28 de mai. de 2013

Observatório Nacional promove curso a distância em Astrofísica Geral


O Observatório Nacional (ON) oferece de 15 de julho a 29 de novembro de 2013, o curso a distância em Astrofísica Geral. Os participantes terão acesso a informações sobre a história da astronomia, a formação do universo, as características e dinâmica dos astros, entre outros tópicos.

As inscrições podem ser feitas de 3 de junho a 30 de agosto, no site do Observatório Nacional (www.on.br/ead_2013). Confira o programa do curso, que faz uma viagem pela história da ciência e pelo Universo atualmente conhecido.

O curso tem caráter de divulgação científica e é voltado para um público não especializado em ciências exatas, por isso não é necessário qualquer conhecimento prévio para acompanhá-lo a distância.

Os cursos a distância são oferecidos gratuitamente pelo ON e já estão na sua 10ª edição. Eles são realizados com o objetivo de socializar o conhecimento científico e contribuir para a inclusão social por meio da divulgação de temas relacionados à atuação da primeira instituição científica do Brasil, o Observatório Nacional. O material produzido é disponibilizado no site do ON e pode ser copiado e impresso, desde que não seja publicado em outros meios.



Divisão de Atividades Educacionais

10 de mai. de 2013

Hubble flagra cometa do século a caminho

Redação do Site Inovação Tecnológica 


[Imagem: NASA]



Cometa do século


Esta imagem feita pelo telescópio espacial Hubble mostra o cometa ISON - também conhecido como C/2012 S1 - a uma distância de 621 milhões de quilômetros do Sol (634 milhões de quilômetros da Terra).

Quando foi descoberto, em Setembro de 2012, o ISON passou a ser chamado de "cometa do século" porque há chances de que ele se torne o maior cometa já visto da Terra.

Se ele vai mesmo brilhar tanto quanto a Lua Cheia, ou se será um mero pontinho no céu, só será possível afirmar com mais certeza quando sua trajetória for determinada com mais precisão.

Contudo, mesmo estando ainda tão longe, a imagem captada pelo Hubble mostra que o cometa já está ativo conforme a luz solar começa a aquecer sua superfície, fazendo seu miolo congelado começar a sublimar.

A análise detalhada do envoltório de poeira em torno do núcleo sólido gelado revela um forte jato de partículas de poeira emergindo do lado do cometa voltado para o Sol.

As medições preliminares sugerem que o núcleo do ISON tem entre 5 e 6,5 quilômetros de diâmetro.

Segundo os pesquisadores, ele é pequeno demais para o alto nível de atividade observado até agora.

Os astrônomos estão usando esses dados para avaliar o nível de atividade do cometa a fim de prever seu tamanho aparente no céu quando ele chegar a pouco mais de 1 milhão de quilômetros da superfície do Sol, em 28 de dezembro.

ISON significa International Scientific Optical Network, um grupo de observatórios em dez países que se organizaram para detectar, monitorar e rastrear objetos no espaço.


NASA lança filme para comemorar Dia da Terra

Redação do Site Inovação Tecnológica




Dia Internacional da Mãe Terra


Para celebrar o Dia da Terra, comemorado em 22 de Abril, a agência espacial norte-americana lançou um vídeo com uma coletânea de fotos e visualizações do nosso planeta.
O filme é formado por fotografias tiradas a partir da Estação Espacial Internacional e várias imagens produzidas por satélites e sondas espaciais lançadas pela NASA.
O Dia da Terra - seu nome oficial é Dia Internacional da Mãe Terra - foi idealizado pelo senador norte-americano Gaylord Nelson, em 1970, sendo uma das heranças mais lembradas do movimento hippie e do nascente movimento ambientalista.
O movimento iniciado pelo Nelson resultou na criação da Agência de Proteção Ambiental (Environmental Protection Agency) e de uma série de leis para preservar o meio ambiente, um processo que se espalhou, sendo adotado rapidamente por quase todos os países do mundo.

30 de abr. de 2013

Deus, Einstein e os dados

Ao escrever que Deus não joga com dados, Einstein demonstrou incômodo com a mecânica quântica


Talvez o leitor tenha já ouvido falar da famosa frase de Einstein em carta ao físico Max Born, de 4 de dezembro de 1926, popularizada como "Deus não joga dados". Que dados e que Deus eram esses?

Einstein referia-se à física quântica, que explica o comportamento dos átomos e das partículas subatômicas, como elétrons, prótons e fótons, as "partículas de luz".

