9 de jan. de 2012

O núcleo rosa e esfumaçado da Nebulosa Ômega

eso1201pt-br — Foto de Imprensa
04/2012
A nova imagem da Nebulosa Ômega, obtida pelo Very Large Telescope do ESO (VLT) é uma das imagens mais nítidas deste objeto, captada a partir do solo. A imagem mostra as regiões centrais rosadas e esfumaçadas desta famosa maternidade de estrelas e revela com um detalhe extraordinário a paisagem cósmica composta por nuvens de gás, poeira e estrelas recém-nascidas.

O gás colorido e a poeira escura da Nebulosa Ômega servem de matéria prima na criação da próxima geração de estrelas. Nesta região particular da nebulosa, as estrelas mais jovens - brilhando de forma ofuscante em tons branco-azulados - iluminam todo o conjunto. As zonas de poeira da nebulosa, semelhantes a brumas, contrastam visivelmente com o gás brilhante. As cores vermelhas dominantes têm origem no hidrogênio, que brilha sob a influência da intensa radiação ultravioleta emitida pelas estrelas quentes jovens.

A Nebulosa Ômega tem muitos nomes, dependentes de quem a observou, quando e do que julgou ter visto. Entre esses nomes inclui-se: Nebulosa do Cisne, Nebulosa da Ferradura e ainda Nebulosa Lagosta. Este objeto foi também catalogado como Messier 17 (M17) e NGC 6618. A nebulosa situa-se entre 5000 e 6000 anos-luz de distância na direção da constelação de Sagitário. Um alvo bastante popular entre os astrônomos, este campo de poeira e gás brilhante é uma das mais jovens e mais ativas maternidades estelares na Via Láctea, onde nascem estrelas de grande massa.

A imagem foi obtida com o instrumento FORS (Focal Reducer and Spectrograph) montado no telescópio Antu, um dos quatro grandes telescópios que compõem o VLT. Para além do enorme tamanho do telescópio, o fato da atmosfera se ter mantido excepcionalmente estável durante as observações, apesar da existência de algumas nuvens, contribuiu de forma decisiva para a ótima nitidez da imagem [1], resultando por isso numa das melhores imagens desta região da Nebulosa Ômega, obtida a partir do solo.

Esta imagem é uma das primeiras imagens obtidas no âmbito do programa Jóias Cósmicas do ESO [2].

Notas
[1] O “seeing” - termo utilizado pelos astrônomos para medir os efeitos de distorção da atmosfera terrestre - na noite das observações era muito bom. Uma medida comum do seeing é o diâmetro aparente de uma estrela quando vista através de um telescópio. Neste caso, a medida do seeing era de 0,45 segundos de arco, o que significa muito pouca degradação e cintilação do objeto em estudo.

[2] O programa Jóias Cósmicas do ESO trata-se de uma iniciativa no âmbito da divulgação científica, que visa obter imagens de objetos interessantes, intrigantes ou visualmente atrativos, utilizando os telescópios do ESO, para efeitos de educação e divulgação científica. O programa utiliza pouco tempo de observação, combinado com tempo de telescópio inutilizado, de modo a minimizar o impacto nas observações científicas. Todos os dados obtidos podem ter igualmente interesse científico e são por isso colocados à disposição dos astrônomos através do arquivo científico do ESO.

Mais Informação

O ano de 2012 marca o quinquagésimo aniversário da fundação do Observatório Europeu do Sul (ESO). O ESO é a mais importante organização europeia intergovernamental para a pesquisa em astronomia e é o observatório astronômico mais produtivo do mundo. O ESO é financiado por 15 países: Alemanha, Áustria, Bélgica, Brasil, Dinamarca, Espanha, Finlândia, França, Holanda, Itália, Portugal, Reino Unido, República Checa, Suécia e Suíça. O ESO destaca-se por levar a cabo um programa de trabalhos ambicioso, focado na concepção, construção e funcionamento de observatórios astronômicos terrestres de ponta, que possibilitam aos astrônomos importantes descobertas científicas. O ESO também tem um papel importante na promoção e organização de cooperação nas pesquisas astronômicas. O ESO mantém em funcionamento três observatórios de ponta, no Chile: La Silla, Paranal e Chajnantor. No Paranal, o ESO opera o Very Large Telescope, o observatório astronômico óptico mais avançado do mundo e dois telescópios de rastreio. O VISTA, o maior telescópio de rastreio do mundo que trabalha no infravermelho e o VLT Survey Telescope, o maior telescópio concebido exclusivamente para mapear os céus no visível. O ESO é o parceiro europeu do revolucionário telescópio ALMA, o maior projeto astronômico que existe atualmente. O ESO está planejando o European Extremely Large Telescope, E-ELT, um telescópio da classe dos 40 metros que observará na banda do visível e próximo infravermelho. O E-ELT será “o maior olho no céu do mundo”.

