29 de dez de 2014

O mundo pode combater o aquecimento global

Medidas para proteger o mundo de mudanças climáticas independem do resultado de cidade peruana

Imagine os seguintes cenários:

Os dois maiores poluidores do mundo decidem unilateralmente cortar as emissões de dióxido de carbono (CO2), o gás onipresente responsável pela maior parte do aquecimento global.

Ao mesmo tempo, um grande país em desenvolvimento admite que o crescimento futuro terá de ser equilibrado com os limites de poluição de CO2.

E uma nação industrializada assume a responsabilidade pela camada de gases de efeito estufa que já adicionou à atmosfera.

Ou, melhor ainda:

As alternativas para a queima de combustíveis fósseis para gerar eletricidade ou impulsionar veículos ficam baratas e começam a ser implantadas em larga escala.

O desmatamento das florestas do mundo desacelera e elas não são mais transformadas em pastos e lavouras.

E até fazendeiros que não acreditam particularmente em mudanças climáticas começam a tomar medidas para restaurar carbono em solos depauperados para aumentar a fertilidade.

Todas essas medidas espelhariam ações significativas para combater a mudança climática. E é exatamente isso o que está acontecendo nesse momento no mundo.

Independentemente do resultado produzido pelo circo itinerante conhecido como Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, em Lima, no Peru, muitos países estão tomando medidas por conta própria para frear o aquecimento global.

Quando a reunião em Lima terminar, o mundo deverá estar bem encaminhado para assumir compromissos nacionais para combater as mudanças climáticas.

Mas nem tudo são boas notícias.

A poluição do Japão aumentou novamente devido ao fechamento de reatores nucleares na esteira dos chamados derretimentos na usina de Fukushima.

O Canadá repudiou os compromissos que assumiu no âmbito do Protocolo de Kyoto e parece satisfeito em deixar que a poluição suba o máximo possível e tão rápido quanto possível, talvez porque um Ártico mais quente poderia permitir que encontrasse ainda mais areias betuminosas e outros recursos naturais (não muito diferente da Rússia, aparentemente favorável ao aquecimento global). 

E a Austrália viu a poluição se avolumar com a revogação do seu imposto sobre o carbono. 

Décadas de atraso significam que as esperanças de limitar o aquecimento global a menos de 2ºC, ou restringir as concentrações atmosféricas de CO2 a menos de 450 partes por milhão (ppm) parecem um tanto irrealistas. 

De fato, se o mundo só pode adicionar cerca de 1 trilhão de toneladas de carbono na atmosfera, como foi sugerido por cientistas, então metade disso já foi queimado e o resto poderia literalmente se desfazer em fumaça nas próximas décadas. 

O mundo ainda obtém 80% de toda a sua energia da queima de combustíveis fósseis. 

Não é de admirar que a geoengenharia – a manipulação deliberada do clima do planeta por sequestro de CO2 do ar ou bloqueio da luz solar – começou a ser sugerida como plano alternativo, ou “backup”. 

No entanto, ainda há esperanças.

A China, o maior poluidor do planeta, quer tentar atingir um pico em sua extraordinariamente volumosa produção de gases de efeito estufa até 2030 sob os termos de um novo acordo selado com os Estados Unidos — e não se trata de um pico tão elevado quanto os da Cordilheira do Himalaia em suas fronteiras. 

Segundo esse mesmo acordo, os Estados Unidos procurarão reduzir sua poluição de CO2 em até 28% até 2025. 

Mas a União Europeia supera os maiores poluidores industriais do planeta ao se comprometer com uma ambiciosa meta de corte de 40% até 2030. 

A produção de energia eólica e solar disparou nos últimos anos, assim como a energia hidrelétrica produzida por imensas barragens. 

A China está construindo mais usinas nucleares que movidas a carvão, e prometeu aumentar essa energia de baixo carbono para 20% de suas necessidades até 2030. 

Uma paulatina guinada para gás natural, menos intensiva em CO2, está levando à substituição de petróleo e carvão, muito mais sujos, enquanto aumentar a eficiência energética significa mais aquecimento, arrefecimento, locomoção e luz sem tanta intensificação da queima de combustíveis fósseis. 

Além disso, devagar e sempre, a captura e o armazenamento de CO2 estão começando a ser testados em usinas de energia e outras grandes fontes poluentes.

Estão em andamento esforços para reduzir o CO2 em todos os níveis imagináveis — de indivíduos, a famílias, cidades, estados, províncias, e até corporações multinacionais. 

Essas iniciativas vão desde o plantio de árvores em zonas urbanas até uma tentativa de substituir o óleo de palma [nome dado ao óleo de dendê no contexto internacional] de áreas desmatadas na Indonésia. 

Foi justamente esse desmatamento que, de tempos em tempos, ajudou a empurrar o Brasil para sua infeliz posição como terceiro maior poluidor de gases de efeito estufa do mundo. Paralelamente, o país diminuiu o ritmo de sua derrubada da Floresta Amazônica. 

Esses ainda são pequenos passos, e até agora inadequados para a escala do desafio que se encontra à frente, que envolve atingir o marco de poluição zero antes do final do século 21. Mas eles também são apenas os primeiros passos e estão ocorrendo a um ritmo cada vez mais acelerado, o que sugere um possível futuro livre de mudanças climáticas catastróficas. 

O novo slogan em prol de ações para combater o aquecimento global deveria ser: Mais e Mais Rápido. 

Quanto mais e quanto mais rápido deveriam ser as duas únicas questões em discussão. 

Ao avaliar as notícias de Lima, é preciso ter em mente que o processo internacional não abrange todo o progresso já feito para combater mudanças climáticas até agora. 

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O ano de 2014 pode ter sido o mais quente

De acordo com um novo relatório da Organização Meteorológica Mundial (WMO), este ano provavelmente será o mais quente já registrado no planeta, com temperaturas globais 0,57 grau Celsius mais altas que a média de 1961 a 1990.

