13 de jun. de 2012

Será que devemos ir ao espaço?


MARCELO GLEISER

Impedir a exploração humana do espaço é ir contra a história; somos exploradores por natureza

Já que na semana passada escrevi sobre como alienígenas ultra-avançados seriam indistinguíveis de deuses, hoje queria ir na direção oposta e explorar o nosso papel como exploradores cósmicos. O assunto foi inspirado pela missão sensacional do módulo Dragon, da empresa SpaceX, o grupo privado que na semana passada acoplou pela primeira vez uma cápsula à Estação Espacial Internacional, inaugurando uma nova era na corrida espacial.

Existem duas escolas de pensamento no que tange a nosso papel na exploração espacial. Membros da primeira argumentam que, do ponto de vista de custos e rapidez de resultados, missões robóticas são de longe melhores. Os sucessos até aqui são mesmo notáveis: por exemplo, a exploração dos planetas gigantes do Sistema Solar (Júpiter, Saturno, Urano e Netuno) pelas missões Voyager 1 e 2 e, mais recentemente, as missões Galileu e Cassini; os veículos de exploração de Marte, guiados por controle remoto daqui da Terra, e a nova missão que deve chegar lá no dia 6 de agosto, com um veículo de exploração bem maior do que seus antecessores. Exemplos não faltam, provando que podemos aprender enviando máquinas ao espaço. É bem mais barato do que enviar humanos e ninguém corre risco de morte.

A segunda escola defende que humanos precisam ir ao espaço. É nossa prerrogativa enquanto espécie inteligente, nosso mandato cósmico. As crianças adoram a ideia de explorar o espaço e muitos se interessam por ciência por causa disso.

Na prática, ter humanos in situ é muito eficiente, pois não só improvisamos como não somos bloqueados por pedras ou sofremos dano em painéis solares e antenas. (Se bem que nosso equipamento pode sofrer esses e outros danos.)

Existem muitas razões para enviar humanos ao espaço, algumas científicas e outras mais românticas. Devemos agora adicionar "dinheiro" entre elas, já que se pode ganhar muito com a exploração privada do espaço -mineração, pesquisa, projetos governamentais, turismo e outros. O grupo SpaceX, por exemplo, tem um contrato de US$ 1,6 bilhão com a Nasa para entregar equipamentos à Estação Espacial Internacional.

Idealmente, a resposta deveria combinar as duas posições: robôs são necessários, pois podem ir aonde não podemos, realizar tarefas para nós impossíveis e nos poupar de riscos desnecessários. Por outro lado, impedir a exploração humana do espaço é ir contra a história da nossa espécie. Somos exploradores por natureza, muitas vezes sem nos importar com os riscos.

Tenho certeza que, se um programa desenvolvesse uma viagem apenas de ida a Marte, não faltariam voluntários dispostos a chegar lá para serem imortalizados pela história da humanidade e para manter nosso expansionismo vivo.

Difícil imaginar que nosso futuro não será no espaço e que, dentro de alguns milhões de anos, não seremos nós os colonizadores de boa parte da galáxia. Pode até ser que encontremos "outros" pelo caminho -se bem que seu silêncio até aqui parece indicar sua raridade ou sua ausência (ou falta de interesse na nossa espécie). Já que, com tecnologias atuais, a viagem até a estrela mais próxima demora uns 100 mil anos, é bom começarmos logo.

MARCELO GLEISER é professor de física teórica no Dartmouth College, em Hanover (EUA), e autor de "Criação Imperfeita". Facebook:goo.gl/93dHI






