24 de jul de 2012

Observatório Nacional apresenta experimentos lúdicos e projetos científicos na SBPC


O Observatório Nacional, instituição de pesquisa com 185 anos de existência e uma das pioneiras no Brasil dedicadas à ciência, apresenta aos visitantes da ExpoT&C experimentos e projetos relacionados a Astronomia e Geofísica, duas de suas áreas de atuação. A ExpoT&C é uma mostra de ciência, tecnologia e inovação (C,T&I) realizada durante a Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que este ano acontece em São Luís, no Maranhão.

Na área de Astronomia, experimentos lúdicos mostram os princípios e o funcionamento de telescópios do tipo refrator e refletor, além de demonstrar como é possível construir esses telescópios utilizando materiais simples e de baixo custo. Essenciais às pesquisas astronômicas, os telescópios precisam ser implantados em locais com condições adequadas para a utilização conforme seus objetivos.

O Pesquisador, do Observatório Nacional, Dr. Carlos Henrique Veiga,  explica os princípios e o funcionamento de telescópios do tipo refrator e refletor através de  experimentos lúdicos.
No Brasil, O Observatório Nacional implantou e colocou em operação o Observatório Astronômico do Sertão de Itaparica (OASI), instalado no município de Itacuruba, em Pernambuco, integrando o Observatório Nacional e o Brasil aos programas internacionais de busca e seguimento de asteroides e cometas em risco de colisão com a Terra. O OASI é utilizado no projeto Iniciativa de Mapeamento e Pesquisa de Asteroides nas Cercanias da Terra no Observatório Nacional (Impacton), que visa mapear asteroides e cometas em risco de colisão com a Terra.

Na área de Geofísica, o Observatório Nacional apresenta a Rede Brasileira de Observatórios Magnéticos (Rebom), voltada ao monitoramento do campo magnético em áreas selecionadas do território brasileiro, com um conjunto de observatórios fixos e itinerantes. A Rede tem grande relevância, sobretudo, porque o Brasil tem localização privilegiada para estudar algumas importantes feições do campo geomagnético. Nesse contexto, tem destaque a Anomalia do Atlântico Sul, uma deformação no campo magnético que afeta desde satélites em órbita da Terra até a Estação Espacial Internacional, que precisou ter um revestimento especial, e o telescópio Hubble, que não faz observações enquanto passa por ela.

O estande do ON na ExpoT&C pode ser visitado até sexta-feira, dia 27 de julho, das 10 às 18 horas, no campus da UFMA.




Homenagens e apresentações culturais marcaram a abertura da Reunião Anual da SBPC


JC e-mail 4545, de 23 de Julho de 2012.  
   
A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) começa mais uma edição de seu encontro anual com festa, mas também com homenagens a quatro ex-diretores da entidade que deixaram saudades em todos. A 64ª Reunião Anual da SBPC é dedicada a: Aziz Ab´Saber, Gilberto Velho, Luiz Edmundo Magalhães e Antônio Flavio Pierucci. Essas perdas irreparáveis que a ciência nacional sofreu neste mesmo ano foram e serão sempre lembradas por todos que fazem parte da SBPC.

Outro cientista homenageado na cerimônia de abertura do encontro, realizada na noite de domingo (22), foi o maranhense Renato Archer pela sua atuação em prol da ciência brasileira. O vice-reitor da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Antonio Oliveira, entregou ao irmão do cientista, Remy Archer, uma placa comemorativa. Entre outros feitos, Archer é conhecido por sua atuação como primeiro ministro de Ciência e Tecnologia do País e por seus esforços para colocar a ciência na pauta política. Renato Archer completaria 90 anos no dia 10 de julho de 2012.

O reconhecimento à contribuição destes grandes cientistas para o País foi destacado nos discursos da cerimônia de abertura. E como eles mesmos gostariam que fosse, a ciência não para e a 64ª Reunião Anual da SBPC começou com uma grande festa acadêmica e cultural. Integrando as comemorações dos 400 anos da cidade de São Luís, a diversificada cultura regional teve lugar de destaque na solenidade.

