6 de nov. de 2012

Astrobiologia é destaque no XVII Ciclo de Cursos Especiais do Observatório Nacional

Site CCE 2012


O Observatório Nacional realiza até sexta-feira a 17ª edição do Ciclo de Cursos Especiais (CCE), voltado a estudantes e pesquisadores das áreas de astronomia, astrofísica e cosmologia. O XVII CCE, ministrado em inglês, aborda os temas astrofísica extragaláctica, astrofísica estelar e galáctica, cosmologia, ciências planetárias e, pela primeira vez, astrobiologia. Esse novo ramo, que envolve a compreensão da origem, evolução, distribuição e futuro da vida no Universo, será abordado no minicurso ministrado pelo professor Edwin Bergin Jr, da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, que atualmente pesquisa a astronomia molecular e busca relacioná-la às origens da vida.

A astrobiologia também estará em foco na palestra do professor Mario Cesar Cardoso de Pinna, do Museu de Zoologia da USP, que falará sobre os padrões e processos evolutivos nos sistemas biológicos.

A vida sob diferentes perspectivas será o tema da mesa-redonda, moderada pelo professor Eduardo Janot Pacheco, da USP. Deste debate, participarão os pesquisadores Edwin Bergin, professor de astronomia da Universidade de Michigan, EUA; George Ellis, professor de matemática aplicada da Universidade da Cidade do Cabo, África do Sul; Cláudia Lage, professora do Instituto de Biofísica da UFRJ, que participa do projeto de pesquisa “O ambiente microbiológico antártico como modelo de estudos em astrobiologia”; e Mario de Pinna, professor da USP que trabalha com a linha “biologia evolutiva”.

Outros três minicursos serão oferecidos nesta edição do CCE. O pesquisador Piercarlo Bonifacio, do Observatório de Paris-Meudon (França), apresentará “Science with multi-object spectrographs: the future”, sobre importância do telescópio do ESO para a ciência. O professor George Ellis, da Universidade da Cidade do Cabo (África do Sul), ministrará o curso “Cosmology”. O pesquisador Marcello Fulchignoni, do Observatório de Paris-Meudon (França), dará o curso “Instruments On Board of Space Missions”, falando sobre o uso de instrumentos para pesquisa nas missões espaciais.

O CCE é realizado anualmente pelo Observatório Nacional e cada Ciclo apresenta tópicos atuais de três ou quatro áreas distintas da astronomia, abordados em minicursos com oito horas de duração, ministrados sempre por pesquisadores de renome internacional e de reconhecida competência didática.

Mais informações na página do evento:  http://www.on.br/cce/2012/br/



1 de nov. de 2012

A Ciência que eu Faço - Astronomia



Carlos Henrique Veiga. astrônomo do Observatório Nacional. Possui graduação em Física pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (1978), mestrado (1986) e doutorado (1992) em Astronomia pelo Observatório Nacional. Pós-doutorado(1994-1996) no Institut de Mécanique Céleste et de Calcul des Éphémérides (Paris/França). É membro do "working group on natural satellite - International Astronomical Union e pesquisador Titular do Observatório Nacional/MCTI. Tem experiência na área de Astronomia, com ênfase em Astronomia Dinâmica, atuando principalmente nos seguintes temas: dinâmica orbital, posição de satélites, divulgação, sistema solar e astrometria de satélites. Atualmente acumula a função de chefe da Divisão de Atividades Educacionais do Observatório Nacional desde Março/2009.



É uma série de entrevistas, no formato de filmes de curta duração, voltadas para professores e estudantes do ensino fundamental e do ensino médio, mostrando a ciência que se faz no nosso país, especialmente nas Unidades de Pesquisa ligadas ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação - MCTI.

Além de depoimentos, os entrevistados falam de suas trajetórias profissionais e do despertar para uma carreira científica.
Essa é uma iniciativa do MCTI, com o apoio do seu Departamento de Popularização e Difusão de C&T e do Museu de Astronomia e Ciências Afins - MAST.

