11 de nov. de 2011

Telescópio espacial Hubble descobre 69 galáxias anãs

Folha de São Paulo


DA EFE


O telescópio espacial Hubble descobriu através de seus instrumentos de visão no infravermelho próximo um conjunto de 69 jovens galáxias anãs repletas de estrelas que se reproduzem rapidamente, informou a Nasa (agência espacial americana) nesta quinta-feira, em comunicado.

Embora as galáxias anãs sejam o tipo mais comum das que existem no universo, o rápido nascimento de estrelas observados nessas galáxias recém-descobertas pode levar os astrônomos a rever suas teorias sobre a formação delas.

A agência espacial explicou que essas galáxias são, em média, 100 vezes menos maciças que a Via Láctea, mas as estrelas em seu interior se batem a um ritmo tão forte que o número delas poderia dobrar em "apenas" 10 milhões de anos.

Os cientistas afirmam que este é um ritmo muito alto, inclusive para uma galáxia jovem, já que, em comparação, a Via Láctea poderia demorar mil vezes mais para dobrar seu número de estrelas.

Os astrônomos que utilizam os instrumentos do Hubble conseguiram detectar as galáxias porque a radiação de estrelas jovens fez com que o oxigênio no gás que as rodeia brilhasse "como um letreiro de neon".

Suas observações indicam que 9 bilhões de anos atrás essas galáxias seriam muito comuns, mas, para os cientistas, é um mistério como geram tantas estrelas e a um ritmo tão acelerado.

"Essas galáxias sempre estiveram aí diante, mas não tínhamos a tecnologia adequada para detectá-las", assinalou Arjen van der Wel, do Instituto de Astronomia Max Planck em Heidelberg (Alemanha). "Não as estávamos procurando, mas elas se destacavam por sua cor incomum".

Esses resultados fazem parte da Cosmic Assembly Near-infrared Deep Extragalactic Legacy Survey (Candels), um projeto de três anos focado em analisar as galáxias mais distantes no Universo e de fazer o primeiro "censo" de galáxias anãs primitivas.

O telescópio Hubble, lançado em 1990, é um projeto de cooperação internacional entre a Nasa e a ESA (Agência Espacial Europeia).

 


Mercadante lista desafios da CT&I no Brasil

GESTÃO C&T


O ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Aloizio Mercadante, apresentou aos funcionários da pasta os desafios que serão enfrentados nos próximos anos. Entre eles, transformar a ciência e tecnologia em um eixo estruturante do desenvolvimento e consolidar a liderança brasileira na economia do conhecimento natural.

As diretrizes do trabalho do órgão estarão reunidas na Política Nacional de Ciência e Tecnologia, que está em fase de conclusão. Além de traçar as metas para o desenvolvimento de áreas estratégicas, o documento ainda pretende contribuir para reduzir as desigualdades sociais do país e será apresentado ao Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia, comandado pela presidenta da República, Dilma Rousseff.

Para Mercadante, o conjunto de ações irá modernizar e dinamizar a gestão estratégica do MCTI e garantir mais transparência e melhores resultados aos investimentos públicos na área. “O novo papel do MCTI é impulsionar a economia do país, construindo um grande mercado, em conhecimento e informação, economia verde e criativa, fortalecimento do mercado de consumo de massa e distribuição de renda”, concluiu.

A reunião foi transmitida ao vivo no portal do MCTI. Para assistir o vídeo completo do encontro do ministro Mercadante com os funcionários da Casa acesse http://webtv.mct.gov.br/

(Com informações do MCTI)




LHC fará colisões pesadas em busca do Big Bang

Redação do Site Inovação Tecnológica

Esta é uma imagem de uma colisão real de núcleos de chumbo, captada pelo experimento ALICE. Os traços representam o caminho das partículas, os "cacos" que voam para todos os lados depois da colisão.[Imagem: Cern]

Colisões de prótons

O LHC Large Hadron Collider terminou sua tarefa de coletar dados em busca do cada vez mais elusivo Bóson de Higgs.

Mas descobrir o que dá massa à matéria é apenas um dos interesses do maior experimento científico do mundo.

Agora ele vai se voltar para o início do Universo, recriando as condições que se acredita estivessem presentes logo após o Big Bang.

Para procurar o Bóson de Higgs, o LHC colidiu pares de prótons, até produzir 6 femtobarns inversos de dados, cerca de três vezes mais do que as caçadas anteriores.

Colisões de íons de chumbo

Nesta nova etapa, em busca do início do Universo, o LHC vai começar a colidir íons de chumbo.

