenvolveu trabalhos no Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (IEA/USP) até ontem.

Um dia antes de morrer, o professor, disposto como sempre, fez sua última visita à SBPC, em São Paulo. Em um gesto de despedida, mesmo involuntariamente, ele entregou na tarde de ontem à secretaria da SBPC sua obra consolidada, de 1946 a 2010, em um DVD, para ser entregue a amigos, colegas da Universidade e ao maior número de pessoas.

"Tenho o grande prazer de enviar para os amigos e colegas da Universidade o presente DVD que contém um conjunto de trabalhos geográficos e de planejamento elaborados entre 1946-2010. Tratando-se de estudos predominantemente geográficos, eu gostaria que tal DVD seja levado ao conhecimento dos especialistas em geografia física e humana da universidade", diz Ab'Saber em sua dedicatória.

Ab'Saber morreu antes de ver publicada sua última obra que será o terceiro volume da coleção "Leituras Indispensáveis", a ser publicado pela SBPC.

O terceiro volume da coleção "Leituras Indispensáveis" faz uma homenagem ao trabalho dos primeiros geógrafos no interior do Brasil, como José Veríssimo da Costa Pereira e Carlos Miguel, e às primeiras expedições de Candido Mariano da Silva Rondon, o Marechal Rondon (1865 a 1958). "Essa é uma homenagem a eles", disse Aziz, em sua última entrevista ao Jornal da Ciência. O livro contempla também trabalhos sobre a cidade de São Paulo.

Prêmios - Ab'Saber, que também foi professor emérito da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, recebeu diversas láureas, como o Prêmio Jabuti em ciências humanas (1997 e 2005), e em ciências exatas (2007); o Prêmio Almirante Álvaro Alberto para Ciência e Tecnologia (1999), concedido pelo Ministério da Ciência e Tecnologia; a Medalha de Grão-Cruz em Ciências da Terra pela Academia Brasileira de Ciências; e o Prêmio Unesco para Ciência e Meio Ambiente (2001).

Código Florestal - Ab'Saber, em suas últimas declarações sobre o novo Código Florestal, criticou o texto por não considerar o zoneamento físico e ecológico de todo o País, como a complexa região semi-árida dos sertões nordestinos, o cerrado brasileiro, os planaltos de araucárias, as pradarias mistas do Rio Grande do Sul, conhecidas como os pampas gaúchos, e o Pantanal mato-grossense. Na ocasião, ele chegou a defender a criação do Código da Biodiversidade para contemplar a preservação das espécies animais e vegetais.

(Viviane Monteiro - Jornal da Ciência)



16 de mar de 2012

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comemorações do aniversário de 185 anos do Observatório Nacional, 
que será celebrado no dia 15 de outubro de 2012.


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Crescimento de galáxias desafia teorias

Site Inovação Tecnológica
Com informações do ESO - 14/03/2012


Esta imagem de campo profundo de uma pequena região do céu, na constelação da Baleia, mostra uma seleção de galáxias, marcadas com cruzes vermelhas, que foram utilizadas em um novo levantamento sobre os hábitos alimentares de galáxias jovens conforme elas evoluíam através do tempo. Cada uma das pequenas bolhas, que são galáxias vistas como eram entre três e cinco bilhões de anos após o Big Bang, foi estudada detalhadamente.[Imagem: ESO/CFHT]


Como as galáxias crescem

Novas observações obtidas com o Very Large Telescope do ESO estão contribuindo de forma significativa para a compreensão de como crescem as galáxias muito jovens.

No maior levantamento já feito sobre estes objetos, os astrônomos descobriram que as galáxias alteram os seus hábitos alimentares durante os anos da adolescência - o período que vai desde os 3 aos 5 bilhões de anos depois do Big Bang.

No início desta fase, correntes de gás eram o lanche preferido, enquanto mais tarde as galáxias cresceram principalmente devido a canibalismo de outras galáxias menores.

Os astrônomos sabem já há algum tempo que as galáxias primordiais são muito menores que as impressionantes galáxias espirais ou elípticas que ocupam atualmente o Universo.

Durante o tempo de vida do cosmos as galáxias vêm aumentando de peso, mas a sua comida e hábitos alimentares permanecem ainda um mistério. Um novo levantamento de galáxias cuidadosamente selecionadas focou-se nos anos da sua adolescência - aproximadamente o período entre os 3 e os 5 bilhões de anos depois do Big Bang.

