19 de jul. de 2011

Voo do Atlantis põe fim à era dos ônibus espaciais

Folha de São Paulo,08 de julho de 2011

Pela primeira vez desde 1961, EUA não terão opção própria para ir ao espaço.

Missão durará 12 dias e contará com quatro astronautas; mau tempo pode adiar o lançamento de hoje.

GIULIANA MIRANDA
DE SÃO PAULO

A despedida dos ônibus espaciais da Nasa pode finalmente começar hoje, com a decolagem do Atlantis para seu último voo. Após a viagem, os EUA, país que levou o primeiro homem à Lua, ficarão por tempo indeterminado sem meios próprios de chegar ao espaço.
Para a missão de 12 dias com destino à ISS (Estação Espacial Internacional), a nave levará apenas quatro astronautas. É a menor tripulação desde 1983, porque não há ônibus espaciais de reserva para resgatá-los caso haja um problema após a viagem.
Numa emergência, o comandante Chris Ferguson, o piloto Doug Hurley e os especialistas de missão Sandy Magnus e Rex Walheim, veteranos em ônibus espaciais, terão de aguardar o resgate das naves russas Soyuz, que só poderão carregar um dos americanos por vez.
Primeiras naves espaciais reutilizáveis, eles estão em operação desde abril de 1981, quando substituíram oficialmente o programa Apollo.

ADEUS
O movimento para aposentar as naves ganhou força após o acidente com o Columbia, em 2003. Ele explodiu minutos após a reentrada na atmosfera terrestre, matando seus sete astronautas.
Esse foi o segundo desastre com um "shuttle". Em 1986, a nave Challenger, a primeira da frota, explodiu 73 segundos depois da decolagem, também vitimando os sete tripulantes.
O primeiro passo antes do anúncio do fim do programa foi a redução drástica do número de viagens.
Lançados como a conquista definitiva do espaço, os "shuttles", segundo a Nasa, seriam uma opção muito mais barata e segura.
No entanto, o custo de todo o projeto, até 2010, foi de US$ 209 bilhões, pouco menos que o PIB do Chile. Cada uma das missões, portanto, custou US$ 1,6 bilhão, valor bem distante do inicialmente divulgado pelo governo americano: US$ 20 milhões.
Críticos do programa afirmam que, com os ônibus espaciais, a Nasa ficou "confinada" à baixa órbita da Terra, em vez de se dedicar à exploração do espaço.
Mesmo com falhas, porém, o programa dos ônibus espaciais foi fundamental para o desenvolvimento da ciência em órbita. Eles transportaram a maior parte das peças e equipamentos para a montagem da ISS, além do telescópio Hubble, ambos revolucionários em suas áreas.

FUTURO INCERTO
Com a aposentadoria dos "shuttles", a Nasa fica sem naves para transportar seus astronautas à estação internacional, dependendo de "caronas" milionárias na nave russa Soyuz.
Países parceiros na construção da ISS, como os da Europa, manifestaram-se contra a Nasa por essa situação.
Enquanto isso, a nave substituta dos ônibus espaciais, o MPCV (Veículo Multifuncional Tripulado) não deve começar suas missões tripuladas antes de 2019.
Ela, no entanto, será usada para missões de longa duração, inclusive em uma eventual visita a Marte. As visitas à ISS ficariam a cargo da iniciativa privada.
A agência espacial tem financiado alguns desses programas particulares, mas eles também não têm data certa para começar a voar.
Por conta dessa indefinição, ex-astronautas resolveram criticar abertamente a política espacial dos EUA.
Neil Armstrong, o primeiro homem na lua, e outros astronautas escreveram uma carta aberta dizendo que a Nasa está "consideravelmente fora de rumo".
O administrador da Nasa, Charles Bolden, minimizou as críticas. Para ele, a Nasa irá "consolidar a liderança americana no espaço".
Apesar da expectativa, é possível que o lançamento seja adiado devido às condições climáticas (risco de fortes chuvas com raios) em Cabo Canaveral, na Flórida, onde fica o centro de lançamento.
Caso as tempestades se confirmem, a Nasa tem até este domingo para a decolagem do Atlantis. Depois, será preciso esperar uma semana por conta do tráfego espacial. A Força Aérea dos EUA já tem um lançamento marcado para esse período.

O que faz um buraco negro entrar em atividade?

Site Inovação Tecnológica
Com informações do ESO - 13/07/2011


Um novo estudo, que combina dados do Telescópio VLT, do Observatório Europeu do Sul (ESO) e do observatório espacial de raios X XMM-Newton da Agência Espacial Europeia (ESA), fez uma descoberta surpreendente.


