25 de ago de 2010

Blog do Carlos Orsi

Perseidas sobre o deserto chileno - 16/08/2010

As chuva de meteoros das Perseidas causou um volume colossal de interesse na internet brasileira — segundo meu colega Rodrigo Martins, editor de Mídias Sociais aqui no estadão.com.br, o tema bateu recordes no Twitter — o que, confesso, me pegou totalmente de surpresa. Tanto que só fui escrever algo a respeito no início da noite de quinta-feira, muito embora as chuvas de meteoro tenham uma periodicidade extremamente regular.

Eu sabia que as Perseidas estavam chegando, mas simplesmente não dei bola para o assunto até que o Rodrigo me alertasse. Motivo? Trata-se de uma chuva que quase sempre decepciona quem está no hemisfério sul.

(Aliás, a origem do hype em torno das Perseidas nas redes sociais aqui no Brasil, transformando um evento astronômico nada promissor — dada a nossa localização geográfica — em fenômeno pop é algo que merece estudo).

As Perseidas ocorrem quando a Terra “colide” com restos deixados pelo cometa Swift-Tuttle, descoberto originalmente em 1862 e redescoberto em 1992, durante sua passagem mais recente pela vizinhança. Cálculos realizados em 92 mostraram que provavelmente se trata do mesmo astro cuja visita já havia sido registrada pelos chineses, quase 2.000 anos antes.

A próxima passagem está marcada para 2126, quando se espera que o cometa proporcione um belo espetáculo no céu. Este é o maior astro — com diâmetro de 26 km — a fazer visitas periódicas à Terra.

Por causa da órbita do Swift-Tuttle, o espetáculo das Perseidas é muito mais notável no hemisfério norte. Somando-se a isso as más condições de visibilidade que a zona urbana oferece — por conta a poluição luminosa, que “apaga” muito do que vai pelo céu — o resultado desapontou muita gente.

O radiante das Perseidas — o ponto do céu de onde as estrelas cadentes parecem despencar — fica na direção da consteação de Perseu, um conjunto de estrelas que mal dá as caras deste lado do globo.

Mas isso não quer dizer que ninguém viu nada ao sul do equador. O pessoal do Observatório Europeu Sul, o ESO — que conta com a nada desprezível vantagem de estar no deserto de Atacama, no Chile, onde “poluição luminosa” não é, efetivamente, um problema — produziu a bela imagem abaixo, na noite de 13 para 14 de agosto:




Alguém poderia argumentar (e eu até concordaria) que, com um céu desses, o meteoro é o de menos, mas fica o registro.

Mas os demais observadores do hemisfério sul terão uma oportunidade de ir à forra: em outubro acontecem as Orionídeas, uma chuva de meteoros que parece vir da direção da constelação de Órion, que estará bem visível no céu meridional.

Da mesma forma que as Perseidas são causadas por vestígios do Swift-Tuttle, as Orionídeas são provocadas pela sujeira deixada para trás pelo Halley.

Os primeiros meteoros orionídeos talvez deem o ar da graça já no fim de setembro, mas o auge da chuva deve ocorrer por volta de 21 de outubro. Como dizem no Twitter, #ficaadica!

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