"Existem dois modelos de crescimento de galáxias em competição: eventos de fusão violentos quando galáxias maiores comem galáxias menores, ou alternativamente um fluxo de gás mais suave e contínuo ingerido pelas galáxias. Ambos levam à formação de imensas novas estrelas," explica Thierry Contini (IRAP, Toulouse, França), que lidera este trabalho.

Mudança na evolução das galáxias

Utilizando os instrumentos de vanguarda do Very Large Telescope do ESO, uma equipe internacional está descobrindo o que realmente aconteceu. Em mais de cem horas de observações, a equipe juntou a maior quantidade de dados detalhados sobre galáxias ricas em gás que se encontram nesta fase inicial do seu desenvolvimento.

Os novos resultados apontam para o fato de existir uma mudança na evolução cósmica das galáxias, quando o Universo tinha entre 3 e 5 bilhões de anos.

O crescimento das galáxias pela absorção de correntes contínuas de gás parece ter sido bastante importante quando o Universo era muito jovem, enquanto as fusões se tornaram mais importantes posteriormente.

"Para compreender como é que as galáxias cresceram e se desenvolveram precisamos observá-las com o maior número de detalhes possível. O instrumento SINFONI instalado no VLT do ESO é uma das ferramentas mais poderosas existentes no mundo para dissecar galáxias jovens e distantes. O seu papel é tão importante para nós como o microscópio o é para o biólogo," acrescenta Thierry Contini.

O SINFONI (sigla do inglês Spectrograph for INtegral Field Observations in the Near Infrared) é um espectrógrafo infravermelho (1,1 a 2,45 micrômetros) de campo integral que utiliza óptica adaptativa para melhorar a qualidade da sua imagem.

As galáxias distantes, como as observadas neste rastreio, são apenas pequenos pontos no céu, muito tênues, mas a alta qualidade de imagem do VLT juntamente com o instrumento SINFONI permite que os astrônomos façam mapas de como as diferentes partes das galáxias se deslocam e descobrir do que são constituídas.

Teorias não preveem

E houve algumas surpresas.

"Para mim, a maior surpresa foi a descoberta de muitas galáxias sem rotação do gás. Estas galáxias não são observadas no Universo próximo e nenhuma das teorias atuais prevê tais objetos," diz Benoit Epinat, outro membro da equipe.

"Também não esperávamos que tantas das galáxias jovens do levantamento tivessem os elementos mais pesados concentrados nas regiões periféricas - este fato é exatamente o contrário do observado nas galáxias atuais," acrescenta Thierry Contini.

A equipe começará agora a explorar a enorme quantidade de dados observados. Eles planejam igualmente observar as galáxias com instrumentos que serão futuramente instalados no VLT, assim como planejam utilizar o telescópio ALMA para estudar o gás frio nestas galáxias.

Olhando ainda mais longe para o futuro, o European Extremely Large Telescope estará idealmente equipado para estender este tipo de estudos a um Universo ainda mais primordial.






NASA quer redefinir o significado de "aqui"

Redação do Site Inovação Tecnológica

O que exatamente significa "aqui"?[Imagem: Harvard University]



Onde é aqui?

Os pequenos aparelhos de GPS usam uma constelação de satélites artificiais em órbita da Terra para dizer exatamente em qual esquina do mundo você se encontra a cada momento.

Mas você já parou para pensar como que é que os satélites sabem onde "eles" se encontram, para poder lhe dizer com tanta precisão onde "você" se encontra?

O início da resposta está aqui embaixo, em uma rede de antenas plantadas ao redor do mundo, que servem como pontos de referência para os satélites, do tipo "você está aqui agora".

Mas isto não é tudo, porque o nível de precisão exigido coloca em questão uma definição ainda mais básica: o que exatamente significa "aqui"?

Quando trocam informações com as antenas em terra, o que os satélites da constelação GPS estão perguntando continuamente é "onde exatamente é o 'aqui' que você está me apontando?"


Geodésia

Para entender tanta insistência com detalhes, é preciso lembrar que a Terra está longe de ser algo como uma esfera rígida e imutável navegando pelo espaço: a Terra muda de formato o tempo todo.

