8 de jul. de 2011

A nuvem em volta de Saturno

Revista FAPESP - Edição Online - 06/07/2011
Isis Nóbile Diniz e Maria Guimarães



Parceria entre astrônomos profissionais e amadores tenta desvendar tempestades sobre o planeta

© Carolyn Porco e CICLOPS / NASA/JPL-Caltech/SSI
Tempestade sobre Saturno em dezembro de 2010

Em dezembro do ano passado, astrônomos voltaram os telescópios para Saturno em busca de algo diferente dos marcantes anéis. Uma mancha branca surgiu no hemisfério norte do planeta, uma nuvem que se espichou para leste até, dois meses depois, praticamente circundar Saturno. O fenômeno é conhecido como Grande Ponto Branco (Great White Spot, ou GWS) e são observados a cada ano saturniano, que corresponde aproximadamente a 30 anos dos nossos. Essa pouca frequência faz com que apenas cinco GWS tenham sido registrados nos últimos 130 anos, e que sua origem seja pouco conhecida. Dois artigos publicados na Nature desta semana (7 de julho) reduzem esse desconhecimento, reunindo os esforços de astrônomos profissionais e amadores. Entre estes últimos, o brasileiro Fabio Carvalho.

Os resultados apresentados pelos dois trabalhos mostram grande atividade na nuvem branca. São fortes tempestades, com descargas elétricas praticamente constantes, alimentadas por calor e umidade que sobem das camadas mais baixas da atmosfera de Saturno. O artigo de que participa o brasileiro foi liderado por Agustín Sánchez-Lavega, da Universidade do País Basco, na Espanha, e traz observações e modelos que ajudam a entender os mecanismos que produzem os GWS. A convecção do ar quente e úmido injeta na troposfera superior partículas congeladas de amônia, dando origem a ventos com velocidade de vários metros por segundo. Ainda resta muito a compreender, mas a parceria entre especialistas e amadores, reunindo equipamentos sofisticados, teorias complexas e uma infinidade de observações, deve continuar a render frutos.

Para Carvalho, a brincadeira começou em 1995 quando ele, com uma câmera comum e um tripé, passou a registrar, junto com um colega de escola, o rastro dos satélites artificiais no céu. Na época, descobriu que também poderia fotografar planetas. “Eles são mais dinâmicos, cheios de eventos que mudam com o tempo, como essas tempestades magnéticas”, conta. Assim, qualquer pessoa pode obter essas imagens utilizando um telescópio comum com uma câmera acoplada. Carvalho usa um aparelho feito artesanalmente com cerca de 1,80 metro de altura e uma webcam no visor: “Ele possibilita uma imagem mais nítida. Tem abertura de 10 polegadas – cerca de 25 centímetros – maior do que os vendidos em lojas comuns com, no máximo, 6 centímetros de abertura”.

Sem pretensão, Carvalho passou a enviar suas fotografias para o banco internacional de imagens da Associação de Observadores Lunares e Planetários (Association of Lunar and Planetary Observers, ALPO). Lá, o trabalho do brasileiro se destacou. Um grupo de astrônomos amadores o convidou para participar de uma rede fechada de observações planetárias formada por, aproximadamente, 20 pessoas do mundo todo e acessada por pesquisadores ligados ao telescópio espacial Hubble. “Como os astrônomos profissionais possuem pouco tempo para usar o Hubble, eles estudam os corpos celestes por meio de nossas imagens, que são equivalentes àquelas feitas pelos primeiros satélites artificiais”, afirma Carvalho. “No caso dos planetas é ainda mais complicado para os cientistas porque esses corpos celestes se aproximam da Terra apenas em determinada época do ano (no caso de Saturno de março até abril)”, completa. Quando sua fotografia é usada em um artigo, o autor da imagem recebe o crédito. Esse foi o caso do Carvalho, que continuará percorrendo os 450 quilômetros entre São Paulo e Assis, no oeste do estado, onde está seu telescópio, para captar momentos únicos dos astros no céu.

Com 32 anos, ele está no segundo ano do curso de aviação civil da Universidade Anhembi Morumbi, e ministra cursos de fotografia astrofísica. Carvalho foi informado sobre sua participação no artigo pela reportagem de Pesquisa FAPESP On-line. “É uma satisfação pessoal saber que nossa fotografia é usada para a evolução do conhecimento humano”, disse o astrônomo amador, que prefere levar a astrofotografia como passatempo. “Faço isso por prazer, se trabalhasse profissionalmente na área não teria o mesmo gosto”, explica. Sem intenção de mudar o mundo, é a segunda vez que Carvalho vê seu nome citado na Nature entre os autores. A primeira vez foi graças à observação de outro planeta, Júpiter, em 2008.

