7 de fev. de 2011

Um dos menores planetas encontrados pelo telescópio Kepler

Folha de S. Paulo - 02 de fevereiro de 2011

CALOURO

Nasa/AssociatedPress


Concepção artística de Kepler-10b, que tem 1,4 vez o tamanho da Terra e é um dos menores planetas encontrados pelo telescópio Kepler fora do Sistema Solar



Radiotelescópio com 13.000 antenas vai buscar outras Terras

Redação do Site Inovação Tecnológica - 01/02/2011


Múltiplas antenas da estação LWA-1, fotografadas ao pôr do sol. Cada antena tem cerca de 1,5 metro de altura e cerca de 2,7 metros na base. Os cientistas do grupo chamam o local de "campo dos sonhos dos astrônomos". [Imagem: LWA Project]

Radiotelescópio

Seu nome é insosso e diz pouco:Long Wavelength Array, algo como estrutura de comprimentos de onda longos, em tradução livre.

Então é melhor chamá-lo pela sigla, LWA, e lembrar que esse radiotelescópio inusitado vai captar ondas de rádio provenientes de planetas fora do nosso Sistema Solar - os chamados exoplanetas, ou planetas extrassolares.

O LWA será uma nova ferramenta em busca de outras Terras, planetas eventualmente com possibilidades de abrigar vida.

E que ferramenta... quando pronto, o LWA terá 13.000 antenas, agrupadas em 53 estações, colocadas estrategicamente ao longo de uma área de 400 quilômetros de diâmetro, no estado do Novo México, nos Estados Unidos.

A primeira estação, com 256 antenas, começará a operar no próximo mês, rastreando o céu de horizonte a horizonte em uma ampla faixa de frequências.

Descobertas além da imaginação

Com tantas antenas, o radiotelescópio LWA produzirá imagens de alta resolução de uma região do céu centenas de vezes maior do que a Lua cheia. Além de exoplanetas, o telescópio deverá captar também uma série de outros fenômenos cósmicos.

"Nós estaremos olhando para 'relâmpagos celestes' ocasionais," conta Joseph Lazio, um radioastrônomo do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA. "Estes flashes podem ser qualquer coisa, de explosões na superfície de estrelas próximas, a morte de estrelas distantes, buracos negros explodindo, ou até mesmo as transmissões de outras civilizações."

O LWA vai operar na faixa de frequências de rádio de 20 a 80 megahertz, correspondendo a comprimentos de onda de 3,8 a 15 metros. Estas frequências representam uma das últimas e mais mal exploradas regiões do espectro eletromagnético.

"Como a natureza é mais esperta do que nós, é bem possível que venhamos a descobrir algo sobre o que nem imaginamos," disse Lazio.

Folha de S. Paulo - 02 de fevereiro de 2011

CALOURO

Nasa/AssociatedPress

Concepção artística de Kepler-10b, que tem 1,4 vez o tamanho da Terra e é um dos menores planetas encontrados pelo telescópio Kepler fora do Sistema Solar

País briga por US$ 9 bi em metais raros

O Globo - 30/01/2011


O governo criou um grupo de trabalho para viabilizar a exploração das “terras raras”, elementos químicos encontrados em jazidas minerais, essenciais para aparelhos de alta tecnologia e até mísseis. Estima-se que o setor movimente este ano US$ 9 bilhões.

Terras raras e brasileiras

País quer explorar substâncias usadas em iPod e mísseis, num mercado de US$9 bi


Danielle Nogueira

O Brasil está disposto a entrar em um mercado bilionário dominado pela China e que é fundamental para a produção de aparelhos de alta tecnologia, como laptops, iPods e até mísseis. Técnicos do governo avaliam o potencial do país para explorar as chamadas terras raras, conjunto de 17 elementos químicos encontrados em jazidas minerais e que há até pouco tempo não passavam de siglas na tabela periódica. A ideia é consolidar um programa de pesquisa e desenvolvimento para minerais estratégicos, entre eles terras raras, além de traçar uma radiografia dos consumidores nacionais e identificar potenciais produtores. Assim, o governo pretende retomar a atividade - que hoje não representa sequer 1% da produção mundial - num segmento em que o país já foi líder global. Hoje, os chineses respondem por 97% da produção internacional, com 120 mil toneladas por ano.