As atividades paralelas à programação científica nas reuniões da SBPC costumam atrair um grande público. Neste ano, os presentes na cerimônia de abertura do encontro puderam ter uma mostra do que irá acontecer nas atividades culturais programadas para esta semana. O evento começou com uma apresentação do Cortejo do Divino Espírito Santo do Maranhão, grupo folclórico da cidade de Alcântara que realiza cortejos nas ruas das cidades em todo o estado há mais de 100 anos. Mulheres negras com tambores de caixa fizeram uma bela performance para os convidados.

Outra apresentação foi um recital, de voz e violão, em homenagem ao poeta maranhense José Chagas. O violonista João Pedro Borges encantou a plateia com canções e explicações sobre o movimento dos poetas quatrocentistas de São Luís. O coral da UFMA entoou o hino nacional do Brasil e a canção em Louvor à São Luís. Regidos pela professora Angelica Vieira, o coral cantou também o hino da UFMA. O autor da canção, Gabriel Veloso Costa, estudante de música da universidade que venceu um concurso promovido pela reitoria, também estava presente. Ao final, depois de todos os pronunciamentos, uma apresentação do bumba-meu-boi maranhense encerrou de maneira colorida a cerimônia.

Prêmio - Durante a abertura, também foi entregue o 32º Prêmio José Reis de Divulgação Científica e Tecnológica 2012 para a Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), de Pernambuco. O ministro de Ciência, Tecnologia e Inovação, Marco Antonio Raupp, e o presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Glaucius Oliva, entregaram o prêmio ao presidente da Fundação, Fernando José Freire. Criada em 1949, a Fundaj foi premiada por sua contribuição à preservação e difusão de valores científicos e culturais.

Manifestação - Nem mesmo a manifestação de um grupo de grevistas conseguiu atrapalhar a abertura do evento. Com faixas, apitos e gritos de protesto, representantes de movimentos sindicais fizeram uma manifestação no início da solenidade. O representante da Central Sindical Popular teve a palavra e explicou que a intenção não era "atrapalhar a SBPC, pelo contrário, a nossa intenção é que o Brasil inteiro saiba que mais de 58 universidades do Pais estão paradas", destacou em sua fala. Eles pedem maior empenho do governo na negociação sobre a greve de professores e técnicos de universidades federais que já dura cerca de dois meses. "A nossa intenção é mostrar que temos o apoio de diversas entidades de várias instituições públicas", destacou.

A presidente da SBPC, Helena Nader, declarou solidariedade à manifestação e enfatizou que o movimento é de todos. "Nós que estamos aqui também somos docentes, somos funcionários de educação, somos de universidades federais e somos estudantes. Nós temos todos juntos a mesma reivindicação". Helena ressaltou ainda a luta da SBPC pela melhoria da Educação e sublinhou o esforço da entidade "nos corredores do Congresso" na campanha nacional pela educação que resultou na aprovação dos 10% de investimento do PIB na área, e fez um apelo aos manifestantes: "Não vamos deixar que o nosso movimento que é justo, que as reivindicações que são justas, sejam encaradas pela mídia como reivindicações de um grupo que está atrapalhando um outro grupo, quando não é isso, estamos juntos", destacou.

(Jornal da Ciência)



Inscrição para concurso do Observatório Nacional começou dia 5 de julho



Vagas para pesquisador, tecnologista e técnico

As inscrições para o concurso público do Observatório Nacional podem ser feitas de 5 de julho a 10 de agosto deste ano. Ao todo, são 7 vagas para pesquisador, 7 para tecnologista, e 9 para técnico. 

Para pesquisador, os candidatos devem ter doutorado e as vagas são para a área de astronomia e geofísica. Para tecnologia, há vagas para a área de metrologia em tempo e frequência, geofísica e tecnologia da informação. Já para técnico, os candidatos devem ter formação em informática, mecânica, eletrônica ou mecatrônica.

Os editais foram publicados no Diário Oficial da União (DOU) no dia 4 de junho e estão disponíveis na página do ON na internet (http://www.on.br/concurso_2012/).




Começa a 64ª reunião Anual da SBPC


Com informações do MCTI e Agência Brasil - 23/07/2012

Recursos para educação

Ao ritmo de tambores do candomblé, foi aberta nesta segunda-feira a 64ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), na Universidade Federal do Maranhão, em São Luís.

