30 de set de 2011

Observatório Nacional abre inscrições para Mestrado e Doutorado em Geofísica

O Programa de Pós-Graduação do Observatório Nacional, PG-ON, foi credenciado pelo parecer do Conselho Federal de Educação - CFE 05/73 de 22/01/73.
As condições mínimas para ingresso no Programa de Pós-Graduação, em Geofísica, são:
Ser graduado em curso de nível superior em Física, Matemática, Geofísica ou áreas afins e ter sido aprovado no Processo Seletivo.

Processo de Seleção

Mestrado (2012):
Inscrições: e 03/10/2011 a 02/12/2011.
Prova eliminatória: 12 de dezembro de 2011 (9h).

Doutorado (2012):
Inscrições: 03/10/2011 a 30/11/2011 (Seleção nas duas primeiras semanas de dezembro).

Maiores informações e inscrições: http://www.on.br/




 

Semana Nacional de Ciência e Tecnologia de 2011

Mudanças climáticas, desastres naturais e prevenção de riscos


A Semana Nacional de Ciência e Tecnologia de 2011 ocorrerá entre 17 e 23 de outubro. O tema principal será: “Mudanças climáticas, desastres naturais e prevenção de risco”. Além de promover inúmeras atividades de divulgação científica em todo o país, serão estimulados na SNCT 2011 a difusão dos conhecimentos e o debate sobre as estratégias e maneiras de se enfrentar o grande desafio planetário das mudanças climáticas e de prevenir riscos decorrentes de desastres naturais e de situações criadas pela ação humana.

Saiba mais.

Menor número de asteroides reduz risco de impacto na Terra

Redação do Site Inovação Tecnológica - 30/09/2011


O telescópio espacial WISE revisou para baixo o número de asteroides próximos da Terra.[Imagem: NASA/JPL-Caltech]

Asteroides próximos à Terra

O observatório WISE, da NASA, revelou que o número de asteroides médios e grandes nas proximidades da Terra é significativamente menor do que se pensava.

Os resultados indicam que a NASA já localizou mais de 90% dos maiores asteroides próximos da Terra, aqueles que representam um maior risco no caso de um impacto.

Os cientistas afirmam que esta melhor compreensão da população de asteroides indica que o perigo para a Terra pode ser um pouco menor do que se calculava.

Os astrônomos agora estimam que existam cerca de 19.500 - e não 35.000 - asteroides de tamanho médio na nossa vizinhança.

No entanto, se os grandes já estão mapeados, a maioria desses asteroides de tamanho médio ainda precisam ser descobertos.

Mais pesquisas também são necessárias para determinar se um número menor de objetos de tamanho médio (entre 100 e 1.000 metros de diâmetro) também significa menos asteroides perigosos - aqueles que mais se aproximam da Terra.

O observatório espacial identificou mais de 500 objetos maiores do que 100 metros de largura.

Asteroides próximos da Terra menores do que isto não foram estudados, e os cometas nas proximidades da Terra serão analisados em uma próxima etapa.

Telescópios infravermelhos são mais adequados para observar objetos pequenos e escuros. [Imagem: NASA/JPL-Caltech]

Olhos infravermelhos

Este gráfico ilustra por que os telescópios de infravermelho são mais adequados para encontrar pequenos asteroides escuros do que os telescópios que detectam a luz visível.

O topo do gráfico mostra como três asteroides do mesmo tamanho, mas com diferentes composições, iriam aparecer em luz visível.

Um asteroide que tenha uma superfície brilhante - um maior albedo - aparecerá mais brilhante do que um asteroide escuro, apesar de serem do mesmo tamanho. Isto ocorre porque um asteroide mais brilhante vai refletir mais luz visível do Sol.

A parte inferior do quadro mostra os mesmos três asteroides quando vistos em luz infravermelha. Eles parecem ter o mesmo brilho, independentemente do seu albedo.

Objetos do mesmo tamanho irradiam a mesma quantidade de luz infravermelha, como resultado de seu aquecimento pelo Sol.

É mais fácil para um telescópio infravermelho ver um asteroide pequeno e escuro porque ele detecta a assinatura de calor do objeto e não a pequena quantidade de luz solar refletida por ele.

Asteroides de grande impacto

Cada imagem representa cerca de 100 asteroides reais. Asteroides próximos da Terra que já tenham sido encontrados estão preenchidos e aparecem na cor marrom. [Imagem: NASA/JPL-Caltech]

Este quadro mostra como os dados do WISE levaram à revisão na população estimada de asteroides próximos da Terra - seus tamanhos não estão em escala nesta ilustração.

