7 de dez. de 2011

SBPC na Argentina: cooperação científica entre os países é estratégica

Jornal da Ciência

A cooperação científica e tecnológica entre Brasil e Argentina é estratégica e permitirá responder com eficiência aos crescentes desafios globais e ameaças que atentam contra a prosperidade de ambos os países. A opinião é da engenheira Agueda Menvielle, diretora nacional de Relações Internacionais do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação Produtiva da Argentina.

Menvielle foi uma das autoridades que abriram a 5ª Reunião Ciência, Tecnologia e Sociedade (CTS), realizada em novembro, em Buenos Aires, pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) em parceria com a Associação Argentina para o Progresso da Ciência (AAPC) e o órgão argentino Ciencia Hoy. Em um balanço do evento, ela destaca o espaço aberto para debater temas diferentes dos habitualmente discutidos nas Reuniões CTS. "Houve temas dentro das ciências sociais, mais próximos aos problemas que afetam os dois países", pontua a diretora.

"Foram debatidos, por exemplo, a produção e o meio ambiente; as consequências sociais da tecnologia; a economia das ciências e a tecnologia; e a insegurança e inclusão social desde o ponto de vista científico e tecnológico", exemplifica, acrescentando que estes temas representam uma grande contribuição para que a ciência possa conseguir o desenvolvimento social de forma equitativa e inclusiva.

De acordo com a diretora, para os ministérios de CT&I dos dois países, foi de enorme utilidade gerar um espaço para discussão como são as Reuniões CTS, onde docentes, pesquisadores, especialistas e divulgadores científicos, entre outros profissionais, se encontram e debatem temas comuns que nutrem o processo de formulação de estratégias, programas e políticas impulsionadas por Brasil e Argentina.

Intercâmbio de tecnologias - Em relação ao impacto social da inovação tecnológica, Menvielle classifica o Brasil como "líder em inovação tecnológica na América Latina", promovendo tecnologias e soluções em setores como biotecnologia e TI (tecnologia da informação), "áreas que para a Argentina são prioritárias".

"Ambos os países compartilham problemas comuns e tecnologias que, se forem adequadamente implementadas e responderem às necessidades das áreas estratégicas, poderão melhorar a vida dos dois", ressalta. "Nesse sentido, a formação e consolidação de redes de pesquisadores argentinos e brasileiros, com o fim de criar ambientes favoráveis para a colaboração e o intercâmbio de conhecimento, é algo que sem dúvida favorece aos dois países", completa.

Brasil e Argentina têm uma série de acordos e órgãos bilaterais, cujas atuações foram reforçadas na Reunião. Entre eles, Menvielle destaca o Centro Argentino-Brasileiro de Nanociências e Nanotecnologias (CABNN), criado em 2005, e o Centro Argentino-Brasileiro de Biotecnologia (CABBIO), que surgiu em 1987 e é "o exemplo mais contundente de colaboração exitosa entre Argentina e Brasil".

"Esse centro é o projeto de ação binacional em biotecnologia mais reconhecido da América Latina e em outras partes do mundo. Os cursos que o CABBIO impulsiona, por meio da Escola Argentino-Brasileira de Biotecnologia (EABBIO), atraem uma grande quantidade de alunos da América Latina, contribuindo para a integração de nossa região e para a formação de recursos humanos de alto nível", detalha.

Novas cooperações - Menvielle lembra que Argentina e Brasil trabalham juntos no meio científico desde 1980, quando assinaram o Acordo de Cooperação Científica e Tecnológica. E afirma que o Programa de Energias Novas e Renováveis e o Programa de Terapia Celular (Probitec) são os mais recentes no âmbito binacional.

"O Probitec, por exemplo, está destinado a apoiar atividades de pesquisa, desenvolvimento tecnológico e formação de pessoal qualificado no campo da terapia celular realizado nos dois países. No dia 1º de dezembro, foram aprovados nove projetos internacionais de pesquisa clínica, básica e translacional", conclui.