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Gustavo Rojas
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Este texto é a tradução da Nota de Imprensa do ESO eso1201, cortesia do ESON, uma rede de pessoas nos Países Membros do ESO, que servem como pontos de contacto local para os media em ligação com os desenvolvimentos do ESO, Notas de Imprensa, etc. O representante do nodo português é João Fernandes, do Departamento de Matemática da Universidade de Coimbra. A nota de imprensa foi traduzida por Margarida Serote. A versão brasileira foi adaptada pelo representante brasileiro Gustavo Rojas, da Universidade Federal de São Carlos.


O ESO celebra 50 anos de descobertas astronômicas

eso1202pt-br — Nota de Imprensa Institucional
Jan/2012


Participe no aniversário do ESO em 2012


O ano de 2012 marca o quinquagésimo aniversário do Observatório Europeu do Sul (ESO), a mais importante organização intergovernamental para a investigação em astronomia do mundo. O ano do aniversário dá-nos a oportunidade de olhar para trás no tempo, lembrando a história do ESO e celebrando os avanços científicos e tecnológicos, ao mesmo tempo que também olhamos em frente para os próximos programas extremamente ambiciosos. O ESO está a planear diversas atividades interessantes a serem realizadas ao longo de todo ano.

No dia 5 de Outubro de 1962, representantes de cinco países europeus - Alemanha, Bélgica, França, Holanda e Suécia [1] - assinaram a Convenção do ESO em Paris. As suas assinaturas representavam um compromisso formal para se estabelecer a Organização Europeia para a Investigação Astronómica no Hemisfério Sul, referida atualmente como Observatório Europeu do Sul.

“O quinquagésimo aniversário do ESO chega-nos no meio de um período extremamente interessante para a astronomia terrestre europeia e internacional. O ESO percorreu um longo caminho desde a sua fundação em 1962. Cinquenta anos mais tarde, o ESO é um líder no seio da comunidade de investigação astronómica, ocupando o lugar do observatório astronómico mais produtivo do mundo inteiro,” diz Tim de Zeeuw, Diretor Geral do ESO.

O primeiro observatório do ESO foi construído em La Silla, uma montanha com 2400 metros de altitude, 600 quilómetros a norte de Santiago do Chile. O Observatório de La Silla está equipado com diversos telescópios ópticos, com espelhos com diâmetros que vão até aos 3.6 metros. Entre eles destaca-se o New Technology Telescope, pioneiro em engenharia e design, já que foi o primeiro do mundo a ter um espelho primário com óptica ativa, controlado por computador, uma tecnologia desenvolvida no ESO e atualmente aplicada à maioria dos grandes telescópios mundiais. Destaca-se também o Telescópio de 3.6 metros, onde está presentemente instalado o instrumento HARPS, o principal descobridor de exoplanetas do mundo.

O segundo local construído pelo ESO foi o Observatório do Paranal, onde se encontra instalado o Very Large Telescope (VLT). As operações científicas começaram em 1999 e hoje o VLT é a infraestrutura emblemática da astronomia europeia e, com o Interferómetro do VLT (VLTI), é o único grande telescópio interferométrico do mundo a ser operado com regularidade. Ainda no Paranal, o telescópio VISTA opera no infravermelho e é o maior telescópio de rastreio do mundo, enquanto que o VLT Survey Telescope (VST) é o maior telescópio concebido para mapear o céu exclusivamente no visível.

No planalto do Chajnantor, no norte do Chile, juntamente com parceiros da América do Norte e do Leste Asiático, o ESO encontra-se a construir um telescópio astronómico revolucionário - o ALMA, Atacama Large Millimeter/submillimeter Array, o maior projeto astronómico que existe atualmente. O ALMA será um único telescópio constituído por 66 antenas de alta precisão, que estudarão os blocos constituintes de estrelas, sistemas planetários, galáxias e da própria vida. A construção do ALMA estará terminada em 2013, mas observações científicas preliminares com uma parte da rede começaram já em 2011 (eso1137).

O ESO está atualmente a planear a construção de um telescópio da classe dos 40 metros na região do óptico/infravermelho próximo, o European Extremely Large Telescope ou E-ELT, que será “o maior olho no céu do mundo”. Com o começo das operações previsto para o início da próxima década, o E-ELT irá investigar os maiores desafios científicos da nossa época (eso1150).

Estão planeadas diversas atividades e iniciativas públicas para 2012. O ESO gostaria de convidar toda a gente a juntar-se às celebrações, quer participando nos eventos já planeados quer iniciando ativamente outros eventos.