Os continentes se movem sobre as placas tectônicas. O equilíbrio da atmosfera muda constantemente. Os oceanos vão para lá e para cá.

Tudo isto muda não apenas o formato externo da Terra, o chamado geoide, mas também o centro de massa e a orientação do planeta no espaço.

Essas modificações podem ser detectadas no campo gravitacional da Terra e na variação da sua velocidade de rotação.

"Não podemos determinar uma localização hoje e esperar que ela seja precisa o suficiente amanhã." [Imagem: Aldebaran Robotics]


"Em termos práticos, nós não podemos determinar uma localização hoje e esperar que ela seja precisa o suficiente amanhã - muito menos ainda no ano que vem," explica o Dr. Herbert Frey, membro do Projeto Geodésia da NASA.

Geodésia é a ciência que trata da medição dessas propriedades da Terra, incluindo o levantamento e a representação da forma e da superfície do planeta.

Você já deve ter ouvido falar que, sobretudo durante a Idade Média, muitos acreditavam que a Terra era plana - de fato, ainda hoje é fácil encontrar pessoas que acreditam em coisas muito estranhas.

Mas a realidade é que o homem nunca perdeu a noção da esfericidade da Terra, principalmente depois que ela foi determinada com precisão pela primeira vez por Eratóstenes, por volta do ano 240 AC - ou seja, a Geodésia não é uma ciência da "era dos GPS".

Eratóstenes descobriu que, quando o Sol estava diretamente acima do Rio Nilo, na cidade de Assuã, seus raios incidiam em um ângulo de 7,2 graus (1/50 de um círculo) no norte da cidade de Alexandria. Por triangulação, ele calculou que a circunferência da Terra era de 40.200 quilômetros, bem próximo da medição moderna, que é de 40.075,16 quilômetros.

Rede de nova geração

Apesar das sofisticadas ferramentas disponíveis hoje para os cientistas, os cálculos continuam usando as mesmas regras de geometria aplicadas por Eratóstenes.

Mas a precisão exigida hoje chega a ser irritante, sobretudo porque não são apenas os aparelhos de GPS que dependem dela.

Todas as observações da Terra feitas do espaço dependem da precisa determinação de todos os "aquis" da Terra - seja para medir o quanto cada terremoto altera a Terra, mapear as camadas de gelo, verificar o nível global dos oceanos, monitorar o efeito de secas e inundações etc.

É por isto que a NASA verificou que é já é hora de fazer um upgrade em sua rede mundial de estações terrestres e antenas.

Entre 25 e 40 estações terrestres terão que ser atualizadas ou instaladas nos próximos anos, até atingir o que a NASA chama de "rede de nova geração".

Isso, é claro, não dependerá apenas da agência espacial norte-americana. Estão envolvidas também agências da Alemanha, França, Japão e Austrália, que estão se reunindo em comitê para determinar a melhor localização das diversas estações.

Em busca de um "aqui" universal

Uma das principais modificações dessa rede de nova geração é que cada estação terá instrumentos para utilizar simultaneamente três ou quatro técnicas de geodésia para determinar cada "aqui" com uma precisão ainda não alcançada hoje.


Determinar onde você se encontra é algo que começa bem mais longe do que se possa imaginar. 
[Imagem: Sean Carrol]



Por exemplo, a medição da posição de cada satélite artificial em órbita da Terra é geralmente feita com uma técnica chamada SLR (Satellite Laser Ranging), que dispara pulsos de laser em direção a cada satélite e mede o tempo que leva para a luz retornar.

Esta técnica permite também determinar com grande precisão o centro de massa da Terra, uma vez que os satélites sempre orbitam ao redor do centro de massa do planeta.

Outra forma de medir as altitudes de cada satélite é com uma técnica chamada DORIS (Doppler Orbitography and Radiopositioning Integrated by Satellite).

A técnica DORIS utiliza o efeito Doppler, avaliando a variação de frequência de um sinal de rádio emitido por uma estação e recebido pelo satélite - medindo a variação na frequência, os engenheiros podem descobrir a distância da estação até o satélite com muita precisão.

Mas, finalmente, é necessário colocar a Terra em seu contexto, ou seja, saber onde a Terra está no espaço.

Essa espécie de "GPS para planetas" é feita pela técnica VLBI (Very Long Baseline Interferometry).