Alguns agradecimentos se fazem necessários:

À Vera Marina, que acreditando no projeto disponibilizou todo o equipamento de filmagem da FINEP e a competência do editor César Ferreira;
À Vídeo Ciência que editou os primeiros programas;
Ao Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo que nos permitiu o uso de seis depoimentos de seus pesquisadores.
À Assessoria de Comunicação do MCTI.

Para sugestões e críticas:
Vera Pinheiro
Ministério da Ciência, tecnologia e Inovação - MCTI
Museu de Astronomia e Ciências Afins - MAST/MCTI
E-mail: verapinheirorio@gmail.com
Tel: (21) - 3514-5209



Estudo vislumbra 1º planeta 'brasileiro'



Grupo liderado por pesquisador da USP identificou sinais de astro do tamanho de Saturno fora do Sistema Solar.

Equipe também achou pistas de astro do porte de Júpiter; objetivo é entender formação de sistemas planetários.

SALVADOR NOGUEIRA
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Um grande estudo liderado por um pesquisador da Universidade de São Paulo está muito perto de encontrar os primeiros planetas "brasileiros" fora do Sistema Solar.

Jorge Meléndez, do IAG (Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas), chefia o grupo internacional responsável pelo trabalho, que tem por objetivo decifrar como surgem as diversas arquiteturas possíveis para um sistema planetário.

Para tanto, ele obteve 88 noites de observação no telescópio de 3,6 m do ESO (Observatório Europeu do Sul) em La Silla, Chile.

É lá que está o espectrógrafo Harps, festejado na semana passada pela descoberta de um mundo do tamanho da Terra em Alfa Centauri B. Ele mede variações na luz vinda das estrelas, causadas por um bamboleio sutil que é sintoma da influência gravitacional de planetas por perto.

As 88 noites estão distribuídas ao longo de cinco anos (de 2011 até 2015), mas resultados parciais foram apresentados durante a 37ª Reunião Anual da SAB (Sociedade Astronômica Brasileira).

E já se pode falar algo dos possíveis primeiros planetas descobertos por uma pesquisa nacional, embora não se possa ainda cravar o achado (é costume dos caçadores de planetas só fazer um anúncio quando uma órbita completa é observada).

Por ora, já se viu sinais de um candidato a "Saturno quente" (um planeta do porte de Saturno, mas muito próximo de sua estrela) e de outro similar a Júpiter.

QUÍMICA ESTELAR

O que chamou a atenção do ESO para a aprovação do projeto brasileiro não foi tanto a perspectiva de encontrar planetas, mas a possibilidade de desvendar uma possível relação entre a composição química da estrela e seu sistema de planetas.

Meléndez e seus colegas concentram seus esforços nas chamadas "gêmeas solares", estrelas que têm basicamente os mesmos parâmetros do Sol. No entanto, a metalicidade (teor de metais) desses astros varia levemente.

Os pesquisadores acreditam que exista uma relação entre a presença menor de metais na estrela e a formação de planetas do tipo rochoso, como a Terra, nas regiões mais internas do sistema.

Nesse contexto, o astro mais interessante dentre as 70 gêmeas solares que estão sendo observadas tende a ser uma estrela batizada de HIP 56948. Ela é praticamente idêntica ao Sol, inclusive em metalicidade.

E o que os astrônomos viram nela, até agora, é exatamente nada, o que na verdade é uma grande notícia."Isso significa que, ao menos perto da estrela, o sistema está livre de planetas gigantes. É interessante, porque permitiria a existência de planetas rochosos nessas regiões."

Caso a relação entre a metalicidade e a configuração dos sistemas planetários seja real, será uma revolução na busca por planetas extrassolares, facilitando achar "gêmeas idênticas" da Terra.




Copérnico traído


Folha de S. Paulo
MARCELO GLEISER

Tendo dedicado seu grande tratado ao próprio papa, provavelmente não era a Igreja Católica que ele temia
NOS SÉCULOS 16 e 17, o que você pensava sobre o Cosmos podia lhe custar a vida; se não a vida, ao menos a liberdade e a integridade física. Imagine viver numa sociedade na qual o arranjo dos céus, por fazer parte da interpretação teológica da Bíblia, era determinado não pela ciência, mas pela fé. Essa era a época em que viveram Copérnico, Galileu e Johannes Kepler, os pioneiros da chamada Revolução Copernicana.