Cada imagem representa cerca de 100 asteroides reais. Asteroides próximos da Terra que já tenham sido encontrados estão preenchidos e aparecem na cor marrom.

Uma linha inteira de imagens com contorno azul mostra quantos objetos se acreditava existir antes da pesquisa do WISE. Os contornos verdes mostram as novas estimativas reduzidas.

Como o gráfico revela, apenas uma pequena diferença foi observada no número total estimado dos asteroides maiores - aqueles que têm potencial para causar consequências globais no caso de um impacto com a Terra.

Para os asteroides maiores do que 1.000 metros, a pesquisa revisou os dados da população total para 981, contra uma estimativa anterior de cerca de 1.000.

Já se conhecem 911 objetos deste tamanho, o que significa que a NASA já encontrou 93% deles - faltariam 70 para serem encontrados.

Asteroides médios e pequenos

Para os asteroides médios, que ainda poderiam destruir uma área metropolitana, as novas estimativas preveem menos rochas espaciais do que se pensava anteriormente.

Os dados revelaram um declínio de aproximadamente 44% no número estimado de asteroides médios, definidos como aqueles objetos entre 100 metros e 1.000 metros.

As estimativas indicam agora a existência de cerca de 19.500 deles, contra a estimativa anterior de 35.000.

O estudo não se aplica a objetos menores do que 100 metros, mas estima-se que haja mais de um milhão nesta faixa de tamanho com base em estudos anteriores.




 

A teoria de Einstein pode cair?

Site Inovação Tecnológica
Com informações do IFSC

Visão do laboratório subterrâneo Gran Sasso, na Itália, onde foi feita a medição histórica.[Imagem: CNRS]

O cientista brasileiro Luiz Vitor de Souza Filho, do Instituto de Física de São Carlos (IFSC) da USP e pesquisador na área de astrofísica de partículas, comenta os indícios de que partículas poderiam viajar mais rapidamente do que a luz.

No princípio era Einstein

No século XX, as teorias de Albert Einstein levaram à afirmação de que nenhum corpo ou partícula de nosso conhecimento poderia atingir velocidade maior do que a da luz.

No século XXI, uma nova descoberta poderá revolucionar todas as teorias que deram vida à física moderna e que colocaram em evidência o mais famoso físico de todos os tempos.


Rota de aviões, GPS, computadores. A existência e, principalmente, o funcionamento perfeito de todos esses equipamentos só é possível graças a Teoria da Relatividade, através da qual se deduz a mais famosa equação da física moderna: E=mc2.

A famosa fórmula, criada por Albert Einstein, um dos cientistas mais notórios do mundo, corre o risco de ser reformulada e os responsáveis por isso podem ser seus vizinhos europeus.

No subterrâneo Laboratori Nazionali Del Gran Sasso, localizado na Itália, um experimento pode alterar, significativamente, toda teoria formulada pelo físico alemão: a de que a velocidade da luz, no vácuo (exatos 299.792.458 metros por segundo), pode ser superada pela velocidade de uma partícula descoberta em 1987, que recebeu o nome de neutrino.

"A proposta da existência dessa partícula é antiga, mas só na década de 80 é que foram feitas as primeiras medidas, comprovando sua existência", esclarece Vitor.

Mas, para entender melhor a importância e magnitude da descoberta, vamos ao seu início.

Medindo o imensurável

O famoso Laboratório Europeu de Física de Partículas, mais conhecido por CERN (Conseil Européen pour La Recherche Nucléaire), é um dos locais onde prótons - partícula elementar do átomo - são produzidos, graças a um acelerador de partículas instalado no laboratório.

A famosa ferramenta envia os prótons por canais subterrâneos, onde estes, por sua vez, ao colidirem com alvos, propositalmente colocados no caminho, irão gerar novas partículas, entre elas o neutrino.

Mas, diferentemente de sua ancestral ou de suas irmãs, o neutrino praticamente não interage com a matéria, passando por esses alvos como se eles não existissem.

"Depois de mais ou menos um quilômetro que o próton é gerado no acelerador, forma-se um feixe de neutrinos. Esse feixe está apontado na direção de alvos construídos no Gran Sasso. Ou seja, o feixe de neutrinos passa por baixo da terra, fazendo um caminho reto, sem se desviar,", elucida Vitor.