- De 3 a 7 de Setembro de 2012, a sede do ESO acolhe um simpósio científico que terá como tópicos: exoplanetas, Sistema Solar, formação e evolução estelar, cosmologia, entre outros.

- No dia do aniversário, 5 de Outubro de 2012, o ESO organizará eventos públicos coordenados nos 15 países membros. Organizados com a ajuda do Science Outreach Network do ESO e das Outreach Partner Organisations, os eventos serão uma excelente maneira de pôr em contato o público nos diversos locais nacionais com a comunidade astronómica do ESO e com os observatórios no Chile.

- No dia 11 de Outubro de 2012, o Diretor Geral do ESO, Professor Tim de Zeeuw, e o Presidente do Conselho, Professor Xavier Barcons, darão as boas vindas a Ministros dos países membros e do país de acolhimento, o Chile, assim como ao Conselho do ESO, aos representantes dos comités do ESO, a Diretores Gerais anteriores, a astrónomos de renome e a outras pessoas que desempenharam papéis importantes em prol do ESO, numa gala de aniversário que se realizará em Munique.

- Durante todo o ano uma exposição de aniversário estará patente ao público em locais selecionados nos países membros. Pessoas interessadas em colaborar nesta atividade podem candidatar-se através dos contatos fornecidos mais abaixo.

- Será lançado no dia do aniversário um documentário juntamente com um livro soberbamente ilustrado. O filme será igualmente lançado sob a forma de episódios pertencentes à popular série de podcasts do ESO “ESOcast”. O livro de Adriaan Blaauw ESO’s Early History terá este ano o seguimento de um segundo livro de história escrito por Claus Madsen e que completará a história do ESO durante estes 50 anos.

- A primeira Fotografia da Semana de cada mês em 2012 terá o formato especial de Antes e Agora, apresentando os locais do ESO tal como eram no passado e como são atualmente.

- Para os que testemunharam a viagem histórica do ESO por dentro, quer como membros do pessoal quer como visitantes dos nossos locais, expandimos o Grupo Flickr Your ESO pictures de modo a incluir imagens históricas. Por favor partilhe as suas recordações fotográficas do ESO connosco e com outras pessoas, afixando “estes postais do passado” no grupo (ann12001).

- Para marcar o aniversário alguns produtos comemorativos foram produzidos, encontrando-se disponíveis na nossa loja ESOshop, com preços especiais para grandes quantidades.

- Envie mensagens de aniversário para o ESO através da página do Facebook do ESO ou do Twitter @ESO_Observatory utilizando hashtag #ESO50years.

“Mal posso esperar pelos próximos 50 anos do ESO, que fornecerão, sem sombra de dúvidas, desenvolvimentos científicos para lá do imaginável, graças ao VLT e ao VLTI, ao ALMA e ao E-ELT e a outros projetos futuros. É devido à dedicação, paixão e profissionalismo do pessoal do ESO, que esta Organização lidera hoje a astronomia terrestre. Feliz quinquagésimo aniversário a todos!”, deseja Tim de Zeeuw.

Notas
[1] Na realidade eram seis países, já que o Reino Unido também assinou a Convenção. No entanto, este país retirou-se posteriormente e apenas se juntou ao ESO em 2002, como décimo estado membro da organização.

Mais Informação
O ano de 2012 marca o quinquagésimo aniversário da fundação do Observatório Europeu do Sul (ESO). O ESO é a mais importante organização europeia intergovernamental para a investigação em astronomia e é o observatório astronómico mais produtivo do mundo. É financiado por 15 países: Alemanha, Áustria, Bélgica, Brasil, Dinamarca, Espanha, Finlândia, França, Holanda, Itália, Portugal, Reino Unido, República Checa, Suécia e Suíça. O ESO destaca-se por levar a cabo um programa de trabalhos ambicioso, focado na concepção, construção e funcionamento de observatórios astronómicos terrestres de ponta, que possibilitam aos astrónomos importantes descobertas científicas. O ESO também tem um papel importante na promoção e organização de cooperação na investigação astronómica. O ESO mantém em funcionamento três observatórios de ponta, no Chile: La Silla, Paranal e Chajnantor. No Paranal, o ESO opera o Very Large Telescope, o observatório astronómico óptico mais avançado do mundo e dois telescópios de rastreio. O VISTA, o maior telescópio de rastreio do mundo que trabalha no infravermelho e o VLT Survey Telescope, o maior telescópio concebido exclusivamente para mapear os céus no visível. O ESO é o parceiro europeu do revolucionário telescópio ALMA, o maior projeto astronómico que existe atualmente. O ESO encontra-se a planear o European Extremely Large Telescope, E-ELT, um telescópio da classe dos 40 metros que observará na banda do visível e próximo infravermelho. O E-ELT será “o maior olho no céu do mundo”.