Copérnico trabalhava para a Igreja Católica na Polônia como uma espécie de administrador local. Mas, embora houvesse estudado medicina e jurisprudência, seu interesse real estava nos céus.

Em 1500, todos acreditavam que a Terra era o centro do Cosmo e que o Sol, a Lua e os planetas giravam à sua volta. Em 1510, Copérnico escreveu um pequeno tratado propondo algo inteiramente diferente: o Sol era o centro e a Terra girava à sua volta, tal como todos os planetas.

Ele resolveu testar a recepção da ideia distribuindo o trabalho para alguns intelectuais e membros do clero. Ao contrário do que muitos pensam, a Igreja Católica não tinha ainda uma posição oficial contra o sistema heliocêntrico (o Sol no centro). Quem se manifestou contra Copérnico foi Martinho Lutero: "Há aí um astrônomo que diz que a Terra gira em torno dos céus. O tolo acha que vivemos num carrossel". Fora isso, nada de muito dramático ocorreu com Copérnico e seu tratado.

Apesar de sua fama crescente como excelente astrônomo, Copérnico só foi publicar sua grande obra, o resumo do trabalho de toda a sua vida, em 1543.

Alguns afirmam que ele temia os outros astrônomos, pois sabia que seus dados não eram dos melhores: construiu seu sistema usando medidas astronômicas tiradas por Ptolomeu em 150 d.C. e por astrônomos árabes durante a Idade Média -Copérnico era mais um arquiteto do que um observador.

Talvez se preocupasse também com os luteranos, que avançavam em seu domínio na Europa Central. Mas quando, devido à insistência de seu único pupilo, Rheticus, ele termina o tratado, Copérnico o dedica ao papa! Certamente não era a Igreja que ele temia.

Na época, publicar um livro significava passar um tempo junto com o editor, acertando todos os detalhes. Como era já bem velho, Copérnico manda Rheticus para Nuremberg de modo a tomar conta disso.

Só que o rapaz era homossexual e acabou sendo expulso da cidade. Na pressa, deixou o manuscrito aos cuidados de Andreas Osiander, um teólogo luterano conservador.

Péssima escolha. Osiander, representando o pensamento de sua igreja, acrescenta um prefácio anônimo ao livro, dizendo que o sistema ali proposto era apenas um modelo matemático que ajudava no cálculo das posições planetárias, nada dizendo sobre o real arranjo dos céus, que permanecia geocêntrico.

Nesse meio tempo, Copérnico sofre um derrame e só recebe as provas do livro na cama. Segundo os relatos, ao ler o prefácio, compreendendo a dimensão da traição de Osiander, Copérnico morre no mesmo dia. Apenas em 1609 é que Kepler desmascara a traição, argumentando que Copérnico jamais teria escrito tal coisa. Copérnico morreu traído, mas é imortalmente celebrado como um dos heróis da história do pensamento.

MARCELO GLEISER é professor de física teórica no Dartmouth College, em Hanover (EUA), e autor de "Criação Imperfeita".
Facebook: goo.gl/93dHI




Grupo "caça" Plutão para proteger espaçonave

Folha de S.Paulo

Astrônomos precisaram posição do astro para evitar choque com sonda americana

SALVADOR NOGUEIRA
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Em julho de 2015, a sonda americana New Horizons passará zunindo pelas proximidades de Plutão e suas luas.

A trajetória coloca a espaçonave a grande proximidade do planeta anão, para maximizar a qualidade das observações científicas. Mas e se houver um erro de cálculo na posição exata do astro? Pode dar zebra?
Apesar de Plutão ter sido descoberto em 1930 e alvo de observações desde então, essa é uma possibilidade.

"Nas efemérides [plutonianas] há uma falta de confiabilidade muito grande", explica Roberto Vieira Martins, astrônomo do Observatório Nacional, no Rio de Janeiro. "Isso porque ninguém costuma corrigir os dados em função da refração [causada pela atmosfera]."