Paralelamente, as Indústrias Nucleares do Brasil (INB) estão negociando com a Universidade Federal Fluminense (UFF) a realização de pesquisas no oceano com o objetivo de identificar novos depósitos de terras raras no país. A INB assumiu a exploração de terras raras no Brasil nos anos 90, após a extinção da Nuclemon, estatal que estava à frente da atividade até então. Umas das razões que fizeram a Nuclemon sair de cena foi a entrada com força da China nesse mercado, que jogou os preços para baixo, tornando a produção pouco lucrativa. Ironicamente, é a China que poderá levar o Brasil a ampliar sua atuação no segmento. Após restrições impostas por Pequim às exportações de terras raras, em setembro de 2010, o preço da tonelada saiu de US$5 mil para US$50 mil.

Tecnologia e meio ambiente: desafios

Com esse salto, os técnicos do governo avaliam que está na hora de o Brasil voltar a ter destaque nesse nicho. Em 2010, o mercado mundial de terras raras movimentou US$2 bilhões. Se os preços se mantiverem no patamar atual e a demanda continuar a crescer - estudo do Congresso americano aponta para uma demanda de 180 mil toneladas em 2012, ante as 134 mil em 2010 -, o mercado potencial para o próximo ano é de US$9 bilhões. Com produção residual, de apenas 650 toneladas de terras raras em 2009, segundo últimos dados disponíveis, o Brasil estaria praticamente fora desse boom, apesar de ostentar o título de terceiro maior produtor mundial. O segundo colocado é a Índia (2.700 toneladas).

Relatório feito por um grupo de trabalho do Ministério de Minas e Energia (MME) e o Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT), entregue às autoridades no fim de 2010, aponta que entre os desafios brasileiros está o desenvolvimento de novas tecnologias para aproveitamento desses elementos. Há ainda a questão ambiental. Na produção de terras raras, produz-se também elementos radioativos, que exigem armazenamento especial.

- Os problemas associados à produção das terras raras a partir da monazita (um dos minerais em que esses elementos são encontrados no Brasil) são de natureza ambiental, notadamente o destino a ser dado aos rejeitos contendo urânio e tório - diz o diretor de Recursos Minerais da INB, Otto Bitencourt.

Para Ronaldo Luiz Santos, pesquisador do Centro de Tecnologia Mineral, órgão ligado ao MCT, que integrou o grupo de trabalho interministerial, o essencial é que a iniciativa privada abrace a ideia do governo de retomar a produção de terras raras.

- As terras raras são uma questão de soberania nacional, pela multiplicidade de seus usos, inclusive na área de defesa e na indústria petrolífera. Precisamos de uma política estratégica de fomento à sua produção e arrojo empresarial para promover o aproveitamento das jazidas.

Gadolínio, cério e túlio são alguns desses elementos ditos raros. Apesar dos nomes esquisitos, o brasileiro já se acostumou com eles mesmo sem saber. Eles estão nas telas das TVs em cores, nos celulares e até nos motores elétricos. Também são usados na indústria bélica, para a fabricação de sistemas de orientação de mísseis, por exemplo, e são importantes insumos da indústria de energia renovável, por serem empregados na produção de painéis solares e turbinas eólicas. São usados ainda no processo de refino do petróleo. Apesar de batizados de raros, muitos são mais abundantes na natureza que outros metais, como cobre e ouro. Mas, por serem encontrados em pequenas concentrações, seu processo de produção é difícil e caro, o que os torna pouco viáveis economicamente. Daí sua raridade.

Depósitos em Goiás, Amazonas e Rio

No Brasil, sabe-se de depósitos de terras raras em Catalão (GO), Pitinga (AM) e São Francisco do Itabapoana (RJ). É neste último que as terras raras são encontradas na chamada monazita. De acordo com a INB, há estoques de 20 mil toneladas de monazita em suas dependências. A estatal chegou a elaborar um projeto para beneficiamento do mineral nos anos 90, mas acabou abandonando o projeto:

- O aumento da oferta, à época, de compostos de terras oriundos da China tornaram o projeto pouco atraente, e a operação foi suspensa. Agora, a INB está negociando com a UFF a realização de uma prospecção na plataforma continental (fundo do mar) adjacente aos depósitos terrestres buscando identificar novos depósitos para manutenção de suas atividades produtivas - diz Bitencourt.