(Clarissa Vasconcellos - Jornal da Ciência)




2 de dez. de 2011

Observatório Nacional participa de evento em Duque de Caxias


Realizado pelo Inmetro, o evento foi direcionado aos estudantes da Baixada Fluminense.

Palestra sobre o funcionamento de telescópios do tipo refrator e refletor

O Observatório Nacional (ON) foi um dos destaques do “Parque da Ciência”, atividade integrante do evento “Inmetro de Portas Abertas”, promovido pelo Inmetro no seu campus situado em Xerém, na Baixada Fluminense, na quarta-feira, dia 30 de novembro. O evento, com foco na divulgação de ciência, tecnologia e cultura, foi direcionado aos estudantes e à comunidade de Duque de Caxias, e atraiu 1800 pessoas.


Demonstração sobre o o funcionamento de telescópios

O pesquisador Carlos Veiga, da área de Astronomia do ON, apresentou ao público os princípios e o funcionamento de telescópios do tipo refrator e refletor, ensinando a construí-los com materiais simples e de baixo custo.

Oficina de Pintura

Distribuição de revistas, livretos e literatura de cordel com temas de Astronomia e Geofísica

CD-ROM Brincando com Ciência dsitribuido entre os alunos participantes do evento

O Observatório Nacional, representado pela Divisão de Atividades Educacionais, utiliza o Projeto "Ciência Móvel" para levar conhecimento científico às escolas e à sociedade em geral.

Para conhecer o programa e convidar o ON para a participação em eventos científicos, entre em contato pelo e-mail cave@on.br

Por

Alba Lívia
Assessoria de Comunicação/ON




 

29 de nov. de 2011

Encontro Regional de Ensino de Astronomia no Paraná

Jornal da Ciência

Norte do Paraná recebe astrônomos

Encontro Regional de Ensino de Astronomia começa na próxima quarta-feira 30)

A cidade de Arapoti, Norte do Paraná, será palco do 24º Encontro Regional de Ensino de Astronomia (EREA), entre os dias 30 de novembro e 3 de dezembro. O evento vai acontecer no Núcleo Regional de Educação (NRE) da região e contará, na abertura, com a presença do professor Marcos Pontes, primeiro astronauta brasileiro, que vai falar sobre os desafios da educação e sua experiência na viagem espacial.

Realizado pela Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA) em parceria com o NRE de Wenceslau Braz, o EREA vai promover palestras sobre o ensino da astronomia e oficinas didáticas. Durante o programa, os participantes aprenderão sobre as ciências espaciais, curiosidades e os erros básicos divulgados em livros. Ainda haverá aulas sobre montagem de luneta, observações astronômicas, comparação do tamanho dos planetas, entre outros.

Para a organizadora local do evento e chefe do NRE, Sheila Alvarez Ferreira, o EREA representa uma oportunidade única para professores da região, pois permitirá o contato com cientistas importantes, possibilitando a capacitação, a troca de experiências e a disseminação de métodos práticos de ensino de astronomia e astronáutica.

"A principal proposta é oferecer aos nossos professores o crescimento profissional e com isso melhorar a qualidade do ensino em nossa região. Esperamos que o encontro desperte o "astrônomo amador" que existe em cada um de nós, valorizando e disseminando essa Ciência nas escolas públicas paranaenses", reforça.

Para João Canalle, coordenador nacional da OBA, a proposta central do EREA é discutir e compartilhar práticas pedagógicas voltadas ao ensino da astronomia, além de divulgar a importância dessa ciência em âmbito regional. "O nosso objetivo central é buscar caminhos, criar rotas de conhecimento e sermos uma ponte a fim de promover e fomentar (estimular) a integração entre educadores, pesquisadores e astrônomos", enfatiza.

O Encontro Regional de Ensino de Astronomia nasceu no Ano Internacional de Astronomia (AIA), em 2009, por ocasião das suas comemorações. O responsável por esta iniciativa, junto ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), é o professor Jaime Fernando Villas da Rocha (Unirio), membro do Comitê Brasileiro organizador do AIA. O evento também é realizado por João Batista Garcia Canalle, coordenador nacional da OBA, e por membros dos comitês locais.

