10 de fev. de 2012

Vênus pisa no freio e gira mais devagar

Da Agencia O Globo

RIO – O período de rotação de Vênus está diminuindo, ou seja, o planeta está pisando no freio e gira em torno de seu eixo cada vez mais devagar. Novos dados da sonda Venus Express, da Agência Espacial Europeia (ESA), mostram que seus dias estão 6,5 minutos mais longos do que as medições anteriores indicavam.

Nos anos 90, a sonda Magellan, em uma missão de quatro anos, usou um radar para penetrar a grossa camada de nuvens do planeta para produzir os então mais detalhados mapas de sua superfície. Ao observar as periódicas passagens de formações nela, foi possível determinar que o dia em Vênus durava o equivalente a 243,0185 dias na Terra. Dezesseis anos depois, no entanto, a Venus Express, também usando um radar, verificou que algumas formações estavam até 20 quilômetros afastadas do local onde deveriam estar neste período de tempo, indicando uma desaceleração da rotação.

As novas medições estão ajudando os cientistas a determinar se Vênus tem um núcleo sólido ou líquido, o que ajudaria na compreensão de como o planeta foi criado e evoluiu. “Planeta irmão” da Terra e no limite da chamada “zona habitável” de nosso Sistema Solar, Vênus é um exemplo de como a capacidade de abrigar vida depende de variáveis sutis. Com uma atmosfera densa e rica em dióxido de carbono, com mais de 90 vezes a pressão da atmosfera terrestre, ele é vítima de um efeito estufa de proporções infernais, que fazem com que temperatura média na sua superfície passe dos 400 graus Celsius, o suficiente para derreter chumbo.

Se Vênus tiver um núcleo sólido, sua massa estaria mais concentrada no centro. Neste caso, a rotação do planeta seria menos afetada por forças externas. E a principal delas é justamente a fricção com sua densa atmosfera e seus ventos de alta velocidade. A Terra enfrenta efeito similar, mas o duração do dia varia aproximadamente apenas um milissegundo e depende sazonalmente dos padrões de vento e temperaturas ao longo do ano.

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8 de fev. de 2012

Manual traz orientação para projetos na área de inclusão

MCTI



O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), por meio da Secretaria de Ciência e Tecnologia para Inclusão Social (Secis), lançou o Manual do Proponente, que traz as orientações básicas para os interessados em apresentar projetos na área.

A Secis apoia propostas nas áreas de difusão e popularização da ciência, de fomento a tecnologias sociais e assistivas, de inclusão digital e de inovação e extensão tecnológica para o desenvolvimento social.

No manual são indicadas normas e procedimentos para o cadastramento de proponentes e para apresentação, habilitação e seleção de projetos, bem como para acompanhamento, avaliação e prestação de contas das iniciativas que venham a ser apoiadas.

A publicação, disponível em PDF no arquivo anexo, informa o leitor sobre os programas e ações da secretaria e as exigências para a celebração de convênios, termos de parceria e de cooperação e contratos de repasse. Explica também o passo a passo para se cadastrar no Sistema de Convênios do Governo Federal (Siconv), do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão.

A publicação foi elaborada em acordo com a Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e inovação (Encti) e com os programas e ações sob responsabilidade da Secis previstas no Plano Plurianual, ambos de 2012 a 2015.

Manual do Proponente – Procedimentos de Elaboração, Seleção e Acompanhamento de Projetos

Uma rede social onde só entra cientista

Jornal da Ciência

A ResearchGate reúne atualmente 1,4 milhão de participantes, provenientes de 192 países.


Todos os dias, entre quatro e cinco mensagens chegam à caixa postal de Fabiana Soares, vindos de uma rede social na qual ela entrou recentemente. Pode parecer um movimento pequeno para quem se acostumou ao Facebook ou ao Twitter, mas as mensagens não são as fotos de amigos em férias nem as "cutucadas" que costumam movimentar essas redes. Doutoranda em ciências farmacêuticas e pesquisadora da Universidade de São Paulo (USP), Fabiana é procurada por pessoas que querem conhecer melhor seu trabalho sobre modificações em óleos e gorduras. Os interessados são pesquisadores que, como a brasileira, fazem parte da ResearchGate, uma rede social na qual cientistas de todo o mundo podem trocar informações sobre seus estudos, em várias áreas de conhecimento.

