6 de ago. de 2012

Robô Curiosity pousa com sucesso em Marte

Redação do Site Inovação Tecnológica 

As primeiras imagens de Marte feitas pelo robô Curiosity. À esquerda, a sombra do robô. À direita é possível ver uma das suas seis rodas. Na porção superior da imagem da direita é possível ver que a lente ficou suja, mesmo com a capa de proteção, agora já removida. Isto que mostra que a descida deve ter levantado mais poeira do que o esperado.[Imagem: NASA] 


17 câmeras

Eram 02h31 desta madrugada, no horário de Brasília, quando os engenheiros da NASA receberam o sinal definitivo de que o robô Curiosity estava em segurança no solo de Marte.

Ainda que tudo tivesse acontecido 20 minutos antes no planeta vermelho, toda a equipe acompanhou em suspense os sinais de que cada etapa dos chamados "sete minutos de terror" ia sendo completada com sucesso.

A descida pela atmosfera do planeta, após uma viagem de 570 milhões de quilômetros desde a Terra, foi chamada de "sete minutos de terror" por conta das manobras de alto risco que reduziram a velocidade da nave, de 20 mil km/h para apenas 1 m/s, o que permitiu que as rodas do jipe-robô tocassem a superfície da cratera Gale suavemente.

Logo a seguir, chegaram as primeiras imagens em baixa resolução, mostrando a sombra do robô no solo e uma panorâmica em visão olho de peixe.

Imagens coloridas e alta resolução deverão se seguir, à medida que os técnicos conferem se tudo está funcionando devidamente - o Curiosity possui 17 câmeras.


Espera-se que o robô de quase 1 tonelada trabalhe em Marte por pelo menos 10 anos. [Imagem: NASA/BBC] 

Laboratório marciano

Agora começa a primeira fase da missão MSL (Mars Science Laboratory), ou Laboratório Científico de Marte: o robô Curiosity possui a bordo um laboratório completo, onde serão analisadas as amostras recolhidas por seu braço robótico.

Essa primeira fase tem duração prevista de 98 semanas, mas a expectativa é que o robô continue suas pesquisas por cerca de uma década.

O robô Opportunity está trabalhando em Marte há 8,5 anos. Seu irmão-gêmeo Spirit trabalhou por 7,5 anos, até ser desativado em Maio de 2011, depois de ficar preso em uma pedra.

A grande vantagem do Curiosity é a sua alimentação por energia atômica. Seus geradores a plutônio permitirão que ele explorar Marte 24 horas por dia, não precisando também precisar diminuir o ritmo durante o inverno, que afeta a geração de energia pelos painéis solares dos outros robôs.

A missão que enviou o jipe-robô Curiosity a Marte custou US$ 2,5 bilhões e durou 10 anos. Outros 10 anos de ciência marciana renderão frutos de valor inestimável.




2 de ago. de 2012

Aristóteles e Higgs: uma parábola

Folha de São Paulo
MARCELO GLEISER


A ciência não é infalível, mas é o melhor método que temos para aprender como o mundo funciona

ARISTÓTELES E Peter Higgs entram num bar. Higgs, como sempre, pede o seu uísque de puro malte. Aristóteles, fiel às suas raízes, fica com um copo de vinho.

"Então, ouvi dizer que finalmente encontraram", diz Aristóteles, animado. "É, demorou, mas parece que sim", responde Higgs, todo sorridente. "Você acha que 40 anos é muito tempo? Eu esperei 23 séculos!" "Como é?", pergunta Higgs, atônito. "Você não acha que..."

"Claro que acho!", corta Aristóteles. "Você chama de campo, eu de éter. No final dá no mesmo, não?"

"De jeito nenhum!", responde Higgs, furioso. "O seu éter é inventado. Eu calculei, entende? Fiz previsões concretas."

"Vocês cientistas e suas previsões...", diz Aristóteles. "Basta ter imaginação e um bom olho. Você não acha que o meu éter é uma excelente explicação para o que ocorre nos céus?"

"Talvez tenha sido há 2.000 anos. Mas tudo mudou após Galileu e Kepler", diz Higgs.

Aristóteles olha para Higgs com desprezo. "Você está se referindo a esse 'método' de vocês, certo?"

"O método científico, para ser preciso", responde Higgs, orgulhoso. "É a noção de que uma hipótese precisa ser validada por experimentos para que seja aceita como explicação significativa de como funciona o mundo."

"Significativa? A minha filosofia foi muito mais significativa para mais gente e por muito mais tempo do que sua ciência e o seu método."

"É verdade, Aristóteles, suas ideias inspiraram muita gente por muitos séculos. Mas ser significativo não significa estar correto."

"E como você sabe o que é certo ou errado?", rebate Aristóteles. "O que você acha que está certo hoje pode ser considerado errado amanhã." "Tem razão, a ciência não é infalível. Mas é o melhor método que temos para aprender como o mundo funciona", responde Higgs.

"Nos meus tempos bastava ser convincente", reflete Aristóteles com nostalgia. "Se tinha um bom argumento e sabia defendê-lo, dava tudo certo", continuou. "As pessoas acreditavam em você, mas não era fácil. A competição era intensa!" "Posso imaginar", responde Higgs. "Ainda é difícil. A diferença é que argumentos não são suficientes. Ideias têm que ser testadas. Por isso a descoberta do bóson de Higgs é tão importante."

"É, pode ser. Mas no fundo é só um outro éter", provoca Aristóteles.

"Um éter bem diferente do seu", responde Higgs. "E por quê?", pergunta Aristóteles. "Pra começar, o campo de Higgs interage com a matéria comum. O seu éter não interage com nada."

"Claro que não! Era perfeito e eterno", diz Aristóteles.

"Nada é eterno", rebate Higgs.