Isso tornaria 2014 o 38º ano consecutivo com uma temperatura global anormalmente elevada.

A estimativa vem do compêndio da WMO sobre “Estado do Clima Global”. O relatório deste ano foi divulgado durante a reunião sobre o clima em Lima, no Peru, onde diplomatas estão negociando um novo acordo climático que deverá ser assinado no ano que vem, em Paris.
O relatório usa dados da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional, da NASA e do Escritório de Meteorologia do Reino Unido. Para posicionar as descobertas em um contexto histórico, cientistas normalmente comparam temperaturas medidas com valores “normais” obtidos em uma média de 30 anos, geralmente de 1961 a 1990.
Os oceanos conduziram o aumento de temperatura em 2014 – o Pacífico, o Atlântico Norte polar e subtropical, o Oceano Índico e partes do Atlântico Sul tiveram as maiores temperaturas já registradas. Temperaturas marítimas globais ficaram 0,45ºC acima dá média normal de 1961-1990.

Em terra, as temperaturas ficaram 0,86ºC acima do normal.

Um ano de extremos 

Pesquisadores não sabem o que está acontecendo com os oceanos este ano. Em geral, oceanos absorvem a maior parte do calor do aquecimento global, mas cientistas não têm uma boa compreensão do fenômeno. Pesquisadores estão começando a estudar esse parâmetro nos oceanos profundos, e dados de 2014 estão disponíveis para uma profundidade de dois mil metros. Cientistas descobriram que o conteúdo de calor oceânico em 2014 foi semelhante ao de 2013, que estabeleceu um recorde de calor desde que as medidas começaram em 1955.

Conforme os oceanos absorvem calor, as moléculas de água se expandem e o nível do mar sobe. No início de 2014, níveis marítimos chegaram a uma altura recorde. A elevação média do nível do mar nas últimas duas décadas foi de 3,2 milímetros por ano.

Em 2014, o Ártico viu a sexta menor camada de gelo em setembro, cobrindo 1,24 milhão de quilômetros quadrados a menos que o normal de 1981 a 2010.

Enquanto isso, a Antártica estabeleceu um nível recorde de cobertura de gelo, com 560 mil quilômetros quadrados a mais que o recorde anterior, estabelecido em 2013. Cientistas estão estudando a Antártica para entender por que a extensão de seu gelo marítimo vem crescendo desde 1979.

Ondas de calor foram registradas na África do Sul e na Tunísia. Temperaturas altas foram registradas em regiões árticas da Rússia, particularmente na primavera boreal.

“Em abril, a quebra de gelo começou duas semanas mais cedo que o normal no Rio Ob, na Sibéria, a primeira vez que isso ocorreu nos últimos 100 anos”, afirma o relatório.

Temperaturas acima da média foram registradas em partes da América do Sul, da Ásia, da Europa e da Austrália. De fato, os Estados Unidos foram o único lugar fresco em um mundo sufocante.

Secas foram registradas em partes da África do Sul, China e Brasil. Já nos Estados Unidos, Califórnia, Nevada e Texas passaram por uma seca excepcional, recebendo apenas 40% da chuva normalmente esperada.

A Índia recebeu 12% menos chuva que a média durante sua temporada de monções. Déficits de chuva também foram registrados na Nova Zelândia e na Europa Ocidental.

Inundações aumentam, tempestades tropicais diminuem

Inundações afetaram partes da África do Sul em março e tiveram impacto sobre mais de quatro mil famílias. No Quênia, inundações repentinas devidas à chuva mataram 10 pessoas em fevereiro. Inundações foram registradas no norte do Paquistão e da Índia em setembro, matando 250 pessoas e desalojando 100 mil.

Chuvas extremamente pesadas foram registradas em partes da Rússia, Japão, Estados Unidos, Argentina, Sérvia e França.

Cerca de 72 tempestades tropicais já ocorreram em 2014 até o momento, um número menor que a média de 1981-2010.

Níveis de CO2 na atmosfera subiram para 396 partes por milhão em 2013, o último ano com dados disponíveis. Esse número é 142% maior que os níveis atmosféricos de gás carbônico no início da Revolução Industrial no século 19.

Cerca de 45% do CO2 emitido por humanos desde 2003 foi para a atmosfera; o resto foi absorvido pelos oceanos e pela terra.


Os oceanos conduziram o aumento de temperatura em 2014 – o Pacífico, o Atlântico Norte polar e subtropical, o Oceano Índico e partes do Atlântico Sul tiveram as maiores temperaturas já registradas. 


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22 de dez de 2014

A Terra poderá ser atingida por explosão estelar? A morte explosiva de Eta Carinae provavelmente não afetará nosso planeta

O sistema estelar Eta Carinae está se aproximando de sua morte como Supernova

Quando pensamos sobre ameaças “existenciais”, eventos com o potencial de destruir a vida de todos os seres da Terra, a maioria das possibilidades está em nosso próprio planeta – mudanças climáticas, pandemias globais e guerra atômica. Lançando um olhar paranoico para os céus, normalmente pensamos em impactos de asteroides ou talvez algum disparo perigosamente massivo de nosso Sol.

Mas se você acreditar em tudo que lê na Internet, pode achar que a ameaça mais aterrorizante não é apenas extraterrestre, mas também extra Sistema Solar. A cerca de 7.500 anos-luz de distância, na constelação de Carina, uma estrela chamada de Eta Carinae, pelo menos cem vezes mais massiva que nosso Sol, está se aproximando do ponto em que explodirá como supernova. De maneira simples, a Eta Carinae é um supermassivo barril de pólvora estelar com o pavio quase no fim. De fato, ela já pode ter chegado ao fim, e a luz que carrega as notícias de sua morte cataclísmica poderia estar vindo em nossa direção nesse momento. Existem dois conjuntos de opiniões gerais sobre o que aconteceria após a chegada desse funeral luminoso, seja amanhã ou daqui a dezenas de milhares de anos.