Essas colisões produzem aglomerados de matéria muito densa e quente, recriando as condições nos primeiros momentos após o Big Bang.


Os cientistas esperam obter cerca de 10 vezes mais dados este ano do que obtiveram em 2010, o que permitirá que eles estudem o plasma de quark-glúons em mais detalhes.

Eles querem sondar melhor como o comportamento da matéria varia com a temperatura perto do estado de plasma de quark-glúons.

Colisões de prótons com íons de chumbo

Eles também tentarão colidir prótons com os íons de chumbo, algo nunca feito antes no LHC.

Estas colisões são mais limpas do que as que envolvem pares de íons de chumbo.

Os dados resultantes podem ser úteis como uma referência para interpretar as mais confusas colisões chumbo-chumbo - os cientistas precisam entender melhor as colisões do chumbo "limpo" para depois analisarem as colisões chumbo com chumbo.

Super energias

O LHC será desligado no início de dezembro, e religado em Março de 2012, para novas seções de colisões próton-próton, possivelmente com uma energia um pouco maior, de 8 teraelétron-Volts (TeV), em comparação os 7 TeV deste ano.

O LHC foi projetado para trabalhar com energias de 14 TeV, mas um sério defeito quando ele foi ligado inicialmente fez com que os cientistas reduzissem sua capacidade operacional por segurança.



De qualquer forma, a energia mais elevada a ser alcançada em 2012 vai melhorar a sensibilidade ao Bóson de Higgs em cerca de 30 por cento, e poderá também ajudar a revelar sinais da supersimetria, uma extensão do modelo padrão da física de partículas.






O que é o espaço?

Folha de São Paulo

MARCELO GLEISER

O espaço vazio não existe: há um vácuo de flutuações de energia capazes de criar partículas de matéria.

DE VEZ em quando é bom parar e refletir sobre coisas que pensamos ser triviais. Com frequência, descobrimos que o que tomamos como simples é bem mais complicado do que parece. Esse é o caso do conceito de espaço na física e na matemática.
Todo mundo tem uma noção intuitiva de espaço: é o que separa as coisas. Sem ele, tudo estaria embolado no mesmo lugar. Portanto, de acordo com essa definição, para entender o que é espaço implicitamente precisamos de outros objetos.
Obviamente, é difícil compreender o que é o espaço vazio, já que nesse caso não existem objetos distantes entre si. Mas conhecemos intuitivamente o seu significado: uma região sem qualquer matéria. Ou seja, para definirmos espaço, vazio ou não, precisamos de matéria.
Na matemática, espaço é uma construção abstrata, uma invenção para definir distâncias entre dois ou mais pontos ou entre dois ou mais objetos. É importante lembrar que espaço é uma invenção e que não tem, a princípio, uma existência física. Espaço não é uma coisa. Ou é?
Na física moderna, a história fica mais complicada e bem mais interessante. Para Newton, o criador das leis da mecânica e da gravidade, o espaço é uma espécie de palco onde se desdobra o drama da natureza. Os fenômenos ocorrem sem afetar o palco, que está lá apenas para permitir que objetos interajam entre si. Por exemplo, o Sol e a Terra ou você e uma cadeira. Com Einstein e a relatividade, tudo muda.
Einstein mostrou que o espaço não é inerte: ele responde à presença de matéria, sendo uma entidade plástica e não rígida como supôs Newton. Quando, no final do século 17, Newton explicou a atração gravitacional entre dois corpos, imaginou o espaço entre eles como sendo irrelevante. O que importava era a massa dos corpos e a distância entre eles. Para Newton, a gravidade age através do espaço, uma influência um tanto misteriosa que atua à distância: o Sol não precisa tocar na Terra para influenciá-la.
Einstein mudou isso, sugerindo que o espaço em torno de objetos é distorcido em proporção à sua massa e densidade. Quanto mais denso um corpo, maior sua atração gravitacional e maior a distorção que causa no espaço à sua volta. Para Einstein, o espaço deixou de ser apenas palco e virou ator também.
Mas mesmo para Einstein o espaço vazio ainda seria o espaço sem qualquer objeto material e, portanto, com geometria plana. Com a física quântica, houve uma nova mudança na compreensão do que seria o "vazio". No mundo dos átomos e das partículas subatômicas, tudo existe num estado de agitação constante: um elétron nunca para no mesmo lugar. Portanto, sempre haverá algum movimento.
Existe uma probabilidade de que mesmo no espaço vazio, uma flutuação de energia possa criar partículas de matéria. A física quântica permite uma violação temporária da conservação de energia.
Partículas podem aparecer do espaço vazio (ou vácuo), contanto que se desintegrem outra vez, numa dança constante de criação e destruição.
Ou seja, de acordo com a física quântica, o espaço vazio não existe. Há um vácuo pleno de flutuações de energia capazes de criar partículas de matéria, mesmo que por apenas alguns instantes. O espaço vira uma coisa que pode criar.