O projeto ALMA é uma parceria entre a Europa, a América do Norte e o Leste Asiático, em cooperação com a República do Chile. A construção e operação do ALMA é coordenada pelo ESO, em prol da Europa, pelo Observatório Nacional de Rádio Astronomia (NRAO), em prol da América do Norte e pelo Observatório Astronómico Nacional do Japão (NAOJ), em prol do Leste Asiático. O Joint ALMA Observatory (JAO) fornece uma liderança e direção unificadas na construção e operação do ALMA.

 
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Gustavo Rojas
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Este texto é a tradução da Nota de Imprensa do ESO eso1202, cortesia do ESON, uma rede de pessoas nos Países Membros do ESO, que servem como pontos de contacto local para os media em ligação com os desenvolvimentos do ESO, Notas de Imprensa, etc. O representante do nodo português é João Fernandes, do Departamento de Matemática da Universidade de Coimbra. A nota de imprensa foi traduzida por Margarida Serote. A versão brasileira foi adaptada pelo representante brasileiro Gustavo Rojas, da Universidade Federal de São Carlos.


Brasil avançou na inovação tecnológica em 2011

Site Inovação Tecnológica
Guilherme Gorgulho - Inovação Unicamp

Acelerar a inovação

Há um sentido de urgência que permeia o discurso do presidente da Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras (Anpei), Carlos Calmanovici.

Representante de mais de 200 empresas e entidades orientadas a P&D no segmento produtivo - a maioria delas de grande porte e de capital nacional -, a Anpei considera que 2011 foi um ano positivo, de conquistas, mas há uma grande necessidade de se acelerar a implementação de políticas e ações de fomento para que o Brasil não perca a disputa pela competitividade.

"O principal ponto de destaque para mim é a questão da velocidade, nós temos que fazer tudo isso que estamos fazendo de uma forma mais rápida, porque os outros estão fazendo mais rápido do que nós", considerou o engenheiro químico Calmanovici, que também é diretor de Inovação e Tecnologia da ETH Bioenergia.

Em um ano em que o Ministério da Ciência e Tecnologia incorporou a Inovação ao nome e às prioridades da pasta, em que foi anunciada a criação da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), em que foi lançado o programa Ciência sem Fronteiras para qualificar recursos humanos e em que a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) iniciou um estudo para crescer e se transformar em uma instituição financeira, a bússola parece estar apontando para o lado certo, mas o acelerador precisa ir mais a fundo para que o Brasil realmente concorra em condições de igualdade na corrida da inovação, de acordo com a Anpei.

"Nós temos nossas dificuldades [para inovar], temos todas as justificativas que são razoáveis, que temos que entender, mas se nós não fizermos alguém vai fazer; e se nós fizermos alguém pode fazer também, mas nós podemos brigar e temos como fazer isso", afirma Calmanovici.


Banco da inovação

No dia 9 de dezembro, a Anpei realizou a última reunião do ano de seu Conselho Superior, que contou com as presenças do ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Aloizio Mercadante, e do secretário-executivo da pasta, Luiz Antonio Rodrigues Elias, para fazer um balanço das atividades e abordar os planos para 2012.

Para a entidade que representa as empresas inovadoras, um dos avanços principais foi a mudança de foco da Finep, que passou a apoiar mais as iniciativas empresariais. O tamanho da carteira de pedidos de crédito para a inovação da Finep aumentou em quase cinco vezes desde o início do ano, alcançando no final de 2011 a marca de R$ 9,13 bilhões. Além disso, o total de recursos liberados cresceu 56% em relação a 2010, chegando a R$ 1,87 bilhão.

Nesta entrevista, o presidente da Anpei avalia as mudanças na agência ligada ao MCTI, faz um balanço sobre como foi o ano e aponta quais temas requerem uma atenção especial para o ano que se inicia.

Como foi o ano de 2011 para a inovação no Brasil sob o ponto de vista da Anpei?

A Anpei vê 2011 efetivamente como um ano de avanços, houve avanços significativos. Do ponto de vista de recursos, o orçamento da inovação cresceu. Nós percebemos que houve um comprometimento maior entre todos os atores, inclusive de atores políticos. Por parte do governo isso foi refletivo, por exemplo, no plano Brasil Maior, mas também em outras iniciativas. São pontos que trazem impactos de grande significado e que têm desdobramentos. Mais do que isso, acho que foi emblemática a postura.

