3 de mai de 2012

Estrelas em hipervelocidade são ejetadas da galáxia

Redação do Site Inovação Tecnológica - 02/05/2012 

Foram identificadas nada menos do que 675 estrelas ejetadas, flutuando no espaço entre a Via Láctea e a vizinha galáxia de Andrômeda. [Imagem: Michael Smelzer / Vanderbilt University] 


Estrelas sem galáxias 

Há cerca de um ano, causou estranheza a descoberta de planetas sem estrelas, corpos celestes escuros, flutuando sozinhos no espaço, fora da órbita de qualquer estrela. 

E, da mesma forma que planetas gostam de estrelas, estrelas gostam de andar em bandos, no meio de galáxias. 

Mas agora uma equipe de astrônomos acaba de descobrir estrelas órfãs, sem galáxias, flutuando livremente no espaço intergaláctico. 

Os astrônomos já conheciam 16 estrelas naquilo que eles chamam de "hipervelocidade", uma velocidade suficiente para que elas escapem da atração gravitacional da galáxia - contudo, mesmo assim tão velozes, elas foram descobertas ainda no interior da galáxia. 

Agora foram identificadas nada menos do que 675 estrelas já ejetadas, "perdidas", flutuando no espaço entre a Via Láctea e a vizinha galáxia de Andrômeda. 

Estrelas metálicas 

As estrelas sem galáxias são estrelas muito vermelhas, o que significa que elas têm uma alta "metalicidade". 

Em astronomia, metais são quaisquer elementos além do hidrogênio e do hélio na composição de uma estrela. 

Uma alta metalicidade indica que a estrela se formou no centro da galáxia. Estrelas mais velhas e estrelas que nascem na borda das galáxias tendem a ter menor metalicidade. 

Expulsas pelo buraco negro 

Mas a pergunta que fica literalmente no espaço intergaláctico é: o que deu a essas estrelas uma velocidade de escape da galáxia? 

Como elas vêm do centro da galáxia, o que é deduzido da sua alta metalicidade, os astrônomos suspeitam de uma inusitada interação com o campo gravitacional do buraco negro super maciço que se acredita existir no centro das galáxias. 

O primeiro cenário envolve um par de estrelas binárias pegas pela atração gravitacional do buraco negro. Quando uma delas começa a espiralar em direção ao buraco negro, sua companheira é arremessada para fora com uma velocidade tremenda. 

Uma segunda possibilidade é o buraco negro galáctico engolir um outro buraco negro menor. 

Qualquer estrela que se aventure muito perto desse "binário negro" ficará sem saber para que lado cair e, passando em uma posição precisa, será arremessada pela gigantesca gravidade, em um processo similar ao impulso gravitacional usado pelas sondas espaciais. 

Bibliografia:

Identifying high-metallicity m giants at intragroup distances with Sloan Digital Sky Survey
Lauren E. Palladino, Kelly Holley-Bockelmann, Heather Morrison, Patrick R. Durrell, Robin Ciardullo, John Feldmeier, Richard A. Wade, J. Davy Kirkpatrick, Patrick Lowrance
The Astronomical Journal
Vol.: 143 128
DOI: 10.1088/0004-6256/143/6/128



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