Para calcular a orientação da Terra no espaço, além de pequenas variações na sua velocidade de rotação, as estações em terra observam dezenas de quasares, estrelas pulsantes que estão longe o suficiente para servirem como pontos de referência.

Ou seja, a VLBI diz onde a Terra está no Universo, a DORIS e a SLR dizem onde os satélites estão no espaço, e o GPS diz onde você está na Terra.

Compreendeu agora a importância de responder com precisão à pergunta "O que exatamente significa aqui"?





Cientistas pedem mais estudos sobre os oceanos

Site Inovação Tecnológica
Com informçaões da Agência Fapesp


Oceanos esquecidos

Os oceanos precisam ganhar mais destaque na agenda de discussões dos fóruns ambientais internacionais, como a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (RIO+20), que será realizada de 20 a 22 de junho no Rio de Janeiro.

Na avaliação de cientistas, é preciso que a questão dos oceanos, que tem sido sistematicamente subestimada nas discussões ambientais, passe a ganhar maior relevância a partir da RIO+20.

"Até o momento, os oceanos têm aparecido de maneira secundária na agenda ambiental e na agenda dos países, em parte pela falta de informações sobre eles. A expectativa da comunidade científica é que eles sejam contemplados de forma mais efetiva a partir da RIO+20", disse José Henrique Muelbert, professor da Universidade Federal do Rio Grande.

Na opinião do cientista, apesar de os oceanos e ambientes marinhos em geral terem merecido mais de dez parágrafos no documento preparatório da RIO+20 - mais conhecido como Esboço Zero -, a agenda de discussões sobre o tema na Conferência ainda está um pouco tímida.

"Existem muitos aspectos relacionados aos oceanos que ficaram de fora da agenda da conferência, e o principal é a questão da observação dos oceanos, principalmente em ambientes costeiros, onde existe uma grande relação entre a ocupação humana e os ambientes oceânicos", avaliou Muelbert.

Acidificação dos oceanos

De acordo com o pesquisador, um dos poucos itens relacionados aos ambientes marinhos mencionados no Esboço Zero diz respeito à necessidade de implantar um sistema de observação para acidificação dos oceanos.

Observado a partir da década de 1990, o fenômeno caracterizado pelo aumento na acidez da água do mar devido ao aumento de CO2 nos oceanos acelera a dissolução do carbonato de cálcio e da aragonita presentes na composição do esqueleto e exoesqueleto de muitos organismos que vivem nos oceanos, como mariscos, mexilhões e ostras, que perderão suas capacidades de formar carapaças.

Em função disso, o fenômeno poderá causar o desaparecimento dessas espécies, além de outras muito importantes para os ecossistemas aquáticos, como corais e plânctons, que são fontes de alimentos de peixes e baleias e realizam fotossíntese.

"Alguns estudos recentes demonstraram que alguns oceanos, em especial o Atlântico e o Índico, vão ter uma variabilidade muito grande da taxa de pH", disse Muelbert.

Segundo Muelbert, além da diminuição da biodiversidade marinha, outros impactos que poderão ser causados pela acidificação dos oceanos serão nas propriedades ópticas e na temperatura dos mares.

Com a dissolução das carapaças dos organismos marinhos, provocada pela diminuição do pH da água do mar, os pesquisadores estimam que ocorrerá um aumento significativo da quantidade de carbonato em suspensão. Como consequência desse processo, o fundo dos oceanos poderá se tornar mais escuro e a capacidade de as plantas realizar fotossíntese e crescer nesse ambiente aquático poderá ficar restrita à superfície.

"Isso também poderá ter interferência na transferência de calor entre a coluna d'água dos oceanos e a atmosfera. A presença de mais elementos em suspensão no mar fará com que ele reflita mais luz", explicou Muelbert.

Centro dos oceanos

Na avaliação do professor é preciso obter muito mais informações do que as disponíveis hoje para acompanhar e gerenciar os problemas relacionados em parte às mudanças climáticas globais que estão afetando os oceanos.

Segundo Muelbert, é necessário obter mais dados meteorológicos de séries temporais de 20 a 30 anos, por exemplo, que permitam aos pesquisadores da área analisar as modificações que estão ocorrendo nos oceanos a longo prazo.

Um dos esforços nesse sentido é o projeto conjunto Brasil-Argentina para aconstrução de um satélite artificial para monitorar o Atlântico Sul.

