27 de mai de 2011

Jatos de buraco negro são captados em alta resolução

Redação do Site Inovação Tecnológica - 23/05/2011


Radiotelescópios captam imagem mais precisa dos jatos de buraco negro
Mesclando imagens em raios X (azul), micro-ondas (laranja) e imagens em luz visível, pode-se ver os jatos e os lobos emissores de frequências de rádio do buraco negro central da galáxia Centauro A.[Imagem: ESO/WFI (visível); MPIfR/ESO/APEX/A.Weiss et al. (micro-ondas); NASA/CXC/CfA/R.Kraft et al. (raios X)]
Usando uma rede de nove radiotelescópios espalhados por todo o Hemisfério Sul, astrônomos geraram a imagem mais detalhada já vista dos jatos de partículas em erupção de um buraco negro.
"Esses jatos são gerados pela matéria que se aproxima para cair no buraco negro, mas nós ainda não sabemos os detalhes de como esses jatos se formam e se mantêm," explica Cornelia Muller, da Universidade de Erlangen-Nuremberg, na Alemanha, autora principal do estudo.
A nova imagem mostra uma região de menos de 4,2 anos-luz de diâmetro - menos do que a distância entre o Sol e a estrela mais próxima de nós.
A imagem permite a visualização de estruturas com apenas 15 dias-luz, o que torna esta imagem a de mais alta resolução já feita desse fenômeno.

Centauro

A galáxia é a Centauro A, uma galáxia vizinha da Via Láctea, que possui um buraco negro supermassivo pesando 55 milhões de vezes a massa do sol.
Também conhecida como NGC 5128, a Centauro A está localizada a cerca de 12 milhões de anos-luz de distância, na constelação do Centauro e foi uma das primeiras fontes de rádio celeste identificados com uma galáxia.
Vista em ondas de rádio, a Centauro A é um dos maiores e mais brilhantes objetos no céu, com quase 20 vezes o tamanho aparente da lua cheia.

Telescópio do tamanho da Terra

A nova imagem mescla dados captados em ondas de rádio - pelos nove radiotelescópios da rede TANAMI (Tracking Active Galactic Nuclei with Austral Milliarcsecond Interferometry) - com imagens feitas em visível, raios X e micro-ondas.
"Técnicas de computação avançada nos permitem combinar os dados dos telescópios individuais para produzir imagens com a nitidez de um único telescópio gigante, quase tão grande quanto a própria Terra", afirmou Roopesh Ojha, coautor do estudo.
A enorme produção de energia das galáxias como a Centauro A vem do gás caindo em seu buraco negro, pesando milhões de vezes a massa do Sol.
Por meio de processos ainda não muito bem compreendidos, uma parte dessa matéria em queda é ejetada em jatos opostos, em uma velocidade muito alta - cerca de um terço da da velocidade da luz.

Imagens como estas podem ajudar os astrônomos a determinar como esses jatos se formam.


Radiotelescópios captam imagem mais precisa dos jatos de buraco negro
Os buracos negros supermassivos estão girando mais rápido do que em qualquer momento na história do Universo. [Imagem: Dana Berry / STScI]


Velocidade dos buracos negros

Em um outro estudo, também divulgado hoje, dois astrônomos do Reino Unido concluíram que osburacos negros gigantes no centro das galáxias estão se acelerando.
Segundo eles, em média, os buracos negros supermassivos estão girando mais rápido do que em qualquer momento na história do Universo.
Também usando observações na faixa de radiofrequência, os astrônomos fizeram um censo de uma população de buracos negros, deduzindo a propagação dos seus jatos de energia.
Estimando como eles adquirem esse material - um processo chamado acreção - os cientistas deduziram então quão rapidamente esses objetos estão girando.

Fusão de buracos negros

As observações também fornecem informações sobre como a rotação dos buracos negros supermassivos evoluiu.
No passado, quando o Universo tinha metade do tamanho atual, praticamente todos os buracos negros supermassivos tinham uma rotação muito lenta, enquanto hoje uma boa parte deles tem rotações muito altas.
Assim, em média, os buracos negros supermassivos estão girando mais rápido do que nunca.
A provável explicação do aumento na velocidade de rotação, sugerida pelos astrônomos britânicos, é a fusão de buracos negros - ao se fundirem, o buraco negro resultante gira mais rápido do que seus antecessores.
Se eles estiverem corretos em suas múltiplas inferências, essa mudança na velocidade de rotação dos buracos negros poderá ser captada pelo telescópio SKA (Square Kilometre Array), o maior radiotelescópio do mundo, que deverá começar a operar em 2019.

Bibliografia:

Dual-frequency VLBI study of Centaurus A on sub-parsec scales
C. Müller, M. Kadler, R. Ojha, J. Wilms, M. Böck, P. G. Edwards, C. M. Fromm, H. Hase, S. Horiuchi, U. Katz, J. E. J. Lovell, C. Plötz, T. Pursimo, S. Richers, E. Ros, R. E. Rothschild, G. B. Taylor, S. J. Tingay, J. A. Zensus
Astronomy and Astrophysics
June 2011
Vol.: 530 L11
DOI: 10.1051/0004-6361/201116605

Observational constraints on the spin of the most massive black holes from radio observations
Alejo Martinez-Sansigre, Steve Rawlings
Astronomy and Astrophysics



Aconteceu em 27 de maio de 2006

Observatório Nacional

Um terremoto de magnitude 6,3 ocorreu no Oceano Índico, na região ao sul da ilha de Java. Seu epicentro foi a 33 quilômetros abaixo do nível do mar. O tremor principal foi acompanhado por dois tremores secundários de magnitude 4,8 e 4,6. A destruição foi imensa. Cerca de 5800 pessoas morreram, mais de 36 000 feridos e 135 000 casas danificadas. Este terremoto ficou conhecido como “May 2006 Java”.


Curiosidade:  Lavas “aa” e “pahoehoe”

Lava é rocha derretida expelida por um vulcão durante uma erupção. Ao ser ejetada sua temperatura está entre 700 e 1200 graus Celsius. Embora a lava, em geral, seja muito viscosa ela pode fluir por longas distâncias antes de esfriar e solidificar. Os vários tipos de lava que existem são classificados tanto em relação à sua composição como à sua viscosidade.


A imagem mostra um fluxo de lava “aa” (mais clara) avançando sobre a lava “pahoehoe” (mais escura).




Aconteceu em 26 de maio de 1679

Observatório Nacional

Enviado pela Royal Society, o astrônomo inglês Edmond Halley visitou o astrônomo polonês Johannes Hevelius em Danzig, Polônia, para examinar seu método de determinar posições de estrelas a olho nu. Os dois se tornaram amigos íntimos e Halley ratificou as técnicas de observação de Hevelius.

