8 de mar de 2012

Victor d Ávila, pesquisador do Observatório Nacional fala sobre a tempestade solar

O GLOBO (RJ) • CIÊNCIA • 6/3/2012 • ENERGIA

Megatempestade irrompe o Sol

Erupção da classe X, a mais perigosa, abre era mais explosiva da estrela

Às 4h13m da madrugada de ontem (05/03), uma grande explosão irrompeu do Sol. Segundo o prognóstico da Nasa, a tempestade atingirá a Terra entre a noite de quarta e quinta-feira. Embora seja um fenômeno de grande magnitude, o planeta não está na linha de choque com a radiação liberada, e, portanto, quase não sofrerá consequências. Nos próximos dois anos, porém, erupções como esta devem se tornar cada vez mais comuns.

A tempestade formalmente conhecida como ejeção de massa coronal é da classe X, a mais perigosa de todas. Se pegasse o planeta de frente, prejudicaria as telecomunicações e a navegação, desativando redes de energia elétrica e afetando os satélites em órbita. Seria, também, um risco à saúde dos astronautas em missão no espaço. Por sorte, ao menos desta vez nenhum desses acontecimentos está previsto. Segundo o Centro de Predição do Clima Espacial da Nasa, explosões colossais de partículas serão mais comuns nos dois próximos anos, até que o astro atinja o máximo solar, como é conhecido o pico de sua atividade.

O Sol passa 11 anos com alta atividade solar e outros 11 em baixa explica Victor d Ávila, pesquisador do Grupo de Estudos do Sol (Girasol) do Observatório Nacional. As manchas solares aumentam em número e tamanho conforme ele se aproxima do máximo solar, um estado em que o seu campo magnético também adquire um formato mais distorcido.

Grandes erupções como a vista esta semana vão se repetir com uma frequência crescente até o fim de 2013, quando, estima-se, o astro entrará em um período de menor atividade. Não há garantia, no entanto, de que esta previsão estará certa. O Sol reserva surpresas aos astrônomos o último período de baixa atividade da estrela, por exemplo, foi extraordinariamente extenso, durando 13 anos. Agora, o astro parece disposto a perder o tempo perdido, acordando com erupções mais fortes. A última a chegar à classe X ocorreu há menos de quatro meses. Ainda assim, os cientistas podem evitar surpresas desagradáveis.

Foram lançados diversos satélites para monitorar especificamente a atividade solar, o que nos permite conhecer uma erupção solar perigosa dias antes de ela chegar ao nosso planeta ressalta d Ávila. Mas precisamos ter cuidado porque, fatalmente, um dia estaremos na mira de um tempestade geomagnética extremamente forte, como já foi registrado em algumas ocasiões no passado.

Na próxima vez, no entanto, será mais complicado, porque nunca tivemos uma civilização tão dependente de fios. Haverá um blecaute muito extenso, e precisamos estar alerta a isso. As companhias de energia elétrica devem tomar uma série de medidas de prevenção. A elevação da atividade solar está provocando outros comportamentos no espaço. A radiação emitida pelo astro está aquecendo a termosfera a região mais externa da atmosfera , fazendo com que ela se expanda. Assim, objetos em órbitas mais baixas têm encontrado mais moléculas em seu caminho e caído mais rapidamente.

Em janeiro, um relatório da Nasa sobre lixo espacial destacou que este fenômeno acelerou o ritmo de incineração na atmosfera dos detritos de um satélite chinês um russo e um americano. O primeiro foi destruído em um teste de armas realizado pela própria China; os dois últimos colidiram entre si.



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