(Ascom da OBA)






Lançamento da Revista Brasileira de Geologia de Engenharia e Ambiental (RBGEA)

Geofísica Brasil

Foi realizado durante o 13º Congresso Brasileiro de Geologia de Engenharia e Ambiental o lançamento da Revista Brasileira de Geologia de Engenharia e Ambiental (RBGEA) que passou a ser a revista oficial da Associação Brasileira de Geologia de Engenharia e Ambiental (ABGE).

ABGGEA terá freqüência de três números anuais e números especiais no caso da seleção de um grupo de artigos selecionados sobre um tema especifico.

O lançamento desta revista deve-se a diversos fatos:

1 - No Brasil temos cerca de 10 revistas de áreas afins onde pode-se encaminhar artigos para publicação, porém os enfoques são para outras áreas de conhecimento;

2 - Atualmente existem cerca de uma dezena de periódicos internacionais que realmente trazem os avanços ocorridos "Engineering Geology (publicado pela Elsevier), Quarterly Journal of Engineering Geology and Hydrogeology (publicado pelo Engineering Group da Geological Society of London, Bulletin of Engineering Geology and Environment (publicado pela Springer), Geotechnical and Geological Engineering (publicado pela Springer), Rewier in Engineering Geology (publicado pela (Geological Society of America), Italian Journal of Engineering Geology and Environment (publicado pela "La Sapienza" Publishing House da University of Rome "La Sapienza"), Journal of the Japan Society of Engineering Geology (publicado pela Japan Society of Engineering Geology), Hydrogeology and Engineering Geology (Founded in 1957, is in charge of Land and Resources, China Geological Environmental Monitoring Institute), Journal of Engineering Geology (AD of Publication: China), Australian Geomechanics (Published for the Australian Geomechanics Society by the Institution of Engineers, Australia), Australian Journal of Earth Sciences (An International Geoscience Journal of the Geological Society of Australia)", e cerca de uma centena de revistas consideradas como regionais em língua do próprio país distribuídas nos diferentes continentes e que abordam os avanços no país ou região;

3 - A Geologia de Engenharia deve-se manter com a IDENTIDADE da atividade profissional. Esta publicação tem como objetivo a divulgação de textos ORIGINAIS sobre investigações, estudos e soluções de problemas de engenharia e ambientais, decorrentes da interação entre a Geologia e as atividades humanas (incluindo aspectos relevantes da Geologia relacionados à Engenharia Civil, Mineração e Recursos Hídricos, assim como relacionados à previsão de eventos perigosos, as áreas contaminadas, aos processos geológicos, a prevenção e remediação de áreas degradadas), Planejamento Territorial e Ambiental, Banco de Dados e Casos Históricos relacionados à Geologia de Engenharia e Ambiental; e temas científicos de interesse amplo e caráter original relacionada com a Geologia de Engenharia e Ambiental do Brasil, de outros paises de língua portuguesa e países circunvizinhos de língua Espanhola, inclusive processos modernos e novas técnicas de campo e laboratório.

Serão aceitos a submissão de textos que podem ser redigidos em português ou espanhol, e em casos específicos escritos em inglês ou francês.

Os tipos de textos que serão aceitos para encaminhamento aos revisores são os seguintes:

1 - Artigos - modo principal de publicação, trazendo contribuições originais, e deve conter até 10.000 palavras, incluindo referências bibliográficas. Não serão aceitos artigos particionados (Ex. parte 1, parte 2). Os artigos deverão permitir a leitura, independente de um artigo anterior.

2 - Discussões - seção destinada a divulgar comentários sobre Artigos publicados recentemente, seguida da Réplica pelo(s) autor (es) do trabalho de origem. Ambos os textos devem ser breves, objetivos e concisos.