No posicionamento houve uma evolução, por exemplo, da Finep. É um processo que obviamente não terminou e já vinha em um crescimento, com uma mudança de foco de "academia" para "academia mais empresa", não apenas da geração de conhecimento, pegando o processo todo de inovação.

De um modo geral, 2011 confirmou essa tendência que já estava acontecendo de uma mudança de eixo, de foco, não no sentido de uma mudança realmente, mas no sentido de complementar.

A geração do conhecimento, que continua sendo apoiada, continua sendo fundamental para todos, mas agora há essa ressonância na transformação desse conhecimento em produtos, em valor. Em 2011, nós estabelecemos um grupo de trabalho conjunto, Finep e Anpei, que se reuniu algumas vezes durante o ano e que foi extremamente produtivo.

Sobre pontos negativos para o cenário da inovação, o que a Anpei destaca?

Há um aspecto que eu considero negativo em 2011, que atrapalha bastante e é um assunto que teremos que trabalhar nos próximos meses, que foi a Instrução Normativa nº 1.187 da Receita Federal.

Essa IN era uma demanda nossa. A Anpei, juntamente com a Fiesp [Federação das Indústrias do Estado de São Paulo], montou um grupo de trabalho de discussão com a Receita e o MCTI. Nesse sentido foi bom, porque nós pudemos discutir com a Receita e trazer os pontos de vista desses atores, das empresas.

Ocorre que a Lei do Bem representa uma renúncia fiscal por parte do governo que segue alguns procedimentos. E essa lógica está representada na lei e na regulamentação. A IN é o entendimento da Receita com relação a esse marco legal.

Um exemplo é que, pelo seu investimento em inovação, a empresa pode descontar uma parte do lucro bruto e com isso ter uma redução do imposto pago. Se a empresa tem um investimento em uma equipe de 100 pessoas, que representa "x" milhões de reais de investimento por ano, esse investimento pode ser abatido anualmente e haverá uma redução do imposto devido.

Mas a dúvida é se a área de apoio administrativo está dentro da área de P&D ou não, e a legislação não vai nesse detalhe. A equipe de P&D pode ser considerada nesse mecanismo, mas a Receita disse que o pessoal administrativo não é considerado - como secretária, pessoal da área de patentes, entre outras.

Nessa questão, o tratamento ainda tem um viés um pouco acadêmico, porque na academia a parte administrativa já está considerada automaticamente. Mas no caso da empresa é realmente um ônus, que penaliza a atividade de inovação. O entendimento da Receita é que essas atividades não fazem parte das atividades estimuláveis e com isso nós temos uma redução importante.

De que maneira isso influencia as estratégias de interação comuns dentro do processo de inovação?

Nós operamos muito hoje em um sistema de "inovação aberta", é bonito, todos falam, incentivam, estimulam, encorajam, e está no discurso de todos - academia, governo e empresas. É outra forma de fazer pesquisa.

Hoje não se faz mais pesquisa como se fazia há 10, 20 ou 30 anos. Não há equipe de P&D que faça toda a pesquisa internamente. Ninguém mais tem isso, mesmo os grandes. As operações, as transações, as negociações de tecnologia e de desenvolvimento conjunto ficaram mais complicadas, mais difíceis.

Se eu contrato um P&D com alguém, eu não posso ter o benefício nessa contratação, pois esse não é um dos itens que eu possa ter o benefício fiscal; só em alguns casos, como de universidades, uma pequena empresa, uma ICT ou afins.

Nossa sugestão era de que isso fosse generalizado, pois quem está correndo o risco pela atividade de P&D e está investindo efetivamente sou eu, e não a outra empresa; então, é razoável que eu também tenha o benefício. Há uma lógica obviamente, pois a Receita não quer que haja duplicidade do benefício, mas há formas de evitar que isso aconteça.

E obviamente a nossa proposta não era a de que houvesse duplo benefício, mas que quem efetivamente fosse o motor, o agente da inovação, deveria ter o acesso ao benefício, e não quem realiza necessariamente o trabalho de P&D.

A meta do governo federal de que os investimentos em inovação cheguem a 1,8% do Produto Interno Bruto (PIB) até 2015, sendo metade do setor público e metade do setor privado, é uma meta realista? Esse número é compartilhado pelos planos das empresas representadas pela Anpei?

A meta é oportuna, razoável, mas que precisa ser contextualizada; não é só o número em si do investimento, mas como nós recheamos esse investimento.

Uma coisa boa é que, com esse ritmo novo de evolução da Finep e com a resposta das empresas, que tem sido até além das expectativas em alguns casos, existe um apetite muito grande das empresas. Elas percebem que a inovação não é um dos elementos da competitividade, mas é "o" elemento da competitividade.

