8 de nov de 2011

Pesquisadores mostram poder destrutivo dos terremotos

Geofísica Brasil

Tecnologia

Um estudo feito por pesquisadores americanos concluiu que os terremotos têm mais impacto na saúde humana que outros desastres naturais, como enchentes e furacões. Mais de um milhão de tremores de intensidades diversas são registrados por ano no mundo, afirma a pesquisa, publicada sexta-feira na revista científica britânica Lancet. Além das mortes imediatas, as vítimas dos tremores incluem indivíduos seriamente feridos - especialmente crianças - que não podem receber tratamento por causa da destruição da infraestrutura.

No terremoto do Haiti, por exemplo, 53% dos pacientes tratados após o tremor nas proximidades de Porto Príncipe tinham menos de 20 anos de idade. Cerca de 25% tinham menos de cinco anos. Na última década, os terremotos causaram mais de 780 mil mortes no mundo - o equivalente a 60% do total causado por desastres naturais, concluiu o estudo coordenado pela Iniciativa Humanitária da Universidade de Harvard.
Outros desastres, como enchentes e furacões, tipicamente causam mortes por afogamento, mas poucos feridos, afirmaram os pesquisadores. No caso dos terremotos, a estimativa é de que, para cada pessoa morta no desastre, três escapam com ferimentos.

Além disso, muitas das grandes metrópoles do mundo estão localizadas sobre falhas geológicas propensas a sofrer com este tipo de fenômenos, como Tóquio, Los Angeles, Nova York, Nova Déli e Xangai.

"Como os terremotos normalmente afetam áreas urbanas populosas com pouca infraestrutura, resultam em altas taxas de mortalidade com muitos ferimentos .

Prejuízo no Japão ultrapassa US$ 200 bilhões

Com estimativas de danos que ultrapassam US$ 200 bilhões, segundo algumas avaliações, o terremoto e o tsunami que atingiram o Japão este ano devem se tornar o desastre natural mais custoso da história. Segundo um levantamento feito pelo Centro de Pesquisas de Epidemiologia dos Desastres (Cred), o desastre natural mais custoso até hoje havia sido o terremoto de Kobe, no Japão, em 1995, com um custo estimado em US$ 143 bilhões, em valores atualizados. Logo depois aparece o furacão Katrina, que causou estragos em vários Estados americanos e arrasou a cidade de Nova Orleans, em 2004. Os custos dessa tragédia foram estimados em US$ 140 bilhões.

Entre os 20 desastres naturais mais custosos da história, segundo o levantamento do Cred, aparecem apenas dois eventos anteriores à década de 1980: o terremoto de Tangshan, na China, em 1976, que aparece em 14º na lista, com um custo atual estimado em US$ 21 bilhões, e as enchentes de 1931 na China, com danos de US$ 20 bilhões.

Para David Hargitt, gerente de dados do Cred, a concentração de eventos mais recentes no topo da lista pode ser explicada pelo desenvolvimento econômico. "Há mais obras de infraestrutura, mais edifícios, mais pessoas morando num mesmo espaço. Há mais coisas para serem destruídas", observa. "Num lugar onde antes havia dez casas, hoje pode haver cem edifícios", explica.

Tribuna do Norte - 6/11/2011



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