Para preencher essa lacuna, Martins e seus colegas fazem um esforço de tentar executar essa correção apropriada dos dados para dar mais confiança às estimativas de posição e distância do astro.

As medições são feitas quando Plutão passa à frente de outra estrela mais distante, ao acompanhar a variação de brilho e o sumiço temporário da estrela no céu.

Monitorando de forma sistemática possíveis interferências causadas pela atmosfera da Terra, os pesquisadores puderam "filtrar" os erros das observações, permitindo uma determinação mais precisa da posição do astro.

O trabalho, que até agora envolveu 151 noites de observação no Observatório Pico dos Dias, em Itajubá (MG), e mais 13 noites no telescópio do ESO (Observatório Europeu do Sul), compreendendo um período total de 17 anos foi apresentado por Gustavo Benedetti-Rossi, também do Observatório Nacional, na 37ª Reunião Anual da Sociedade Astronômica Brasileira, em Águas de Lindoia (SP).

É fato que a Nasa ligará os sensores da nave quando ela estiver se aproximando, para fazer correções de curso de última hora.

Contudo, melhorar os dados da órbita de Plutão ajuda a dar a certeza de que a ligação programada dos sistemas a bordo não aconteça num ponto do voo em que a correção já seria inviável.




Brasileiro descobre "superestrela" rara


Folha de S.Paulo
GIULIANA MIRANDA
DE SÃO PAULO


Objeto recém-identificado tem mais de cem vezes a massa do nosso Sol e está localizado do outro lado da galáxia.

Astros tão maciços são incomuns e têm vida efêmera; a descoberta pode ajudar a entender a evolução das estrelas.


Um astrônomo brasileiro conseguiu encontrar, no meio das mais de 200 bilhões de estrelas da Via Láctea, um astro que é particularmente especial: uma grandalhona com pelo menos cem vezes a massa do nosso Sol.

E mais: a estrela parece ter sido "expulsa" da região em que se formou, estando agora isolada a cerca de 25 mil anos-luz daqui.

Astros tão maciços são difíceis de encontrar, pois são muito raros e têm vida relativamente curta.

"É como encontrar um grão de areia especial no meio de uma praia inteira", explica Alexandre Roman Lopes, autor da descoberta e pesquisador da Universidade de La Serena, no Chile. Ele é especialista em encontrar esses monstrengos espaciais.

A estrela descoberta, batizada de WR42e, provavelmente tem elementos químicos essenciais à formação e desenvolvimento da vida como a conhecemos. E, na explosão que marca a morte das grandes estrelas, eles deverão se espalhar pelo espaço.

Por isso, explica o astrônomo, a descoberta poderá ajudar no "entendimento de como os elementos químicos se formam, e até a evolução da nossa própria galáxia".

Apesar de grandalhona, ela é novinha em termos galácticos: tem apenas 1 milhão de anos. Com 4,6 bilhões de anos, nosso Sol, por outro lado, já é um veterano.

A vida, no entanto, será bem mais curta para o astro.

Quanto maior uma estrela é, mais rápido ela consome o combustível de seu núcleo. Acredita-se que o fim da linha para esse parrudo objeto seja, na melhor das hipóteses, daqui a 1 milhão de anos. Praticamente amanhã quando se trata de astronomia.

DESPEJADO

A superestrela se formou no aglomerado NGC3603, localizado mais ou menos do outro lado da galáxia. A região é uma espécie de berçário estelar, onde vários astros se concentram em um espaço reduzido.

Tanta proximidade causa interações gravitacionais poderosas e, para o astrônomo brasileiro, foi numa dessas que a grandalhona acabou "chutada" para a periferia desse sistema.

Essa proposição foi publicada agora no "Monthly Notices of the Royal Astronomical Society", baseada em observações do telescópio Soar, também no Chile.

Na opinião de Claudio Bastos, astrônomo do ON (Observatório Nacional) que não está envolvido com o estudo, a descoberta dessa gigante pode ajudar a revisar as teorias de formação estelar.

"É uma descoberta interessante, pois se trata de um objeto extremamente raro. A observação sempre coloca em xeque as teorias. Vamos ver até onde os modelos conseguem se encaixar", explica.