A primeira opinião, defendida por vários alarmistas “online” sustenta que haveria uma extinção global em massa. Essa ideia se baseia em temores de que a supernova de Eta Carinae possa liberar enorme quantidade de raios gama (ERG), uma das explosões mais potentes do Universo. Quando uma estrela muito massiva morre como uma supernova, seu núcleo colapsa sobre si mesmo, normalmente deixando um vestígio estelar: uma estrela de nêutrons ou um buraco negro.

Se o núcleo estiver girando em alta velocidade, o vestígio estelar girará ainda mais rápido, acumulando um disco de matéria ao seu redor girando quase à velocidade da luz. Por meio de processos que ainda não está completamente compreendido, esse disco giratório superaquecido e magnetizado forma um par de jatos, como feixes de um farol marítimo, que são lançados de seus polos a velocidades relativísticas. A emissão altamente concentrada, extremamente energética desses jatos é o que vemos como uma ERG.

Com o passar dos anos, ERGs foram propostas como uma das razões para nossa aparente solidão no Universo – mais cedo ou mais tarde, afirma a teoria, todos os planetas habitados serão atingidos por uma ERG, o que praticamente aniquilaria qualquer biosfera.

Alguns pesquisadores especulam que uma dessas explosões pode já ter atingido a Terra, no final do período Ordoviciano há quase 450 milhões de anos. Seja qual for esse evento do passado, estima-se que ele tenha conseguido exterminar mais de 80% de todas as espécies vivas daquela época. Pode ser que muito mais ERGs tenham atingido nosso planeta no início de sua vida, limitando o surgimento da biosfera terrestre até que sua prevalência cósmica tenha caído abaixo de um limiar crítico.

De acordo com uma admissível hipótese de acontecer o pior, um impacto direto provocado por uma ERG extremamente potente gerada por Eta Carinae poderia devastar nosso planeta de uma maneira semelhante a uma guerra termonuclear total, mas muito pior.

Durante vários segundos, o hemisfério planetário mais distante da estrela seria banhado em intensa radiação de alta frequência. O céu ficaria cheio de uma luz muito mais brilhante que a do Sol, brilhante o suficiente para iniciar enormes incêndios em metade do globo. Essa energética explosão de luz iniciaria chuvas atmosféricas de partículas subatômicas radiativas altamente penetrantes chamadas de múons, que destruiriam a vida na superfície e em partes do subterrâneo e dos oceanos.

Nem mesmo o lado mais distante do planeta em relação a Eta Carinae seria poupado, já que a intensa energia da ERG destruiria toda a camada de ozônio enquanto enviaria super tempestades destruidoras pelo planeta. Depois disso, o céu negro, cheio de fuligem, lançaria uma chuva ácida, que tudo apenas para banhar a superfície com a perigosa radiação ultravioleta. Literalmente, em um segundo, a Terra se transformaria em um necrotério, e a biosfera estilhaçada precisaria de milhões de anos para se recuperar.

A segunda opinião, sustentada pela maioria dos astrofísicos, é que Eta Carinae sequer produzirá uma ERG – e, se o fizer, ela não atingirá a Terra. E mesmo em um cenário onde nosso planeta realmente se encontre na mira de uma ERG oriunda de Eta Carinae, se a explosão tivesse intensidade média, sua luz estaria muito atenuada depois de cruzar 7.500 anos-luz para prejudicar seriamente a biosfera. Nesse cenário, o fim de Eta Carinae se manifestaria com relativa modéstia: o brilho da estrela se aproximaria da luminosidade da lua cheia antes de desaparecer gradualmente no céu.

Para compreender essa profunda divergência de opiniões, precisamos saber mais sobre Eta Carinae. Desde que foi catalogada por Edmond Halley, em 1677, o brilho da estrela já apresentou enormes flutuações, atingindo seu pico em 1843 para se tornar a segunda estrela mais brilhante no céu durante quase duas décadas.

Atualmente, astrônomos consideram esse evento como sendo um “impostor de supernova” – em vez de explodir, a estrela talvez tenha ejetado 10% de sua massa total na forma de duas imensas nuvens de gás e poeira, que atualmente são conhecidas como Nebulosa do Homúnculo. Vestígios brilhantes de eventos ainda mais antigos de quase-morte ainda cercam a estrela. Se vista hoje através de um grande telescópio, Eta Carinae fica um pouco parecida com um amendoim sendo assado no fogo.

Eta Carinae brilha com tanta intensidade que está erodindo a si mesma, gerando uma pressão radiativa externa tão intensa que quase neutraliza a atração gravitacional, o que permite o lento desprendimento de suas camadas mais externas em poderosos ventos estelares. Nas profundezas da estrela, abaixo de uma espessa camada de hidrogênio, reações de fusão estão “queimando” vários combustíveis nucleares em camadas semelhantes àquelas encontradas no interior de uma cebola. As explosões e pulsações anteriores de Eta Carinae provavelmente estão ligadas a instabilidades entre suas camadas interiores, criadas quando ela esgotou um combustível nuclear e começou a queimar outro.

Alex Filippenko, astrofísico da University of California, Berkeley, explica que a massiva cobertura de hidrogênio e os fortes ventos estelares de Eta Carinae reduzem a probabilidade de a estrela produzir uma ERG. “Uma espessa camada de hidrogênio torna difícil que um jato relativístico escape da estrela”, explica Filippenko. “Mas se a Eta Carinae não explodir dentro de um longo tempo, ela teria chance de se livrar da camada externa, e provavelmente se transformaria em uma ERG”. Mas ele também adiciona que, uma vez que a camada tenha desaparecido, a força dos ventos estelares provavelmente aumentaria, dissipando grande parte do momento angular que seria necessário para produzir uma ERG quando o núcleo de Eta Carinae colapsasse. “Tudo isso torna uma ERG menos provável, mas não impossível”, observa Filippenko. “E mesmo que ela consiga se livrar de sua camada de hidrogênio antes de explodir e não se transforme em uma ERG, Eta Carinae provavelmente não está apontando para cá no momento”.