"Não sabemos praticamente nada sobre o centro dos oceanos. Já em relação às regiões costeiras, onde ocorrem os maiores impactos e são mais fáceis de pesquisar, temos uma boa quantidade de informações, principalmente sobre biodiversidade", comparou.

Nesse sentido, Muelbert avalia como louvável a iniciativa recente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) de financiar a aquisição de um navio oceanográfico que permitirá obter mais dados sobre áreas oceânicas.

"O navio possibilitará ao Brasil atuar mais nessas regiões, das quais não dispomos de muitas informações", afirmou.

Outro esforço brasileiro para ampliar o conhecimento dos oceanos é o primeiro laboratório marítimo do país, a ser construído em uma plataforma desativada da Petrobras.



Amásia, o futuro supercontinente

Pesquisa FAPESP
Edição Impressa 193 - Março de 2012


© MITCHELL ET AL, NATURE
Ilustração da Amásia: modelo prevê união das Américas e da Ásia no polo Norte

A disposição dos grandes blocos de terra sobre o globo será radicalmente distinta da atual se as previsões de um novo estudo da Universidade Yale se concretizarem daqui a cerca de 100 milhões de anos (Nature, 9 de fevereiro). A América do Sul vai cruzar a linha do equador e se fundir com a América do Norte, fechando o mar do Caribe e o oceano Ártico. Essa nova América unificada vai se juntar à Ásia perto do polo Norte e dar origem ao próximo supercontinente: a Amásia, um nome não muito sonoro em português. 
De acordo com o trabalho, a Austrália também vai migrar para o norte e encostar na Ásia. O modelo foi defendido pelo geofísico Ross Mitchell, da universidade americana, que acredita ter descoberto o mecanismo responsável pela formação dos supercontinentes. Segundo uma análise de dados sobre o magnetismo no passado remoto feita pelo pesquisador, um supercontinente se origina a intervalos de 300-500 milhões de anos num ponto da Terra que forma um ângulo de aproximadamente 90 graus com o centro do supercontinente que o antecedeu. Se vier a existir mesmo, a Amásia será o sucessor do supercontinente Pangea.



Experimento em usina nuclear chinesa

Scientific Americna Brasil
12 de março de 2012



Medida de neutrinos pode ajudar a resolver mistério da dominação da matéria sobre a antimatéria

por John Matson

©Lilac Mountain/ Shutterstock

Neutrinos são pequenas partículas esquivas. Apenas no final da década de 1990 foi descoberto que eles têm massa, após anos de indicações duvidosas nesse sentido. Podem oscilar entre três tipos, ou "sabores", mudando a identidade durante o trajeto. Talvez o que lhes tenha trazido mais fama é que foram acusados, no ano passado, de quebrarem a lei cósmica de viajar mais rápido que a luz (o júri ainda não deliberou, mas a absolvição parece iminente).

Agora, cientistas estão mais próximos de descobrir o modus operandi do neutrino. A colaboração de físicos possibilitou medir um dos descritores essenciais da mudança de comportamento, que troca o sabor do neutrino, um número chamado teta 13 (lê-se “teta um três”). Esse número, conhecido como ângulo de mistura, descreve a probabilidade de uma antipartícula de neutrino do elétron, o antineutrino do elétron, oscilar para outro sabor, percorrendo uma distância relativamente curta (cada um dos três sabores de neutrinos – do elétron, do tau e do múon – tem sua própria antipartícula parceira). Dois outros parâmetros de oscilação de neutrinos, ou ângulos de mistura, já foram medidos, mas o teta 13 é relativamente pequeno se comparado com os outros dois e provou ser mais difícil de definir.

Desde o ano passado, um grupo de físicos tenta medir teta 13 rastreando antineutrinos emitidos por uma grande usina nuclear Chinesa. A colaboração do experimento do Reator de Neutrinos Daya Bay construiu seis detectores, alguns perto dos reatores e outros a mais de um quilômetro de distância, para acompanhar como antineutrinos do elétron se transformam em outros sabores ao viajar através do espaço. Já que os detectores são ajustados para identificar apenas antineutrinos do elétron, qualquer oscilação significa que os neutrinos não serão detectados, isto é, eles parecem desaparecer. Outros experimentos tomaram o rumo oposto, procurando o surgimento de neutrinos do elétron em um feixe que transporta outros tipos de neutrinos.