Para fazer jus ao tema "Ciência, Cultura e Saberes Tradicionais para Enfrentar a Pobreza", além do candomblé, a cerimônia de abertura contou com uma apresentação de bumba-meu-boi e um recital de poemas de José Chagas e Gonçalves Dias.

Durante a abertura, Helena Nader, presidente da SBPC, reivindicou o investimento de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) em educação, além da partilha de 50% do Fundo Social formado por recursos obtidos com a exploração de petróleo na camada pré-sal para investimentos em educação e ciência e tecnologia.

Biodiversidade

O Ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Marco Antonio Raupp, falou sobre o uso sustentável da biodiversidade nacional para o resgate das tradições milenares indígenas:

"Esse gigantesco repositório de conhecimento, somado ao das chamadas populações tradicionais, como os ribeirinhos, os caiçaras e os quilombolas, constitui um patrimônio cultural internacionalmente reconhecido e valorizado", disse.

Raupp destacou que, apesar do potencial, o Brasil ainda ocupa uma posição tímida no cenário internacional da biodiversidade.

"O principal gargalo é o marco legal, que necessita de uma urgente adequação às necessidades do desenvolvimento sustentado," apontou. "É preciso incorporar os conhecimentos tradicionais ao sistema da ciência, tecnologia e inovação, assegurando a seus detentores a divisão justa e equitativa dos benefícios, monetários ou não".

Raupp ressaltou ainda que a contribuição da ciência não ocorre apenas dentro de laboratórios: "A tendência mundial é que a ciência e o cientista deem uma colaboração maior na formulação de políticas públicas nas diversas áreas de atuação governamental."

O ministro engrossou a reivindicação dos recursos do pré-sal e estimulou a mobilização da comunidade científica.

Além disso, destacou a realização do Fórum Mundial de Ciência, em 2013, no Brasil. "As discussões já começam em agosto deste ano, na cidade de São Paulo", disse.

Multidisciplinar

A pauta da SBPC, como sempre, é ampla, cobrindo desde os temas da moda, como economia verde e sustentabilidade, até energia, programa espacial brasileiro, medicina tropical, desigualdade social e direitos humanos e educação.

Serão realizadas 61 conferências, 66 mesas redondas, 48 minicursos, além atividades como reuniões de trabalho, assembleias e encontros para a discussão sobre os avanços da ciência, e um fórum de debates de políticas públicas em ciência e tecnologia.

Também faz parte da programação a Expot&C, considerada a maior mostra de ciência e tecnologia das Américas; a SBPC Jovem (para estudantes do ensino básico e profissionalizante), a SBPC Cultural, a Sessão de Pôsteres e a Jornada Nacional de Iniciação Científica.

A íntegra da programação da 64ª reunião da SBPC pode ser vista no endereço www.sbpcnet.org.br/saoluis/home/




17 de jul de 2012

XVII Ciclo de Cursos Especiais do Observatório Nacional


Pelo décimo sétimo ano consecutivo, a Divisão de Programas de Pós-Graduação do Observatório Nacional vem oferecer aos estudantes e pesquisadores das áreas de Astronomia, Astrofísica e Cosmologia a escola avançada denominada Ciclo de Cursos Especiais (CCE).

O XVII CCE será realizado na sede do Observatório Nacional, no Rio de Janeiro, de 5 a 9 de Novembro de 2012.

Segundo o padrão das edições anteriores, os cursos oferecidos abrangem diferentes temáticas como Astrofísica Extragaláctica, Astrofísica Estelar e Galáctica, Cosmologia, Ciências Planetárias e, particularmente nesta edição, Astrobiologia.