Nesse momento, os cientistas italianos já estão preparados, esperando. Para conseguir medir a velocidade dos neutrinos, que chegam no feixe de luz originado no CERN, alvos de chumbo foram montados no laboratório italiano, seguidos por detectores de velocidade.

"Esse feixe vem do CERN com milhões de neutrinos e, a maioria, irá enfrentar os alvos de chumbo. Aqueles que não conseguirem atravessar esses alvos irão colidir com os mesmos, dando a brecha necessária para os detectores, posicionados logo em seguida, medirem o momento da sua chegada."

Velocidade maior do que a da luz

Parece coisa de outro mundo, mas, exceto pelos sofisticadíssimos aparelhos de medição, a técnica é simples e mais comum do que pensamos. "É como medir a velocidade de um carro. Mede-se a distância percorrida pelo carro em um intervalo de tempo. A divisão da distância pelo tempo gasto é a velocidade", compara Vitor.

Ao conseguirem, finalmente, medir a velocidade do neutrino, os cientistas perceberam que a partícula tinha uma velocidade maior do que a da luz, mesmo que a diferença fosse de meros 60 nanossegundos (10-9 segundos).

Sendo assim, a afirmação, até então, irrefutável de Einstein abre espaço para novas teorias, fórmulas físicas e, sobretudo, novas maneiras de pensar sobre tudo que estamos acostumados a lidar, há mais de cem anos.

Os equipamentos para se chegar a essa medida abrigam tecnologia e precisão surpreendentes. "Para fazer essa medição, GPS e relógio atômico foram alguns dos instrumentos utilizados pelos cientistas, e eles garantem uma precisão de tempo com margem de erro de, no máximo, dois nanossegundos. Já no quesito distância, para os feixes atravessarem a terra, em linha reta, a margem de erro seria de, no máximo, 20 centímetros", explica Vitor.

Cautela e dúvidas

O "OPERA" - nome com o qual foi batizado o mais revolucionário experimento -, embora esteja causando grande alvoroço no meio científico, ainda não tem seus resultados confirmados.

"Quando Einstein propôs a Teoria da Relatividade, muitas contas foram feitas e todas puderam ser testadas e verificadas para comprovar essas hipóteses. O 'OPERA' abre possibilidades para explorar algo que desconhecemos, por isso todos estão muito cautelosos com essa nova informação," diz Vitor.

Na história, experimentos desse tipo já foram feitos e, posteriormente, desmentidos.

Na década de 1980, o físico brasileiro Cesar Lattes tentou provar que a famosa afirmação de Einstein era equivocada e, mais recentemente, um experimento estadunidense, chamado "MINOS", tentou provar o mesmo.

"Os cientistas dos EUA publicaram um artigo descrevendo a velocidade superior do neutrino, porém a precisão da medição era baixa e o resultado não ganhou a confiança da comunidade científica. Agora, com o 'OPERA', a precisão é muito melhor, mas mesmo assim os envolvidos só 'baterão o martelo' depois que tiverem uma segunda confirmação da experiência, feita em algum outro local, envolvendo diferentes pessoas," explica

Consequências futuras

Vitor afirma que, em princípio, não é possível arriscar as mudanças que ocorrerão, caso essa experiência seja, definitivamente, confirmada.

"A física teórica, que foi construída no início do século XX, trouxe consequências na vida das pessoas depois de 60 anos. Então, se essa nova descoberta for comprovada, teremos noções das mudanças que ela pode trazer num prazo mínimo de meio século", afirma.

Mas, mesmo com a novidade, as afirmações, postulados e teorias de Albert Einstein continuam sendo válidas.

"O funcionamento de aviões, por exemplo, está baseado diretamente no postulado de Einstein. A medida do 'OPERA' pode abrir as portas para um novo mundo, e o que virá disso, certamente, terá influência em nossas vidas. Alguns cientistas afirmam que, se comprovada, o 'OPERA' abrirá possibilidades de descrever o universo em dimensões extras, além do tempo e espaço. Mas, por enquanto, isso é só especulação", conta Vitor.

Com o passar do tempo, novas perguntas serão feitas e novas respostas deverão ser buscadas. No passado, Albert Einstein refutou afirmações de Isaac Newton. Hoje as teorias deste primeiro são questionadas.

O que importa a todos nós é saber que mesmo a ciência mais exata sofre modificações, o que não quer dizer que antigas teorias perdem sua importância e, sobretudo, validade.