O telescópio de Hevelius

Entre todos os instrumentos criados pelos antigos astrônomos alguns se destacam pela grande engenhosidade. Um deles é o telescópio criado pelo astrônomo Johannes Hevelius. Após casar com Katharine Rebeschke, uma vizinha que possuía duas casas adjacentes à sua, Hevelius construiu, em 1641 um observatório nos telhados destas três casas conectadas. Sendo um grande construtor de equipamentos astronômicos, Hevelius equipou seu observatório com espetaculares instrumentos. Entre estes destacava-se um telescópio sem tubo com 45 metros (150 pés) de comprimento focal.



A imagem mostra um dos telescópios sem tubo construído por Hevelius.


Minicurso de Aquisição de Medidas Gravimétricas no Campus do Observatório Nacional

Observatório Nacional


Sob a orientação dos professores Cosme F. Ponte Neto e Íris Escobar, será realizado no mês de Junho o minicurso de "Aquisição de Medidas Gravimétricas no Campus do Observatório Nacional" com 16 horas de duração. O minicurso será ministrado pelo técnico Alcides A. dos Santos e contará com a monitoria do aluno de doutorado Francismar Rimoli Berquó. Este minicurso é uma iniciativa do Programa de Pós-Graduação em Geofísica do Observatório Nacional.
O objetivo deste minicurso é transmitir a experiência dos técnicos do Observatório Nacional às gerações mais novas no planejamento de uma rede gravimétrica, na aquisição de dados gravimétricos e de posicionamento e no processamento dos dados gravimétricos medidos.

Público Alvo

Este ano, este minicurso será ministrado em caráter experimental e será restrito aos alunos de Pós-Graduação em Geofísica do Observatório Nacional.

Caso haja interesse do público externo, viabilizaremos uma nova edição deste minicurso. Para tanto, envie seu e-mail para o Sr. Walace (walace@on.br).

Inscrições:

De 19 a 27 de Maio






25 de mai de 2011

Telescópio Einstein: em busca das ondas gravitacionais


Redação do Site Inovação Tecnológica - 23/05/2011


Telescópio Einstein vai procurar ondas gravitacionais
O Telescópio Einstein vai procurar ondas gravitacionais, minúsculas variações na estrutura do espaço-tempo, previstas por Albert Einstein em 1916. [Imagem: ASPERA]
Um grupo internacional de cientistas finalizou o projeto do Telescópio Einstein, um observatório de ondas gravitacionais 100 vezes mais sensível do que os instrumentos atuais. O Telescópio Einstein será subterrâneo, construído a uma profundidade entre 100 e 200 metros, e terá três detectores, interligados por túneis de 10 quilômetros de extensão.

Ondas gravitacionais

Ondas gravitacionais são ondulações no tecido do espaço-tempo, produzidas por eventos violentos no Universo, como colisões de buracos negros e explosões de supernovas, previstas por Albert Einstein em 1916, como uma consequência da sua Teoria Geral da Relatividade. As ondas gravitacionais são emitidas pela aceleração de massas, de forma muito parecida com que as ondas eletromagnéticas são produzidas pela aceleração de cargas elétricas - como os elétrons em uma antena.

Ao contrário das outras formas de radiação conhecidas pelo homem, as ondas gravitacionais estariam viajando até nós desde o início do Universo totalmente incólumes, livres de qualquer interferência. Ou seja, a informação que os cientistas coletam a partir da luz, das radiofrequências e de outras ondas, estão de certa forma "corrompidas" por interferências. Isto não deve acontecer com as ondas gravitacionais.

Astronomia de ondas gravitacionais

Telescópio Einstein vai procurar ondas gravitacionais
Representação das ondas gravitacionais gerados por dois buracos negros em processo de fusão. [Imagem: NASA]

A capacidade de detectar diretamente as ondas gravitacionais poderá inaugurar uma nova era na astronomia, permitindo insights totalmente novos sobre o Universo.
Nenhuma forma de emissão dos outros tipos de radiação é, ao mesmo tempo, uma fonte forte de ondas gravitacionais. Desta forma, para ter um quadro completo do Universo, os cientistas deverão juntar as observações das ondas gravitacionais, eletromagnéticas, dos neutrinos e dos raios cósmicos.

Por exemplo, usando as ondas gravitacionais será possível sondar partes do Universo escondidas por poeiras cósmicas. Ou obter-se visões totalmente novas de eventos cósmicos já observados ou até agora invisíveis a outros instrumentos, dando uma perspectiva completamente diferente aos acontecimentos astronômicos, assim como um telescópio de infravermelho dá informações diferentes de um telescópio na faixa visível.


Aconteceu em 25 de maio de 1865

Observatório Nacional

Nasceu em Zonnemaire, Holanda, o físico Pieter Zeeman. Ele, juntamente com o físico holandês Hendrik Lorentz, descobriu o hoje chamado “efeito Zeeman” que nos mostra que as linhas espectrais são divididas em várias componentes na presença de um campo magnético.


Aconteceu em 24 de maio de 1543

Observatório Nacional

Morreu em Frauenburg (na época cidade da Prússia Real, hoje Frombork, Polônia) o matemático, astrônomo e filósofo polonês Nicolaus Copernicus. Sua teoria heliocêntrica do Sistema Solar foi o ponto de partida da astronomia moderna.

Aconteceu em 23 de maio de 1958

Observatório Nacional

O primeiro satélite norte-americano, o Explorer I, parou de transmitir dados ao ter suas baterias esgotadas. Este satélite permaneceu em órbita, inoperante, por mais 12 anos, reentrando na atmosfera terrestre sobre o Oceano Pacífico no dia 31 de março de 1970.

Aconteceu em 22 de maio de 1920

Observatório Nacional

Nasceu em Viena, Áustria, o astrofísico Thomas Gold. Ele, juntamente com o físico inglês Fred Hoyle e o físico austríaco Hermann Bondi, propôs uma teoria cosmológica que confrontava a teoria do Big Bang. Esta
foi a “teoria do estado estacionário”. Gold também realizou pesquisas sobre campos magnéticos e criou o termo “magnetosfera” dado aos campos magnéticos da Terra. Logo depois da descoberta das pulsares em 1968, Gold e Fred Hoyle identificaram, corretamente, estes objetos como estrelas de nêutrons em rápida rotação e com fortes campos magnéticos.




Aconteceu em 21 de maio de 1956

Observatório Nacional

Os Estados Unidos explodiram, no atol de Bikini, Ilhas Marshall, a primeira bomba de hidrogênio capaz de ser transportada por avião.

20 de mai de 2011

Aconteceu em 1773

Observatório Nacional - 20/05/2011


Jornais de Paris anunciaram que nessa data ocorreria o fim do mundo devido a uma provável colisão de cometas, em uma interpretação errônea do trabalho do astrônomo francês Joseph Jérôme Lefrançais de Lalande.
O incidente induziu o filósofo e escritor francês François Marie Arouet, mais conhecido como Voltaire, a escrever um ensaio sobre o incidente.