 


Câmera de 1 bilhão de pixels fará mapa 3D da Via Láctea

Redação do Site Inovação Tecnológica - 06/07/2011

A câmera de 1 gigapixel vai equipar o observatório espacial Gaia, que irá mapear as estrelas da Via Láctea em 3D. [Imagem: Astrium]

Câmera de 1 bilhão de pixels

Não chega a ser exatamente 1 bilhão: mas são 938 milhões de pixels.
Esta é capacidade da maior câmera digital já construída para uma missão espacial.
Tudo começa com CCDs - Charge Coupled Devices, os sensores das câmeras digitais - cada um do tamanho de um cartão de crédito, medindo 4,7 x 6 centímetros.
A câmera resulta da montagem de 106 desses CCDs, separados um do outro por 1 milímetro, criando um mosaico de 1 x 0,5 metro, em sete colunas.
102 desses sensores serão dedicados à detecção de estrelas.
Os outros quatro vão checar a qualidade da imagem e a estabilidade do ângulo de 106,5º que deve ser mantido entre cada um dos dois telescópios do observatório Gaia: são necessários dois para obter uma visão "estéreo" (em 3D) de cada estrela.

Mapa 3D da Via Láctea

A câmera de 1 gigapixel vai equipar o observatório espacial Gaia, que irá mapear as estrelas da Via Láctea.
Enquanto um olho humano consegue identificar vários milhares de estrelas da Via Láctea em uma noite clara, o observatório Gaia irá mapear 1 bilhão de estrelas da nossa e das galáxias vizinhas, ao longo de uma missão de cinco anos, que deverá começar em 2013.
Mas Gaia não irá se contentar em captar imagens: os dois telescópios vão fornecer as posições tridimensionais de cada uma delas, seu movimento, brilho e características espectrais.
Esse mapa tridimensional das estrelas vai ajudar a revelar sua composição, formação e a evolução da Via Láctea.
O observatório Gaia não ficará restrito à Via Láctea: sua super câmera deverá captar também inúmeros outros corpos celestes, incluindo asteroides do nosso próprio Sistema Solar e galáxias e quasares no limite do Universo observável.

Câmera de 1 bilhão de pixels fará mapa 3D da Via Láctea
102 sensores serão dedicados à detecção de estrelas, enquanto outros quatro funcionarão como sistemas de aferição da qualidade das imagens. [Imagem: Astrium]

Outras super câmeras

Mesmo com a grandeza dos números da missão - 1 bilhão de pixels, 1 bilhão de estrelas - a missão conseguirá mapear apenas 1% das estrelas da Via Láctea.
E, apesar da precisão do equipamento, o processo de montagem foi de certa forma "manual", com os técnicos montando e aferindo a posição de apenas quatro CCDs por dia.
"A montagem e alinhamento preciso dos 106 CCDs foi um passo chave na montagem da estrutura do plano focal do observatório," disse Philippe Garé, da ESA.

A câmera do observatório Gaia tem quase quatro vezes mais resolução do que asuper câmera do telescópio terrestre VST.

Por outro lado, o projeto Pan-Starrs, que mapeia asteroides com risco com colisão com a Terra, possui uma câmera de 1,4 gigapixel.



Telescópio Hubble faz sua milionésima observação

Redação do Site Inovação Tecnológica - 05/07/2011


A milionésima observação do Hubble foi feita em busca de água na atmosfera de um exoplaneta a 1.000 anos-luz de distância. [Imagem: NASA/ESA/G. Bacon/STScI]

Um milhão de vezes "Uau!"

O Telescópio Espacial Hubble fez história mais uma vez.

Na segunda-feira, 4 de julho, aquele que é o instrumento científico mais popular da história, registrou a sua observação científica número 1.000.000.
E a milionésima observação do Hubble foi feita em busca de água na atmosfera de um exoplaneta a 1.000 anos-luz de distância. Infelizmente, embora o Hubble seja bem conhecido por suas imagens deslumbrantes, a milionésima observação é uma medição espectroscópica, onde a luz é dividida em suas cores componentes. Estes padrões de cores podem revelar a composição química de fontes cósmicas e corpos celestes. Assim, o milionésimo "Uau!" terá que se contentar com a ilustração artística mostrada acima.