Os lóbulos gêmeos da Nebulosa do Homúnculo estão afastados de nós em um ângulo de aproximadamente 40 graus, e Filippenko explica que uma ERG emergindo do eixo polar de uma estrela em colapso teria uma dispersão de apenas 10 graus ou menos. Assim, se a Nebulosa do Homúnculo estiver alinhada com o eixo polar de Eta Carinae, uma ERG vinda de lá se desviaria de nosso sistema solar por uma grande margem.

Infelizmente, existe um grande complicador nisso tudo: em 2005, astrônomos descobriram que Eta Carinae é um sistema binário. Sua companheira é relativamente pequena, com “apenas” 30 vezes a massa de nosso Sol, e fica em uma órbita de aproximadamente cinco anos ao redor da estrela que tem 100 massas solares.

Se a órbita da pequena companheira não estiver alinhada com o eixo rotacional da estrela mais massiva, então a Nebulosa do Homúnculo pode não estar alinhada com os polos da estrela massiva. E é possível que as interações gravitacionais entre as duas estrelas, ou com outra estrela que estivesse de passagem, pudessem alterar a orientação do eixo da estrela mais massiva, sendo capazes de virá-la em nossa direção. Finalmente, a presença da estrela companheira também poderia alterar a evolução da estrela mais massiva, lançando mais incerteza no tempo e na mecânica de qualquer possível supernova.

Quando somadas, todas essas variáveis são, em grande parte, o motivo de Eta Carinae ser um problema mais intrigante atualmente segundo Stan Woosley, astrofísico da University of California, Santa Cruz, que se especializa em modelar a evolução e morte de estrelas. “Ninguém sabe o que está acontecendo lá fora... Ela poderia morrer amanhã ou daqui a muito tempo”.

Parte do que acontecerá a seguir depende do atual combustível nuclear dominante no interior de Eta Carinae. Se ela estiver fundindo elementos como oxigênio ou carbono dentro, ou nas proximidades, de seu núcleo, ela pode ter apenas alguns anos de vida, no máximo séculos, e poderia ejetar sua cobertura externa de hidrogênio em breve. Se, em vez disso, seu núcleo estiver fundindo hélio, a estrela ainda poderia brilhar durante centenas de milhares de anos. Por outro lado, a fusão de hélio poderia fazer com que Eta Carinae inchasse como um balão e se tornasse uma estrela supergigante. Nesse caso, sua companheira estelar poderia ser engolida e destruir sua camada externa de hidrogênio, acelerando a morte explosiva da supergigante. 

Depois que a estrela morrer, explica Woosley, seu núcleo provavelmente colapsará para formar um buraco negro, ainda que com uma rotação muito lenta para formar um disco relativístico e uma ERG. Sem a criação desse disco, a morte da Eta Carinae poderia ser “bem pouco espetacular”, fracassando até mesmo em produzir uma supernova, já que os vestígios da estrela simplesmente escapariam para trás do horizonte de eventos do buraco negro.

“Às vezes eu me pergunto se Eta Carinae já se foi”, conclui Woosley. “Mas as pessoas me dizem que ainda conseguem vê-la”.

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O Natal está chegando e o Observatório Nacional preparou 2 kits personalizados para vocês!



Para concorrer basta usar toda sua criatividade deixando nos comentários da fanpage uma frase sobre a expedição Orion, a nave espacial que vai conquistar Marte. Nós queremos saber se você está ligado nessa missão!

O kit contém: 1 camisa, 1 pen drive, 1 tapa sol (para carros), 10
revistinhas sobre astronomia e 1 folder institucional.

Fiquem atentos ao regulamento!

Requisitos:
- Curtir e compartilhar o post da promoção no seu perfil do Facebook.
- Residir no Brasil.

O resultado será divulgado no dia 05/01/2015.

Novidades da Rosetta: O que ela encontrou e o que vem a seguir


O módulo da Rosetta está hibernando no cometa neste momento, esperando pelo brilho do Sol. Enquanto isso os cientistas da missão têm trabalhado duro, examinando uma volumosa quantidade de dados para tentar antecipar como e quando o módulo acordará. Eles liberaram novas fotos e dicas intrigantes do que está por vir na reunião da União Geofísica Norte-Americana.

Caso você não esteja acompanhando esse drama espacial, a Agência Espacial Europeia lançou a nave Rosetta há dez anos com a missão de interceptar um cometa. Ela encontrou seu alvo alguns meses atrás e colocou um pequeno módulo, o Philae, em cima da bola de gelo e rocha. Só que nem tudo saiu como o planejado e o módulo acabou quicando duas vezes antes de parar nas sombras de um penhasco. Sem a luz do Sol para gerar energia através dos seus painéis solares, o módulo entrou em hibernação. A nave Rosetta ainda está orbitando o cometa para fazer medições.

Abaixo, tudo o que foi descoberto sobre a Rosetta hoje e o que deve acontecer no futuro.

Onde exatamente o Philae pousou?

Ainda não se sabe exatamente, mas os dados que revelarão a localização estão vindo, numa viagem de 482 milhões de quilômetros em direção à Terra. Holger Sierks, o cientista responsável pela câmera da Rosetta que está de olho no Philae, disse em uma entrevista coletiva hoje que eles conduziram três missões de pesquisa nos dias 12, 13 e 14 de dezembro. Uma delas muito provavelmente fotografou o módulo iluminado pelo Sol; nas duas anteriores, ele estava na sombra. Agora, é apenas uma questão de analisar meticulosamente as fotos.

Em que ponto a aterrissagem do Philae deu errado?

Um dos motivos que levaram o Philae quicar tão alto (3,2 km!) foi que o cometa tem uma inesperada crosta de “poeira de gelo” gerada por um processo chamado sinterização. Basicamente, é quando grãos se fundem para formar uma superfície especialmente rígida e isso impediu que o Philae pousasse suavemente.

O Philae acordará algum dia?