Os "dados" aqui aludem a probabilidades, ao fato de no mundo quântico ser impossível determinar onde um objeto vai estar. No máximo, podemos calcular a probabilidade de ele ser encontrado aqui ou ali, com esta ou aquela energia.

Isso era bem diferente da física anterior, na qual ao saber a posição e velocidade de um objeto era possível, em princípio, determinar sua posição futura com precisão limitada só pelo instrumento de medida.

Para Einstein, uma física não determinista não podia ser a última palavra na descrição da natureza.

Outra versão, mais abrangente, deveria explicar as probabilidades e os paradoxos do mundo quântico. Aparentemente, Einstein estava equivocado. Deus joga dados sim.

A versão completa da frase de Einstein é um pouco diferente: "A mecânica quântica é certamente impressionante. Mas uma voz interior me diz que não é ainda a coisa real. A teoria diz muito, mas não nos traz mais perto dos segredos do Velho. Eu, pelo menos, estou convencido de que Ele não joga com dados".

O "Velho" aqui é uma figura metafórica representando não o Deus judaico-cristão, mas o espírito da natureza, a essência da realidade.

Para Einstein, a função da ciência é desvendar essa estrutura, revelar como funciona o mundo.

Por outro lado, ele tinha consciência de que nossas formulações científicas eram meras aproximações do que realmente ocorre: "Vejo a natureza como uma estrutura magnífica que podemos compreender apenas imperfeitamente e que deveria inspirar em qualquer pessoa com capacidade de reflexão um sentimento de humildade".

O que incomodava Einstein era a interpretação da mecânica quântica, que diferia da sua visão de mundo. Em parte, foi ele mesmo o culpado, ao propor que a luz podia ser interpretada como onda (como todos já sabiam em 1905) ou como partícula. Como é que a mesma coisa poderia se manifestar de formas tão diferentes?

A coisa piorou quando a equação descrevendo elétrons em torno de núcleos atômicos, a "mecânica ondulatória" que Erwin Schrödinger propôs em 1926, descrevia algo imaterial. Em vez de uma onda normal, como uma de água, a equação descreve uma "função de onda" cuja interpretação, proposta por Born, era muito estranha: o quadrado (para os experts, valor absoluto) da função dava a probabilidade de medirmos a partícula em determinada posição ou com determinada energia.

Ou seja, a equação fundamental da matéria não descrevia matéria!

Nesse caso, a essência da natureza não era algo de concreto, mas uma abstração matemática. A teoria funcionava, mas sua interpretação era um mistério. Esse era o problema que Einstein tinha com o Deus que joga dados. E até hoje, quando físicos começam a pensar no assunto, não conseguem evitar uma certa ansiedade, mesmo com todo o sucesso da física quântica. MARCELO GLEISER é professor de física teórica no Dartmouth College, em Hanover (EUA), e autor de "Criação Imperfeita".

Satélite acha dois planetas em região habitável

Um deles é o mais similar à Terra, em diâmetro, já detectado até agora 

Astros, que podem ter água em sua superfície, estão em um sistema com cinco planetas a 1.200 anos-luz daqui


SALVADOR NOGUEIRA
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Quem pensa que o Sistema Solar é interessante por ter um planeta habitável vai pirar com o que há ao redor da estrela Kepler-62.

Lá, nada menos que dois mundos -possivelmente rochosos- ocupam órbitas na região mais favorável ao surgimento da vida.

Um deles é o mais similar ao nosso planeta, em termos de tamanho, já achado em uma zona habitável. Chamado de Kepler-62f, o astro é 40% maior do que a Terra.

Essa é a conclusão de um estudo produzido pela equipe do satélite Kepler, caçador de planetas da Nasa, publicado na revista "Science".

Os pesquisadores, liderados por William Borucki, identificaram cinco planetas girando ao redor da estrela, uma anã laranja com 63% do diâmetro do Sol.

Todos são relativamente nanicos -quatro entram na categoria das "superterras" (com diâmetro até duas vezes o terrestre) e um é do tamanho de Marte.

Os três mais internos são quentes demais para abrigar vida. Já os dois mais externos, Kepler-62e e Kepler-62f, têm suas órbitas na chamada zona habitável do sistema -região em que, numa atmosfera similar à da Terra, um planeta pode abrigar água líquida em sua superfície.

Embora a composição desses mundos ainda seja desconhecida, os pesquisadores citam outros planetas com diâmetro similar que tiveram sua densidade medida para argumentar que Kepler-62e e Kepler-62f provavelmente sejam rochosos como a Terra.

Além disso, esses dois mundos não têm um problema encontrado em outros planetas detectados em zonas habitáveis: o "travamento gravitacional".