Em apenas dois meses de dados, o conjunto distante de detectores registrou mais de 10 mil visitas de antineutrinos do elétron. Isso, porém, corresponde a apenas 94% do quanto seria ingenuamente esperado por extrapolação a partir dos detectores mais próximos dos reatores nucleares. Isso significa que uma fração substancial oscilou para outro sabor em sua viagem relativamente curta. “O que vemos agora é que este desaparecimento [de antineutrinos do elétron] está em 6%”, afirma o físico de neutrinos Karsten Heeger, da University of Wisconsin-Madison, membro da colaboração Daya Bay. “É um efeito bastante grande”. Heeger apresentou os resultados experimentais em 8 de março em um simpósio na Duke University, e o grupo submeteu seu estudo para a Physical Review Letters.

O experimento não foi totalmente construído ainda: os detectores sete e oito ainda estão em obras, mas a equipe do Daya Bay já observou desaparecimentos suficientes para quantificar a forma como o processo funciona. A nova estimativa, que cai dentro dos limites anteriores estabelecidos por outros experimentos, determina que teta 13 não é igual a zero, e que, de fato, é relativamente grande em comparação com o que era plausível à luz de outros resultados recentes. Um valor zero para teta 13 significaria que os neutrinos do elétron não apareceriam em feixes de neutrinos do múon, ou, no caso Daya Bay, que antineutrinos do elétron não desapareceriam até o momento em que alcançassem os detectores distantes. Outro experimento com reator, chamado KamLAND, também registrou o desaparecimento de antineutrinos ao longo de distâncias muito maiores, onde a oscilação é descrita por um ângulo de mistura teta 12, em vez de teta 13.

“Foi o primeiro experimento que mediu isso e mostrou que ele é diferente de zero”, comemora Heeger sobre o teta 13. “Houve indicações recentes, mas nenhum dos outros resultados foi bastante significante a ponto de chegar ao ponto que os físicos chamam de descoberta”. O grupo Daya Bay reivindica evidência melhor que 5-sigma em apoio de um valor diferente de zero para teta 13. Cinco sigma, ou cinco desvios padrão, implicam que a descoberta tem apenas uma em vários milhões de chances de resultar de uma casualidade estatística.

Um teta 13 não zero é uma boa notícia para os físicos que esperam explorar as diferenças entre neutrinos e antineutrinos, caso essas diferenças existam (na realidade, em outro aspecto complicado dos neutrinos, pode ser que eles sejam suas próprias antipartículas). Essas diferenças podem se apoiar sobre a questão persistente da razão de existir tanta matéria por aí e tão pouca antimatéria, quando ambas deveriam ter surgido em pé de igualdade no Bing Bang. Um tipo de viés matéria-antimatéria, um fenômeno conhecido como violação de CP, foi observado em outras partículas, e as novas descobertas indicam que pode ser demonstrável também em neutrinos. “Teta 13 é o principal parâmetro que rege o fato de podermos ou não explorar a violação CP”, explica o físico Kam-Biu Luk, do Lawrence Berkeley National Laboratory e da University of California, Berkeley, que é co-porta-voz do experimento. “Agora, com o teta 13 sendo diferente de zero, há chance de que possamos encontrar a violação CP no setor de neutrinos”.

Segundo Luk, futuros experimentos devem ser capazes de investigar essa possibilidade por meio do envio de neutrinos e antineutrinos de um laboratório para outro, por centenas de quilômetros, para comparar a forma como eles oscilam. “É certeza que agora, com nosso primeiro resultado, teremos muitas informações para seguir adiante”, avalia ele.

Rob Plunkett, físico do Fermilab e co-porta-voz do experimento Minos, com neutrinos, concorda que fechar o cerco ao redor do teta 13 é importante. “O número realmente controla o quanto dos fenômenos é possível obter”, ele explica. “Um teta 13 com valor alto é bom, pois ele leva muitos desses outros fenômenos a acontecerem”. Plunkett observa que outros grupos de pesquisa, incluindo o seu próprio, estão afunilando o valor de teta 13 e continuarão a publicar as descobertas para ajudar a melhorar a estimativa de consenso de seu valor. “Acredito que as coisas estejam convergindo com maior rapidez que o esperado”, concluiu.