3 - Resenha de Livros - As resenhas são publicadas a convite do Editor.

4 - Notícias de cunho Geológico - Trata-se de noticias que mereçam rápida comunicação.

Espera-se que este periódico atinja suas funções estreitando os laços entre os profissionais que atuam na formação e pesquisa com aqueles que atuam em empresas publicas e privadas que tornaram a profissão de GEÓLOGO DE ENGENHARIA importante para a sociedade nos mais diferentes aspectos; e que também venha dotar os estudantes e profissionais de subsídios técnicos que os torne cada dia melhores.


ABGE - 25/11/2011




João Câmara: 25 anos de tremores

Geofísica Brasil

 
O município de João Câmara, no Agreste potiguar, vai rememorar os 25 anos dos tremores sísmicos que abalaram a população em 1986. No dia 30, data em que houve o tremor de terra mais devastador (de 5.1 graus na escala Richter), a prefeitura local vai organizar uma audiência pública e uma série de palestras. O evento começa às 9h da manhã, na sede da Câmara Municipal.


"Não usamos a expressão comemorar porque foi uma tragédia que se abateu no município. Por isso usamos o termo rememorar. O objetivo é mostrar à população o que foi o abalo, o que ocorreu. Queremos também preparar as pessoas para os riscos de um novo abalo, já que aqui é uma área sísmica", explica Elizângela Souto, membro da Comissão Municipal de Defesa Civil (Condec).

A grande quantidade de tremores de terra que atingiu João Câmara em 1986 foi a mais estudada atividade sísmica já observada no Brasil. O primeiro abalo foi registrado em Brasília, no dia 21 de agosto, alcançando magnitude 4.3. Nosdias 3 e 5 de setembro, foram dois tremores. Um de 4.3 e outro de 4.4 graus na escala Richter, usada internacionalmente para medir tremores e terremotos. Esses abalos provocaram danos materiais e assustaram ainda mais a população.

No dia 30 de novembro, no raiar do dia (pontualmente às 5h19min48s), o maior tremor, de 5.1 graus foi registrado, seguido de várias réplicas, inclusive com magnitude 4.0. Tanto na zona urbana quanto na rural, grande parte da população abandonou o município. Os tremores destruíram ou danificaram 4 mil casas, 500 delas foram reconstruídas adotando normas anti-sísmicas, desenvolvidas pelo Batalhão de Engenharia do Exército Brasileiro. O Presidente da República e vários outros ministros visitaram a área atingida. A imprensa nacional também acompanhou os fatos, inclusive montando acampamentos na cidade.

Evento

O evento deve reunir vereadores e prefeitos da região do Mato Grande, o comandante-geral do Corpo de Bombeiros, Cel. Elizeu Lisboa Dantas, a coordenação estadual de Defesa Civil,Cruz Vermelha, Petrobras, Departamento Nacional de Produção Mineral, entre outras instituições. Um dos palestrantes é o Monsenhor Luiz Lucena Dias, padre da cidade na época do abalo, e ainda hoje o pároco local. O professor do Departamento de Sismologia da UFRN, Joaquim Mendes Ferreira, é um dos convidados para dar uma palestra.

Para a população mais jovem, que não vivenciou os "terremotos de João Câmara", como ficaram conhecidas as intensas atividades sísmicas no município, haverá slides com exposição de fotos e reportagens da época. "Também estamos montando um histórico de fotos", acrescenta Elizângela Souto, uma das organizadoras do evento.

Escritor de terremotos

Ao perceber a proximidade dos 25 anos do tremor sísmico que abalou João Câmara no dia 30 de novembro de 1986, o professor aposentado de Geofísica e Geologia da Universidade de Brasília (UnB), Alberto Veloso, decidiu escrever um livro sobre o fato. Menos de cinco meses depois, a obra foi concluída e será lançada na próxima quarta-feira, 30, em João Câmara, e dia 2 de dezembro no campus central da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

O livro "O terremoto que mexeu com o Brasil", destaca vários abalos registrados no país, especialmente no Nordeste, nas áreas onde os tremores são mais comuns. Histórias curiosas sobre os primeiros abalos de que se tem notícia no Brasil ocorridos na época do Império, o interesse de D.Pedro II em estudar o assunto e o primeiro tremor catalogado no Rio Grande do Norte ocorrido no município de Assu, em 1807, são relatados no livro.