MARCELO GLEISER é professor de física teórica no Dartmouth College, em Hanover (EUA), e autor de "Criação Imperfeita". Facebook:http://goo.gl/93dHI




NASA desenvolve material super-negro

Redação do Site Inovação Tecnológica


Uma seção da cobertura do material foi retirada para que se possa visualizar o alinhamento vertical dos nanotubos de carbono. A cor cinza é falsa - caso contrário, tudo o que se veria seria um belo retângulo escuro.[Imagem: Stephanie Getty, NASA Goddard]

Absorvedor de radiação

Engenheiros da NASA criaram um novo material capaz de absorver mais de 99% da luz que o atinge.

Embora já existam materiais artificiais capazes de absorver até 99,9% da luz visível, este novo material absorve não apenas a luz visível, mas também a ultravioleta, a infravermelha e a infravermelha distante.

O material é resultado da deposição de nanotubos de carbono sobre uma pastilha de silício.

Quando a luz atinge o material, ela é aprisionada pelos pequenos nanotubos. Usando nanotubos de paredes múltiplas - com várias camadas de carbono - os cientistas conseguiram que vários comprimentos de onda fossem aprisionados.

"Os testes de reflectância mostraram que nossa equipe aumentou em 50 vezes a capacidade de absorção do material," disse John Hagopian, coordenador do grupo.

Aplicações em astronomia e meio ambiente

Os testes também revelaram que o novo material super absorvente terá grande utilidade em aplicações espaciais, sobretudo nos sensores de telescópios que precisem observar a luz vinda do espaço em vários comprimentos de onda.

Ele poderá ser usado, por exemplo, para eliminar brilhos indesejados, capturando a luz de fundo para evitar que ela reflita e interfira com a luz que os cientistas estejam tentando medir.

Esta alta capacidade de absorção permitirá a observação de objetos tão distantes no universo que os astrônomos não conseguem vê-los em luz visível, ou aqueles em áreas de alto contraste, incluindo planetas orbitando outras estrelas.

Hagopian afirma que haverá usos também aqui na Terra, em estudos sobre os oceanos ou a atmosfera. Mais de 90% da luz que chega aos instrumentos de monitoramento ambiental vem da atmosfera, poluindo o fraco sinal em que os cientistas estão interessados.

Como o material não reflete virtualmente nenhuma luz, ele parece totalmente escuro não apenas aos olhos humanos, mas também a vários sensores usados em astronomia e em outras aplicações.



10 de nov. de 2011

Banco Nacional de Dados Gravimétricos Terrestres no 12º Congresso Internacional de Geofísica

Portal Geofísica Brasil

A construção e o desenvolvimento do Banco de Nacional de Dados Gravimétricos Terrestres (BNDG) foi o tema central de mesa-redonda realizada no 12º Congresso Internacional de Geofísica que reuniu diversos agentes e parceiros envolvidos na aquisição e utilização de dados gravimétricos no Brasil.

A mesa-redonda foi conduzida pelo superintendente de Dados Técnicos da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Sergio Henrique Sousa Almeida, e o Prof. João Carlos Dourado (Unesp).

Além da presença de diversos representantes das principais instituições realizadoras dos levantamentos gravimétricos existentes no país, a mesa-redonda contou com a participação de membros do Comitê Gestor do BNDG, implantado em abril deste ano, com a missão de viabilizar a criação e o desenvolvimento do BNDG.

Com a coordenação da ANP, o comitê gestor do BDNG é composto por representantes da Petrobras, ANP, CPRM, IBGE, USP (IAG), ON e SBGF. O grupo tem a função de realizar a gestão compartilhada dos dados de gravimetria reunidos no BNDG, a fim de consolidar a base gravimétrica nacional prontamente acessível para cumprir objetivos geocientíficos.

