13 de jun. de 2013

Universo consciente?



Para o físico John Wheeler, a existência da partícula depende de sua interação com a consciência humana


Entre os vários mistérios da física contemporânea, poucos se comparam à existência de não localidade na física quântica. Não localidade significa que interações entre entidades separadas podem ocorrer instantaneamente. É como se o espaço e o tempo não existissem!

Quando uma bola vai ao gol ou uma gota de chuva cai, existe um efeito local por trás: o chute, a nuvem carregada. No mundo quântico, dos elétrons e fótons --as partículas de luz--, efeitos podem ocorrer sem causa local, algo de que tratei na coluna do dia 28 de abril.

Imagine gêmeos, um em São Paulo e outro em Manaus. Entram num bar, um em cada cidade. Se o de São Paulo pede pinga, o de Manaus pede chope. Se o de São Paulo pede chope, o de Manaus pede pinga. Isso ao mesmo tempo, como se soubessem o que o outro pediu. Como é possível, dado que estão longe e não podem se comunicar?

Essa sincronicidade, se não com gêmeos, foi verificada entre pares de partículas em experimentos à distância que comprovam que a correlação é mais rápida do que a velocidade da luz.

Imagino que muitos leitores estejam pensando na premonição, na sincronicidade junguiana etc.

Lembro que o cérebro humano e os pares de fótons são "sistemas" bem diferentes. Mas cientistas sérios, como o vencedor do Nobel Eugene Wigner e seu colega de Princeton John Wheeler, se questionaram sobre o papel da mente na física.

Quando medimos algo usamos um detector. Não temos contato direto com um elétron. Sua existência é registrada quando interage com o detector e ouvimos um clique ou vemos um ponteiro mexer.

Na interpretação "ortodoxa" da física quântica, é essa interação que determina a existência da partícula: antes da medida, não podemos nem dizer que a partícula existe.

Wigner e Wheeler acham que, sem um observador, essa medida não faz sentido; foi o observador que montou o detector. A existência da partícula depende de interação com a consciência humana: mais dramaticamente, a consciência determina a realidade em que vivemos.

Wheeler imaginou um experimento no qual uma partícula passa por um anteparo com dois orifícios e vai de encontro a uma tela móvel. Atrás dela, há dois detectores alinhados com os orifícios. Se a tela é retirada, os detectores acusam por qual orifício a partícula passou.

Porém, no mundo quântico, partículas podem agir como ondas. Ondas passando por dois orifícios criam padrões de interferência, estrias claras e escuras.

Portanto, duas opções: com tela vemos interferência, sem tela vemos detecção de uma partícula.

Wheeler sugeriu que a tela fosse retirada após a partícula ter passado pelo anteparo. Por meio da sua escolha, o observador cria a propriedade física da partícula agindo retroativamente no tempo! O incrível é que a previsão de Wheeler foi confirmada. Observador e observado formam uma entidade única que existe fora do tempo.

Wheeler extrapolou: "Não somos observadores no Universo, somos participadores. Sem consciência, o mundo não existe! O Universo gera a consciência e a consciência dá significado ao Universo". Essa visão traz o dilema: será que o Universo só faz sentido porque existimos?

MARCELO GLEISER é professor de física teórica no Dartmouth College, em Hanover (EUA), e autor de "Criação Imperfeita".

Caçador de planetas da Nasa pifa, mas estudos seguem

Telescópio Kepler parou de colher dados após falha de orientação


Novos satélites e observatórios no solo vão continuar o trabalho de procura por 'gêmeo' da Terra


SALVADOR NOGUEIRA
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA



A mais ambiciosa e poderosa missão de caça a planetas pode ter um fim prematuro. Mas ainda haverá novas descobertas vindas do satélite Kepler durante anos.

O telescópio da Nasa, agência espacial americana, parou de colher dados científicos em 11 de maio, após a pane de um de seus giroscópios.

São quatro ao todo, e sua função é permitir o direcionamento preciso do telescópio para a região do céu escolhida para a pesquisa, onde ele monitora cerca de 150 mil estrelas em busca de sinais de planetas ao seu redor.

A precisão oferecida pelos giroscópios é de um milionésimo de grau, e o Kepler poderia operar com só três deles. Só que um já havia pifado no ano passado e, agora, outro encalhou.

O satélite entrou em "modo de segurança" (como um computador doméstico quando tem um problema) e sua orientação é mantida por propulsores. Os engenheiros do projeto elaboram um plano que tentará recuperar um dos dois dispositivos pifados.

"Qualquer ação de recuperação levará tempo", diz Roger Hunter, gerente da missão. "Possivelmente meses."

FUTURO DA PESQUISA


Embora a interrupção da missão --sem falar no possível término-- seja desanimadora, é importante lembrar que o satélite, lançado em 2009, cumpriu sua meta primária de operar por 3,5 anos.

Durante esse período, o sucesso foi grande. Além de 132 planetas comprovadamente descobertos, a análise inicial aponta que ainda há 2.608 candidatos a verificar, além de outros que podem estar escondidos nos dados brutos.

Com isso, pela primeira vez os astrônomos puderam estimar de forma realista o número de planetas na Via Láctea --na casa dos 100 bilhões.