François Marie Arouet, mais conhecido como Voltaire

Astronautas instalam super observatório na Estação Espacial

Redação do Site Inovação Tecnológica - 19/05/2011


O super observatório, que vai procurar sinais da matéria escura, foi instalado no lado direito da Estação Espacial Internacional pelo braço robótico Canadarm.[Imagem: NASA]


Durante o quarto dos 16 dias da última missão do ônibus espacial Endeavour, os astronautas instalaram o longamente esperadoEspectrômetro Magnético Alfa (AMS - Alpha Magnetic Spectrometer-2), também conhecido como "LHC do espaço".

O super observatório, que vai procurar sinais da matéria escura, foi instalado no lado direito da Estação Espacial Internacional pelo braço robótico Canadarm.

Detector de partículas cósmicas

O enorme detector de partículas consiste em um anel de duas toneladas formado por poderosos ímãs e detectores ultra-sensíveis projetados para rastrear, e não capturar, raios cósmicos.

Apesar de ser o mais caro de todos os laboratórios científicos da Estação, o AMS será controlado remotamente pelos cientistas no solo, não exigindo maior atenção dos astronautas.

A equipe deverá monitorar o observatório 24 horas por dias, uma vez que ele permanecerá captando dados continuamente.

Matéria escura e antimatéria

Os ímãs criam um campo magnético que deverá dirigir o caminho das partículas cósmicas que atravessam continuamente o espaço, levando-as até oito diferentes detectores, que fornecerão informações sobre essas partículas.

De posse desses dados, centenas de cientistas de 16 países esperam ter mais informações sobre a composição do Universo e como ele se formou - os principais focos da pesquisa consistem em descobrir a origem da matéria escura e o destino da antimatéria que teria sido criado na origem do Universo.


O AMS deverá fornecer também novas informações sobre pulsares, erupções de raios gama e vários outros fenômenos cósmicos de alta energia.

Astrônomos descobrem planetas sem estrelas

Redação do Site Inovação Tecnológica - 18/05/2011
Os planetas solitários são corpos celestes escuros, flutuando sozinhos no espaço, fora da órbita de qualquer estrela.[Imagem: NASA/JPL-Caltech]

Planetas sem estrelas

Astrônomos anunciaram a descoberta de uma nova classe de planetas - planetas solitários, sem estrelas.

São corpos celestes escuros, com massa semelhante à de Júpiter, flutuando sozinhos no espaço, fora da órbita de qualquer estrela.

Os cientistas acreditam que o mais provável é que esses planetas órfãos tenham se formado em torno de estrelas e, mais tarde, sido expulsos de seu sistema planetário por alguma conjunção de forças gravitacionais.

A descoberta resultou da análise dos dados coletados durante uma série de observações do bojo central da Via Láctea, realizadas entre 2006 e 2007 por um grupo de astrônomos do Japão e da Nova Zelândia.

Planetas solitários

A análise fornece indícios do que parecem ser 10 "planetas flutuando livremente", em locais distintos, todos aproximadamente do tamanho de Júpiter - o equipamento usado na pesquisa não é preciso o suficiente para localizar planetas menores.

"Nossos resultados sugerem que os sistemas planetários frequentemente tornam-se instáveis, com os planetas sendo expulsos de seus locais de nascimento ao passarem perto demais de outros planetas," explica David Bennett, um dos membros da equipe.

A descoberta não apenas confirma que existem planetas flutuando isoladamente no espaço, mas também indica que eles são bastante comuns - como detectá-los é muito difícil, o fato de um único rastreio ter localizado 10 deles indica que deve haver muitos mais não detectados.

Segundo os astrônomos, essa população inesperadamente grande também descarta a ideia de que os planetas livres formem-se isoladamente, e não ao redor de estrelas - se esse fosse o caso, deveria haver muito menos deles.

Censo planetário

A equipe estima que pode haver duas vezes mais planetas isolados do que estrelas, o que equivale a dizer que os planetas sem estrelas podem ser tão comuns quanto os planetas ao redor de estrelas.

"Nossa pesquisa é como um censo da população - nós amostramos uma parte da galáxia e, com base nesses dados, pode-se estimar o número total da galáxia," explica Bennett.

"A pesquisa não é sensível a planetas solitários com massa menor do que Júpiter ou Saturno, mas as teorias sugerem que planetas de menor massa, como a Terra, devem ser expulsos de suas estrelas com mais frequência, sendo assim, mais comuns do que os gigantes gasosos isolados," completou ele.

A NASA tem planos de enviar ao espaço um novo observatório - o WFIRST (Wide-Field Infrared Survey Telescope) - que usará o método de microlentes, capaz de fazer estimativas mais precisas de quantos planetas solitários há na Via Láctea.

Com a vantagem de que esse futuro telescópio terá a capacidade para detectar planetas solitários do tamanho da Terra.


Bibliografia:

Unbound or distant planetary mass population detected by gravitational microlensing
The Microlensing Observations in Astrophysics (MOA) Collaboration, The Optical Gravitational Lensing Experiment (OGLE) Collaboration
Nature
18 May 2011
Vol.: 473, pp. 349-352
DOI: 10.1038/nature10092

Gliese 581d: Primeiro exoplaneta habitável

Redação do Site Inovação Tecnológica - 17/05/2011


A chamada "zona habitável" em torno das estrelas representa a faixa de distâncias em que os planetas não são nem muito frios e nem muito quentes para que a vida possa florescer, com uma temperatura suficiente para manter a água em estado líquido. [Imagem: Franck Selsis/CNRS/ESO]


Zona habitável

O sistema planetário em torno da anã vermelha Gliese 581, uma das estrelas mais próximas do Sol, tem sido objeto de vários estudos com o objetivo de confirmar a detecção do primeiro exoplaneta potencialmente habitável.

Desde que o sistema revelou oexoplaneta mais parecido com a Terra, em 2007, até a proposição de que o Gliese 581g estaria bem no centro da zona habitável, em 2010, todos os candidatos à posição de "primeiro exoplaneta habitável" têm sido descartados por observações subsequentes.

Agora, contudo, um grupo de cientistas do Instituto Pierre Simon Laplace, da França, acredita ter encontrado indícios suficientes para demonstrar que o Gliese 581d pode ser considerado o primeiro exoplaneta capaz de abrigar a vida como ela existe na Terra.

A chamada "zona habitável" em torno das estrelas representa a faixa de distâncias em que os planetas não são nem muito frios e nem muito quentes para que a vida possa florescer, com uma temperatura suficiente para manter a água em estado líquido.

Extremos climáticos

Embora o Gliese 581g parecesse estar em uma posição privilegiada dentro da zona habitável, várias equipes questionaram a sua detecção - ou seja, ele pode simplesmente não existir, sendo resultado de ruído nas medições ultra-finas do "balanço" estelar, necessárias para detectar exoplanetas nesse sistema.

Então a atenção se voltou para o Gliese 581d.

