10 de set de 2010

Fotografada galáxia que abriga maior buraco negro já encontrado

Site Inovação Tecnológica - 09/09/2010


A NGC 300 abriga muitos fenômenos astronômicos interessantes,
entre os quais o buraco negro estelar mais distante e de maior massa encontrado até hoje.[Imagem: ESO]


Composição de imagens

O ESO (Observatório Europeu do Sul divulgou uma nova imagem da NGC 300, uma galáxia espiral semelhante à Via Láctea, situada no Grupo de Galáxias do Escultor.
A imagem, resultado de uma exposição total de 50 horas, revela a estrutura da galáxia em grande detalhe. A NGC 300 situa-se a cerca de seis milhões de anos-luz de distância e parece ter cerca de dois terços do tamanho da Lua Cheia no céu.
Esta imagem, obtida com o instrumento Wide Field Imager (WFI), no Observatório de La Silla, no Chile, é uma composição de várias imagens obtidas com um vasto conjunto de diferentes filtros, num total de tempo de exposição de 50 horas.
Os dados foram adquiridos durante muitas noites ao longo de vários anos. O objetivo principal desta extensa campanha observacional era obter um censo bastante completo das estrelas nesta galáxia, contando tanto o número como as variedades de estrelas e determinando regiões ou apenas estrelas individuais que necessitem de investigação mais focalizada e aprofundada.
Mas tal coleção, extremamente rica em dados, irá certamente ter muitos outros usos nos próximos anos. Ao observar a galáxia através de filtros que isolam especificamente a radiação emitida pelo hidrogênio e oxigênio, as inúmeras regiões de formação estelar ao longo dos braços em espiral da NGC 300 podem ser observadas na imagem com extrema nitidez, apresentando-se como nuvens vermelhas e cor-de-rosa.
Com o seu enorme campo de visão, de 34 por 34 minutos de arco, correspondente ao tamanho aparente da Lua Cheia no céu, o WFI é a ferramenta ideal para os astrônomos estudarem corpos celestes grandes como a NGC 300.

Fenômenos astronômicos interessantes

A maior parte das galáxias apresenta sempre alguma peculiaridade, mas a NGC 300 parece ser completamente normal, o que a torna um exemplo ideal para os astrônomos estudarem a estrutura e o conteúdo de galáxias espirais como a nossa.
Vista pela primeira vez da Austrália, pelo astrônomo escocês James Dunlop no início do século XIX, a NGC 300 é uma das galáxias espirais mais próximas e mais destacadas do céu do hemisfério Sul, sendo suficientemente brilhante para ser observada com binóculos.
Ela situa-se na discreta constelação do Escultor, uma constelação que tem poucas estrelas brilhantes, mas abriga uma coleção de galáxias próximas, que formam o Grupo do Escultor.
Contudo, embora seja tradicionalmente considerada como pertencente ao Grupo do Escultor, as medições de distância mais recentes mostram que a NGC 300 se encontra significativamente mais próxima de nós do que muitas das outras galáxias desse grupo e pode por isso estar apenas marginalmente associada a elas.
A NGC 300 abriga também muitos fenômenos astronômicos interessantes, que têm sido estudados com os telescópios do ESO. Os astrônomos do ESO descobriram recentemente nesta galáxia o buraco negro estelar mais distante e de maior massa encontrado até hoje, num sistema binário tendo como companheira uma estrela Wolf-Rayet quente e brilhante - veja Caçadores de buracos negros batem novo recorde de distância.
A NGC 300 e uma outra galáxia, a NGC 55, encontram-se em rotação lenta na direção e em torno uma da outra, na primeira fase do longo processo de uma fusão galáctica.

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