Bolg Observatório
por Cássio Barbosa 
A nossa galáxia, a Via Láctea, pertence a um grupo de galáxias próximas umas das outras. As duas principais galáxias deste grupo são a nossa e Ândromeda, que está a uns 2,5 milhões de anos luz de distância. Além das duas, temos as duas Nuvens de Magalhães (satélites da Via Láctea), M33 (satélite de Andrômeda) e mais algumas dezenas de outras galáxias menores.
Há mais de um século já se sabe que daqui a 4 bilhões de anos haverá uma colisão envolvendo a Via Láctea, Andrômeda e M33, mas os detalhes dessa colisão ainda não haviam sido estudados com muita precisão. Fazer um estudo desses envolve simulações numéricas muito trabalhosas e bastante “pesadas”, falando em termos de recursos computacionais. Além de um grande volume de dados bons, são necessários supercomputadores, ou como é a tendência moderna, “clusters” – termo em inglês para “grupo” ou “aglomerado” – de computadores para processamento. Mesmo assim, essas simulações duram vários dias ou semanas.
Será publicado na próxima edição do “Astrophysical Journal” um estudo desses, baseado em dados do Hubble, mostrando como deve ser essa colisão. Esses dados foram obtidos pela observação de regiões selecionadas de Andrômeda durante cinco e sete anos, segundo Jay Anderson do Instituto do Telescópio Espacial.
Alguns aspectos gerais já eram conhecidos. Por exemplo, não se espera que haja muitas colisões entre estrelas, já que elas estão muito distantes umas das outras. O Sol e o Sistema Solar devem sobreviver a esta colisão. As duas galáxias estão uma indo ao encontro uma da outra, mas Andrômeda está se aproximando 2 mil vezes mais rápido.
Os resultados dessas simulações mostram que, depois do choque em si, as duas galáxias ainda vão levar uns 2 bilhões de anos até que se aglutinem por completo, formando uma única galáxia. Enquanto isso não acontece, Andrômeda e a Via Láctea vão ficar uma passando pela outra, sempre se deformando mutuamente por causa da força gravitacional das duas. As duas deixarão de ser galáxias espirais e se tornarão uma galáxia gigante do tipo cD, que é o tipo morfológico típico de colisões assim. Além de um bojo central, um halo difuso composto principalmente de gás será formado.
Outro resultado interessante mostra que o Sol – assim como todo o Sistema Solar – mudará de posição. Todo o sistema deve ir para regiões mais periféricas da Via Láctea, ficando mais afastado do centro. Mas todo o processo deve levar uns 6 bilhões de anos, e o Sol só deve ter mais uns 5 bilhões de anos de vida. Antes de tudo isso terminar, haverá apenas uma anã branca no lugar. Muito antes disso, daqui a uns 400 milhões de anos, a vida da Terra provavelmente já terá se extinguido, por conta do aumento da temperatura solar. Esse aumento é natural no ciclo evolutivo de uma estrela.
Trânsito de Vênus
Bom, como eu havia prometido, aqui vão alguns links que devem fazer a cobertura do trânsito de Vênus na internet:
Este primeiro tem o charme de ser uma transmissão diretamente do observatório de Monte Wilson na Califórnia. Foi nesse observatório que Edwin Hubble começou a obter os dados que o levariam a propor a expansão do Universo.





ON faz concurso para pesquisador, tecnologista, técnico e analista



Ao todo, são 7 vagas para pesquisador, 7 para tecnologista, 9 para técnico e 3 para analista em C&T. O período de inscrição vai de 5 de julho a 10 de agosto de 2012. Confira os editais na página do concurso do Observatório Nacional.

Para maiores informações sobre o concurso de Analista em Ciência e Tecnologia Pleno 1 acesse::
www.cespe.unb.br/concursos/MCTI_12 





11 de jun. de 2012

Observatório Nacional explica o magnetismo da Terra na Rio+20



O campo geomagnético protege o planeta da radiação solar


O Observatório Nacional levará aos visitantes da Rio+20 informações sobre as observações do campo magnético da Terra, desde os primeiros registros históricos até o que há de mais atual sobre o tema. No estande do ON, por meio de recursos audiovisuais, o público terá informações sobre tempestades magnéticas, reversões de polaridade do campo, auroras austrais e boreais, entre outros fenômenos relacionados. Experimentos educativos permitirão aos visitantes compreender as principais características do campo geomagnético, onde ele é formado e como ele se apresenta na superfície da Terra.