Inicialmente ele foi considerado longe demais da estrela - e, portanto, frio demais para a vida. Ao contrário, análises posteriores mostraram que, se o planeta tivesse oceanos líquidos como a Terra, eles evaporariam rapidamente, em um efeito semelhante ao que deu a Vênus o clima quente e inóspito que tem hoje.

Mas Robin Wordsworth e seus colegas do Laboratório de Meteorologia Dinâmica, em Paris, discordam dessas análises.

Simulação atmosférica

Embora seja provavelmente um planeta rochoso, o Gliese 581d tem uma massa de pelo menos sete vezes a da Terra e cerca de duas vezes o seu tamanho.

O maior problema, contudo, é que, além de receber menos de um terço da energia solar que chega à Terra, ele parece ter uma "órbita travada", com um lado permanentemente dia e o outro permanentemente noite - os dados não são precisos o suficiente para uma conclusão definitiva e pode ser que o planeta gire muito lentamente.

Com isto, a crença geral era que, qualquer atmosfera espessa o suficiente para manter o planeta aquecido, ficaria fria o suficiente no lado noturno para congelar por completo, arruinando qualquer perspectiva de um clima habitável.

Para testar essa hipótese, Wordsworth e seus colegas desenvolveram um novo tipo de modelo computacional capaz de simular com maior precisão o clima de um exoplaneta.

O modelo simula a atmosfera e a superfície de um planeta em três dimensões, de forma parecida com os usados para estudar as mudanças climáticas na Terra.

No entanto, o simulador é baseado em princípios físicos mais fundamentais, permitindo a simulação de uma gama muito mais ampla de condições, incluindo qualquer coquetel atmosférico de gases, nuvens e aerossóis.



Modelo climático global do Gliese 581d. Tons vermelho/azul indicam temperaturas quentes/frias, enquanto as setas indicam velocidades do vento a 2km de altitude. [Imagem: LMD/CNRS]





Céu azul e céu vermelho


Para sua surpresa, os pesquisadores descobriram que, dada uma atmosfera de dióxido de carbono densa o suficiente - um cenário provável em um planeta tão grande - o clima do Gliese 581d não somente é estável, mas quente o suficiente para abrigar oceanos, nuvens e chuva.

Um dos fatores-chave nos resultados foi o chamado espalhamento Rayleigh, o fenômeno que faz com que o céu da Terra seja azul.

No Sistema Solar, o espalhamento Rayleigh limita a quantidade de luz solar que uma atmosfera espessa pode absorver, porque uma grande parte da luz azul que se dispersa é imediatamente refletida de volta ao espaço.

No entanto, como a luz da estrela Gliese 581 é vermelha, ela praticamente não é afetada no Gliese 581d.

Isto significa que a luz pode penetrar mais profundamente na atmosfera, aquecendo mais o planeta devido ao efeito estufa da atmosfera de CO2 e ao efeito das nuvens de gelo de dióxido de carbono previstas para se formarem a altas altitudes.

Além disso, as simulações da circulação 3D indicaram que o aquecimento diurno é eficientemente redistribuído por todo o planeta através da atmosfera, impedindo o colapso atmosférico no lado noite ou nos pólos.

Telescópios do futuro

O resultado entusiasmou ainda mais os cientistas porque, a 20 anos-luz da Terra, o Gliese 581d é um dos nossos vizinhos galácticos mais próximos. Isto significa que ostelescópios do futuro poderão ser capazes de detectar a atmosfera do planeta diretamente.

Embora esta simulação indique que o Gliese 581d possa ser habitável, há outras possibilidades.

Por exemplo, ele poderia ter mantido uma parte do seu hidrogênio na atmosfera, como Urano e Netuno, ou os fortes ventos de sua estrela poderiam ter varrido sua atmosfera inteiramente nos primórdios de sua formação.

Para detectar esses diferentes cenários, o grupo elaborou uma série de testes simples que os astrônomos deverão realizar no futuro, quando contarem com um telescópio suficientemente poderoso.

Geocentrismo

Se o Gliese 581d for realmente habitável, ainda assim ele seria um lugar bastante estranho para se visitar - o ar denso e as nuvens espessas manteriam a superfície em um crepúsculo vermelho escuro perpétuo.

Além disso, sua grande massa significa que a gravidade na superfície é de cerca de duas vezes a gravidade na superfície da Terra.

No longo prazo, contudo, a mais importante implicação desses resultados pode ser a ideia de que os exoplanetas capazes de suportar a vida na verdade não precisam ser assim tão parecidos com a Terra.



Bibliografia:

Gliese 581d is the first discovered terrestrial-mass exoplanet in the habitable zone
R.D. Wordsworth, F. Forget, F. Selsis, E. Millour, B. Charnay, J-B. Madeleine
The Astrophysical Journal Letters
12 May 2011
Vol.: Accepted Paper
http://arxiv.org/abs/1105.1031

Europeus buscam parceria com Brasil para o seu 'GPS'

Folha de São Paulo - 15/05/2011


Conselho da União Europeia analisará ideia de ter base brasileira para projeto.

Constelação de satélites Galileo começa a entrar em órbita neste ano e promete mais precisão do que o GPS americano.

LUIS KAWAGUTI
DE SÃO PAULO

A UE (União Europeia) estuda convidar o Brasil para participar do desenvolvimento do programa Galileo.

Trata-se do sistema europeu de posicionamento por satélites, que ainda está em fase de implantação e concorrerá com o GPS americano. De 2007 a 2020, estima-se um investimento de mais de 5 bilhões de euros no projeto.

A ideia de convidar o Brasil partiu da Comissão da UE (o órgão executivo do bloco), mas ainda está em processo de aprovação pelo Conselho da União Europeia (formado por ministros e chefes de Estado dos países do bloco).

Depois de aprovada, só então a proposta deve ser apresentada ao Itamaraty.

A condição para a entrada do Brasil no programa é que uma base de monitoramento europeia seja instalada em território nacional.

Ela deve fazer parte de uma rede de ao menos 20 bases instaladas em diversos países, que serão usadas no controle dos satélites e na troca de dados e informações.

Tais bases terão conexão direta com centrais de controle no continente europeu.



CIVIL, NÃO MILITAR

Uma vez estabelecida a parceria, o Brasil deve ter o direito de usar o sistema em aplicações civis, tais como o controle do tráfego aéreo, gestão de linhas ferroviárias e transporte marítimo, agricultura e proteção ambiental.

Também devem ser possíveis usos domésticos, como o sistema de navegação em carros particulares.

Apesar de o Brasil ceder uma base em seu território, não terá o direito de usar aplicações militares do sistema. Isso significa que, em ações bélicas, o país continuará dependente de sistemas internacionais, que podem ser bloqueados em conflitos.

Além do GPS dos EUA, a Rússia tem uma rede de satélites com fins militares (Glonass), e a China e o Japão trabalham no desenvolvimento de um sistema regional.