Como teve um envolvimento direto com a cidade de João Câmara onde ficou por duas semanas após o tremorde novembro de 1986, o autor dedicou parte da obra ao abalo que afetou a cidade na madrugada daquele domingo e nas duas semanas subsequentes. Há quase quatro anos Alberto esteve novamente no município para coletar dados e informações dos moradores que vivenciaram o ocorrido.

A ideia do professor era acrescentar detalhes na obra que escreve há cinco anos sobre terremotos em todo Brasil. "Pensei em escrever um livro pequeno sobre o tremor em João Câmara e tudo que presenciei naqueles dias, mas o material que cataloguei é muito rico, por isso agora decidi escrever este livro", conta Alberto. Após concluído, o livro "O terremoto que mexeu com o Brasil" ficou com 352 páginas.

Além dos depoimentos dos moradores, documentação, jornais e fotos da época, o leitor poderá assistir ainda um DVD inédito de 16 minutos gravados pelo próprio Alberto durante os dias em que ficou em João Câmara após o maior abalo já registrado no Rio Grande do Norte e um dos maiores do Nordeste.

De forma didática, o professor consegue explicar no livro detalhes sobre as placas tectônicas, as falhas geológicas que causam os temidos abalos sísmicos e como a ação do homem também pode ocasionar os sismos induzidos como, por exemplo, a construção de barragens. No final da obra, uma cartilha alerta sobre como as pessoas devem agir e se proteger no momento de um abalo. "Informações simples como procurar abrigo embaixo de uma mesa ou sair do imóvel e ficar em local aberto podem fazer a diferença para os moradores das regiões mais susceptíveis aos tremores", destacou.

Entrevista >> Alberto Veloso

Como iniciou o estudo da sismologia em João Câmara?

O primeiro abalo foi registrado em agosto de 1986. Decidimos então implantar uma estação de sismologia em João Câmara para que esses movimentos da terra fossem registrados. No mês de setembro outros pequenos tremores também foram detectados pelo equipamento durante alguns dias consecutivos. No mês de outubro os abalos deram uma trégua e em novembro foi registrado o maior deles de magnitude 5.1.

O senhor esteve no município acompanhando a equipe da Universidade Federal do Rio Grande do Norte.

Sim, logo que soube do abalo decidi participar dos estudos na área. Cheguei por volta das 15h em João Câmara. A cidade estava muito destruída. Centenas de pessoas perderam suas casas e resolveram se mudar para outras cidades com medo do que poderia acontecer. A escola teve que ser demolida depois porque a estrutura estava bem comprometida. Até a delegacia que havia sido construída recentemente e ainda não havia sido inaugurada teve que ser demolida. Cerca de 400 casasforam afetadas e mais de 26 mil pessoas deixaram a cidade.

Como foi a repercussão do terremoto?

O tremor foi repercutido em toda a mídia nacional. João Câmara ficou conhecida, em evidência mesmo. Autoridades políticas como o governador Radir Pereira e o presidente José Sarney estiveram lá para acompanhar os estudos e ajudar os desabrigados. O Exército ficou com a responsabilidade de construir as residências para as famílias desalojadas ou que tiveram as construções abaladas.

O senhor ficou quanto tempo em João Câmara nessa época?

Cheguei no dia 30 de novembro por volta das 15h e só voltei para Brasília duas semanas depois. Nesses dias aproveitei para conversar e gravar depoimentos com moradores e é esse material que está incluso no livro e que o leitor vai poder ver imagens reais do local feito por um cinegrafista amador: eu! O vídeo foi editado da melhor forma possível para que pudesse manter a originalidade do fato em 16 minutos.