Buracos negros são dependem de colisões de galáxias para se tornarem ativos
O campo COSMOS, com os "alvos" mostrando o grande
número de galáxias de brilho muito fraco.
[Imagem: CFHT/IAP/Terapix/CNRS/ESO]

A maior parte dos buracos negros gigantes que se encontram no centro das galáxias desde os últimos 11 bilhões de anos não se tornaram ativos devido a fusões de galáxias, como se pensava até agora.

No coração da maior parte das grandes galáxias (ou até mesmo em todas) existe um buraco negro de massa extremamente elevada, com uma massa de milhões de vezes, ou até bilhões de vezes, a massa do Sol.

Em muitas galáxias, incluindo a nossa própria Via Láctea, o buraco negro central não se encontra em atividade.

Mas em algumas galáxias, particularmente no início da história do Universo, o monstro central alimenta-se de material que emite imensa radiação à medida que cai no buraco negro - as galáxias ativas mais brilhantes eram mais comuns no Universo cerca de três a quatro bilhões de anos depois do Big Bang, enquanto os objetos menos brilhantes aparecem mais tarde, cerca de oito bilhões de anos depois do Big Bang.

Ignição do ponto buraco negro

Um dos mistérios por resolver está em descobrir de onde vem o material que ativa um buraco negro adormecido, originando violentas explosões no centro da galáxia, tornando-o assim num núcleo ativo de galáxia.

Até agora, os astrônomos pensavam que a maioria destes núcleos ativos se "acendiam" quando se dava a fusão de duas galáxias ou quando duas galáxias passavam muito perto uma da outra e o material perturbado se tornava o combustível do buraco negro central.

No entanto, novos resultados indicam que esta ideia pode estar errada no caso de muitas galáxias ativas.

Viola Allevato, do Instituto Max-Planck, na Alemanha, juntamente com uma equipe internacional de cientistas da colaboração COSMOS observaram detalhadamente mais de 600 galáxias ativas numa região do céu extensivamente estudada, o chamado campo COSMOS.

O campo COSMOS é uma área com cerca de dez vezes o tamanho da Lua Cheia, na constelação do Sextante. Foi mapeada por uma série de telescópios em diferentes comprimentos de onda, de modo que muitos estudos e investigações possam se beneficiar desta imensidão de dados.

Núcleos ativos de galáxias

Buracos negros não dependem de colisões de galáxias para se tornarem ativos
Algumas das galáxias estudadas, incluindo galáxias com núcleos ativos (AGN) e galáxias com núcleos inativos. [Imagem: NASA/ESA/M. Cisternas]

Tal como se esperava, os astrônomos descobriram que os núcleos ativos extremamente brilhantes são raros, enquanto a maior parte das galáxias ativas nos 11 bilhões de anos anteriores são apenas moderadamente brilhantes.

No entanto, os cientistas tiveram uma enorme surpresa: os novos dados mostram que a maioria das galáxias ativas mais comuns, as menos brilhantes, não se tornaram ativas devido à fusão de galáxias.

A presença de núcleos ativos de galáxias revela-se através dos raios X emitidos pela região que circunda o buraco negro. O telescópio espacial XMM-Newton observou esta radiação e as galáxias foram a seguir observadas pelo VLT, no Chile, que mediu as distâncias até estes objetos.

Quando se combinam os dois tipos de observações é possível fazer um mapa tridimensional que nos mostra onde se encontram as galáxias ativas.

"Demoramos mais de cinco anos, mas conseguimos obter um dos maiores e mais completos catálogos de galáxias ativas no céu em raios X," diz Marcella Brusa, uma das autoras do estudo.

Os astrônomos utilizaram este novo mapa para determinar a distribuição das galáxias ativas e compararam estes resultados às predições feitas pela teoria. Determinaram também como é que esta distribuição varia à medida que o Universo envelhece - desde há aproximadamente 11 bilhões de anos até aos nossos dias.

Fundindo a teoria da fusão

A equipe descobriu que os núcleos ativos são encontrados majoritariamente em galáxias de massa muito elevada, que contêm muita matéria escura.

A matéria escura é uma substância misteriosa que forma uma componente invisível na maior parte, senão mesmo todas, as galáxias (ativas ou não) - incluindo a nossa própria Via Láctea. Os autores estimaram a quantidade de matéria escura em cada galáxia - valor que indica a sua massa total - a partir da distribuição de galáxias no novo estudo.

Este fato revelou-se surpreendente e nada consistente com as previsões feitas pela teoria - se a maior parte dos núcleos ativos fossem uma consequência de fusões e colisões entre galáxias seria de esperar que fossem encontrados em galáxias com massa moderada (cerca de um trilhão de vezes a massa do Sol).

A equipe descobriu que a maior parte dos núcleos ativos se encontra em galáxias com massas cerca de 20 vezes maiores do que o valor previsto pela teoria da fusão.