O Galileo promete ser mais preciso que o atual GPS. Enquanto o sistema americano admite uma margem de erro de metros, os europeus dizem que errarão por centímetros.

Mas o sistema da UE precisará fazer uso de satélites americanos para complementar a sua rede.

O Galileo utilizará 30 satélites em órbita média da Terra, em uma inclinação que, em tese, trará informações mais precisas de áreas localizadas em latitudes mais altas, sendo mais útil para países no norte da Europa.

Até agora só dois satélites experimentais foram lançados. Os dois primeiros satélites funcionais devem ser colocados em órbita no segundo semestre deste ano.

19 de mai de 2011

Aconteceu em 19 de maio de 1961

Observatório Nacional

A sonda espacial Venera 1, da União Soviética, fez um voo rasante sobre Vênus, a cerca de 100 000 quilômetros de sua superfície. A Venera 1 também foi a primeira sonda a verificar que o plasma que forma o
chamado “vento solar”, descoberto pela sonda soviética Luna 2, estava uniformemente distribuído no espaço.

Aconteceu em 18 de maio de 1910

Observatório Nacional

A Terra atravessou a cauda do cometa Halley. Como nesta época acreditava-se que a cauda de um cometa continha gás venenoso houve pânico em várias cidades do mundo. Hoje sabemos que a cauda de um cometa é formada por íons e/ou poeira que constituem seu núcleo, não causando qualquer problema à saúde do ser humano.

18 de mai de 2011

A Exploração do Espaço

Observatório Nacional - 18/05/2011



Nesta Segunda-Feira, 16 de maio, o Ônibus Espacial da NASA, Endeavour partiu para a sua última missão espacial, até as plataformas da Estação Espacial Internacional (EEI), a 355 quilômetros de distância.
«A última decolagem para a Endeavour, expandindo o nosso conhecimento, expandido as nossas vidas», foi a frase que acompanhou a entrada em órbita do 'space schuttle' da NASA. Na construção dessa tecnologia estiveram envolvidos 600 investigadores de todo o mundo e o aparelho, de 40 toneladas, tem como missão fornecer aos cientistas informação acerca da origem e formação do Universo.

A primeira missão do Endeavour foi em maio de 1992. A missão envolvia uma espetacular operação de resgate de um satélite de comunicações que tinha saído fora de controle. Surpreendentemente, o Endeavour pôde ficar no espaço por 28 dias. Esta foi a penúltima oportunidade para ver um ônibus da NASA partir para o espaço, já que a agência espacial está a reformar a sua frota e a desacelerar o programa espacial de 30 anos de idade.

A última viagem será feita pelo Atlantis em Julho. Depois disso ambos os ônibus irão para museus norte-americanos.

Em 7 de março próximo passado, o ônibus espacial norte-americano Discovery regressou à Terra, depois de uma missão de oito dias na EEI com seis tripulantes à bordo. A última que o histórico aparelho da NASA efetuou no Espaço, em 27 anos.
O Discovery era o mais velho dos três ônibus que a NASA colocou no Espaço nos últimos anos, juntado-se ao Endeavour e ao Atlantis, tendo somado mais de 230 milhões de quilômetros nas 39 missões ao Espaço e agora já está em um museu. Na última viagem do Discovery à EEI, os astronautas puderam levar toneladas de material e incluir um novo módulo permanente para armazenamento.

Saiba um pouco mais sobre ônibus espaciais:

O conceito de uma espaçonave reutilizável similar a um avião foi proposto em 1933, quando o cientista de foguetes alemão Dr. Eugen Sänger publicou um livro chamado “Raketenflugtechnik” (Tecnologia de Voo em Foguetes). Sänger utilizou uma combinação entre a tecnologia de um foguete e de um avião para desenvolver seu conceito "Silverbird", um bombardeiro hipersônico suborbital, "um veículo com asas impulsionado pelo motor de um foguete ”


Precursores do Ônibus Espacial

Quando as missões tripuladas Apollo terminaram em 1972, o Presidente Nixon deu o sinal verde à NASA para executar o próximo estágio da exploração tripulada do espaço. Numerosos projetos foram iniciados, mas o objetivo de desenvolver uma espaçonave reutilizável para transportar os astronautas para as estações espaciais e trazê-los de volta, posicionar e consertar satélites, transportar amostras da Lua ou veículos de Marte até a órbita baixa da Terra era extremamente caro.

Apesar disso, durante os nove anos seguintes, o Sistema de Transporte do Ônibus Espacial foi desenvolvido e cumpriu seus objetivos com sucesso.

O ônibus foi projetado para ser lançado em órbita como um foguete, de forma rotineira e segura, e retornar à Terra como um planador. O projeto provou ser capaz de executar o relançamento e o retorno do orbitador e de sua tripulação em segurança. O desempenho combinado da espaçonave, foguetes auxiliares potentes e tanques externos mostraram-se totalmente bem-sucedido.

Primeiros anos

O primeiro projeto do Ônibus Espacial se baseou em cinco anos de pesquisas e desenvolvimento do foguete-avião com asa em delta X-20A Dyna-Soar.

Maxime Faget, o experiente engenheiro da NASA responsável pelo design das espaçonaves das missões Mercury, Gemini e Apollo, começou a trabalhar no projeto em 1968. Em 1972, ele apresentou uma patente para uma aeronave totalmente reutilizável de dois estágios com um orbitador.

O orbitador do ônibus espacial foi projetado para transportar até sete astronautas, um aumento significativo se comparado às cápsulas da Mercury, Gemini e Apollo. O ônibus também era capaz de transportar cargas, incluindo satélites ou partes de estações espaciais para a órbita baixa da Terra. Os cortes no orçamento do programa do Ônibus Espacial levaram à adoção de potentes foguetes reutilizáveis no projeto final.

Em 1976, uma demonstração de abordagem e aterrissagem (ALT) do programa testemunhou os testes de voo e de solo do primeiro orbitador do ônibus, o Enterprise - O nome do protótipo do ônibus espacial é em homenagem à famosa nave Starship Enterprise, do seriado de TV “Jornada nas Estrelas”. Os testes demonstraram que o orbitador conseguia se deslocar na atmosfera e em terra como um avião (7000m). Mas a nave nunca conseguiu decolar, pois os trabalhos no Columbia já tinham terminado. Seu primeiro vôo aconteceu em 12 de abril de 1981.

Quatro orbitadores adicionais se seguiram: Columbia, Challenger, Discovery e Atlantis.

Missões de Destaque

O Ônibus Espacial Columbia STS-1 tornou-se o primeiro da frota a ir ao espaço em 1981. Os momentos culminantes que se seguiram incluíram o primeiro envio de tripulações compostas por quatro, cinco, seis e sete pessoas ao espaço.