Fundada em 2008, a ResearchGate permite a seus membros criar um perfil com informações acadêmicas, profissionais e de pesquisa. É possível também seguir outras pessoas, publicar trabalhos, participar de grupos de discussão e obter informações sobre conferências e ofertas de
emprego em instituições de pesquisa.

A ResearchGate reúne atualmente 1,4 milhão de participantes, provenientes de 192 países, segundo dados da empresa. A meta é conectar 8 milhões de pessoas, o equivalente a cerca de 80% da
comunidade científica mundial, até o fim de 2013.

"Por volta de 90% dos cientistas querem compartilhar informações", afirma ao Valor, por telefone, Ijad Madisch, fundador e executivo-chefe da companhia. Dono de um PhD em virologia, Madisch
teve a ideia de criar a rede quando precisou de informações para uma de suas pesquisas.

O site funciona graças a aportes financeiros feitos por empresas de investimento. Entre eles estão os fundos Benchmark Capital, que aplicou dinheiro no Twitter, e a Accel Partners, que apostou no
Facebook, entre outros sites. Ainda não há um modelo de negócios definido. A prioridade, diz Madisch, é aumentar o número de usuários.

Com mais de 43 mil pesquisadores inscritos na rede, cerca de 3% do total, o Brasil é um dos países cuja comunidade científica em expansão atrai a atenção da ResearchGate.

Para Helena Nader, presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), a troca de informações durante o trabalho de pesquisa é uma exigência da atividade. Não existe nenhum "laboratório tão amplo que seja capaz de reunir todas as metodologias de que um cientista precisa", diz a pós-doutora em biologia.

Contatada na semana retrasada por cientistas de Harvard e da Universidade de Boston interessados em conversar sobre uma publicação, Helena também consulta trabalhos de colegas para obter abordagens diferentes para seus temas de estudo. Os cientistas dos Estados Unidos, diz ela, interagem mais que os brasileiros.

O intercâmbio internacional é uma questão cada vez mais relevante nos meios acadêmicos. Jerson Silva, diretor da Academia Brasileira de Ciências (ABC) e diretor científico da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), também considera que a troca de informações poderia ser maior no país. Ele cita o empenho crescente da China em fazer com que seus alunos sejam treinados no exterior.

Na ResearchGate, com sede em Berlim, a expectativa é transformar a rede em um negócio rentável, mas ainda não há previsão de quando a empresa se tornará lucrativa. Entre as ideias para remunerar o site está fornecer sistemas de comunicação para grandes instituições de pesquisa, como universidades. Os pontos de atração seriam ferramentas para aumentar a produtividade, como a possibilidade de gerenciar o uso de laboratórios virtualmente. Outra possibilidade em estudo é criar um sistema de publicidade de itens usados por pesquisadores - como livros, vírus e culturas de bactérias - o que Madisch compara a "uma Amazon.com para a ciência". As empresas pagariam para ter seus produtos anunciados, que seriam avaliados pela comunidade da rede social.

Madisch reconhece que o ResearchGate ainda precisa evoluir em termos de funcionalidades. Várias mudanças estão previstas para março. Entre elas, o lançamento de um sistema para conhecer a reputação dos pesquisadores. Segundo o executivo, um cientista demora, em média,
sete anos para fazer suas primeiras publicações. Durante esse período, ele precisa mostrar seu trabalho de alguma forma.

No Brasil, a plataforma virtual de currículos Lattes, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), é o balcão que os pesquisadores procuram para conseguir informações sobre seus pares. O sistema da agência de fomento do Ministério da Ciência e
Tecnologia permite criar perfis com dados sobre formação e trabalhos dos cientistas. Helena Nader, da SBPC, se diz "dependente, no bom sentido" do recurso. Pós-doutor em bioquímica, Silva, da ABC, também tem suas atividades registradas no sistema. Fabiana, outra pesquisadora com currículo na plataforma, diz já ter usado o recurso para saber mais sobre as linhas de pesquisa de professores.

