11 de jan de 2012

Agência russa começa contagem para colisão de sonda na Terra

G1 - 09/01/2012
Da Agência EFE

Nave Phobos-Grunt deve cair no planeta entre 10 e 21 de janeiro de 2012.
Controle da missão foi perdido em 8 de novembro do ano passado.

A agência espacial russa, a Roscosmos, começou a contagem regressiva para a colisão com a Terra da estação interplanetária Phobos-Grunt, que não conseguiu atingir a órbita com destino a uma das luas de Marte.

"Segundo os dados que temos e os prognósticos dos especialistas, o prazo de queda da nave oscila entre 10 e 21 de janeiro, com o dia 15 como a data mais provável", informou a Roscosmos em comunicado.

Quanto ao local da colisão da sonda, que ficou à deriva em torno da Terra desde o dia 8 de novembro, a Roscosmos é mais cautelosa e afirmou que isso não poderá ser previsto até 24 horas antes da entrada na atmosfera.

Agência russa começou contagem para queda da sonda Phobos-Grunt. (Foto: STR / AFP Photo)

Neste momento, o raio de queda da sonda - 51,4 graus de latitude norte e 51,4 graus de latitude sul - abrange de Londres ao extremo sul do continente americano. Os russos declararam que a nave, que deveria recolher amostras do solo de Marte e enviá-las à Terra em 2014, não representa nenhuma ameaça o planeta.
A superfície da Terra será atingida apenas por cerca de 20 a 30 fragmentos da nave, com uma massa conjunta que não ultrapassará os 200 quilos. O resto da sonda será desintegrado ao entrar em contato com a atmosfera, da mesma forma que o combustível que leva a Phobos-Grunt, que será queimado a cerca de 100 quilômetros de altura.

Nos últimos meses, duas naves também se chocaram com a Terra: o satélite meteorológico americano UARS, que caiu em setembro no oceano Pacífico e o alemão ROSAT, um mês depois, no Índico.

O Centro Geral de Reconhecimento Espacial do Ministério da Defesa russo, que determinou com precisão a data e o local da queda do UARS e do ROSAT, vigia os parâmetros da órbita da estação ininterruptamente.
Imagens da queda da Fobos-Grunt foram captadas nesta semana pelo astrônomo francês Thierry Legault, na altura de Nice, no litoral mediterrâneo da França.

A Phobos-Grunt pretendia ser a primeira nave espacial a pousar na superfície de Fobos, uma das duas luas do Planeta Vermelho, para estudar a matéria inicial do sistema solar. Para Igor Lisov, diretor da revista Cosmonautics News, "a estação foi projetada e construída com graves defeitos, do sistema de comando ao programa de abastecimento".

O programa de lançamentos russo está em plena crise após vários acidentes; o primeiro ocorreu em agosto do ano passado em mais de 30 anos de funcionamento por um dos cargueiros Progress, que abastecem a plataforma orbital.

Lisov explicou que entre a desintegração da União Soviética, em 1991, e 2007 o programa espacial russo "teve um financiamento estatal abaixo do mínimo de subsistência" e que o recente aumento do investimento não será notado na qualidade do trabalho em menos de cinco anos.

"O envelhecimento dos especialistas, o estado obsoleto dos equipamentos, a paralisação da produção de alguns componentes e materiais e a interrupção do trabalho em certos campos da cosmonáutica" também se somam a essa situação, acrescentou.

Devido aos baixos salários, a grande maioria dos especialistas da indústria espacial russa tem mais de 60 anos ou menos de 30, o que põe em risco o futuro do setor. "Só conservamos o programa de naves pilotadas, os satélites de comunicações e o sistema de navegação GLONASS", disse Lisov, que considerou que a respeitada herança da escola soviética, "em grande medida, já se perdeu".

Lisov acredita que a Rússia, a primeira potência a enviar um homem ao espaço (Yuri Gagarin, em 1961), conseguirá manter a paridade com a China, mas deverá renunciar ao desejo de competir em pé de igualdade com os Estados Unidos.



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