Jean-Pierre Bibring, o cientista chefe do módulo, demonstrou confiança na saída da hibernação do Philae quando o cometa se aproximar do Sol, em fevereiro ou março do ano que vem. Para dar certo, duas coisas precisam acontecer antes.

Uma, é que os painéis solares precisam de luz suficiente do Sol. No momento, não se sabe ao certo onde o módulo está, então é difícil prever quanto de luz solar ele receberá. Além disso, o Philae precisa sobreviver às condições brutalmente geladas do cometa. É difícil mensurar a temperatura dentro do módulo, mas Bibring diz que “a sobrevivência é garantida”.

Quais moléculas orgânicas a Rosetta encontrou?

Recentemente, foi anunciado que os instrumentos da Rosetta haviam detectado moléculas orgânicas no cometa. Mas seriam essas moléculas simples, como metano, ou as complexas, capazes de servir como evidência de que foram eles, os cometas, quem trouxeram a vida à Terra? Bibring confirmou que eles encontraram grandes moléculas orgânicas de massa até 100 (em comparação, as de metano têm massa 16), mas ainda estão trabalhando para identificar, com precisão, de que tipo elas são. O jeito é esperar para ver.

Novas fotos!

Na sessão científica de hoje, os cientistas da Rosetta mostraram várias fotos novas que ainda não foram processadas para conhecimento do público. Se você está realmente interessado em saber o porquê disso, aqui tem uma boa explicação – tem a ver com o receio por causa das regras que orientam a publicação de dados ainda não processados.

Felizmente, podemos conferir algumas fotos novas já liberadas, incluindo ângulos do cometa nunca antes vistos.


A primeira foto tirada pelo Philae depois que ele pousou. Esse borrão luminoso o Philae quicando.


Foto tirada pelo Philae do penhasco que está bloqueando o Sol.


Um diagrama de como o Philae está orientado no cometa, embora a sua localização exata ainda precise ser confirmada.

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19 de dez de 2014

Impasse: Nasa desmente Agência Espacial Russa sobre o impacto de asteroide contra Terra. E agora?


A NASA desmentiu a informação divulgada pela Agência Espacial Russa de que a Terra estaria na trajetória do asteroide 2014 UR116, de 400 metros de diâmetro, e descoberto no final de outubro pelo Observatório Russo de Kislovodsk. O programa Objetos Próximos à Terra, da NASA, afirma que o 2014 UR116, apesar de ter um período orbital de três anos ao redor do Sol e de se aproximar da Terra periodicamente, não representa uma ameaça para nosso planeta, já que sua trajetória está suficientemente longe da órbita terrestre.

A Agência Espacial Russa havia publicado em seu site o resumo de um documentário chamado "Ataque Asteroide", do astrofísico Vladimir Lipunov, que descobriu o 2014 UR116. 

Enquanto isso, o diretor do Centro de Planetas Menores, em Cambridge Massachusetts, recalculou a órbita do 2014 UR116 utilizando o sistema Sentry, desenvolvido pelo Jet Propulsion Laboratory da NASA, e acabou descartando qualquer possibilidade de impacto do asteroide sobre a superfície terrestre (ou qualquer outro planeta), pelo menos nos próximos 150 anos.

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Falhas geológicas


A crosta da Terra é riscada por diversas falhas geológicas, que resultam do fato de que ela, na verdade, não é um bloco único, mas sim formada por várias placas independentes que se tocam e são chamadas de placas tectônicas. Uma das mais expressivas falhas existentes no nosso planeta está localizada no estado norte-americano da Califórnia. Com o nome de “Falha de San Andreas”, ela se estende por cerca de 1300 km e marca o encontro entre as placas do Pacífico e a placa Norte-Americana. Vários terremotos de grande magnitude já ocorreram nessa região devido aos movimentos dessa placa.


Índia testa com sucesso foguete espacial com módulo para astronautas

A Índia testou com sucesso na última quinta-feira (18) o maior foguete desenvolvido até agora no país asiático, com capacidade para transportar quatro toneladas e um módulo para astronautas, o que abre as portas para a primeira viagem tripulada indiana ao espaço, informaram fontes oficiais.

O foguete GSLV MK-III, de 630 toneladas e 42,4 metros de comprimento, começou seu voo às 9h30 locais (2h de Brasília) no Centro Espacial Satish Dhawan, em Sriharikota, no estado de Andhra Pradesh, sul do país.

As emissoras locais de televisão mostraram como o foguete se elevava rumo ao espaço em uma nuvem de fumaça, enquanto os cientistas da Organização Indiana de Pesquisa Espacial (Isro, sigla em inglês) comemoravam efusivamente.

"É um dia muito significativo na história espacial da Índia", disse o presidente da Isro, K Radhakrishnan, em discurso transmitido pela emissora "NDTV".

O primeiro dos objetivos da missão era testar o voo do foguete com quatro toneladas de peso, o que duplica a capacidade de transporte atual e permitirá colocar em órbita satélites mais pesados.

O segundo objetivo era estudar os detalhes de uma hipotética reentrada na Terra do módulo para astronautas, que tem o tamanho de um "pequeno quarto" e pode acolher "duas ou três" pessoas, e sua aterrissagem com um paraquedas.

Porta-vozes do Isro afirmaram que a cápsula "caiu de maneira segura na baía de Bengala, perto das ilhas Andamão e Nicobar" após se desprender do foguete.


O primeiro-ministro, Narendra Modi, parabenizou os cientistas pelo sucesso da missão. "O bem-sucedido lançamento do GSLV MK-III é outro triunfo do brilhantismo e dos duros esforços de nossos cientistas. Parabéns por seus esforços", tuitou o chefe de governo.

A Índia comemorou em 2012 os 50 anos do início de seu programa espacial, um dos mais ativos do mundo.

O país asiático colocou em setembro a sonda Mangalyaan na órbita do planeta Marte, um feito tecnológico que não foi alcançado por nenhum outro país asiático e apenas foi conseguido por Estados Unidos, Rússia e Europa.