O Ônibus Espacial Columbia posicionou o Spacelab, o Ônibus Espacial Discovery colocou o Telescópio Hubble em órbita, e posteriormente o Ônibus Espacial Endeavour consertou seus defeitos ópticos. O Ônibus Espacial Challenger abrigou a primeira mulher astronauta norte-americana e executou a primeira “caminhada” espacial sem amarras. Já o Ônibus Espacial Atlantis foi o primeiro a atracar em uma estação espacial, ao se acoplar à Mir em 1995.

A primeira tragédia atingiu o programa do Ônibus Espacial em 1986, quando a Challenger explodiu apenas um minuto e trinta segundos após o lançamento. A Endeavour foi construída para substituir a Challenger em 1991. Então, 17 anos depois do desastre da Challenger, o Ônibus Espacial Columbia se despedaçou durante a reentrada em 2003.

Depois de 30 anos de viagens no espaço e de volta à Terra, a NASA anunciou que os Ônibus Espaciais serão aposentados em 2010. E só estão sendo aposentados agora, em 2011. Seu substituto, o Orion, já está em desenvolvimento.


Enterprise – O protótipo

O nome do protótipo do ônibus espacial é em homenagem à famosa nave Starship Enterprise, do seriado de TV “Jornada nas Estrelas”. Em 1977, dois pilotos fizeram o primeiro de quatro testes de vôos de 7.000 m. Em 1979, a Enterprise estava unida a um tanque de combustível e propulsores no Centro Espacial Kennedy. Mas a nave nunca conseguiu decolar, pois os trabalhos no Columbia já tinham terminado. Seu primeiro vôo aconteceu em 12 de abril de 1981.


Columbia – O ônibus espacial mais antigo


O Columbia (que pesava 71.798 kg e foi modificado e melhorado cerca de 150 vezes) foi inspecionado entre o outono de 1999 e a primavera de 2000 e relançado em 1o de março de 2002. Em 1o de fevereiro de 2003, se desintegrou numa descida sobre o estado do Texas. Explodiu numa altura de 62.000 m. Provavelmente, o desastre foi causado por uma falha no escudo térmico.


Challenger – O segundo ônibus espacial


O segundo ônibus espacial a entrar em operação completou o primeiro vôo em 1983. Durante as suas dez missões, o ônibus esteve no espaço por 69 dias e girou em torno da Terra 987 vezes.
Em uma das missões, o astronauta Bruce McCandless saiu do ônibus e realizou um passeio espacial de 30 m – foi o primeiro a fazê-lo.
Em 28 de fevereiro de 1986, o Challenger explodiu 73 segundos depois de decolar e todos os setes tripulantes morreram.


Discovery – O terceiro ônibus espacial


 Apesar do Discovery ter sido construído como o Challenger, podendo carregar a última parte do foguete Centaur no depósito de carga útil, ele pesava 3.116 kg a menos do que o Columbia. Mas o lançamento do foguete Centaur nunca foi realizado. Depois do acidente com o Challenger, ponderou-se que isto seria muito arriscado.


Atlantis – O quarto ônibus espacial


A nave espacial Atlantis vazia pesava 68.635 kg, e com os motores principais colocados chegava a pesar 77.564 kg. Ela realizou missões como a do explorador planetário Galileu em 1989 e a colocação no espaço do observatório Arthur Holley Compton Gamma Ray, em 1991.


Endeavour – O ônibus espacial mais recente


As crianças em idade escolar participaram ativamente na procura de um nome para o novo ônibus espacial. Endeavour foi o nome vencedor.
A primeira missão do Endeavour foi em maio de 1992. A missão envolvia uma espetacular operação de resgate de um satélite de comunicações que tinha saído fora de controle. Surpreendentemente, o Endeavour pôde ficar no espaço por 28 dias.


Crédito: NASA, Revista Café Orbital DAED/ON










17 de mai de 2011

Tudo Azul no céu do Rio de Janeiro

Observatório Nacional - 17/05/2011


O Rio de Janeiro foi escolhido pelo National Physical Laboratory como a cidade que tem o céu mais azul dentre as cidades de 20 países, tais como: Nova Zelândia, Austrália, Fiji, África do Sul, etc.

Pesquisadores desse instituto de ciências aplicadas utilizaram um espectrômetro para realizar o trabalho. Esse instrumento óptico é usado para medir as propriedades da luz em uma determinada faixa do espectro eletromagnético.

No entanto, apesar de ser um centro de desenvolvimento e aplicação de normas de medidas precisas, não podemos considerar que essa afirmação, publicada no artigo World's bluest sky revealed seja cientificamente conclusiva em termos absolutos. A notícia foi veiculada no physicsworld.com, um site que divulga notícias, opiniões e informações para a comunidade mundial ligada em física.

Mas o céu é azul?

Astronomicamente falando o céu não é azul. O céu ou espaço interestelar é preto. Na verdade esse assunto foi motivo de muito estudo científico, iniciado em 1859, com o físico Inglês John Tyndall, continuado pelo Lord Rayleigh e finalmente concluído matematicamente, em 1911, por Albert Einstein.

Acontece que a luz do Sol, ao entrar na atmosfera da Terra, atravessa uma infinita quantidade de moléculas de oxigênio (O2) e nitrogênio (N2), provocando um espalhamento da luz, produzindo assim a aparente cor azul do céu, vista da superfície do nosso planeta. À noite o céu não é azul!

Mas por que ao entardecer o céu fica avermelhado?

Quando o Sol está se pondo, a sua luz é vista (observada) segundo um ângulo muito rasante. Isso faz com que essa luz tenha que atravessar uma camada bem mais espessa da atmosfera terrestre, aumentado o espalhamento e consequentemente fazendo a imagem do Sol parecer amarelada, alaranjada ou avermelhada, ao invés da sua intensa e ofuscante cor branca.


Mas por que o céu é escuro no espaço se existem bilhões de estrelas?

Essa é fácil: no espaço interestelar não existem moléculas, portanto não há luz espalhada. Por não haver esse espalhamento da luz das estrelas, o espaço que nos envolve é escuro, quase negro.

Mas essas BILHÕES de estrelas, produzindo luz própria, não seriam capazes de dar uma "clareadinha" no espaço sideral?

Não, pois essas BILHÕES de estrelas, que formam as galáxias, mais as nuvens de gás e poeira cósmica, equivalem a 5% de todo o Universo que conhecemos. Ou seja, aproximadamente 95% do Universo são desconhecidos. Portanto, tem muito "espaço" e pouca "matéria".


Voltando ao assunto da notícia...

O céu do Rio de Janeiro fica mais "azul" na Estação do Inverno (se é que tem inverno no Rio...). É a estação do ano em que os astrônomos têm as melhores imagens do céu. Devido à temperatura fria e pouca chuva, toda a poluição do ar, névoa, nuvens, cirrus, etc, são depositadas na superfície da Terra (no caso, a cidade do Rio). Isso faz com que o céu fique muito limpo. Uma boa experiência é olhar para as montanhas num final de tarde de inverno e apreciar a nitidez do seu contorno. Pode-se ver com grande definição a separação Montanha-Céu.