O Brasil fica quase no centro de uma placa tectônica. Isso diminui a quantidade de tremores?

Digamos que suaviza, mas nenhum lugar do mundo pode garantir ter estabilidade absoluta. Isso é muito relativo porque depende tanto da natureza quanto das ações do homem. Por ano são registrados no mundo cerca de 500 mil tremores. A partir de agosto de 1986, João Câmara registrou sete anos de abalos. Desde que instalamos a estação em João Câmara foram registrados mais de 40 mil.

Qual o motivo de João Câmara e cidades da região registrar tantos abalos?

Existe uma falha geológica encontrada em João Câmara que não pode ser detectada a olho nu, somente com estudos e fotografias detalhadas. Mas ela está localizada entre 1 km e 7 km de profundidade e tem aproximadamente 30 quilômetros de extensão. Alguns dos abalos registrados no município foram sentidos em João Pessoa (PB).

Diário de Natal - Sérgio Henrique Santos - 27/11/2011



28 de nov. de 2011

Uma bússola para os tsunamis

Revista Pesquisa Fapesp

Alterações no campo magnético da Terra podem alertar sobre a chegada de ondas gigantes.

Igor Zolnerkevic
Edição Impressa 189 - Novembro 2011
© THE YOMIURI SHIMBUN, YASUSHI NAGAO / AP / GLOWIMAGES
Redemoinho formado por ondas do tsunami de março de 2011 em Iwaki, costa norte do Japão.

Em 11 de março deste ano, um terremoto de magnitude 9 na escala Richter produziu uma onda gigante, ou tsunami, que devastou a costa leste do norte do Japão, causou quase 16 mil mortes e deixou cerca de 10 mil pessoas feridas e desaparecidas. Em meio às notícias da catástrofe, circulou pela imprensa uma nota curiosa: segundo estimativas de geofísicos norte-americanos e italianos, o terremoto japonês deslocou em alguns centímetros o eixo ao redor do qual se distribui a massa da Terra. Provocado pelo deslizamento de uma placa tectônica para baixo de outra durante o tremor, o rearranjo da massa do planeta também teria acelerado a rotação da Terra e encurtado o dia em 6,8 milionésimos de segundo, produzindo um efeito similar ao de uma patinadora no gelo que passa a girar mais rápido quando recolhe seus braços.

Mas essas duas sutis alterações geofísicas não foram as únicas produzidas por terremotos seguidos de tsunamis. Segundo um estudo produzido por pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), de São José dos Campos, e do Observatório Nacional (ON), do Rio de Janeiro, esses grandes fenômenos naturais provocam ínfimas perturbações no campo magnético da Terra que podem ser medidas e usadas para monitorar o surgimento e a evolução das ondas gigantes. A viabilidade dessa abordagem é defendida num artigo científico que acaba de ser submetido a uma revista internacional. De acordo com os geofísicos brasileiros, as conclusões do trabalho podem servir de base para produzir melhorias significativas e de baixo custo nos sistemas atuais de alerta contra tsunamis.

Não é novidade que os oceanos podem influenciar sutilmente o campo magnético percebido pelas bússolas e gerado no centro da Terra. Pesquisadores mediram já no final dos anos 1960 a variação no campo geomagnético induzida pelo movimento diário das marés. O sal dissolvido na forma de íons de cloro e sódio eletricamente carregados faz da água do mar um fluido condutor de eletricidade. Os movimentos desse fluido com respeito ao campo magnético da Terra induzem pequenas correntes elétricas no mar, explica a geo¬física Virgínia Klausner, do ON, uma das autoras do estudo dos tsunamis. Chamado de efeito de dínamo, o fenômeno é o mesmo que gera corrente elétrica em um fio de metal condutor quando este se movimenta próximo de um ímã, afirma o físico Odim Mendes Junior, do Inpe, um dos orientadores de doutorado de Virgínia. “Essas correntes elétricas sustentadas no mar por sua vez criam um campo magnético que se sobrepõe ao campo magnético da Terra e que você pode medir com magnetômetros adequados”, diz Mendes, cujos trabalhos são financiados pela FAPESP.