A Isro, que conta com 16 mil cientistas e um orçamento de US$ 1 bilhão, também põe em órbita, através de seu braço comercial, satélites estrangeiros desde 1999.

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18 de dez de 2014

Artista cria "passeio guiado" por locais nunca visitados do Sistema Solar

Já pensou em fazer uma viagem por diversas partes do Sistema Solar? Enquanto isso ainda não é possível, o artista visual e animador sueco Erik Wernquist resolveu criar uma incrível jornada por locais ainda não visitados pelo homem.

As paisagens do curta "Wanderers" não saíram da imaginação do artista, mas a partir de fotos e mapas fornecidos pela NASA. 

O "passeio guiado" de quatro minutos deixa qualquer um ansioso pela evolução da ciência e pela possibilidade dessas viagens se tornarem reais o quanto antes.

Confira algumas imagens:


O curta "Wanderers", mostra um elevador espacial que desce por um cabo até Marte. O elevador espacial é uma ideia que tem sido trabalhada há muito tempo, não sendo apenas ficção científica, mas uma sugestão de como transferir eficientemente grandes quantidades de massa e como sair de um planeta.


Um grupo de pessoas aguarda a chegada de dirigíveis na borda da cratera Victoria, em Marte. Este é um dos muitos panoramas de alta resolução fotografados pelos sistemas de imagem das sondas Spirit e Opportunity, durante sua exploração de Marte desde 2003.


O curta simula uma foto tirada da superfície de Iapetus, um dos satélites de Saturno. O satélite tem cerca de 1,3 mil km de extensão, 20 km de largura e em vários lugares há picos que se elevam por mais de 20 km acima das planícies circundantes.


Esta imagem do curta "Wanderers" especula sobre como deve ser o interior de um asteroide. 


O curta mostra um grupo de seres humanos caminhando pelas planícies geladas do satélite Europa, de Júpiter.


Segundo o animador sueco Erik Wernquist, autor da animação, esta é uma das vistas mais impressionantes do Sistema Solar. Nesta cena, o astronauta admira os anéis de Saturno. 

Para saber mais sobre o curta, visite a página oficial: www.erikwernquist.com/wanderers

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16 de dez de 2014

Curiosity consegue mais provas sobre existência de antigo lago em Marte


Os dados recolhidos pelo robô explorador Curiosity revelam que o monte Sharp, formado dentro da cratera Gale, poderia ter sido formado pelos sedimentos depositados no leito de um lago há milhões de anos, informou a NASA.

Membros da equipe de pesquisas da Curiosity assinalaram em entrevista coletiva que estas descobertas sugerem que Marte teve um clima mais frio que permitiu que houvesse sistemas de água e lagos durante um longo período de tempo. Esse tempo foi "suficiente para que os sedimentos formassem o monte", indicou Michael Meyer, diretor científico do programa da NASA de exploração em Marte.

“Marte atualmente é um planeta seco, árido e com ventos, mas em algum momento foi formado por água"
Ashwin Vasavada, cientista da NASA

Meyer assinalou que para os pesquisadores é um desafio decifrar como se formou esta montanha de cinco quilômetros de altura, composta por camadas de rochas, que poderiam ter sido constituídas com sedimentos de rio e partículas depositadas pelo vento. "As observações que fizemos até agora apoiam essa hipótese", indicou John Grotzinger, do Instituto Tecnológico da Califórnia em Pasadena (EUA), que assinalou que esperam poder comprová-la mais detalhadamente no ano que vem. 

A Curiosity está investigando as camadas de sedimentos mais baixas da montanha, uma seção de rochas de 150 metros na chamada formação Murray, que podem ser sedimentos sobrepostos transportados por rios e moldados pelo vento depois da evaporação da água. 

A outra pergunta a ser respondida é se essa água existiu tempo suficiente para que surgisse vida microbiana. Em descobertas anteriores, a Curiosity detectou elementos como enxofre, nitrogênio, hidrogênio, oxigênio, fósforo e carbono, alguns dos ingredientes químicos essenciais para a vida. 

"Marte atualmente é um planeta seco, árido e com ventos, mas em algum momento foi um planeta formado por água", comentou Ashwin Vasavada cientista do Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) da NASA na Califórnia, ao destacar que se sua hipótese for mantida, "desafia a noção de que as condições cálidas e úmidas foram transitórias, locais ou só subterrâneas em Marte".

CONCEPÇÃO ARTÍSTICA DO LAGO QUE PREENCHIA A CRATERA GALE HÁ MILHÕES
DE ANOS (FOTO: NASA/JPL-CALTECH/ESA/DLR/FU BERLIN/MSSS)


O envolvimento do clima é um elemento chave neste processo, de acordo com esse especialista. A atmosfera teria que ser mais grossa para que as temperaturas fossem mais elevadas e permitissem que a água se mantivesse em forma líquida, "mas, por enquanto, não sabemos como foi possível"

Os cientistas devem levar a Curiosity a áreas mais elevadas da montanha para realizar novos experimentos que os ajudem a determinar como a atmosfera e a água interagiram com esses sedimentos e a analisar como a química nos lagos mudou ao longo do tempo. 

O veículo explorador partiu em 26 de novembro de 2011 em um foguete Atlas do Centro Espacial Kennedy, na Flórida, e desceu em 6 de agosto de 2012 na cratera Gale com a missão de investigar se em Marte existiram condições para abrigar vida. Nos primeiros 12 meses, o robô descobriu um antigo leito de curso de água e recolheu amostras de solo e de atmosfera suficientes para que os cientistas concluíssem que pode ter havido vida ali há bilhões de anos. 

Em julho de 2013, a Curiosity concluiu sua pesquisa na área conhecida como Bahia de Yellowknife e viajou rumo ao sudoeste da base do monte Sharp, aonde chegou em setembro de 2014. A Curiosity tem o tamanho de um carrinho de golfe e é cinco vezes mais pesado que seus antecessores, os robôs Spirit e Opportunity, lançados em 2003. 