O inverno começará no dia 21 de Junho de 2011 às 14h 16m e será possível observar, realmente, um céu muito limpo e "azul". Vale à pena aproveitar os três meses dessa estação.

Em tempo: a água do mar também não é azul. Ela só reflete a aparente cor azul do céu.

Se alguém lhe convidar para ir à praia, falando aquela frase popular: "...a água da praia está azulzinha", por favor não entre nela, pois certamente estará poluída. A água do mar pode até ficar verde, devido à grande proliferação de Algas Marinhas, mas azul, nem pensar! A água que bebemos não é azul, pois ela deve ser insípida, inodora e incolor (lembra das aulas de ciências no curso secundário?).


Finalmente, como diria Gilberto Gil, "O [céu do] Rio de Janeiro continua lindo...".

Aquele abraço!

Dr. Carlos Henrique Veiga
Divisão de Atividades Educacionais
Observatório Nacional/MCT

Aconteceu em 17 de maio de 1902

Observatório Nacional - 17/05/2011



O arqueólogo grego Valerios Stais descobriu no interior de um pedaço de rocha encontrado nos destroços do navio de carga romano Antikythera um mecanismo, feito de bronze e bastante danificado, onde podia ser notado um texto com mais de 2000 caracteres. Ele hoje é reconhecido como um computador analógico mecânico projetado para fornecer as posições do Sol, da Lua e de alguns planetas quando datas passadas ou futuras eram introduzidas no sistema. Ele também indicava o nascer e ocaso de estrelas específicas. Este mecanismo é hoje conhecido como “mecanismo Antikythera” e possivelmente foi construído entre 150 e 100 a.C.

16 de mai de 2011

Aconteceu em 16 de maio de 1866

Observatório Nacional - 15/05/2011


O astrônomo inglês Norman Robert Pogson descobriu o asteroide (87) Sylvia, um dos maiores existentes no Cinturão Principal de Asteroides que fica entre os planetas Marte e Júpiter.

Suas dimensões são 385 x 265x230 quilômetros.

Este asteroide se caracteriza por ser muito escuro e girar muito rapidamente em torno do seu eixo, uma rotação a cada 5,18 horas o que equivale a uma velocidade de 230 quilômetros por hora. O asteroide (87) Sylvia também chama a atenção por possuir dois satélites, Romulus e Remus.


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13 de mai de 2011

Vulcão Etna em erupção na Sicília

Observatório Nacional
13/05/2011

O vulcão Etna entrou em erupção na ilha da Sicília, sul da Itália, na noite de quarta-feira, provocando um rio de lava por uma de suas encostas. De acordo com o Instituto Nacional de Geofísica e Vulacanologia (INGV) a lava pode voltar a correr. O estado de alerta já foi anunciado pelas autoridades locais que estão atentas às informações do INGV.

O monte Etna o pico mais alto e o vulcão mais ativo da Itália. Foto: Reuters
Localizado na Sicília, o monte Etna é o pico mais alto da Itália e um dos vulcões mais ativos.
Foto: Reuters

Passava das 22h quando a atividade do Etna se intensificou de tal forma que as imagens  das explosões de lama eram vistas das cidades de Catânia e Taormina. A erupção espalhou cinza e lava na área desértica próxima.
O aeroporto de Catânia permaneceu fechado até a manhã de hoje (13/05), quando a atividade vulcância dimimuiu. A preocupação era a possibilidade do vulcão lançar cinzas e desta forma causar algum acidente.
O Etna, com 3.200m, é vulcão mais alto e ativo da Europa, entra em erupção regularmente. Parte do maciço vulcânico de mesmo nome, situado no nordeste da Sicília, o Etna ocupa uma área de 1.600km2 e sua base tem um perímetro de 150km. Estudos geológicos demonstraram que as primeiras erupções do Etna remontam ao final do período terciário, há cerca de 2,5 milhões de anos.

Assista ao Vídeo:
 Fonte: BBC Brasil


Veja mais em:








12 de mai de 2011

O fator buraco negro

Agência FAPESP – 11/05/2011

Por Mônica Pileggi

João Steiner, professor do IAG-USP, faz uma reflexão sobre os avanços da
pesquisa científica na astrofísica de buracos negros (Nasa e divulgação)

O que surgiu primeiro, os buracos negros ou as galáxias? Esta é a pergunta que João Evangelista Steiner, professor do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (USP) procurou responder na palestra “Buracos negros: sementes ou cemitérios de galáxias?”.

No encontro realizado no dia 5, o coordenador do Instituto Nacional Avançado de Astrofísica – um dos INCTs apoiados em São Paulo pela FAPESP e pelo CNPq –, destacou os avanços nos últimos dez anos na área, como a confirmação da existência de um buraco negro supermassivo no centro da Via Láctea, a medida do momento angular dos buracos negros estelares e supermassivos e o paradigma da coevolução entre galáxias e buracos negros.

De modo geral, buracos negros são objetos espaciais compactados cuja superfície possui aceleração infinita, tornando-a irresistível. Devido a esse fenômeno, toda matéria próxima a um buraco negro é capturada.

“Até mesmo a luz próxima é capturada. O espectador não enxerga nada, pois a matéria (gás) ou qualquer outro tipo de informação produzida dentro dele não consegue escapar à superfície de singularidade de aceleração. Para quem o vê de fora, o objeto é um buraco negro, onde tudo entra e nada sai”, exemplificou Steiner.

Atualmente, os buracos negros são divididos em duas categorias: estelares e supermassivos. Na primeira, são alimentados por uma estrela vizinha. “Como esses fenômenos galácticos não emitem qualquer tipo de luz, a medição do espectro só é possível quando se encontra em um sistema binário, isto é, quando há uma estrela companheira. Nesse caso, o buraco negro suga a matéria dela”, disse à Agência FAPESP.

O primeiro objeto encontrado na Via Láctea com essa característica foi uma fonte, confirmada em 1973, de raios X denominada Cygnus X-1. “Ela se mostrou tão densa que ou poderia ser um uma estrela de nêutrons – aquelas cuja densidade pode chegar a 10 trilhões de vezes a da água [que tem 1g/cm3] e estão associadas a explosões de supernovas – ou um buraco negro. Mas, ao medir sua massa, os cientistas observaram que era algo muito maior do que uma estrela de nêutrons”, contou.

Os buracos negros estelares têm entre 5 e 20 vezes a massa do Sol e são originados pela explosão de uma estrela. Estima-se que a temperatura atinja em torno de 100 milhões a 1 bilhão de graus Kelvin, devido ao processo de transformação de energia potencial gravitacional em térmica e, finalmente, luminosa.

Dos bilhões de estrelas na Via Láctea, calcula-se que existam cerca de 10 milhões de buracos negros estelares. Até agora, os cientistas conseguiram identificar apenas 20. “Se eles não estiverem em sistema binário, não teremos nem como observá-los”, disse Steiner.