Observação número 1.000.000

A observação número 1.000.000 do Hubble é do planeta HAT-P-7b, um planeta gigante gasoso, maior do que Júpiter, orbitando uma estrela mais quente do que o nosso Sol.
O HAT-P-7b, também conhecido como Kepler 2b, tem sido estudado pelo Telescópio Kepler, depois que ele foi descoberto por telescópios terrestres.

A principal missão do Kepler é encontrar exoplanetas semelhantes à Terra.


O Hubble agora está sendo usado para analisar a composição química da atmosfera do planeta.




Novo mundo

Nesta observação histórica, o Hubble foi usado para procurar por vapor de água e estudar a estrutura atmosférica do planeta através de espectroscopia.
"Nós estamos procurando a assinatura espectral do vapor de água. Esta é uma observação extremamente precisa, e serão necessários meses de análise antes de termos uma resposta," disse Drake Deming, da Universidade de Maryland. "O Hubble demonstrou que é ideal para caracterizar as atmosferas de exoplanetas, e estamos animados para descobrir o que este mundo irá revelar."

Revolucionário
O Telescópio Espacial Hubble foi lançado em 24 de abril de 1990, a bordo do ônibus espacial Discovery, na missão STS-31. Suas descobertas revolucionaram quase todas as áreas das pesquisas astronômicas, da ciência planetária à cosmologia.




7 de jul. de 2011

Aconteceu em 7 de julho de 1992

O cometa Shoemaker-Levy 9 passou extremamente próximo a Júpiter, um pouco mais de 40 000 km acima do topo de suas nuvens, e foi fragmentado.


Cometa Shoemaker-Levy: "colar de pérolas" formado na órbita de Júpiter
(NASA)

Em julho de 1994, pedaços de cometa Shoemaker-Levy 9 , também conhecido como o "colar de pérolas" cometa, colidiu com o planeta Júpiter.

Observatório Nacional na 63ª SBPC




Comunicação ON
Rio, 07 de julho de 2011

A 63ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) ocorre em Goiânia, de 10 a 15 de julho. A divulgação científica do Observatório Nacional estará presente na ExpoT&C, evento associado à SBPC, voltado para o público em geral e iniciado em 1993, com mostra de ciência, tecnologia e inovação e participação de expositores de órgãos do governo e de institutos de pesquisa. A abertura oficial será feita na Segunda-Feira, dia onze, pelo ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante.

As pesquisas e serviços do ON serão apresentados por meio da exibição da página institucional e material de divulgação.

A proposta do MCT, para esse evento, é inovadora em relação ao espaço físico que vai ocupar. São estruturas modernas de arquitetura hightech e os expositores foram instruídos a utilizar, preferencialmente, recursos de mídias visuais...

Dentro desse formato, o ON vai apresentar seu material de apoio didático de uma forma reestruturada para o evento. Em espaços destinados às palestras, como as bolhas de 360º, salas de projeção e no próprio estande do ON, as revistas em quadrinhos serão folheadas, virtualmente. São nove títulos distintos, o ambiente é uma sala de aula e uma mesma turma de alunos, para toda a série. Essas mesmas revistas estão disponibilizadas para download no site do ON. (http://www.on.br/site_daed/).

Cada revista aborda um único tema, em forma de palestra, onde o convidado é um especialista no assunto e, quase sempre, pesquisador do Observatório Nacional. A linguagem é acessível, coloquial, mas sem abrir mão do rigor das ciências exatas. Como o palestrante é o próprio pesquisador/personagem de cada revista, o expositor do ON apenas vai apresentá-las, convidando alguém do auditório a ler a revista exibida... Nessa mesma linha, o DVD de jogos educativos, desenvolvido pelo ON, será disponibilizado nesses espaços.

Na avaliação da presidente da SBPC, Helena Nader, o evento científico, considerado o maior do segmento na América Latina, pode ter em torno de 20 mil pessoas, somente em circulação. Em todas as edições o público circulante tem sido superior a 10 mil pessoas.


DAED/ON




6 de jul. de 2011

Aconteceu em 6 de julho de 1687

 Publicação do “Philosophiae Naturalis Principia Mathematica”, de Isaac Newton um dos mais importantes livros científicos de toda a história. Nele foram apresentadas as bases da física clássica.