Trata-se também do robô mais bem equipado, com dez instrumentos de tecnologia de ponta, como o instrumento de difração de raios X (CheMin), que analisa quimicamente os minerais recolhidos pela Curiosity com seu braço robótico, ou a estação ambiental REMS, projetada e construída na Espanha. 

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15 de dez de 2014

Dados da Rosetta aumentam mistério sobre origem da água da Terra


O mistério sobre a origem da água terrestre se aprofundou ainda mais, quando astrônomos praticamente eliminaram um dos principais suspeitos: os cometas.

Nos últimos meses, a sonda Rosetta, da Agência Espacial Europeia (ESA), examinou de perto o tipo de cometa que os cientistas acreditavam que poderia ter trazido água ao nosso planeta há 4 bilhões de anos. Ela encontrou água, mas não do tipo esperado.

A água encontrada era muito pesada. Um dos primeiros estudos científicos da missão Rosetta descobriu que a água do cometa contém mais de um isótopo do hidrogênio chamado deutério do que a água terrestre.

"A questão é quem trouxe essa água: foram os cometas ou alguma outra coisa?", perguntou Kathrin Altwegg, da Universidade de Berna, na Suíça, principal autora de um estudo publicado nesta semana pela revista "Science". A cientista cita que asteroides podem ter sido os responsáveis por trazer água à Terra. No entanto, outros discordam.

Muito cientistas scientistas acreditaram durante muito tempos que a Terra já tinha água quando se formou, mas que ela evaporou. Por isso a água do planeta teria que ter vindo de uma fonte externa.

As descobertas da missão Rosetta no cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko complicam não apenas a questão da origem da água da Terra, mas nossa compreensão sobre os cometas.

Cometas próximos e distantes

Até agora, cientistas dividiam os cometas em dos tipos: os mais próximos e os mais distantes. Os próximos se originavam do Cinturão de Kuiper, depois da órbita de Netuno e Plutão. Já os longínquos vinham da Nuvem ne Oort, muito mais longe.

Em 1986, uma sonda espacial chegou perto do cometa Halle, que teria se originado na Nuvem de Oort, cuja missão era analisar a sua água. A conclusão foi que ela era mais pesada do que a da Terra. Mas há três anos, cientistas examinaram a água de um cometa do Cinturão de Kuiper, o Hartley 2. Ela era perfeitamente compatível com a da Terra, por isso a teoria da origem da água terrestre ter origem nos cometas voltou a ser considerada

O cometa visitado pela Rosetta é do Cinturão de Kuiper, mas sua água é ainda mais pesada do que a encontrada no cometa Halley, segundo Kathrin.

"Isso provavelmente exclui a possibilidade dos cometas do Cinturão de Kuiper terem trazido água para a Terra", diz.

O astrônomo da Universidade de Maryland, Michael A'Hearn, que não fez parte da pesquisa, disse que os resultados do estudo são interessantes, mas que eles não excluem completamente a possibilidade da água da Terra ter vindo dos cometas. Para ele, a água poderia ter vindo de outros tipos de cometas do Cinturão de Kuiper.

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Cientistas encontram um escudo invisível, no melhor estilo Star Trek, a milhares de quilômetros da Terra


O trabalho de uma equipe de pesquisadores da Universidade do Colorado em Boulder, nos EUA, se deparou com a descoberta de um escudo invisível. Situado a 12 mil quilômetros da Terra. Ele a protege dos chamados “elétrons assassinos”, ou seja, as partículas que circundam o nosso planeta a uma velocidade próxima à da luz e que representam uma verdadeira ameaça para astronautas, satélites e sistemas espaciais durante as tempestades solares. “Sinceramente, quando vimos esta ‘barreira’ persistente que atuava contra os elétrons altamente energéticos na magnetosfera da Terra, ficamos totalmente perplexos e desconcertados. Era como se as rajadas de elétrons se chocassem contra uma parede de cristal no espaço”, afirma o professor Daniel Baker, responsável pelo estudo.

Esse escudo, no melhor estilo Star Trek, está localizado no interior dos cinturões de Van Allen, constituído por um par de anéis de elétrons e prótons de altíssima energia, descobertos pelo professor James Van Allen em 1958. Sobre isso, Baker explica que os cinturões reagem às mudanças de energia procedentes do Sol. Enquanto os especialistas tentam explicar as origens do escudo, uma das hipóteses mais prováveis diz que sua origem é influenciada pela plasmasfera, a gigantesca nuvem de gás frio que se estende por milhares de quilômetros ao longo do cinturão de Van Allen.

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12 de dez de 2014

Você sabia?

Não encontramos aglomerados abertos ou galácticos em galáxias elípticas. O motivo disso é o fato de que a formação de estrelas, que poderia dar origem a novos aglomerados abertos, já cessou há vários milhões de anos nas galáxias elípticas e os aglomerados abertos que ali existiam originalmente já se dispersaram há muito tempo. Os aglomerados abertos ou galácticos são encontrados nos braços de galáxias espirais e nas galáxias irregulares, onde existem muitas nuvens moleculares escuras que podem dar origem a novas estrelas.


Nave Órion retorna com sucesso à Terra, e a humanidade entra na Era Marte


Órion, a mais recente nave espacial da NASA, regressou à Terra depois de completar, com êxito, um voo teste com astronautas a bordo, dando, dessa forma, o primeiro passo da chamada "era Marte" da história espacial do homem.

“Hoje é o primeiro dia da Era Marte”, afirmou Charles Boden, administrador da NASA. E não é para menos: a aterrissagem da nave aconteceu conforme o planejado, sobre o Oceano Pacífico, a 965 km da Baixa Califórnia. “Aterrissou! Órion completou um passo importante em nossa viagem a Marte”, “twittou” a NASA assim que o retorno da cápsula, que trouxe de volta os astronautas de uma futura missão tripulada a Marte, foi confirmado.