Evidências da outra categoria, os supermassivos, surgiram na mesma época dos estelares. Os buracos negros supermassivos podem chegar a 4 bilhões de vezes a massa do Sol e estão sempre localizados no centro de galáxias devido à gravidade.

“A ideia dos supermassivos surgiu com a descoberta dos quasares, objetos extremamente luminosos e compactos, capazes de brilhar mais que uma galáxia inteira, mas com o volume de um sistema solar”, pontuou Steiner. Já foram identificadas e calculadas as massas de 50 buracos negros desse tipo.

Entre os avanços da década na astrofísica dos buracos negros citados por Steiner, o mais recente é a medição do momento angular, ou seja, o quanto ele gira em torno do próprio eixo. “Medir o momento angular é ainda mais difícil do que calcular a massa desses fenômenos galácticos”, disse.

De todos os buracos negros conhecidos, de ambas as categorias, sabe-se o momento angular de apenas 13 deles, sendo oito estelares e cinco supermassivos. “Quase todos giram com velocidade máxima, ou seja, têm o momento angular próximo de 1. Apenas um deles apresentou resultado inferior a 0,5”, disse.

Quasar adormecido e coevolução

De acordo com o professor do IAG-USP, há anos se especulava sobre a existência de um buraco negro supermassivo desativado no centro da Via Láctea. “Se ela tivesse um buraco negro capturando gás, seria facilmente visível, pois ele estaria produzindo uma grande quantidade de energia que poderia ser observada. Mas isso não ocorre”, destacou.

Para Steiner, essa característica física se configura num quasar morto e que justifica o motivo pelo qual outros buracos negros supermassivos ainda não foram identificados.

A confirmação desse objeto desativado veio em 2002 com a publicação de um estudo da órbita de uma estrela vizinha. O objeto escuro, que possui 4 milhões de massas solares, foi observado por um grupo de cientistas durante 15 anos. “Cedo ou tarde, uma das estrelas que giram em torno desse objeto irá colidir e liberar gás suficiente para libertar o quasar”, disse.

Outra descoberta recente da astrofísica dos buracos negros é o paradigma sobre a evolução desses fenômenos, que explica por que todas as galáxias têm um buraco negro em seu centro.

Steiner explicou que existe uma correlação entre a massa do buraco negro e a massa da galáxia que o hospeda. A galáxia sempre tem 500 vezes mais massa do que seu buraco negro. “Essa é a regra. O buraco negro determina a evolução da galáxia e vice-versa. Ambos coevoluiram desde o Big Bang”, disse.

O astrofísico destacou que se não existissem os buracos negros as galáxias não existiriam ou elas não teriam as configurações que conhecemos hoje. “Para compreender o Universo, temos que levar em consideração o fator buraco negro. Ele tem um papel fundamental e é esse o paradigma da coevolução”, disse.




10 de mai de 2011

63ª Reunião Anual da SBPC

A 63ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que ocorrerá de 10 a 15 de julho de 2011, na Universidade Federal de Goiás (UFG), em Goiânia (GO), terá como tema central “Cerrado: água, alimento e energia”. Trata-se de um dos maiores eventos científicos do País.
Realizada desde 1948, com a participação de autoridades, gestores do sistema nacional de ciência e tecnologia (C&T) e representantes de sociedades científicas, a Reunião é um importante meio de difusão dos avanços da ciência nas diversas áreas do conhecimento e um fórum de debate de políticas públicas em C&T.

A programação científica é composta por conferências, simpósios, mesas-redondas, encontros, sessões especiais, minicursos e sessões de pôsteres para apresentação de trabalhos científicos. Também são realizados diversos eventos paralelos, a exemplo da SBPC Jovem (programação voltada para estudantes do ensino básico), da ExpoT&C (mostra de ciência e tecnologia) e da SBPC Cultural (atividades artísticas regionais).
A cada ano, a Reunião Anual da SBPC é realizada em um estado brasileiro diferente, sempre em uma universidade. O evento reúne milhares de pessoas, entre cientistas, professores e estudantes de todos os níveis, profissionais liberais e demais interessados. Em todas as edições, o público circulante tem sido superior a 10 mil pessoas (Veja abaixo).







Astrônomos vão estudar asteroide que passará próximo à Terra

Redação do Site Inovação Tecnológica - 06/05/2011


A melhor imagem já captada do 2005 YU55, feita por radar, tem uma resolução de 7,5 metros por pixel. Agora os cientistas querem detectar até as saliências em sua superfície.[Imagem: NASA/Cornell/Arecibo]

Segundo a NASA, um grande asteroide vai passar "raspando" pela Terra em novembro deste ano. Embora o asteroide 2005 YU55 tenha sido classificado como um objeto potencialmente perigoso, os especialistas dizem que não há riscos de que ele colida com a Terra nos próximos cem anos. Mas os cientistas estão esperando pelo evento com grande interesse.

Astronomia com radar

Os astrônomos pretendem aproveitar a oportunidade para estudar a rotação do asteroide, determinar a aspereza de sua superfície e até sua composição mineral. Da última vez que o 2005 YU55 foi visto, ele estava a 2,3 milhões de quilômetros da Terra. A imagem que pode ser captada dele, feita por radar, tem uma resolução de 7,5 metros por pixel.

Isto foi suficiente para que os astrônomos calculassem que ele mede 400 metros de diâmetro.

Agora, porém, o objetivo é fazer imagens muito melhores. Além de o asteroide chegar sete vezes mais perto desta vez - 323 mil km - os equipamentos utilizados pelos astrônomos, localizados no Observatório de Arecibo, em Porto Rico, tiveram umupgrade. Com isto, a expectativa é que as novas imagens alcancem uma resolução de 4 metros por pixel, o que permitirá uma visão muito detalhada do asteroide.

"Nós estamos falando sobre captar aquele tipo de detalhe da superfície que você sonha quando uma nave sobrevoa um corpo celeste desses," afirmou Lance Benner, astrônomo do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA. Além das informações sobre a superfície, os dados coletados por outros telescópios ópticos e de infravermelho poderão mostrar até a composição mineral do asteroide.

Astronomia com radar

A astronomia por radar emprega as maiores antenas parabólicas do mundo. As antenas dirigem um feixe de micro-ondas rumo aos seus alvos celestiais, que podem estar tão próximos quanto a nossa Lua ou tão longes quanto as luas de Saturno.

Estes sinais se refletem no alvo, e o eco resultante é coletado e agrupado com precisão para criar imagens de radar, que podem ser usadas para reconstruir modelos tridimensionais detalhados do objeto. Esta é a primeira vez que cientistas preveem a passagem tão próxima à Terra de um objeto desse tamanho, o que está permitindo que eles se preparem para estudá-lo.


A NASA informou que um evento como esse não deve se repetir até 2028, quando o asteroide (153814) 2001 WN5 deverá passar a uma distância ainda menor do nosso planeta.