Enquanto isso, outros países estão se mexendo para reduzir sua dependência da China. Em setembro passado, a Câmara de Representantes dos EUA aprovou projeto de lei para a criação de um programa de incentivo à exploração de terras raras, com recursos de US$70 milhões até 2015. A proposta ainda tem de ser apreciada pelo Senado. Já a Comissão Europeia quer estimular a reciclagem de terras raras por seus países-membros, além de assistir países africanos nessa atividade.

"Precisamos de um satélite só nosso"

IstoÉ - 05/02/2011


Para cientista responsável por novo sistema de prevenção de desastres, só investimento no médio prazo pode evitar as tragédias de verão.

André Julião

O climatologista Carlos Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), foi convocado para uma missão estratégica. Ele vai coordenar o Sistema Nacional de Alerta e Prevenção de Desastres Naturais, que deve funcionar 24 horas por dia, 365 dias por ano e contará com previsões climáticas e o treinamento da população em áreas de risco para evitar tragédias como as que acometeram a região serrana do Rio de Janeiro, no começo do ano. À ISTOÉ, Nobre dá detalhes do sistema e fala da importância de um satélite nacional para melhorar as previsões.

ISTOÉ – A falta de um satélite brasileiro prejudica o funcionamento do sistema?

Nobre – O Brasil tem que se planejar para ter um satélite meteorológico geoestacionário (que fica “estacionado” sobre o território) nosso, para melhorar a capacidade de detectar o que muda na atmosfera. Atualmente, usamos um satélite americano e um europeu. Eles fornecem esse tipo de informação, mas o Brasil não os controla. Precisamos de autonomia.


ISTOÉ – Qual o problema em usar os satélites estrangeiros?

Nobre – Hoje não acontece, mas já ocorreu no passado, na época em que havia muitos furacões nos EUA. Era só um dos dois satélites americanos parar de funcionar e eles viravam a câmera do que estava parado sobre o Brasil para o Caribe. O resto do mundo recebia uma imagem dele a cada três horas. É preciso tê-las a cada dez, 15 minutos para acompanhar o movimento rápido das nuvens. O Brasil é tão grande e diverso que justifica ter um satélite nacional. Mas não é algo que se consiga implantar em curto prazo.


ISTOÉ – Uma possível mudança no Código Florestal vai na contramão desse sistema?

Nobre – As áreas que foram ocupadas de forma irregular representam muito perigo. A floresta protege o solo e funciona muito bem para diminuir o risco de deslizamentos e inundações. Mas mesmo o código vigente não é adequado para proteger áreas expostas nas cidades. Ele tem princípios de proteção da água, do solo e da biodiversidade, mas nada sobre a proteção da vida humana.


ISTOÉ – Por que o sistema só vai estar pronto em 2015?

Nobre – A proposta é começar o processo de implantação gradativa do sistema, começando com municípios que possuem um mapeamento bom ou excelente das áreas de risco – e já são muitos. São Paulo e Rio são dois deles e já vão colher resultados antes de novembro. Gradativamente, faremos o ma¬peamento detalhado das outras áreas. Dentro de quatro anos, esperamos ter alcançado 500 municípios.

3 de fev. de 2011

Telescópio descobre novo sistema planetário

BBC Brasil

Cientistas anunciaram a descoberta de um novo sistema solar com pelo menos seis planetas em órbita surpreendentemente próxima de uma estrela.
A observação vem sendo considerada a mais importante desde que o primeiro planeta fora do nosso sistema solar foi descoberto, em 1995.
A descoberta foi feita pelo telescópio espacial Kepler, posto em órbita há dois anos pela agência espacial americana, Nasa.
Examinando apenas uma parte do céu, ele já descobriu um novo sistema planetário e a existência de mais de 500 planetas foi confirmada.

No entanto, este número pode chegar a 1.235.

Entre as descobertas feitas pelo telescópio espacial estão ainda 54 planetas que, segundo cientistas, seriam candidatos a ter condições de abrigar vida. Segundo os cálculos mais recentes, a órbita deles proporcionaria temperaturas nem quentes nem frias demais.