"Estes novos resultados abrem-nos uma nova janela sobre como é que os buracos negros de massa extremamente elevada iniciam as suas 'refeições'," diz Viola Allevato, autora principal do artigo que descreve este trabalho.

"Estes resultados indicam que os buracos negros são normalmente alimentados por processos gerados no interior da própria galáxia, tais como instabilidades do disco e formação estelar violenta, em oposição a colisões de galáxias," explica Allevato.

Alexis Finoguenov, que supervisou o trabalho, conclui: "Mesmo no passado distante, até cerca de 11 bilhões de anos atrás, as colisões de galáxias apenas justificam uma pequena percentagem das galáxias ativas moderadamente brilhantes. Nessa altura as galáxias estavam todas mais próximas umas das outras e portanto era de se esperar que a fusão fosse mais frequente do que no passado mais recente. Por isso mesmo os novos resultados são ainda mais surpreendentes."

Bibliografia:

The XMM-Newton wide field survey in the cosmos field: redshift evolution of agn bias and subdominant role of mergers in triggering moderate luminosity agn at redshift up to 2.2
V. Allevato, A. Finoguenov, N. Cappelluti, T. Miyaji, G. Hasinger, M. Salvato, M. Brusa, R. Gilli, G. Zamorani, F. Shankar, J. B. James, H. J. McCracken, A. Bongiorno, A. Merloni, J. A. Peacock, J. Silverman, A. Comastri
Astrophysical Journal
July 2011
Vol.: Accepted for publication
http://arxiv.org/abs/1105.0520v1

14 de jul. de 2011

Observatório Nacional na 63ª Reunião Anual da SBPC

A 63ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) teve início no domingo, 10 de julho, em Goiânia. Veja algumas imgens da participação do Observatório Nacional no evento.





O Ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, na abertura do evento.


O público sempre comparece em grande número no stand do Observatório Nacional


Stand do Observatório Nacional (ON)


As revistas da coleção "Observatório Nacional apresenta..." desperta grande interesse por parte do público.


A garotada se diverte e aprende um pouco sobre Astronomia com o CD-Rom de jogos e revistinhas do ON.

8 de jul. de 2011

Peróxido de Hidrogênio Encontrado no Espaço

eso1123pt-br — Nota de Imprensa Científica
6 de Julho de 2011


Você sabia que tudo na Terra é feito de material de estrelas? Se você pudesse olhar o mundo à sua volta, com um microscópio super poderoso, veria que tudo é feito de coisas minúsculas chamadas átomos. Hoje nós sabemos sobre mais de 110 diferentes tipos de átomos, como o hidrogênio que é o átomo mais comum no Universo.


Alguns átomos, como o carbono, são feitos dentro das estrelas. Mas outros átomos, como o ouro, precisam de temperaturas ainda mais elevadas para formar e são feitos quando estrelas moribundas explodem o que é chamado de supernova. Quando os átomos se unem, o grupo de átomos é chamado de molécula. Você já sabe os nomes de algumas moléculas, como a água.

Agora, usando um telescópio chamado APEX, os astrônomos descobriram pela primeira vez uma molécula no espaço chamado de "água oxigenada". Esta molécula foi encontrada dentro de uma nuvem de gás e poeira em nossa galáxia (na área, marcado por um círculo vermelho, na imagem acima). Os médicos usam água oxigenada para limpar feridas, mas esta molécula também pode nos ajudar de outras maneiras.

Astrônomos acham que a maioria das moléculas de água na Terra é formada no espaço, mas ainda não entendem completamente como. Mas o peróxido de hidrogênio é feito dos mesmos tipos de átomos como os de água (oxigênio e átomos de hidrogênio), assim que a descoberta dessa molécula pode ser a chave para desvendar o mistério da água no espaço!


Fato legal

A temperatura no Polo Sul da Terra pode cair tão baixo quanto -60 ° C. Mas a nuvem de poeira e gás em que o peróxido de hidrogênio foi encontrado é insanamente frio: -250 ° C!








Aconteceu em 8 de julho de 1947

O jornal norte-americano Roswell Daily Record, de Roswell, New Mexico, Estados Unidos, publicou nessa data a notícia de que militares da força aérea norte-americana sediados nesta região haviam capturado um “disco voador” em um rancho ali situado. Um comunicado liberado pelos militares para a imprensa deu início a toda essa confusão. No comunicado os militares diziam ter recuperado um “flying disc” (disco voador) que havia caído em um rancho perto de Roswell. Mais tarde, no mesmo dia, o comando militar anunciou que o objeto recuperado era, na verdade, um balão meteorológico e não um “disco voador”. O caso ficou esquecido por quase 30 anos, mas em 1978 o major Jesse Marcel, que havia participado da operação de recuperação do balão em 1947, declarou em uma entrevista a um “ufólogo” que acreditava que os militares estavam escondendo a recuperação de uma espaçonave alienígena. A partir dai surgiu o chamado “Incidente Roswell”, uma delícia para os adoradores de discos voadores, que perdura até hoje. Em 1990 a Força Aérea norte-americana declarou que os restos recolhidos em Roswell pertenciam a um projeto ultra-secreto, chamado Project Mogul, que usava conjuntos de balões transportando microfones e rádio transmissores com o objetivo de detectar mísseis balísticos e testes nucleares soviéticos.




