22 de dez de 2014

Novidades da Rosetta: O que ela encontrou e o que vem a seguir


O módulo da Rosetta está hibernando no cometa neste momento, esperando pelo brilho do Sol. Enquanto isso os cientistas da missão têm trabalhado duro, examinando uma volumosa quantidade de dados para tentar antecipar como e quando o módulo acordará. Eles liberaram novas fotos e dicas intrigantes do que está por vir na reunião da União Geofísica Norte-Americana.

Caso você não esteja acompanhando esse drama espacial, a Agência Espacial Europeia lançou a nave Rosetta há dez anos com a missão de interceptar um cometa. Ela encontrou seu alvo alguns meses atrás e colocou um pequeno módulo, o Philae, em cima da bola de gelo e rocha. Só que nem tudo saiu como o planejado e o módulo acabou quicando duas vezes antes de parar nas sombras de um penhasco. Sem a luz do Sol para gerar energia através dos seus painéis solares, o módulo entrou em hibernação. A nave Rosetta ainda está orbitando o cometa para fazer medições.

Abaixo, tudo o que foi descoberto sobre a Rosetta hoje e o que deve acontecer no futuro.

Onde exatamente o Philae pousou?

Ainda não se sabe exatamente, mas os dados que revelarão a localização estão vindo, numa viagem de 482 milhões de quilômetros em direção à Terra. Holger Sierks, o cientista responsável pela câmera da Rosetta que está de olho no Philae, disse em uma entrevista coletiva hoje que eles conduziram três missões de pesquisa nos dias 12, 13 e 14 de dezembro. Uma delas muito provavelmente fotografou o módulo iluminado pelo Sol; nas duas anteriores, ele estava na sombra. Agora, é apenas uma questão de analisar meticulosamente as fotos.

Em que ponto a aterrissagem do Philae deu errado?

Um dos motivos que levaram o Philae quicar tão alto (3,2 km!) foi que o cometa tem uma inesperada crosta de “poeira de gelo” gerada por um processo chamado sinterização. Basicamente, é quando grãos se fundem para formar uma superfície especialmente rígida e isso impediu que o Philae pousasse suavemente.

O Philae acordará algum dia?

Jean-Pierre Bibring, o cientista chefe do módulo, demonstrou confiança na saída da hibernação do Philae quando o cometa se aproximar do Sol, em fevereiro ou março do ano que vem. Para dar certo, duas coisas precisam acontecer antes.

Uma, é que os painéis solares precisam de luz suficiente do Sol. No momento, não se sabe ao certo onde o módulo está, então é difícil prever quanto de luz solar ele receberá. Além disso, o Philae precisa sobreviver às condições brutalmente geladas do cometa. É difícil mensurar a temperatura dentro do módulo, mas Bibring diz que “a sobrevivência é garantida”.

Quais moléculas orgânicas a Rosetta encontrou?

Recentemente, foi anunciado que os instrumentos da Rosetta haviam detectado moléculas orgânicas no cometa. Mas seriam essas moléculas simples, como metano, ou as complexas, capazes de servir como evidência de que foram eles, os cometas, quem trouxeram a vida à Terra? Bibring confirmou que eles encontraram grandes moléculas orgânicas de massa até 100 (em comparação, as de metano têm massa 16), mas ainda estão trabalhando para identificar, com precisão, de que tipo elas são. O jeito é esperar para ver.

Novas fotos!

Na sessão científica de hoje, os cientistas da Rosetta mostraram várias fotos novas que ainda não foram processadas para conhecimento do público. Se você está realmente interessado em saber o porquê disso, aqui tem uma boa explicação – tem a ver com o receio por causa das regras que orientam a publicação de dados ainda não processados.

Felizmente, podemos conferir algumas fotos novas já liberadas, incluindo ângulos do cometa nunca antes vistos.


A primeira foto tirada pelo Philae depois que ele pousou. Esse borrão luminoso o Philae quicando.


Foto tirada pelo Philae do penhasco que está bloqueando o Sol.


Um diagrama de como o Philae está orientado no cometa, embora a sua localização exata ainda precise ser confirmada.

Matéria original: clique aqui

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