13 de jul de 2012

Encontradas galáxias escuras do Universo primordial

Galáxias escuras

Foram encontradas pela primeira vez galáxias escuras, uma fase inicial da formação de galáxias prevista teoricamente mas que, até agora, nunca tinha sido observada.
São essencialmente galáxias ricas em gás, mas sem estrelas.
Utilizando o VLT (Very Large Telescope) do ESO, uma equipe internacional detectou estes objetos evasivos observando-os brilhando ao serem iluminados por um quasar.
As galáxias escuras são galáxias pequenas, ricas em gás do Universo primordial, mas muito pouco eficazes em formar estrelas. Elas haviam sido previstas pelas teorias de formação de galáxias, acreditando-se serem elas os blocos constituintes das atuais galáxias brilhantes, ricas em estrelas.
Os astrônomos acreditam que estes objetos devem ter alimentado as galáxias maiores com o gás que posteriormente deu origem às estrelas que existem atualmente.
Como são essencialmente desprovidas de estrelas, estas galáxias escuras não emitem muita radiação, o que as torna muito difíceis de detectar.

Esta imagem profunda mostra a região do céu em torno do quasar HE 0109-3518. O quasar está marcado com um círculo vermelho próximo do centro da imagem. A radiação energética do quasar faz com que as galáxias escuras brilhem, ajudando assim os astrônomos a compreender as fases iniciais da formação de galáxias. As imagens tênues do brilho de 12 galáxias escuras estão marcadas com círculos azuis.[Imagem: ESO/DSS2/S. Cantalupo(UCSC)]

Lanterna cósmica
 
 
Durante anos, os astrônomos tentaram desenvolver novas técnicas para confirmar a existência destas galáxias. Pequenos decréscimos em absorção nos espectros de fontes luminosas de fundo apontavam para a sua existência. 
No entanto, este novo estudo marca a primeira vez que estes objetos foram vistos diretamente.
"A nossa abordagem do problema de detectar uma galáxia escura foi simplesmente iluminá-la com uma luz brilhante," explica Simon Lilly (ETH Zurich, Suíça), coautor do artigo científico que descreve o resultado.
"Procuramos o brilho fluorescente do gás em galáxias escuras quando estas são iluminadas pela radiação ultravioleta de um quasar próximo, muito brilhante. A radiação do quasar ilumina as galáxias escuras, em um processo semelhante ao das lâmpadas ultravioletas que iluminam as roupas brancas numa discoteca," completou.


Sem luz própria


A equipe tirou partido da grande área de observação, da sensibilidade do VLT e de uma série de exposições muito longas, para detectar o brilho fluorescente extremamente tênue das galáxias escuras. 
Eles mapearam a região do céu em torno do quasar HE 0109-3518, à procura da radiação ultravioleta que é emitida pelo hidrogênio gasoso quando sujeito a radiação intensa - devido à expansão do Universo, esta radiação é observada com uma tonalidade de violeta.
A equipe detectou quase 100 objetos gasosos que se situam num raio de alguns milhões de anos-luz do quasar.
Depois de uma análise detalhada, para excluir objetos nos quais a emissão possa ser oriunda de formação estelar interna nas galáxias, em vez da radiação do quasar, o número de objetos diminuiu para 12.
São as identificações mais convincentes até hoje de galáxias escuras no Universo primordial.
 
 
Propriedades das galáxias escuras


Os astrônomos conseguiram determinar também algumas das propriedades das galáxias escuras.
Eles estimam que a massa do gás nestes objetos seja de cerca de um bilhão de vezes a do Sol, típica de galáxias de pequena massa ricas em gás, existentes no Universo primordial.
 A equipe conseguiu também estimar que a eficiência da formação estelar é cerca de 100 vezes menor do nas galáxias típicas - com formação estelar - encontradas em fases semelhantes na história cósmica.
Em 2013, o VLT receberá um novo instrumento, chamado espectrógrafo de campo integral MUSE, que será uma ferramenta extremamente poderosa para o estudo destes objetos.
 
 
Fluorescência
 
 
A observação das galáxias escuras foi possível graças ao fenômeno da fluorescência, que é a emissão de radiação por uma substância iluminada por uma fonte luminosa.
Na maioria dos casos, a radiação emitida tem um comprimento de onda maior que a da fonte luminosa. Por exemplo, as lâmpadas fluorescentes transformam radiação ultravioleta - invisível para nós - em radiação visível.
A fluorescência ocorre naturalmente em alguns compostos, como rochas ou minerais, mas pode ser também adicionada intencionalmente, como no caso de detergentes que contêm químicos fluorescentes, no intuito de fazer com que as roupas brancas pareçam mais brilhantes sob luz normal.