Os três pesquisadores são favoráveis às facilidades dos meios digitais, mas também fazem uso de mecanismos tradicionais para manter contato com outros cientistas, o que inclui a velha prática da
conversa pessoal nos intervalos dos congressos científicos. Foi justamente após retornar de um congresso nos Estados Unidos que Fabiana recebeu um e-mail com o convite para participar da
ResearchGate. A doutoranda gostou da ideia e convidou seus colegas da USP a aderir à novidade. Hoje, ela já tem mais de 100 seguidores virtuais no site.
(Valor Econômico)





7 de fev. de 2012

PROCURA-SE: ASTRONAUTA

Estadão.com.br

(FOTO: NASA)

Se você já sonhou em ser astronauta, pode ter certeza de que você não é o único. Mesmo com a moral da Nasa um tanto em baixa nos últimos tempos — devido à aposentadoria dos ônibus espaciais, cortes orçamentários, e menor ênfase em missões tripuladas — mais de 6.300 pessoas se candidataram para uma vaga de astronauta na agência espacial americana, num processo de seleção aberto dois meses atrás. É o maior número de candidatos desde 1978, quando a agência recebeu mais de 8.000 aplicações (entre o fim do Programa Apollo e o início do programa de ônibus espaciais).

Entre 9 e 15 pessoas serão selecionadas para compor a 21ª turma de astronautas da Nasa. Na melhor das hipóteses, portanto, a concorrência é de 420 candidatos por vaga. Oito vezes maior do que a relação candidato-vaga para Medicina na USP, que em 2011 ficou em torno de 51. Imagine só! “Isso demonstra que o público continua genuinamente interessado em dar continuidade à exploração do espaço”, disse a chefe do Escritório de Seleção de Astronautas da Nasa, Duane Ross, em um comunicado divulgado hoje pela agência.
A exploração humana do espaço é um tema que divide opiniões mesmo entre os maiores entusiastas do assunto. Ninguém é contra explorar o espaço com telescópios, robôs, sondas e satélites. Claro. Mas as missões tripuladas são um ponto mais delicado … Será que vale a pena continuar a mandar seres humanos ao espaço? Com todos os riscos e custos envolvidos? 6.300 americanos, pelo menos, acreditam que vale… e estão dispostos a correr o risco. (como eu estaria, também, num piscar de olhos)

Segundo a Nasa, os novos astronautas vão “viver e trabalhar na Estação Espacial Internacional, ajudar a construir as espaçonaves Orion (veículo tripulado de transporte que está sendo desenvolvido para substituir os ônibus espaciais), e dar continuidade às parcerias da Nasa com empresas que prestarão serviços de transporte comercial para a Estação Espacial”.

O processo de seleção vai durar mais de um ano e os escolhidos precisarão completar dois anos de treinamento para ter uma oportunidade de ir ao espaço. Uma das exigências é aprender russo — especialmente agora, que o único modo de ir e voltar da Estação Espacial é com os russos, nas cápsulas Soyuz. Кто вы обращаетесь к?



Bolsão de formação estelar mostra silhueta humana

Site Inovação Tecnológica
Com informações do ESO - 03/02/2012

A radiação ultravioleta emitida pelas estrelas quentes jovens retira elétrons dos átomos de hidrogênio, que são seguidamente recapturados.[Imagem: ESO]


Beleza caótica

Esta nova imagem mostra uma maternidade estelar chamada NGC 3324.

A intensa radiação ultravioleta emitida por várias das estrelas jovens quentes da NGC 3324 faz com que a nuvem de gás brilhe com cores vivas, ao mesmo tempo que escava uma cavidade no gás e poeira ao seu redor.

A NGC 3324 está situada na constelação austral de Carina (a quilha do navio Argo de Jasão), a cerca de 7.500 anos-luz de distância da Terra. Ela encontra-se no norte do ambiente caótico da nebulosa Carina, que possui muitos outros bolsões de formação estelar.

Lá, foi recentemente fotografado um tipo muito raro de estrela, chamada estrela de Wolf-Rayet.

Um depósito rico em gás e poeira na região da NGC 3324 deu origem a um processo de formação estelar intenso nessa região há vários milhões de anos, levando à criação de várias estrelas muito grandes e quentes, as quais se pode observar bem destacadas nesta nova imagem feita pelo ESO.

Os ventos estelares e a intensa radiação emitida por estas estrelas jovens abriram um buraco no gás e na poeira ao se redor, o que se observa claramente como uma parede de material na região central direita da imagem.


Dos átomos às nebulosas

A radiação ultravioleta emitida pelas estrelas quentes jovens retira elétrons dos átomos de hidrogênio, que são seguidamente recapturados, originando um brilho característico de cor avermelhada, à medida que os elétrons decaem em cascata através dos vários níveis de energia, mostrando-nos toda a extensão do gás difuso local.