Esse teste, o primeiro de uma série, servirá para analisar o comportamento de Órion durante as ações de entrada, descida e pouso, verificando, em especial, o desempenho do escudo térmico que protege a cápsula das altas temperaturas de reentrada na atmosfera terrestre. Os dados registrados serão estudados para ter efeito no design final do veículo, que terá capacidade para transportar quatro astronautas no espaço, o último passo anterior ao primeiro voo tripulado a Marte, previsto para 2021. A Órion viajou 5.795 quilômetros acima da Terra para testar os sistemas da nave espacial antes de transportar os astronautas em missões no espaço profundo. Durante a reentrada na atmosfera, a espaçonave suportou uma velocidade de 32.185 quilômetros por hora e temperaturas próximas a 2.204,4º centígrados.

Não deixe de assistir ao vídeo com decolagem impressionante da cápsula para Marte:



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11 de dez de 2014

Atmosfera conturbada: Meteorologistas querem saber por que venta muito em Vênus e Titã

O dia demora a passar em Vênus. É que o planeta gira bem devagar. Quase do tamanho da Terra, Vênus leva 243 dias terrestres para dar uma volta em torno de si. Com rotação tão lenta, os meteorologistas esperavam que a atmosfera venusiana fosse uma das mais calmas do Sistema Solar. Mas as sondas enviadas ao planeta observaram uma ventania constante na alta atmosfera, onde os ventos atingem 400 quilômetros por hora (km/h). Ventos dessa intensidade só ocorrem na Terra durante furacões ou, esporadicamente, a altitudes elevadas. Em Vênus, eles sopram o tempo todo, em especial no equador.

Para tentar resolver o mistério, o meteorologista João Rafael Dias Pinto, da Universidade de São Paulo (USP), e Jonathan Lloyd Mitchell, cientista planetário da Universidade da Califórnia em Los Angeles, criaram em computador um modelo simplificado de um planeta com atmosfera. Simulações usando esse modelo, publicado em agosto na revista Icarus, são as primeiras a descrever corretamente como se mantêm os ventos que varrem Vênus, fenômeno conhecido como super-rotação atmosférica, também observado em Titã, a maior lua de Saturno. “Identificamos novos e importantes mecanismos que ajudam a entender melhor esses ventos”, diz Mitchell.

O segredo da super-rotação, segundo o novo modelo, está na forma como o calor se distribui na atmosfera de Vênus e Titã. Nesses corpos, por meio da circulação vertical, o calor se propaga mais lentamente para o alto e em direção aos polos do que na Terra. Além disso, um tipo especial de ondulação na atmosfera afeta as correntes de gases.

Vênus e Titã são mundos tão diferentes entre si que até parece estranho suas atmosferas se comportarem de maneira parecida. A temperatura na superfície de Vênus chega a 477 graus Celsius, consequência do efeito estufa de sua atmosfera rica em gás carbônico. Em Titã, a temperatura é de 180 graus negativos e chuvas de metano alimentam lagos na sua superfície. Ao descer até o solo de Titã, porém, a sonda espacial Huygens descobriu em 2005 um perfil de ventos quase idêntico ao observado em Vênus pelas sondas soviéticas da série Venera nas décadas de 1970 e 1980. Fracos na superfície, os ventos no equador de Vênus e Titã chegam a 360 km/h a uma altitude superior a 50 quilômetros – os ventos a essa mesma altitude no equador da Terra não passam de 15 km/h.


Além da rotação

Dias Pinto explica que na Terra as massas de ar que circundam o globo se movem impulsionadas pela diferença de temperatura entre o equador e os polos e arrastadas pela rotação do planeta. É por isso que os meteorologistas esperavam ventos mais fracos em planetas e satélites com rotação lenta. Os pesquisadores buscavam uma explicação para a super-rotação desde os anos 1970 e concluíram que, além da rotação mais lenta, é provável que um padrão específico de oscilações nos movimentos da atmosfera, as chamadas ondas atmosféricas, ajudem a criar um intenso jato de ar que se concentra no equador e cobre quase todo o corpo celeste. “É como se a atmosfera inteira se movesse em um único sentido”, conta Dias Pinto. “O problema é que a maioria dos modelos atmosféricos de Vênus e Titã, inclusive os mais realistas, tem dificuldade de reproduzir a super-rotação.”

Ele resolveu estudar a super-rotação durante seu doutorado e, em uma conferência na França em 2011, conheceu Mitchell, um especialista em Titã e Vênus interessado em atacar o problema com um modelo mais simplificado. “Com um modelo mais idealizado, posso controlar melhor a dinâmica da atmosfera”, explica Dias Pinto. Ele trabalhou sob a orientação de Mitchell e dos brasileiros Rosmeri Porfírio da Rocha e Tércio Ambrizzi, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da USP, e conseguiu simular a super-rotação usando um modelo atmosférico adotado para fazer previsão do tempo.

Modificando alguns parâmetros desse modelo, Dias Pinto descobriu que não bastava diminuir a rotação do planeta para acelerar a rotação da atmosfera. “João demonstrou que o modelo só desenvolve super-rotação se transportar calor do equador para os polos mais lentamente”, explica Mitchell, notando que em Vênus e Titã, apesar dos ventos fortes, o ar circula bem devagar na vertical.

Dias Pinto também identificou em suas simulações uma forma especial de onda planetária, que surge de oscilações no movimento das correntes de ar no equador do planeta. “Essas ondas planetárias são as principais responsáveis por desenvolver e manter a super-rotação”, explica Mitchell.

“Esses aspectos da super-rotação nunca haviam sido analisados em detalhe”, diz Sebastien Lebonnois, cientista planetário do Conselho Nacional de Pesquisa Científica (CNRS) da França, que estuda a super-rotação de Vênus e Titã. “Para confirmar essa análise, precisaremos de observações do vento e da temperatura com uma resolução que é difícil de obter mesmo na Terra.” Apesar da dificuldade, ele espera obter evidências em dados da sonda Venus Express, que visita Vênus, ou da Cassini, que sobrevoa Titã.

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