Radiação de Lyman-alfa
 
 
A emissão de luz pelo hidrogênio é conhecida como radiação de Lyman-alfa e é produzida quando os elétrons nos átomos de hidrogênio descem do segundo para o primeiro nível de energia.
É um tipo de luz ultravioleta.
Uma vez que o Universo se encontra em expansão, o comprimento de onda da radiação dos objetos aumenta à medida que atravessa o espaço. Quanto mais longe viajar a radiação, maior será o comprimento de onda.
Como o vermelho é o maior comprimento de onda que os nossos olhos podem ver, este processo é literalmente um desvio em comprimento de onda em direção à ponta vermelha do espectro - daí o nome "desvio para o vermelho".
O quasar HE 0109-3518 situa-se a um desvio para o vermelho de z = 2,4 e a radiação ultravioleta das galáxias escuras é desviada para a região visível do espectro.
 
 
Quasares
 
 
Os quasares são galáxias distantes e muito brilhantes.
Acredita-se que sua energia origine-se de buracos negros de elevada massa situados nos seus centros.
O seu brilho torna-os faróis poderosos que podem ajudar a iluminar a região ao seu redor, dando pistas sobre a época em que as primeiras estrelas e galáxias se formavam a partir do gás primordial.
Formação estelar
A eficiência de formação estelar é calculada como a massa de estrelas recentemente formadas em relação à massa de gás disponível para formar estrelas.
A equipe descobriu que as galáxias escuras agora detectadas precisariam de mais de 100 bilhões de anos para converter todo o gás em estrelas.
Como isso é muito mais do que a idade atual calculada para o Universo, os astrônomos afirmam que o gás dessas galáxias deve ter sido "aproveitado" por "galáxias comuns", deixando sua existência em uma espécie de beco sem saída, e não exatamente uma fase da formação das "galáxias normais".
Este resultado está de acordo com estudos teóricos recentes que sugeriram que halos de pequena massa ricos em gás a elevados desvios para o vermelho podem ter uma eficiência de formação estelar muito baixa, como consequência do baixo conteúdo em metais.


Hubble descobre quinta lua de Plutão

Redação do Site Inovação Tecnológica - 12/07/2012

Esta imagem, feita pelo telescópio espacial Hubble, mostra as cinco luas orbitando o planeta anão Plutão. A quinta lua, descoberta agora, está circulada em verde.[Imagem: NASA/ESA/M. Showalter/SETI Institute]

Pequeno, mas enluarado

Utilizando imagens do telescópio espacial Hubble, um grupo de astrônomos descobriu a quinta lua do planeta anão Plutão.

Embora as imagens não sejam muito claras, os pesquisadores estimam que a lua tenha um formato irregular, medindo entre 9,5 e 24 quilômetros de extensão.

Ela circunda Plutão em uma órbita circular com 93.000 km de diâmetro, aparentemente no mesmo plano das outras quatro luas já conhecidas do planeta anão.

Órbitas aninhadas

"As luas formam uma série de órbitas perfeitamente aninhadas, parecidas com bonecas russas," disse Mark Showalter, do Instituto SETI, líder da equipe.

A equipe se disse intrigada em como um planeta tão pequeno pode ter uma coleção tão complexa de satélites.

A teoria mais aceita é que todo o sistema é resultado de uma colisão entre Plutão e outro grande objeto do Cinturão de Kuiper, ocorrida provavelmente há bilhões de anos.

A descoberta significará mudanças de planos na rota da sonda espacial Novos Horizontes, da NASA, que deverá chegar a Plutão em 2015.

Luas de Plutão

A maior lua de Plutão, Charon, foi descoberta em 1978.
Em 2006, o telescópio Hubble descobriu as luas de Plutão de números dois e três: Nix e Hidra.
Em 2011, foi a vez a P4, a quarta lua de Plutão, também descoberta pelo Hubble.
A quinta lua de Plutão está sendo provisoriamente chamada de P5.


