8 de out de 2010

Telescópio infravermelho revela o segredo do Unicórnio


Redação do Site Inovação Tecnológica - 07/10/2010



Quando observada no visível, esta região encontra-se praticamente toda obscurecida por poeira interestelar. Mas, no infravermelho, ela se mostrou espectacular.[Imagem: ESO/J. Emerson/VISTA]

Outra Vista

Uma nova imagem obtida em infravermelho pelo telescópio de rastreio VISTA, do ESO (Observatório Europeu do Sul) revela uma paisagem extraordinária de tentáculos de gás brilhantes, nuvens escuras e estrelas jovens na constelação do Unicórnio (Monoceros).

Esta região de formação estelar, conhecida como Unicórnio R2, encontra-se envolta em uma imensa nuvem escura.

Quando observada no visível, esta região encontra-se praticamente toda obscurecida por poeira interestelar. Mas, no infravermelho, ela se mostrou espectacular.

Na constelação do Unicórnio, no interior de uma nuvem escura de grande massa, rica em moléculas e poeira, encontra-se uma ativa maternidade estelar.

Embora, quando se olha para o céu, esta nuvem pareça próxima da mais conhecidaNebulosa de Órion, na realidade ela encontra-se quase duas vezes mais afastada da Terra, a uma distância de cerca de 2.700 anos-luz.

O segredo do Unicórnio

No visível, podemos observar uma bela coleção de nebulosas de reflexão, formadas quando a radiação azulada de um grupo de estrelas quentes de grande massa é dispersa por partes das camadas exteriores escuras da nuvem molecular.

No entanto, a maioria das estrelas que nascem permanecem escondidas, uma vez que as espessas camadas de poeira interestelar absorvem fortemente a sua radiação ultravioleta e visível.

Nesta nova imagem, obtida em infravermelho a partir do Observatório do Paranal do ESO, no norte do Chile, o telescópio VISTA (acrônimo do inglês Visible and Infrared Survey Telescope for Astronomy) penetra a escura cortina de poeira e revela com um detalhe surpreendente as dobras, voltas e filamentos, esculpidos na matéria interestelar poeirenta pelos intensos ventos de partículas e radiação emitidos pelas estrelas quentes jovens.

"A primeira vez que vi esta imagem fiquei surpreendido por ser possível observar tão claramente todos as correntes de poeira em torno do enxame Unicórnio R2, assim como os jatos provenientes dos objetos jovens profundamente incorporados na poeira. Estas imagens do VISTA revelam uma enorme quantidade de detalhes excitantes," diz Jim Emerson, do Queen Mary, Universidade de Londres e líder do consórcio VISTA.

Hidrogênio molecular

A nova imagem foi criada através de várias exposições obtidas em três regiões diferentes do espectro, no infravermelho próximo. Em nuvens moleculares como a Unicórnio R2, as baixas temperaturas e as densidades relativamente altas permitem que as moléculas se formem, tais como o hidrogênio que, em certas condições, emite intensamente no infravermelho próximo. Muitas das estruturas vermelhas e rosas que aparecem na imagem devem-se provavelmente ao brilho do hidrogênio molecular que é emitido pelas estrelas jovens.

A região Unicórnio R2 possui um núcleo denso com, no máximo, dois anos-luz de extensão, o qual se encontra repleto de estrelas jovens de grande massa, possuindo igualmente um enxame de fontes infravermelhas brilhantes, que são geralmente estrelas de grande massa recém-nascidas e que, por isso, estão ainda rodeadas pelos discos de poeira. Esta região encontra-se no centro da imagem, onde podemos observar uma maior concentração de estrelas e onde as estruturas avermelhadas proeminentes indicam muito provavelmente emissão de hidrogênio molecular.

A nuvem brilhante na parte mais à direita no centro da imagem é a NGC 2170, a nebulosa de reflexão mais brilhante desta região. Em radiação visível, a nebulosa assemelha-se a ilhas azuis brilhantes num oceano escuro, enquanto no infravermelho é possível ver que o seu interior contém fábricas estelares onde centenas de estrelas de grande massa estão se formando em um ritmo muito rápido. A NGC 2170 pode ser observada através de um pequeno telescópio e foi descoberta por William Herschel em 1784.

As estrelas formam-se em um processo que dura tipicamente alguns milhões de anos e que se processa no interior de enormes nuvens de gás e poeira interestelar, com centenas de anos-luz de dimensão - veja Novo fenômeno astronômico lança luz sobre o nascimento das estrelas.

Como a poeira interestelar é opaca à radiação visível, observações no infravermelho e em radiofrequência são cruciais no sentido de compreendermos os primeiros estágios da formação estelar.

Telescópio Vista

Com o seu enorme campo de visão, espelho grande e câmara sensível, o VISTA é o telescópio ideal para obter imagens profundas de grande qualidade no infravermelho, principalmente de grandes áreas do céu, tais como a região Unicórnio R2.

A largura do campo de visão do VISTA é equivalente a cerca de 80 anos-luz a esta distância. Uma vez que a poeira é bastante transparente nos comprimentos de onda do infravermelho, muitas estrelas que não se consegue observar em imagens no visível tornam-se aparentes no infravermelho. A estrela de maior massa dentre as observadas na imagem tem menos de dez milhões de anos de idade.

Ao mapear o céu austral de modo sistemático, o VISTA irá coletar cerca de 300 gigabytes de dados por noite, fornecendo uma enorme quantidade de informação relativa àquelas regiões que serão estudadas posteriormente em mais detalhe pelo Telescópio VLT (Very Large Telescope), Telescópio ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array) e, no futuro, o European Extremely Large Telescope (E-ELT), que será o maior telescópio do mundo.

Com um espelho primário de 4,1 metros, o VISTA é o maior telescópio de rastreio do mundo, equipado com a maior câmara infravermelha montada em um telescópio, com 67 milhões de pixels.

Sua missão é mapear o céu, tendo começado suas operações no início de 2010. Situado num pico próximo do Cerro Paranal, no norte do Chile, o VISTA partilha das mesmas condições de observação excepcionais. Devido à excelente qualidade do céu nesta região do deserto do Atacama, o Cerro Armazones, uma das zonas mais secas na Terra, situado a apenas cerca de 20 km do Cerro Paranal, foi recentemente selecionado como local do futuro E-ELT.

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