O BNDG foi criado e desenvolvido este ano e está pronto para armazenar e disponibilizar, através do Banco de Dados de Exploração e Produção (BDEP) da ANP, todo o conjunto de dados de gravimetria terrestre produzido no Brasil pelas instituições acadêmicas e de pesquisa. A base inicial de dados do BNDG tem 80 mil estações gravimétricas, compondo uma coleção de densidade inferior a um registro por 100 Km2, considerada ainda pequena para as dimensões do território brasileiro. As premissas das ações do comitê gestor são focadas em projetos para ampliar essa base.

O geólogo José de Ribamar Lopes Bezerra, da ANP, coordenador do BNDG, aproveitou a ocasião para prestar contas das atividades realizadas e apresentou um projeto para aumentar a densificação dos dados gravimétricos existentes, com vistas à produção do Mapa Gravimétrico Brasileiro.

"Há bacias como as do Parnaíba, várias do Nordeste, do Parecis, e da Ilha do Bananal, que são áreas vazias de informação, mas não são locais remotos e reunem condições para densificar os dados nestas áreas com vistas a elaborar o Mapa Gravimétrico do Brasil," antecipou Bezerra, acrescentando que a iniciativa irá reunir, além dos dados já de posse do BNDG, os dados de aerogravimetria levantados pela ANP,.

Sistema disponível

A forma de comunicação externa do BNDG é o sistema chamado SFTP Gravimetria, através do qual as instituições públicas de ensino e pesquisa brasileiras poderão transferir os dados para o BNDG. As instituições que desejarem fazer uso dessa ferramenta podem fazer a solicitação para o administrador do banco pelo e-mail bndg@anp.gov.br.

Perguntas e respostas

O BNDG produziu uma página de Perguntas Freqüentes - FAQ a fim de esclarecer as possíveis dúvidas relacionadas a utilização do Sistema SFTP Gravimetria.

1) Como eu faço para possuir acesso aos dados gravimétricos?

Para possuir acesso aos dados gravimétricos você precisa entrar em contato com o administrador do Banco através do e-mail bndg@bdep.gov.br. Após análise da demanda seu usuário será criado, e você receberá um e-mail contendo os dados para acesso. Os principais dados são usuário, senha e endereço de acesso.

2) Esqueci minha senha, como faço para acessar o sistema?

Entre em contato com o administrador através do endereço bndg@bdep.gov.br, enviando pelo seu e-mail cadastrado no sistema, solicitando uma nova senha.

3) O usuário não está vendo a pasta de outras universidades, como ele pode possuir acesso a outra pasta?

Você terá acesso somente às pastas com as quais a sua instituição tiver relação. Qualquer dúvida entrar em contato com o administrador do banco.

4) Como faço para remover um arquivo?

Os arquivos são excluídos somente pelo administrador do sistema. Envie um email para bndg@bdep.gov.br  solicitando a deleção do arquivo, e justificando o motivo pelo qual o arquivo será excluído.

5) Eu posso baixar os arquivos que fiz transferência?

Sim. Um dos objetivos da criação do BNDG é ser um backup dos dados das instituições participantes.

6) Como eu faço para transferir um arquivo para a ANP?

Acessando o sistema através do endereço fornecido no convite de boasvindas, junto com seu usuário e senha.
- Você informará seu usuário e senha nos campos especificados.
- Após isso clicará em conectar.
- Será carregado um aplicativo em seu navegador.
- Esse aplicativo mostrará as pastas de seu computador local e também as pastas com direito de acesso no servidor de arquivos de gravimetria da ANP.
- A partir desse momento, você poderá navegar pelas pastas do seu computador e eleger os arquivos que deseja transferir para ANP.

7) A minha transferência foi interrompida, como devo proceder?

Apenas selecione o arquivo novamente, e recomece a transferência para o mesmo local. A transferência continuará do mesmo ponto em que a mesma foi interrompida.

8) Existe algum modo de garantir que o arquivo foi transferido?

Mesmo com a transferência ocorrida com sucesso, a universidade deve confirmar com o administrador do BNDG através do endereço bndg@bdep.gov.br, o bom recebimento do arquivo.

9) Um arquivo que foi carregado foi analisado pelo administrador e não está de acordo com os padrões de qualidade. Como devo proceder ?

Os arquivos que são recebidos passam por uma análise para certificação de qualidade e aderência aos padrões. Caso um deles não esteja de acordo, a instituição será comunicada sobre o fato e orientada a efetuar nova transferência do mesmo arquivo, com identificação de versão em seu nome. A instituição deverá comunicar o administrador sobre a disponibilidade de envio da nova versão, para que a versão anterior com problemas seja removida para um repositório específico de arquivos reprovados.