11 de fev de 2011

Vários planetas que pareciam impossíveis estão aparecendo

Folha de S. Paulo


COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
SALVADOR NOGUEIRA

 
Os astrônomos vivem um estranho frenesi na caça aos planetas fora do Sistema Solar. Nos últimos três anos, a tecnologia para identificar mundos similares ao nosso se tornou realidade.

A pressa não vem sem razão: a descoberta de outras Terras é daquelas com potencial para render Prêmio Nobel. Isso explica o último anúncio feito com base nos dados do satélite Kepler, da Nasa, construído exatamente com a finalidade de localizar exoplanetas: ele fala em 1.235 candidatos a planeta. Ênfase em candidatos.

A essa altura do campeonato, descobertas individuais parecem ser de pouco valor, com centenas de mundos extrassolares já confirmados. Quem se importará com o quinto planeta similar à Terra na zona habitável? Os números somados, entretanto, dão um quadro fascinante sobre arquiteturas possíveis para sistemas planetários.

Antes que o primeiro mundo orbitando outra estrela similar ao Sol fosse descoberto, em 1995, especulava-se que todos fossem se parecer mais ou menos com o nosso.

O que vimos, desde então, é exatamente o contrário. Há toneladas de diferentes configurações, e o Universo está cheio de planetas em órbitas que antes achávamos impossíveis, com características sem igual entre os nossos vizinhos no Sistema Solar.

Os astrônomos não gostam de admitir, mas precisam rever seriamente suas teorias de formação planetária, e as estatísticas saídas de satélites como o Kepler e de telescópios em solo ajudam a guiar o caminho.

Em compensação, o que mais poderemos descobrir sobre os gêmeos da Terra que estão prestes a ser confirmados? Por ora, muito pouco.

Cientistas já tentaram observar detalhes da atmosfera de mundos não muito maiores que o nosso e descobriram que, com os atuais equipamentos, a tarefa é difícil. A composição de gases pode trazer a assinatura inconfundível de um planeta vivo.

Eles continuarão tentando, mas a coisa só deve avançar para valer quando uma nova geração de telescópios gigantes em solo e o telescópio espacial James Webb, sucessor do Hubble, estiverem prontos. Trata-se de cerca de uma década de espera.

Talvez dez anos seja um tempo longo para os padrões da pesquisa científica, mas certamente é um piscar de olhos para a resposta que a humanidade procura há incontáveis gerações: estamos sós no Universo?

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