Outras cores vêm de outros elementos, com o brilho característico do oxigênio, duas vezes ionizado a tornar as partes centrais da imagem amarelo-esverdeadas.

Tal como as nuvens no céu da Terra, os observadores de nebulosas imaginam formas entre estas nuvens cósmicas.

Um dos apelidos para a região NGC 3324 é a de Nebulosa Gabriela Mistral, nome que vem da poetisa chilena que ganhou o prêmio Nobel da literatura em 1945 - as bordas da parede de gás e poeira à direita parecem-se bastante com uma cara humana de perfil, com a "elevação" no centro correspondendo a um nariz.

Os grãos de poeira nestas regiões bloqueiam a radiação que vem do gás brilhante de fundo, criando estruturas filigrânicas sombrias que acrescentam mais uma camada evocativa a esta já rica imagem.


Vale a pena ver de novo

O olho poderoso do Telescópio Espacial Hubble também já esteve voltado para a NGC 3324.

O Hubble consegue observar maiores detalhes do que a visão mais alargada do Wide Field Imager usado aqui, embora num campo de visão menor.

Veja a versão do Hubble dessa região na reportagem Novo Hubble estreia em grande estilo.

Os dois instrumentos, quando usados em conjunto, dão uma perspectiva de zoom-in e zoom-out, ambas bastante interessantes.






Planeta com três sóis pode ser habitável

Site Inovação Tecnológica


Riqueza de ambientes planetários

Se um planeta com dois sóis já impressiona, imagine então um planeta com três sóis.

Foi justamente isso que uma equipe internacional, coordenada por Guillem Anglada-Escudé, da Universidade de Gottingen, na Alemanha, acabam de descobrir.

Mas o melhor está por vir: segundo eles, o planeta está na zona habitável, ou seja, a uma distância adequada de seus três sóis para manter água líquida em sua superfície.

Logo depois de revelar que há mais planetas que estrelas na Via Láctea, e que mesmo planetas com dois sóis são comuns, agora os astrônomos demonstram que planetas habitáveis podem na verdade se formar em uma variedade de ambientes muito maior do que se imaginava.



Planeta com três sóis

O planeta, chamado GJ 667Cc, orbita uma pequena estrela muito diferente do Sol, uma anã-branca, situada a 22 anos-luz da Terra.

Essa estrela, por sua vez, orbita um binário formado por duas estrelas, estas sim, mais parecidas com nosso Sol.

Mas deve haver noite no planeta, porque a anã-branca e seu sistema planetário - há pelo menos dois outros planetas no sistema - orbitam o binário à mesma distância que há entre o Sol e Plutão.

Já foram localizados mais de 100 planetas na zona habitável, mas a maioria é de gigantes gasosos, como Júpiter, e não planetas rochosos como a Terra.

O recém-descoberto GJ 667Cc parece ser do tipo certo, residindo bem no meio da zona habitável de sua estrela.

Contudo, a técnica usada para detectar o GJ 667Cc não é precisa o suficiente para permitir o cálculo exato de sua massa. Segundo os pesquisadores, sua massa mínima equivale a 4,5 vezes a massa da Terra, mas esse número pode chegar a 9.

Para determinar com segurança a composição de um planeta - se ele é rochoso - é necessário saber sua densidade, que por sua vez é calculada a partir da sua massa e do seu diâmetro.

Assinaturas de vida

Contando com seus três sóis, o planeta recebe 90% da luz que a Terra recebe. Entretanto, como a maior parte dessa luz está na faixa infravermelha do espectro, um percentual maior dela deve ser absorvida pelo planeta.

Juntando os dois efeitos, dizem os cientistas, o GJ 667Cc absorve mais ou menos a mesma energia de suas estrelas que a Terra absorve do Sol, o que permite temperaturas superficiais similares às da Terra e, por consequência, água em estado líquido.

Mas serão necessárias novas observações, e eventualmente o desenvolvimento de técnicas mais aprimoradas de observação, para confirmar todos esses dados.

Anglada-Escudé está entusiasmado, e fala em muito mais do que confirmar suas descobertas.

"Com o advento de uma nova geração de instrumentos, os pesquisadores serão capazes de pesquisar muitas anãs brancas classe M em busca de planetas similares e eventualmente buscar assinaturas espectroscópicas de vida em um desses mundos," vislumbra ele.