18 de mar de 2011

Teoria de tudo: fato ou fantasia?

Folha de S. Paulo - 13/03/2011


Faço o papel do contra: nosso conhecimento do mundo é necessariamente algo bastante incompleto.



MARCELO GLEISER


NA SEGUNDA-FEIRA passada, tive o privilégio de participar de um evento promovido pelo Museu Americano de História Natural, em Nova York. Foi o debate anual em memória do famoso escritor e divulgador de ciência Isaac Asimov. O mestre de cerimônias foi Neil deGrasse Tyson, do Planetário Hayden.

Éramos seis físicos, alguns conhecidos do público pelos seus livros de divulgação: Katherine Freese, da Universidade de Michigan, Brian Greene, da Universidade Columbia, Janna Levin, também de Columbia, Sylvester Gates Jr., da Universidade de Maryland, e Lee Smolin, do Instituto Perimeter, no Canadá. Um público de 1.300 pessoas lotou o auditório, intrigado pelo tema da discussão: teoria de tudo, realidade ou fantasia?

Foi uma noite e tanto. (Para os leitores que entendem inglês, o debate estará disponível em vídeo em breve.) Muitos físicos acreditam que a teoria de tudo (TDT) é o objetivo final da ciência: a descrição completa de como as partículas elementares da matéria interagem entre si e que, de quebra, mostra que todas as forças que descrevem essas interações são uma só.

Essa TDT seria o ápice do processo reducionista que começou na Grécia Antiga em torno de 450 a.C., quando os atomistas propuseram que a matéria é feita de pedaços indivisíveis, os átomos. (É importante esclarecer que a TDT não diz nada sobre "tudo": ela não prediz o tempo ou o que você vai comer no café da manhã, restringindo-se às partículas e suas interações.)

A busca muda conforme o nosso conhecimento sobre a composição e as propriedades da matéria muda. Esse foi, aliás, um dos meus argumentos. Fiz o papel do contra, baseando-me nas ideias do meu último livro, "Criação Imperfeita". A maioria dos integrantes do painel acredita que é possível chegar a uma TDT e que talvez a teoria das supercordas seja o caminho. Sou mais cético. Não tanto em relação ao que as supercordas podem fazer, mas sobre a existência de uma TDT e a possibilidade de encontrá-la.

"Supercordas", para quem não sabe, é a teoria que diz que as partículas de matéria são feitas de cordas submicroscópicas vibrando em frequências diferentes. Sua atração é que oferece um caminho para entendermos o que ocorre no centro dos buracos negros e na origem do Universo. O problema é que supercordas existem em dez dimensões espaciais e requerem a "supersimetria", uma simetria que dobra o número de partículas que existem.

Até agora, não temos qualquer indicação de que dimensões extra ou supersimetria existem. O LHC, a máquina na Suíça que procura novas partículas, vem pondo limites sérios à existência da supersimetria. Em alguns anos saberemos.

Mesmo se as supercordas estiverem corretas, ainda assim não as chamaria de TDT. O que sabemos da natureza depende do que podemos medir. Portanto, a busca por teorias unificadas deve ser constantemente revisada à medida em que descobrimos mais. Todos os esforços passados falharam porque não podemos prever o que mediremos no futuro. Uma teoria de supercordas do século 21 pode coletar (unificar) o que sabemos até hoje, mas não pode ser definitiva. Nosso conhecimento do mundo é necessariamente incompleto.

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MARCELO GLEISER é professor de física teórica no Dartmouth College, em Hanover (EUA), e autor do livro "Criação Imperfeita"

4 comentários:

  1. Concordo em absoluto com o Professor Marcelo Gleiser no que respeita a esta matéria.
    Podemos sempre conjecturar novas possibilidades físicas para explicar a realidade à nossa volta, tal como eu fiz no meu livro publicado no site http://anewgravity.net/, mas nunca seremos detentores do conhecimento final e último da Natureza.
    Mais que não seja porque a nossa própria percepção experimental e capacidade de análise não pode fugir aos limites físicos impostos na tecnologia actual e futura.
    Mas, diga-se em abono da verdade, que interesse teria a vida se de repente passasse-mos a saber tudo?
    Muito antes disso ainda teremos algumas coisas importantes para descobrir, nomeadamente uma cura para o cancro e para o HIV, que nos continuam a atormentar.

    Um abraço.
    Artur Oliveira.

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  2. Tenho uma idéia completamente diferente sobre a criação do universo. Para começar sou contra o big bang. Minha proposta para a criação do universo está escrita no blog-"Olhando o Universo". Neste blog eu encontro solução para vários enígmas do universo como paridade (matéria e antimatéria),singularidade,expansão cósmica,boson de higgs,ráios cósmicos,energia escura e matéria escura,etc. Devo tambem estar bem próximo da teoria do tudo, porque sigo outra linha, contraria a teoria padrão e encontro explicação para vários mistérios. Leia e julgue.

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  3. Esse Alberto aí é "contra" o big-bang, como se ele fosse um partido político. E ainda tem a cara de pau de dizer que está próximo de uma teoria de tudo. Vai tomar no cu. E esse Gleiser pra mim é um crente enrustido.

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  4. Meu nome é Wagner Roberto Casasanta e wrcasasanta@gmail.com é meu endereço eletrônico.
    Uma teoria de tudo deve ser clara, sem subterfúgios inexplicáveis e isenta de paradoxos sem princípios lógicos. Ela deve descrever o que realmente acontece durante um evento.
    Tenho uma teoria titulada como uma suposta teoria de tudo, mas o que ela afirma é somente a composição da estrutura do universo e seu funcionamento. Na explicação do funcionamento abordei vários eventos conhecidos.
    O conteúdo deste meu trabalho pode ser visto em:
    https://sites.google.com/site/wagnerrcfisica/
    Já o enviei para muitos físicos e acredito que vários deles estão pesquisando-o.

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