Depois daquele período de substituição das importações e tudo mais que nós vivemos, hoje a competição - que é muito mais intensa, com países como Índia, Rússia, África do Sul e China - só pode se dar por meio da diferenciação, e diferenciação é inovação. Se não tivermos um foco muito grande em inovação, não vamos conseguir manter competitividade de modo perene, estrutural.

A competitividade estrutural vem somente por meio da inovação. Um ponto fundamental é que o Brasil tem que ter competitividade para inovar. Hoje, a inovação não é competitiva no Brasil. Nós temos problemas, e falando dessa forma é um pouco forte, mas temos que fazer as provocações que tenham ressonância.

O Brasil tem limitações hoje para que a atividade de inovação seja competitiva. O Brasil não tem competitividade para investir, pela taxa de câmbio, pelos juros e por todos os fatores macroeconômicos que dificultam o investimento no País.

Inovação é investimento, e tudo que se fala de investimento, se aplica também à inovação, como custo Brasil, questão trabalhista, etc., com algumas questões adicionais, como a mão-de-obra. Nós temos uma deficiência de recursos humanos de alto nível, com alta qualificação ou altíssima qualificação, que façam P&D e inovação de alto nível. O Brasil tem até bons pesquisadores em alguns casos, mas não necessariamente empreendedores e inovadores. Na academia e nas empresas, nós acabamos formando pesquisadores e esse aspecto da inovação efetivamente muitas vezes é deficiente.

Há algumas oportunidades e o governo está trabalhando nelas, como essa iniciativa do programa Ciência sem Fronteiras. É uma iniciativa extremamente bem-vinda que acho que será muito interessante para nós.

Há uma cobrança grande para que as empresas brasileiras invistam mais em inovação, a exemplo do que acontece na maioria dos países desenvolvidos. Mas há um ambiente favorável para que isso ocorra atualmente?

Falta um ambiente mais favorável e uma condição mais favorável. A briga da Anpei é justamente essa de trazer o maior número possível de empresas, porque uma isoladamente não consegue inovar. Isoladamente ela inova por algum tempo, mas é fogo de palha, não decola.

Nós precisamos estruturar a inovação nas cadeias produtivas; o discurso e a prática da Anpei são de estimular a inovação cada vez mais nas cadeias e ter um número maior de empresas inovando ajuda e alavanca a inovação das empresas que hoje já fazem inovação.

São poucas as empresas que efetivamente inovam no Brasil e nós temos que trabalhar para que cada vez mais haja mais empresas, mas não é um passe de mágica.

Eu cito o exemplo de São Paulo. Porque nós em São Paulo temos um nível de investimento em P&D num patamar da OCDE [Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico], e a participação das empresas é de mais de 60%. Porque aqui temos um ambiente mais favorável, tanto do ponto de vista da inovação em si, quanto da demanda, ou seja, o mercado pede, ele é competitivo e demanda essa inovação. As empresas ou fazem essa inovação ou estão fora. Temos que brigar para criar essa mesma condição.

Não estou citando como exemplo São Paulo dizendo que temos que fazer o que se faz aqui nos outros Estados, mas é considerar que é um processo, e que temos que criar esse ambiente favorável efetivamente, para que as empresas incorporem esse conhecimento e consigam transformar em inovação.



3 de jan. de 2012

Mercadante propõe tema para o Fórum Mundial da Ciência de 2013

MCT - 22/11/2011 - 17:39

Em sua intervenção no Fórum Mundial da Ciência, em Budapeste, o Ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Aloizio Mercadante, propôs o tema para a sexta edição do encontro, em 2013: “Ciência para o desenvolvimento global”.

Em 2013, o evento – pela primeira vez fora da Hungria – será realizado no Rio de Janeiro.

“Ao propor esse tema o Brasil propugna a elaboração de um pacto entre as nações com vistas a superar o acesso diferenciado e excludente aos frutos do progresso científico e tecnológico”, disse Mercadante em seu discurso, no último sábado (19). “Este tema reflete o papel que a ciência e a tecnologia devem desempenhar para a criação de um mundo mais justo, pacífico, fraterno, equânime e econômica e tecnologicamente mais desenvolvido, sob critérios de sustentabilidade, em benefício de toda a humanidade.”

Observatório Nacional lança Anuário 2012


O Anuário do Observatório Nacional foi lançado no último dia 28, com as previsões dos fenômenos astronômicos, calendários, posições dos planetas e estrelas e outros dados para o ano 2012.

Na sua 128ª edição, estão publicadas importantes informações astronômicas sobre as posições das estrelas e de astros do Sistema Solar, a orientação da Terra e as configurações de planetas e satélites. Estão divulgadas também todas as resoluções relacionadas ao sistema de hora legal e sua difusão.