Sendo assim, mesmo com o 'OPERA' sendo 100% bem-sucedido, Einstein continua e continuará tendo sua reputação ilibada. Seus fãs podem continuar respirando aliviados.




 

Mancha solar causa tempestade geomagnética na Terra

Redação do Site Inovação Tecnológica - 27/09/2011

A ejeção de massa coronal sentida mais fortemente atingiu a Terra nesta segunda-feira, 26, marcando um índice Kp=8, em uma escala que vai até 9.[Imagem: NASA]


Ejeção de massa coronal

A descomunal mancha solar 1302 lançou outra forte erupção - uma ejeção de massa coronal - que foi detectada nas últimas horas pela sonda SDO (Solar Dynamics Observatory) da NASA.

A erupção atingiu a categoria X1.9, captada na forma de um flash ultravioleta.

A ejeção de massa coronal sentida mais fortemente atingiu a Terra nesta segunda-feira, 26, marcando um índice Kp=8, em uma escala que vai até 9.

As simulações feitas pela NASA indicam que o plasma trazido pelo vento solar forçou uma forte compressão da magnetosfera da Terra, atingindo a altitude dos satélites artificiais que ficam em órbita geoestacionária.

Até agora não há nenhum relato de problemas nas comunicações.

Tempestade em andamento

Um filme feito pela SDO mostra uma onda de choque projetando-se do local da explosão, na superfície do Sol, rumo ao espaço.

Felizmente, dentre as recentes atividades dessa gigantesca mancha solar, nenhuma estava dirigida diretamente para a Terra.

Mas isto pode mudar, conforme o Sol gira e faz a mancha ficar voltada para o nosso planeta nos próximos dias.

Anteriormente, ela já havia gerado duas ejeções de massa coronal, uma de categoria M8.6, no dia 24 e uma M8.8, no dia 25.

Isso foi suficiente para que os observatórios da Terra detectassem um forte aumento na atividade magnética.

Os dados indicam que a mancha solar 1302 está crescendo, não tendo apresentado nenhum sinal de se acalmar.



 

Segundo satélite artificial cairá sobre a Terra em Outubro

Com informações da DLR e New Scientist

Os quatro espelhos, com 83 centímetros cada um, bem como toda a estrutura externa do telescópio ROSAT, deverão sobreviver inteiramente à reentrada na atmosfera.[Imagem: DLR]


Caindo inteiro

O satélite UARS caiu, felizmente, sem causar vítimas.

Mas vem aí um novo lixo espacial. E, desta vez, um com potencial para causar muitos danos, caso atinja alguma área habitada.

O telescópio espacial alemão ROSAT deverá cair no final de Outubro ou início de Novembro, segundo os melhores cálculos da DLR, a agência espacial alemã.

O grande problema, porém, é que o ROSAT foi construído de tal forma que ele deverá resistir à reentrada na atmosfera, não se queimando quase integralmente, como aconteceu com o UARS.

Por isso, e devido à sua órbita, a chance de fazer alguma vítima humana é de 1 em 2.000 - a chance do UARS atingir alguém era de 1 em 3.200.

Blindagem contra calor

O ROSAT (ROentgen SATellite) foi lançado em 1990 e atingiu o fim da sua vida útil em 1999. Ele é menor do que o UARS, pesando 2,4 toneladas.

Ele protagonizou descobertas importantes como, por exemplo, testes sobre uma teoria unificada da física.



O grande problema é que ele foi construído para observar raios X no espaço. Com isto, seus espelhos tiveram que ser fortemente blindados contra o calor, que poderia atrapalhar suas sensíveis observações.

Graças a essa blindagem, é praticamente certo que seus espelhos e praticamente toda a sua estrutura sobrevivam à reentrada.

E, como o UARS, o telescópio desativado não tem motores a bordo, que possam ser usados para comandar uma reentrada guiada. O resultado serão outros dias de expectativa.

"Até 30 destroços individuais, com uma massa de até 1,6 tonelada deverão atingir a superfície da Terra. O sistema óptico de raios X, com seus espelhos e um suporte mecânico feita com compósito reforçado com fibra de carbono - ou ao menos parte dele - deverão ser os componentes individuais mais pesados a atingir o solo," afirmou a DLR.

Queda de satélites

O momento de reentrada do ROSAT, assim como de qualquer outro lixo espacial, é determinado por dois fatores principais.

O primeiro é a geometria do objeto, que pode funcionar como um freio mais ou menos potente, acelerando ou retardando sua queda.