Medir o magnetismo de um tsunami, entretanto, parecia algo impossível até pouco tempo atrás. Enquanto a intensidade do campo magnético da Terra é da ordem de 30 a 50 mil nanoteslas – 20 vezes menor que a de um ímã de geladeira – a variação nesse campo provocada por um tsunami seria de 1 a 10 nanoteslas. Até existem magnetômetros com a precisão necessária para medir essas variações, mas o sinal pode ser mascarado por perturbações magnéticas centenas de vezes mais intensas provocadas, por exemplo, por tempestades solares.

O Sol, porém, passava por uma fase excepcionalmente calma quando, em 27 de fevereiro de 2010, um terremoto de magnitude 8,8 na costa do Chile gerou um tsunami que se propagou por todo o Pacífico. Com grande dificuldade, os geo¬físicos Chandrasekharan Manoj e Stefan Maus, da Agência Norte-americana de Administração da Atmosfera e dos Oceanos (Noaa), nos EUA, junto com Arnaud Chulliat, do Instituto de Física do Globo de Paris, na França, conseguiram distinguir visualmente um sinal de 1 nanotesla captado por um magnetômetro instalado na ilha de Páscoa, a 3.500 quilômetros do epicentro do terremoto. O sinal coincidia com a chegada do tsunami à ilha e sua intensidade, de acordo com os cálculos publicados pelos pesquisadores no boletim EOS, da União Geofísica Americana, de 11 de janeiro de 2011, era consistente com a altura da onda detectada pelos sensores de pressão submarinos em alto-mar (15 centímetros).

O artigo chamou a atenção de Virgínia, que, orientada por Mendes e pelo geofísico Andrés Papa, do ON, trabalha analisando perturbações geomagnéticas decorrentes da interação Sol-Terra, registradas pelo observatório de Vassouras (RJ) e pela Rede Internacional de Observatórios Magnéticos em Tempo Real (Intermagnet). O Brasil localiza-se numa região bastante peculiar do ponto de vista geofísico: está sob a influência da Anomalia Magnética do Atlântico Sul, do Eletrojato Equatorial e da anomalia de ionização equatorial (ou de Appleton). Tais fenômenos tornam mais complexo o efeito das pertubações do campo magnético sobre o território brasileiro, que podem atrapalhar a prospecção de minérios e afetar linhas de transmissão de energia elétrica. Os cientistas perceberam que poderiam usar um método numérico que tinham desenvolvido, há mais de seis anos, para o estudo de perturbações geomagnéticas na busca por sinais dessa natureza associados aos tsunamis.
© NASA / EARTH OBSERVATORY
Ondas gigantes na costa do Sri Lanka: um dos locais atingidos pelo tsunami de 2004 no oceano Índico.

A técnica matemática é chamada de “análise wavelet” – ondas pequenas seria a tradução de wavelet. Ela é muito usada por físicos e engenheiros para distinguir estruturas localizadas ou, posto de forma mais coloquial, “agulhas em palheiros”. A ferramenta age como uma espécie de microscópio capaz de dar um zoom em características de sinais que passariam despercebidas. Essa propriedade permite identificar irregularidades locais no sinal geomagnético, entre as quais o começo de um tsunami e a assinatura típica de sua propagação.

Utilizando uma implementação dessa técnica, Virgínia, Mendes e Papa analisaram junto com Margarete Domingues, especialista do Inpe em wavelets, os dados de estações nos oceanos Índico e Pacífico que fazem parte da rede Intermagnet, mantida por 44 países, incluindo o Brasil, e que disponibiliza seus dados pela internet. Para três tsunamis recentes – o japonês de 2011, o chileno de 2010 e o de Sumatra-Andaman, que em 26 de dezembro de 2004 causou quase 300 mil mortes em vários países do oceano Índico –, os pesquisadores encontraram sinais magnéticos antecedendo a chegada das ondas gigantes em 10 estações da Intermagnet.