5 de jul de 2012

Ciência e inovação no Brasil


Folha de São Paulo
MARCELO GLEISER


O país tem de realizar um enorme esforço para avançar na geração e na utilização do conhecimento

RECENTEMENTE, ESTIVE em Brasília, a convite da Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática do Senado. O objetivo foi participar do seminário "Caminhos para a Inovação", uma atividade da ENCTI (Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação), iniciada em 2011 pelo então Ministro de Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante.

Estavam também presentes o neurocientista Miguel Nicolelis e várias autoridades da área, como Glaucius Oliva, presidente do CNPq [agência federal de fomento à ciência]. Minha tarefa (e a do Nicolelis) era apontar possíveis mecanismos para que o Brasil deixe de ser potência agropecuária e de extração de minérios e crie uma economia movida pela inovação competitiva.

Comecei citando o relatório da ENCTI, de autoria do Mercadante:

1) A sociedade do futuro é a sociedade do conhecimento.

2) O Brasil tem de realizar um enorme esforço para avançar na geração e utilização do conhecimento científico, criando competências em áreas estratégicas.

3) O país precisa de uma revolução do seu sistema educacional.

Como fica bem claro, o ministro apontou bem o que deve ser feito. A questão é como.

Entre as 59 maiores economias do mundo, o Brasil ocupa a 54ª posição em infraestrutura tecnológica e educacional. Esses são dados do do Institute for Management Development, que examina as tendências econômicas dos países, mapeando sua viabilidade futura. O Brasil hoje ocupa a 47ª posição em performance econômica, caindo da 30ª em 2011. As coisas não vão tão bem quanto a maioria pensa.

Antes de mais nada, é necessária uma profunda revitalização da educação científica nacional: o Brasil precisa dobrar o número de engenheiros formados para poder suprir a demanda que já existe. Para isso, os jovens têm de ver a ciência como uma carreira viável, interessante e gratificante. A ciência precisa ser ensinada de outra forma, levando do encantamento à inovação.

As crianças precisam ver a ciência no seu cotidiano, no mundo que as cerca e no que as interessa; não pela memorização de fórmulas, mas olhando para o mundo de forma qualitativa, para então aprender as ferramentas quantitativas que cientistas usam para estudá-lo.

Estudantes de graduação e de pós devem visitar escolas públicas e privadas, para que crianças e jovens tenham contato com estudantes de ciências, desmistificando a carreira. Cientistas brasileiros também precisam participar de forma muito mais ativa na educação informal da população: palestras dirigidas ao público, observação astronômica em espaços abertos, feiras de ciência etc. A mídia nacional precisa dedicar mais espaço à ciência, especialmente na TV aberta e em horário nobre, nem que sejam alguns parcos minutos por semana.

É necessária uma lei de fomento à pesquisa, equivalente à Lei Rouanet da cultura. Com isso, o setor industrial e comercial terá incentivo para investir em ciência, algo que nos EUA e na Europa é essencial.
Falei sobre outras estratégias, mas essas foram as principais. O interessante é que o Nicolelis chegou depois e, sem me ouvir, apresentou quase os mesmos pontos. Basta que o Legislativo nos ouça também.

MARCELO GLEISER é professor de física teórica no Dartmouth College, em Hanover (EUA), e autor de "Criação Imperfeita".
Facebook: goo.gl/93dHI




3 de jul de 2012

Inscrição para concurso do Observatório Nacional começa dia 5 de julho


As inscrições para o concurso público do Observatório Nacional podem ser feitas de 5 de julho a 10 de agosto deste ano. 

Ao todo, são 7 vagas para pesquisador, 7 para tecnologista, e 9 para técnico. 

Para pesquisador, os candidatos devem ter doutorado e as vagas são para a área de astronomia e geofísica.
Para tecnologia, há vagas para a área de metrologia em tempo e frequência, geofísica e tecnologia da informação. 
Já para técnico, os candidatos devem ter formação em informática, mecânica, eletrônica ou mecatrônica. 

Os editais foram publicados no Diário Oficial da União (DOU) no dia 4 de junho e estão disponíveis na página do ON na internet:
  (http://www.on.br/concurso_2012/).

3 vagas para para Analista em Ciencia e Tecnologia Pleno 1 - ON
Para o concurso de Analista em Ciencia e Tecnologia Pleno 1 acesse:
http://www.cespe.unb.br/concursos/MCTI_12