23 de nov de 2012

Trabalho com participação do Observatório Nacional é publicado na Nature


Makemake é um dos objetos transnetunianos cujas descobertas levaram à criação da categoria de planeta anão, em 2006, com a inclusão de Plutão entre estes. Além deles, Eris, Haumea e Ceres foram incluídos na mesma categoria. Ainda há muito para se pesquisar sobre esses objetos. Daí a importância do artigo “Albedo and atmospheric constraints of dwarf planet Makemake from a stellar occultation” (“Albedo e restrições atmosféricas do planeta anão Makemake a partir de uma ocultação estelar”), que será publicado hoje na Nature. Trata-se de um trabalho que envolveu 56 pesquisadores de todo o mundo, sendo 15 brasileiros, sob a coordenação do Observatório Nacional, do Observatório de Paris e do Instituto de Astrofísica de Andalucía.

“O albedo é a razão entre a quantidade de luz recebida e a refletida. E uma ocultação estelar ocorre quando a luz de uma estrela é bloqueada por um corpo antes de chegar a um observador. Este corpo pode ser anel, asteroide, lua ou planeta. A principal razão para observar ocultações estelares é examinar anéis, atmosferas e tamanhos dos objetos do sistema solar externo, ou seja, aquele que fica depois de Marte. O método viabiliza resultados melhores do que qualquer outro a partir da Terra”, explica um dos autores, Roberto Vieira Martins, do Observatório Nacional.

O artigo diz que, pelas informações reunidas de Plutão, Eris e agora Makemake, usando ocultações estelares, formulou-se a hipótese de que albedos de objetos similares a Plutão são determinados por processos de sublimação e condensação. Os maiores albedos seriam resultado de atmosferas que se condensaram totalmente e colapsaram sobre a superfície, enquanto objetos com albedo médio teriam atmosferas locais e objetos com albedo menor teriam atmosferas globais a partir da sublimação das substâncias voláteis.

Assim, o alto albedo de Eris é considerado como resultado de uma atmosfera colapsada que revestiu o planeta anão com gelo fresco e brilhante. O artigo explica: “Uma atmosfera totalmente condensada em Makemake poderia ter resultado em um albedo similar ao de Eris, o que não é o caso. Todavia, se Makemake tivesse uma atmosfera local, ao invés de global, algumas partes da superfície poderiam estar totalmente cobertas com gelo fresco da parte colapsada da atmosfera e encontrarem-se muito brilhantes, enquanto outras poderiam permanecer escuras”.

Este pode ser o caso de Makemake, uma vez que medidas térmicas feitas neste estudo indicam que Makemake tem dois tipos de terreno, com albedos bem diferentes. 



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