O público ainda encontra no Anuário os instantes do nascer, passagem meridiana e ocaso do Sol, Lua e planetas para Belém, Recife, Brasília, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre. Para obter as informações de outras localidades, basta enviar a solicitação para o e-mail anuario@on.br.

A versão impressa do Anuário pode ser adquirida na Biblioteca do Observatório Nacional e custa R$ 10,00. Poderá também ser solicitada para envio postal, através de cheque nominal ao Observatório Nacional no valor de R$ 15,00, encaminhado para a Biblioteca do Observatório Nacional (Rua General José Cristino, 77, Rio de Janeiro/RJ - CEP 20.921-405)

A versão eletrônica da publicação pode ser consultada na página do Observatório Nacional (www.on.br), na seção "Serviços".


23 de dez. de 2011

Programação do Tome Ciência

Jornal da Ciência

Confira a sinopse dos programas das próximas semanas. 
O quadro de debates pode ser visto pela TV e pela internet.

De 24 a 30 de dezembro: De onde viemos, para onde vamos

Completados 150 anos - em julho de 2008 - da teoria da evolução, de Charles Darwin, o ser humano ainda se interroga sobre suas origens. Basta lembrar os criacionistas, que defendem a existência de uma inteligência superior por trás de todos os eventos de criação da vida. Neste mesmo ano de 2008, cientistas do mundo inteiro se juntaram para colocar em funcionamento, um túnel subterrâneo de 27 quilômetros de circunferência, só para poder examinar as condições do Big Bang - para muitos a origem do universo. O que também é contestado. Afinal, do ponto de vista científico, como teria surgido a vida humana em nosso planeta? E o próprio planeta? E como anda a nossa evolução biológica? Superada pelas intervenções da medicina? Mais dependentes da cultura?

31 de dezembro a 6 de janeiro - Favelas sem preconceito

Quando se fala em favelas, a associação imediata é com violência, de traficantes ou milícias, e Rio de Janeiro. E mais: miséria, superpopulação, pobreza. Mas não é o que mostram as pesquisas. São Paulo, por exemplo, tem mais favelas que o Rio. Vigário Geral e Parada de Lucas, das mais conhecidas no noticiário policial, têm 100 % das casas com energia elétrica; 99 % com água encanada; 98 % com esgoto e 97 % com coleta de lixo. E o número médio de pessoas por residência - e vale dizer que 89 % são casas próprias - é bastante próximo da média da cidade. Números bem distantes da lógica que uniformiza o debate de políticas públicas para as favelas, embora elas sejam diferenciadas e exijam conhecimento cada vez mais especializado. É o que vem acontecendo no mundo acadêmico com o crescimento de pesquisas, teses e até organizações não governamentais criadas a partir da ação de cientistas sociais.

7 a 13 de janeiro - Na cena do crime, a vez dos peritos

O assassinato da menina Isabela Nardoni, que escandalizou o país por envolver o próprio pai e sua nova mulher, evidenciou a grande quantidade de recursos tecnológicos que envolvem os laudos técnicos. Atualmente, única gota de sangue pode trazer mais informações sobre a cena de um crime do que um eventual depoimento de testemunha. Cada vez mais a ciência fornece subsídios para as investigações. Física, química, microscopia eletrônica, são muitas as áreas de estudo, sem falar na já famosa psicologia, pois instiga buscar razões ou tentar compreender os motivos dos crimes. Para verificar o quanto a ciência já faz parte da criminalística, ao ponto de ter sido criado um Programa Nacional de Ciência e Tecnologia Aplicada na Segurança Pública, convidamos especialistas no assunto. Talvez seja até mais apropriado dizer, verdadeiros peritos.

Confira os canais que transmitem o Tome Ciência:

- RTV Unicamp, da Universidade Estadual de Campinas (canal 10 da Net Campinas), às 15h dos sábados, 21h dos domingos, às 15h das terças e às 24h das quintas-feiras, além da internet (www.rtv.unicamp.br).

- TV Alerj, da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, às 20h dos domingos, com reprises às 20h30 das quintas, por satélite (Brasilsat - B4 at 84° W / taxa de símbolos = 3,0 MSps / frequência Banda-C = 3816,0 MHz / FEC = ¾ / frequência banda-L = 1334,0 MHz / polarização = horizontal), pela internet (www.tvalerj.tv) e pelos sistemas a cabo das seguintes cidades do estado: Angra dos Reis (14), Barra Mansa (96), Cabo Frio (96), Campos dos Goytacazes (15), Itaperuna (61), Macaé (15), Niterói (12), Nova Friburgo (97), Petrópolis (95), Resende (96), Rio de Janeiro (12), São Gonçalo (12), Teresópolis (39), Três Rios (96) e Volta Redonda (13)

- TV Ales, da Assembleia Legislativa do Estado do Espírito Santo (canal 12 da Net), às 12h30 das quintas-feiras, com reprises durante a programação.