Mas o grande prêmio da caça aos planetas ainda não foi conquistado: a localização de um mundo do exato tamanho da Terra e na mesma posição com relação a uma estrela similar ao Sol.

Para isso, novos projetos devem pegar o bastão de onde o Kepler deixou. Entre eles está seu sucessor direto, batizado pela Nasa de Tess (sigla para Satélite de Pesquisa de Exoplanetas em Trânsito).

"O Tess vai fazer a primeira pesquisa de trânsitos no céu inteiro, cobrindo 400 vezes mais céu do que qualquer missão anterior", diz George Ricker, do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), que lidera a missão.

A ESA (agência espacial europeia) também trabalha num sucessor para seu próprio satélite caçador de planetas, o Corot. Batizado de Plato, ele ainda não tem data de lançamento, mas deve sair depois do americano, programado para 2017.

Já o Telescópio Espacial James Webb, da Nasa, será capaz de sondar até a composição atmosférica de alguns exoplanetas rochosos. Pode até pintar o primeiro sinal concreto de um planeta que tenha vida. Mas isso só após o lançamento, em 2018.

Em solo, os instrumentos preferenciais para caçar planetas são os espectrógrafos, que detectam a assinatura de luz do bamboleio gravitacional de uma estrela, conforme planetas giram ao seu redor.

Uma nova geração desses instrumentos está sendo preparada para os grandes telescópios já operacionais, como os do Observatório Europeu do Sul, no Chile.

28 de mai. de 2013

Observatório Nacional promove curso a distância em Astrofísica Geral


O Observatório Nacional (ON) oferece de 15 de julho a 29 de novembro de 2013, o curso a distância em Astrofísica Geral. Os participantes terão acesso a informações sobre a história da astronomia, a formação do universo, as características e dinâmica dos astros, entre outros tópicos.

As inscrições podem ser feitas de 3 de junho a 30 de agosto, no site do Observatório Nacional (www.on.br/ead_2013). Confira o programa do curso, que faz uma viagem pela história da ciência e pelo Universo atualmente conhecido.

O curso tem caráter de divulgação científica e é voltado para um público não especializado em ciências exatas, por isso não é necessário qualquer conhecimento prévio para acompanhá-lo a distância.

Os cursos a distância são oferecidos gratuitamente pelo ON e já estão na sua 10ª edição. Eles são realizados com o objetivo de socializar o conhecimento científico e contribuir para a inclusão social por meio da divulgação de temas relacionados à atuação da primeira instituição científica do Brasil, o Observatório Nacional. O material produzido é disponibilizado no site do ON e pode ser copiado e impresso, desde que não seja publicado em outros meios.



Divisão de Atividades Educacionais

10 de mai. de 2013

Hubble flagra cometa do século a caminho

Redação do Site Inovação Tecnológica 


[Imagem: NASA]



Cometa do século


Esta imagem feita pelo telescópio espacial Hubble mostra o cometa ISON - também conhecido como C/2012 S1 - a uma distância de 621 milhões de quilômetros do Sol (634 milhões de quilômetros da Terra).

Quando foi descoberto, em Setembro de 2012, o ISON passou a ser chamado de "cometa do século" porque há chances de que ele se torne o maior cometa já visto da Terra.

Se ele vai mesmo brilhar tanto quanto a Lua Cheia, ou se será um mero pontinho no céu, só será possível afirmar com mais certeza quando sua trajetória for determinada com mais precisão.

Contudo, mesmo estando ainda tão longe, a imagem captada pelo Hubble mostra que o cometa já está ativo conforme a luz solar começa a aquecer sua superfície, fazendo seu miolo congelado começar a sublimar.

A análise detalhada do envoltório de poeira em torno do núcleo sólido gelado revela um forte jato de partículas de poeira emergindo do lado do cometa voltado para o Sol.

As medições preliminares sugerem que o núcleo do ISON tem entre 5 e 6,5 quilômetros de diâmetro.

Segundo os pesquisadores, ele é pequeno demais para o alto nível de atividade observado até agora.

Os astrônomos estão usando esses dados para avaliar o nível de atividade do cometa a fim de prever seu tamanho aparente no céu quando ele chegar a pouco mais de 1 milhão de quilômetros da superfície do Sol, em 28 de dezembro.

ISON significa International Scientific Optical Network, um grupo de observatórios em dez países que se organizaram para detectar, monitorar e rastrear objetos no espaço.


NASA lança filme para comemorar Dia da Terra

Redação do Site Inovação Tecnológica




Dia Internacional da Mãe Terra


Para celebrar o Dia da Terra, comemorado em 22 de Abril, a agência espacial norte-americana lançou um vídeo com uma coletânea de fotos e visualizações do nosso planeta.
O filme é formado por fotografias tiradas a partir da Estação Espacial Internacional e várias imagens produzidas por satélites e sondas espaciais lançadas pela NASA.
O Dia da Terra - seu nome oficial é Dia Internacional da Mãe Terra - foi idealizado pelo senador norte-americano Gaylord Nelson, em 1970, sendo uma das heranças mais lembradas do movimento hippie e do nascente movimento ambientalista.
O movimento iniciado pelo Nelson resultou na criação da Agência de Proteção Ambiental (Environmental Protection Agency) e de uma série de leis para preservar o meio ambiente, um processo que se espalhou, sendo adotado rapidamente por quase todos os países do mundo.