Esse fenômeno acontece quando a mesma face do planeta fica o tempo todo voltada para a estrela.

Observado no sistema Terra-Lua, no qual o satélite exibe sempre a mesma face para o planeta, casos como esse se apresentam naqueles mundos que orbitam muito próximos do astro principal. Mas não é o caso aqui.

Em suma, esses dois mundos sobem direto para o topo da lista de potenciais planetas com vida, embora, a rigor, nada se possa dizer a esse respeito, exceto que, ao menos em teoria, eles podem abrigar água líquida na superfície.

Kepler surpreende de novo!

sex, 19/04/13
por Tadeu Meniconi






Saindo um pouco da pegada do Alma, quero falar dos últimos resultados do telescópio espacial Kepler.

Só para relembrar, esse telescópio, que tem 1,4 metro de diâmetro, está a bordo de um satélite constantemente apontado para mesma região do céu, as constelações de Lira, do Cisne e do Dragão. Sua missão é ficar observando milhares de estrelas durante meses a fio para buscar exoplanetas – como são chamados todos os planetas que ficam fora do nosso Sistema Solar –, mas não qualquer exoplaneta. A missão específica é identificar planetas do tipo rochoso, mais do que isso, planetas do tipo e do tamanho da Terra. Recentemente você acompanhou aqui no blog que o Kepler teve alguns problemas técnicos que foram superados e ele voltou a funcionar normalmente.

Observando a mesma região do céu por tanto tempo, a ideia é detectar a variação de brilho que ocorre quando um planeta passa em fronte a uma estrela. Não se tratam de eclipses, mas sim de trânsitos planetários. Essa é uma das técnicas de detecção de exoplanetas. Só que a variação de brilho observada pode ter outras origens, como manchas estelares, por exemplo. Por isso, essa técnica fornece apenas candidatos a exoplanetas, que devem ser confirmados posteriormente com técnicas mais apuradas, como o de velocidades radiais.

Com isso, o Kepler é o “caçador” de planetas mais bem sucedido da astronomia, com 2.740 candidatos relatados e 122 já confirmados.

Você viu aqui no G1, que na quinta-feira (18) um time de astrônomos usando dados do Kepler anunciou a descoberta de mais alguns exoplanetas, mas mais do que isso, anunciou a descoberta de um sistema planetário inteiro!

No entorno de uma estrela parecida com o nosso Sol, mas um pouco mais fria, chamada de Kepler 62, um sistema de quatro planetas foi descoberto, esses planetas foram batizados de Kepler 62 b, Kepler 62 c, Kepler 62 d e Kepler 62 e. Entretanto, numa segunda olhada nos dados, Eric Agol, da Universidade de Washington, percebeu que poderia haver mais um planeta nesses sistema. Usando uma técnica que ele mesmo havia desenvolvido, o planeta Kepler 62 f foi incluído nessa lista.

Desses planetas listados, b, c e d estão muito próximos da estrela hospedeira, podem até ser rochosos, mas é difícil de acreditar que não sejam mais do que verdadeiros planetas de magma. Mas a surpresa fica por conta dos planetas Kepler 62 d e Kepler 62 f.

Esses dois planetas, tudo indica, são rochosos e têm tamanhos compatíveis com o raio terrestre – na verdade são um pouco maiores. Em comparação com a Terra, os dois planetas recebem menos radiação e, portanto, são mais frios, mas estão na chamada “zona de habitabilidade”, uma região em torno da estrela em que a radiação incidente permite temperaturas para manter a água em estado líquido. A temperatura média calculada para Kepler 62 e é de -8º C e Kepler 62 f seria de -68º C. Esses valores são calculados levando-se em conta apenas a radiação proveniente da estrela, sem considerar que a presença de atmosfera daria uma temperatura maior por causa do efeito estufa. A Terra, por exemplo, não fosse a atmosfera, teria temperaturas médias de -18º C.

Fisicamente, com raios 1,61 e 1,41 vezes maiores que a Terra, Kepler 62 e e 62 f – respectivamente – são os planetas mais parecidos com a Terra já descobertos e por isso mereceram destaque na prestigiada revista “Science”. Mas mais do que isso, o mais legal é imaginar ter dois planetas rochosos muito parecidos, ambos com temperaturas capazes de manter água líquida no mesmo sistema planetário. Com essas condições, imagine a vida desenvolvendo-se simultaneamente e de forma independente logo ali no seu quintal! Mal comparando, seria como encontrar seres vivos em Vênus. Mas não os Incas venusianos, por favor!