"Pelo seu método, a menos que você tenha um experimento que dure uma eternidade, é impossível provar isso!", afirma Aristóteles.

"Touché, você me pegou", admite Higgs. "Não podemos saber tudo." "Exato", diz Aristóteles. "E é aí que fica divertido, quando a certeza acaba." "Parabéns pela descoberta do seu éter", diz Aristóteles.

"Existem muitos tipos de éter", afirma Higgs. "E muitos tipos de bósons de Higgs", retruca Aristóteles.

"É, vamos ter que continuar a busca." "E o que há de melhor?", completa Aristóteles, tomando um gole.

MARCELO GLEISER é professor de física teórica no Dartmouth College, em Hanover (EUA), e autor de "Criação Imperfeita". Facebook:goo.gl/93dHI




 

1 de ago. de 2012

Encontro Regional de Ensino de Astronomia acontece em Vassouras

Entre os dias 7 e 11 de agosto, a cidade de Vassouras também sedia o XXXII Encontro Regional de Ensino de Astronomia (EREA), voltado à capacitação dos professores de educação básica. O evento, realizado simultaneamente à IOAA, visa aproximar os docentes dos astrônomos profissionais e pesquisadores da área. O encontro é aberto também a alunos de graduação e ao público interessado no assunto.

As inscrições podem ser feitas pelo site http://www.uss.br/page/ereaxxxii/, onde também está a programação completa do EREA.

Semana de Astronomia movimenta cidade de Vassouras, sede da IOAA

Durante a 6ª Olimpíada Internacional de Astronomia e Astrofísica (IOAA), a cidade de Vassouras/RJ, onde acontece a competição, realiza a Semana de Astronomia, voltada ao público geral. De 7 a 11 de agosto, diversas atividades gratuitas movimentarão a cidade. A abertura oficial será com o astronauta Marcos Pontes, que fará uma palestra no ginásio da Universidade Severino Sombra, às 18h.


Confira a programação por local:


Universidade Severino Sombra
7 de agosto, às 18h: Palestra com o astronauta Marcos Pontes e sessão solene de abertura do Encontro Regional de Ensino de Astronomia


Casa de Cultura de Vassouras
7 a 11 de agosto, das 10h às 18h: Exposição de Astronomia Indígena
9 e 10 de agosto, às 10h e às 11h: Palestra “O céu tupi-guarani”, com o professor Germano Bruno Afonso, do Museu da Amazônia


Observatório Magnético de Vassouras
8 a 10 de agosto, às 10h e às 15h: Visita guiada


Praça Eufrásia Teixeira Leite
7 a 10 de agosto, às 15h e às 20h: Mostra de filmes científicos
11 de agosto, às 10h e às 15h: Apresentação da Orquestra Sinfônica Jovem Regional do Programa de Integração pela Música (PIM)

Instituto de Educação Thiago Costa
7 a 10 de agosto, das 10h às 18h: Planetário inflável e experimentos interativos

Rua Abreu Cesar
7 a 10 de agosto, das 10h às 18h: Caravana da Ciência do Cecierj


Palacete Barão de Itambé
7 a 11 de agosto, das 10 às 18h: Exposição de meteoritos


Estudantes do mundo inteiro chegam ao Brasil para disputar a Olimpíada Internacional de Astronomia e Astrofísica


A abertura oficial da IOAA acontece no próximo dia 6, no Planetário da Gávea. As provas serão realizadas em Vassouras/RJ, de 7 a 12 de agosto



Na próxima segunda-feira, dia 6 de agosto, tem início a 6ª Olimpíada Internacional de Astronomia e Astrofísica (IOAA), primeira olimpíada científica de nível mundial realizada em solo brasileiro. A cerimônia oficial de abertura acontece às 10 horas, no Planetário da Gávea, na zona sul do Rio de Janeiro. A IOAA acontece de quatro em quatro anos. No Brasil, está sendo realizada em parceria por 11 instituições, entre elas o Observatório Nacional.

A competição reúne estudantes dos cinco continentes e as provas serão realizadas no município de Vassouras/RJ, de 7 a 12 de agosto. A solenidade de encerramento e entrega das medalhas às equipes vencedoras será no dia 13, no campus do Observatório Nacional, em São Cristóvão, no Rio de Janeiro.

Ao todo, mais de 200 estudantes e 60 professores de 30 países participam da IOAA. Como país sede, o Brasil tem direito a duas equipes, integradas por alunos selecionados a partir da Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA), realizada em maio.

Nesta competição, reconhecida pela União Astronômica Internacional (IAU), a associação mundial dos astrônomos profissionais, os equipamentos são telescópios, calculadoras, muita criatividade e aplicação. 

Todos os estudantes farão, como nas outras edições, três modalidades de prova: observacional, na qual demonstram seus conhecimentos sobre o céu; teórica, resolvendo problemas de astronomia e astrofísica; e prova prática, na qual utilizam e interpretam dados como um astrônomo profissional.















Inscrições para concurso do Observatório Nacional

Vagas para pesquisador, tecnologista e técnico

 
As inscrições para o concurso público do Observatório Nacional podem ser feitas até o próximo dia 10 de agosto. Ao todo, são 7 vagas para pesquisador, 7 para tecnologista, e 9 para técnico. 

Para pesquisador, os candidatos devem ter doutorado e as vagas são para a área de astronomia e geofísica. Para tecnologia, há vagas para a área de metrologia em tempo e frequência, geofísica e tecnologia da informação. Já para técnico, os candidatos devem ter formação em informática, mecânica, eletrônica ou mecatrônica.

Os editais foram publicados no Diário Oficial da União (DOU) no dia 4 de junho e estão disponíveis na página do ON na internet (http://www.on.br/concurso_2012/).