O campo magnético da Terra, chamado campo geomagnético, é uma das mais antigas descobertas científicas. É uma das formas na qual a energia se manifesta em torno de um corpo magnetizado ou de um condutor de corrente elétrica. No caso do campo geomagnético, a sua principal fonte são correntes elétricas que fluem no núcleo externo da Terra. Este campo gerado no núcleo pode ser detectado em todo o planeta, e fora dele também, funcionando como um escudo que protege a Terra da radiação solar.
As variações mais expressivas do campo geomagnético podem gerar problemas nas telecomunicações, na rede elétrica, aumentar a incidência de doenças de pele, entre outras consequências. Esse campo protege a Terra da radiação solar e, sem ele, a vida como a conhecemos estaria comprometida, inclusive com o desaparecimento de diversas espécies animais e vegetais.
A variação do campo geomagnético é um fenômeno absolutamente natural, decorrente da dinâmica da Terra e do Sol, sobre a qual não é possível haver qualquer interferência humana. Conhecer o campo geomagnético é fundamental para compreender sua importância, seus impactos, suas variações e também para identificar as alterações naturais e diferenciá-las de outros fenômenos que podem ser provocados pela ação humana.
O estande do ON ficará no Armazém 4 do cais do Porto, na Praça Mauá, centro do Rio de Janeiro, de 13 a 15 de junho, das 9 às 19 horas.

Serviço
Evento: Observatório Nacional na RIO+20
Local: Armazém 4 do cais do Porto, na Praça Mauá, centro do Rio de Janeiro
Período: 13 a 15 de junho, das 9 às 19 horas
Informações: www.popciencia.org.br



5 de jun. de 2012

Trânsito de Vênus sobre o Sol ocorre hoje e amanhã

Obseravtório Nacional
Um acontecimento astronômico raro será registrado esta semana: o planeta Vênus vai passar pelo Sol hoje e amanhã. O Trânsito de Vênus, como é conhecido o fenômeno, só voltará a ocorrer daqui a 105 anos. No Brasil, poderá ser visto apenas no extremo noroeste do Acre, quando o Sol estiver já se pondo.

Nestes dois dias, Vênus passará na frente do Sol e sua imagem aparecerá projetada como um “pequeno ponto” preto sobre a superfície do Sol. De acordo com a pesquisadora Josina Oliveira do Nascimento, da coordenação de Astronomia e Astrofísica do Observatório Nacional (ON), esse fenômeno somente é registrado com Vênus e Mercúrio, pois são os únicos planetas que ficam entre a Terra e Sol. “Os demais planetas só permitem a configuração Sol-Terra-Planeta.”

Imagem: NASA
A pesquisadora faz uma comparação com o eclipse lunar para explicar a percepção visual do Trânsito de Vênus. “O disco aparente da Lua, que é a forma como nós a vemos, é praticamente do mesmo tamanho do disco aparente do Sol, mas o disco aparente de Vênus é cerca de 31 vezes menor, então a mancha escura é cerca de 31 vezes menor que o disco do Sol.”

Desde o século XVII, quando os telescópios foram desenvolvidos e esse fenômeno passou a ser observado, houve somente seis registros do Trânsito de Vênus. O último foi em 2004.


Fique atento!

Nunca olhe diretamente para o Sol nem se estiver usando óculos escuros, vidros esfumaçados e bacias com água, por exemplo. Esses itens não oferecem proteção suficiente e há risco de sérios danos à visão.

Se você estiver na região em que o Trânsito de Vênus será visível e quiser assistir o fenômeno, utilize filtros adequados para essa finalidade.






 





31 de mai. de 2012

Eclipse parcial da Lua acontece no dia 4 de junho

Observatório Nacional


No Brasil, o fenômeno será registrado ao amanhecer e não terá boa visibilidade

No próximo dia 4 de junho, ocorre um eclipse parcial da Lua. No Brasil, o fenômeno será registrado ao amanhecer, entre 5h48 e 6h59, quando a Lua estará se pondo, e por isso não terá boa visibilidade.

O eclipse é a ocultação temporária de um astro quando entra na sombra de outro. Assim, o eclipse lunar se dá quando a Terra fica entre o Sol e a Lua. Pode ser total, quando o astro fica totalmente escuro; parcial, quando apenas parte dele entra na área de sombra; ou penumbral, quando não chega a entrar no sombreamento.

De acordo com Josina Oliveira do Nascimento, pesquisadora da coordenação de Astronomia e Astrofísica do Observatório Nacional (ON), o fenômeno do próximo dia 4 não terá boa visibilidade porque será ao amanhecer, com o céu clareando. Além disso, no período em que o eclipse poderá ser visto do Brasil, a Lua estará com uma pequena parte na umbra e quase toda na penumbra, ou seja, o satélite não será totalmente encoberto pela sombra da Terra. O fenômeno terá uma aparência de uma “mordida” em um dos lados da Lua.