Uma única terra

Revista Pesquisa Fapesp
Edição Impressa 184 - Junho 2011
Neldson Marcolin

Há 85 anos, o alemão Reinhard Maack achava, no Brasil, evidências sobre a origem dos continentes


© ACERVO DE ALESSANDRO CASAGRANDE/FOTOS DE REINHARD MAACK
Maack lê mapa durante expedição no rio Ivaí, em 1934, enquanto material seca

A teoria de que todos os continentes estiveram unidos formando uma única extensão de terra há cerca de 250 milhões de anos foi proposta, de modo cientificamente fundamentado, pelo geólogo e meteorologista alemão Alfred Lothar Wegener em 1912. No livro A origem dos continentes e oceanos, publicado em 1915, reuniu evidências morfológicas (o “encaixe” da América do Sul com a África), paleoclimáticas (vestígios de glaciares em terras tropicais) e paleontológicas (fósseis de plantas tropicais no Ártico) para compor sua hipótese. A teoria foi debatida nas décadas seguintes e rejeitada pela maioria dos cientistas porque faltava uma boa explicação para a movimentação dos continentes. Alguns anos depois, no Brasil, um outro alemão, Reinhard Maack (1892-1969), achou evidências geológicas no oeste de Minas Gerais que iam 
na mesma direção dos trabalhos feitos por Wegener.

Maack havia passado 11 anos na colônia alemã África do Sudoeste (atual Namíbia) trabalhando como técnico em geodésia. Nos seus primeiros anos no Brasil realizou pesquisas no cerrado mineiro e deparou-se com formações geológicas iguais às da Namíbia.
No mesmo ano dessa descoberta, em 1926, ele 
a descreveu no artigo “Uma viagem de pesquisa do planalto de Minas Gerais até o Paranaíba”, publicado na Revista da Sociedade de Geografia em Berlim. “Foi o primeiro trabalho de pesquisa de Maack no Brasil e tinha várias falhas, mas suas observações foram comprovadas anos mais tarde”, conta o agrônomo Alessandro Casagrande, 
da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e coordenador da Rede Brasileira de História Ambiental-RBHA, autor 
de um capítulo sobre o alemão no livro Histórias 
de uma ciência regional, organizado por Fabiano Ardigó (Contexto, 2011).

Maack foi para a Namíbia em 1911. 
Lá realizou serviços de topografia para o governo e fazendeiros da colônia ao mesmo tempo que efetuava expedições memoráveis como a de 1917, que determinou 
a altura da Brandberg, a montanha mais alta do país, com 2.585 metros. Na mesma região, descobriu uma gruta com pinturas rupestres que foram reproduzidas em desenho por ele e posteriormente se tornaram importantes ao serem estudadas por historiadores da Pré-história. O afresco rupestre conhecido 
como Dama branca, por exemplo, ganhou grande notoriedade.

Em 1923, ele veio ao Brasil contratado pela Companhia de Mineração e Colonização Paranaense. Radicou-se em Curitiba, mas continuou fazendo expedições pelo mundo em razão de seu interesse pela história geológica 
da Terra. Voltou à Alemanha algumas vezes para estudar – em 1949, aos 57 anos, recebeu o título Rer. Nat. (doutor Rerum naturalium) com o trabalho sobre a glaciação gondwânica do Carbonífero Superior apresentado na Universidade de Bonn.

No Paraná Maack teve atuação marcante. Explorou rios como o Tibagi e o Ivaí, determinou a altura do 
pico do Paraná – batizado e escalado por ele –, publicou o mapa geológico e fitogeográfico do estado e foi crítico de primeira hora da destruição das florestas.Também sofreu reveses: por ser alemão, foi encarcerado no presídio da Ilha Grande, no Rio, durante a Segunda Grande Guerra. Em 1946 tornou-se professor na Universidade do Paraná, atual UFPR. Sua obra mais conhecida é A geografia física do estado do Paraná.

“Maack defendia a teoria de Wegener e viajou muito para comprová-la”, diz João José Bigarella, professor catedrático da UFPR, que trabalhou com o alemão. “Os norte-americanos sempre duvidaram dela, mas mudaram de posição no final da década de 1950 com as novas descobertas que surgiram.” A ideia central de Wegener – de que todos os continentes estiveram unidos num tempo remoto – só seria amplamente aceita a partir dos anos 1960.