18 de mar de 2011

Ministro profere aula inaugural do Coppe/UFRJ e fala sobre a crise nuclear japonesa

Ministério da Ciência e Tecnologia
17/03/2011


 
O ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, visitou na manhã desta quinta-feira (17), o Centro de Ensino e Pesquisa em Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ). Ele aproveitou para conhecer os laboratórios e o parque tecnológico da instituição. Ao fim do encontro, concedeu uma aula inaugural para estudantes da graduação.

Durante a apresentação, o ministro defendeu o aumento de investimentos brasileiros em fontes de energia limpas e renováveis e afirmou que o desastre nuclear que atinge o Japão vai suscitar um novo debate sobre a construção de novas usinas no país e no mundo. Aloizio Mercadantero acredita que a crise no Japão deve levar a novas discussões sobre protocolos internacionais de segurança de usinas nucleares. “Eu tenho convicção que após essa tragédia, serão estabelecidos novos debates sobre o futuro da energia nuclear. Novos protocolos de segurança vão aparecer e o Brasil acompanhará isso”, acrescentou.

De acordo com o ministro, não existe nenhum registro de problema nas duas usinas nucleares instaladas no Brasil. “Angra 1 e 2 podem aguentar terremotos de até 6,5 graus na escala Richter e ondas de até 7 metros. Para o cenário de riscos do Brasil, essas usinas foram bem construídas. Nossa engenharia é a mais segura”, afirmou. Ele acrescentou que os riscos de um acidente nuclear no Brasil são diferentes dos que preocupam outros países, como o Japão, onde terremotos e um tsunami danificaram reatores nucleares. “Nossos problemas não são tsunamis ou terremotos, nós estamos em cima de uma placa tectônica. Nossos problemas são inundações e desmoronamentos”, disse.

O programa nuclear brasileiro prevê a criação de quatro a oito novas usinas até 2030, incluindo Angra 3, no litoral sul do Estado do Rio de Janeiro, cujas obras já estão em andamento, e outras duas a serem construídas na região Nordeste. Mercadante afirmou que o Brasil não deve tomar “uma decisão precipitada” até que a dimensão do acidente nuclear seja esclarecida.

Embora tenha negado que o governo esteja reavaliando sua política nuclear, o ministro ressaltou que o Brasil tem uma matriz energética limpa e um grande potencial ainda não explorado em hidrelétricas e energia gerada a partir de biomassa, que podem até triplicar a produção energética do país.

Mercadante ressaltou que os próximos dois dias serão decisivos para avaliar a dimensão do desastre no Japão e que a probabilidade de o vazamento de radiação se agravar é grande e que, nesse caso, será uma “catástrofe de grandes proporções”. Mais uma vez, o ministro de Ciência e Tecnologia ressaltou que as usinasde Angra 1 e 2 possuem um sistema de reatores diferente do japonês, já que a refrigeração funciona de forma independente , com uma “blindagem robusta e engenharia com muito mais segurança”.

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