Virgínia lembra que não foi fácil encontrar estações magnéticas próximas aos centros de origem dos tsunamis, sobretudo para os eventos de 2004, que atingiu uma área de países pobres, com poucas estações, e o de 2011, que ocorreu tão perto da costa que houve interrupção no fornecimento de dados do observatório mais próximo, o de Kakioka, no Japão. O fato de nem sempre conseguirem dados de estações costeiras equipadas tanto com magnetômetros como marégrafos também dificultou uma comparação mais detalhada entre sinais magnéticos e o nível do mar. A exceção foi a estação de Papeete, na Polinésia Francesa, equipada com ambos instrumentos. Ali foi possível captar sinais magnéticos do tsunami chileno de 2010 até duas horas antes da chegada da onda.

 
Como nasce um tsunami

Geralmente produzidos por deslocamentos abruptos de falhas geológicas no assoalho oceânico (a causa também de terremotos), os tsunamis começam como ondas de comprimento da ordem de centenas de quilômetros. De início em águas profundas, elas se propagam rápido, cruzando os oceanos com velocidades entre 600 e 800 quilômetros por hora, mas se elevando apenas algumas dezenas de centímetros acima do nível do mar, passando despercebidas por barcos e navios. Quando alcançam o litoral, porém, a mudança de profundidade produz uma transformação radical em seu formato: o comprimento da onda encolhe, sua velocidade cai e, o mais impressionante, sua altura cresce, podendo alcançar dezenas de metros.

Como nem todo terremoto oceânico provoca tsunamis, os sismógrafos espalhados pelo planeta não são suficientes para alertar populações em áreas de risco. Para tanto, existem dezenas de sensores de pressão instalados no fundo do mar, a maioria no Pacífico. Entretanto, apenas os países mais ricos têm recursos para bancar a instalação e manutenção dos sensores, situação que deixa várias populações litorâneas vulneráveis. Além disso, o sistema pode levar horas para identificar um tsunami e nem sempre calcula com exatidão suas dimensões. Um boletim meteorológico japonês do último 11 de março, por exemplo, alertava para a chegada de um tsunami com pelo menos 3 metros de altura, quando as ondas de fato alcançaram até 50 metros.

Algumas limitações do sistema atual de alerta sobre a chegada de tsunamis talvez possam ser suplantadas com a adoção da abordagem defendida pelos brasileiros. O geofísico Maurício Bologna, da Universidade de São Paulo, que não participa do trabalho da equipe do Inpe e do ON, nota “uma vantagem importante” do sensoriamento magnético sobre os sensores submarinos de pressão: a capacidade de determinar não só a amplitude, como a direção e o sentido das ondas, o que ajudaria nos cálculos das propriedades dos tsunamis em tempo real. Bologna também destaca o baixo custo do método, que aproveitaria os observatórios já existentes da Intermagnet. A construção de novas estações em terra também seria mais barata que a instalação de sensores no fundo do mar.

Para o geofísico Robert Tyler, da Nasa, a agência espacial americana, o trabalho dos brasileiros é “importante e oportuno”. Tyler explica que o método desenvolvido poderia ser usado para analisar os dados, por exemplo, da missão Swarm, da Agência Espacial Europeia, que lançará em 2012 três satélites dedicados a medir variações geomagnéticas provocadas por alterações nas correntes oceâ¬nicas. “Os fluxos dos oceanos têm um papel central nas mudanças do sistema climático e também em desastres naturais, como os tsunamis”, ele diz.

O projeto
Análise das características do acoplamento eletrodinâmico plasma solar-magnetosfera com base nos efeitos das correntes elétricas planetárias - nº 2007/07723-7

Modalidade
Auxílio Regular a Projeto de Pesquisa

Coordenador
Odim Mendes Junior - Inpe

Investimento
R$ 44.274,95 (FAPESP)