- TV Assembleia, da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (em Campo Grande pelo canal 9, em Dourados pelo canal 11, em Naviraí pelo canal 44 e internet - www.al.ms.gov.br/tvassembleia), às 20h dos sábados, com reprises durante a programação.

- TV Assembleia do Piauí, às 12h dos sábados e às 20h dos domingos, pelo canal aberto (16) em UHF, em Teresina, e nas reprodutoras de 22 municípios do Piauí e um do Maranhão, além do satélite (Free-to-Air FTA em modo aberto - Satélite NSS 10 (Starone C2) ou AMC-12 Banda C - Posição orbital dos 37,5º Oeste [W] - Frequência: 3831 - Polarização: Horizontal SR 2893 e FEC ¾).

- TV Câmara Angra dos Reis, da Câmara Municipal de Angra dos Reis (canal 14 da Net e internet), às 19h das quartas-feiras, com reprises durante a programação.

- TV Câmara, da Câmara Municipal de Bagé (canal 16 da Net) durante a programação e no horário fixo das 20h das quintas-feiras.

- TV Câmara Caxias do Sul, da Câmara Municipal de Caxias do Sul/RS(canal 16 da Net) e pela internet (www.camaracaxias.rs.gov.br), às 12h dos sábados, com reprises às 12h dos domingos, 16h das segundas, 16h das terças, 16h das quartas, 16h das quintas e 20h15 das sextas-feiras.

- TV Câmara de Lavras, da Câmara Municipal de Lavras/MG, transmitida pelo canal 15 da Mastercabo, às 18h dos sábados e domingos.

- TV Câmara Pouso Alegres, da Câmara Municipal de Pouso Alegre/MG, transmitida em sinal aberto de TV Digital (59) e pelo canal 21 da Mastercabo, sempre às 18h30 das sextas, com reprises durante a programação.

- TV Câmara de São Paulo, da Câmara Municipal de São Paulo (canal 13 da NET, 66 e 07 da TVA), às 13h dos domingos e 15h das segundas, com reprises durante a programação.

- TVE Alfenas, afiliada da Rede Minas, em canal aberto (2) e no cabo (8) em Alfenas e por UHF aberto nas cidades de Areado (54) Campos Gerais (23) e Machado (31), além do site www.tvalfenas.com.br, sempre às quintas, a partir das 17h.

- TV Feevale, da Universidade Feevale de Novo Hamburgo/RS (canal 15 da Net), às 9h das terças e quintas-feiras, com reprises durante a programação.

- TV Ufam, da Universidade Federal do Amazonas (canal 7 e 27 da Net), com estréia semanal às 16h dos sábados e reprises durante a programação.

- TV UFG, da Universidade Federal de Goiás, transmitida em canal aberto (14), aos sábados, às 15h.

- TV UFPR, da Universidade Federal do Paraná, pelos canais 15 da Net e 71 da TVA, às 17h dos sábados. Os programas ficam à disposição (on demand) em www.tv.ufpr.br.

- TV Unifev, do Centro Universitário de Votuporanga/SP, transmitida em canal aberto (55) UHF para mais 25 municípios da região, nos fins de semana, com estréias aos sábados, às 18h, e reprises às 12h dos domingos.

- TV Unifor, da Universidade de Fortaleza, transmitida pelo canal 4 da Net, nos dias ímpares dos meses ímpares e dias pares dos meses pares, sempre nos horários de 10h30, 15h30 e 22h30.

- TV Univap, da Universidade do Vale do Paraíba, com duas exibições diárias em horários rotativos, sempre nos canais a cabo 14 das cidades de São José dos Campos, Jacareí e Taubaté.

- UNOWEBTV, da Universidade Comunitária da Região de Chapecó(SC) - UNOCHAPECÓ, mantida pela Fundação Universitária do Desenvolvimento do Oeste - FUNDESTE, transmitida pelo canal 15 da Net local e pela internet (www.unochapeco.edu.br/unowebtv), com estréia às 21h dos sábados e reapresentações às terças e quintas-feiras às 21h.

Além disso, o programa pode ser visto a qualquer hora no site: http://www.tomeciencia.com.br

O programa, apresentado pelo jornalista André Motta Lima, tem o apoio de pauta das sociedades vinculadas à SBPC, além de um Conselho Editorial de cientistas.

(Informações do Tome Ciência)