O segundo é o comportamento da própria atmosfera, que se expande e se contrai em reação à intensidade da atividade solar. Quanto mais densa a atmosfera, maior é o arrasto imposto sobre o objeto, que cai mais rápido.

Desta forma, conforme a atividade solar aumenta ao longo de seu ciclo de 11 anos, é maior o volume de lixo espacial que ameaça cair sobre a Terra.

Riscos do lixo espacial

E talvez seja com se acostumar com notícias desse tipo.

A maior incidência de quedas que está se verificando agora é resultado de uma intensa atividade espacial na década de 1990, com um número de lançamentos duas vezes maior do que a atual.

Os satélites lançados naquela época - que costumavam ser muito grandes - já atingiram ou estão se aproximando do final de sua vida útil.

Atualmente, há uma tendência para a construção de satélites menores, mais especializados.

Com isto, os futuros lixos espaciais que virão abaixo deverão ser menores, com maiores chances de se queimarem integralmente durante a reentrada.





'Ovo frito' estelar vai virar uma supernova, afirma astrônomo

Folha de São Paulo


Ainda não se sabe quando estrela gigante amarela deve explodir

Eric Lagadec/ESO 
Nebulosa do Ovo Frito; juntas, ‘gema’ e ‘clara’ têm quase o diâmetro do Sistema Solar


SALVADOR NOGUEIRA
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

É como dizem os astrônomos: não se pode fazer uma supernova sem quebrar alguns ovos. Uma equipe europeia acabou de identificar uma estrela que está prestes a explodir violentamente e, adivinhe só, ela se parece com um ovo frito.
O objeto foi identificado pelo satélite Iras, em 1983, mas a comunidade astronômica não havia dado muita bola para ele até hoje.
"Eu estava fazendo um censo de estrelas em sua fase final de vida, e ela apareceu como um imenso farol na imagem", conta Eric Lagadec, astrônomo do ESO (Observatório Europeu do Sul) e líder da equipe que fez a descoberta, recém-publicada no periódico "Astronomy & Astrophysics". "Eu me lembro do pessoal no telescópio dizendo: 'Uau! O que é isso?'."
Era o que os astrônomos chamam de uma hipergigante amarela. Até hoje, só outros três objetos similares haviam sido observados, e nenhum deles era tão brilhante e tão próximo quanto o da Nebulosa do Ovo Frito.
A razão para tão poucos exemplares é que a fase hipergigante amarela desses astros é muito efêmera.
O astro fica tão grande que, se colocássemos o "ovo" no lugar do Sol, sua superfície ficaria mais ou menos onde fica a órbita de Júpiter (e a Terra estaria dentro dele).
Localizada a 13 mil anos-luz da Terra, ela provavelmente não trará perigo para nosso planeta quando virar supernova -fenômeno que leva à explosão das camadas exteriores do astro.
Contudo, a promessa é, no mínimo, de um belo espetáculo. Especula-se que, ao explodir, ela possa se tornar visível no céu até de dia.
E os fogos de artifício são para quando? "É difícil dizer. Pode acontecer a qualquer momento, de hoje até as próximas centenas de milhares de anos", diz Lagadec.



Estudo que desafia Einstein sofre críticas

Folha de São Paulo


Equipe que detectou neutrinos viajando mais rápido do que a luz enfrentou bombardeio de físicos ainda céticos.

Cientista-chefe rebateu ataques e ganhou elogio de vencedor do Nobel; começa a corrida para confirmar os dados.


RAFAEL GARCIA
DE WASHINGTON

No clássico de humor "O Guia do Mochileiro das Galáxias", o escritor Douglas Adams afirma: "Nada no Universo ultrapassa a velocidade da luz. A única exceção são as más notícias, que obedecem a leis próprias".
A piada resume o clima de mal-estar com o qual a comunidade de físicos recebeu o anúncio de que partículas chamadas neutrinos teriam viajado mais rápido que a luz.
Ontem, físicos que conduziram a observação finalmente fizeram um anúncio oficial e tiveram de enfrentar o ceticismo dos demais cientistas.
No experimento Opera, um feixe de neutrinos (partículas eletricamente neutras e quase sem massa) foi produzido no centro de pesquisas nucleares Cern, em Genebra (Suíça), e enviado até um detector no Laboratório Nacional Gran Sasso, na Itália, a 730 km. Chegou lá 60 bilionésimos de segundo mais adiantado do que a luz.
E a notícia correu também mais rápido do que a ciência. O anúncio já havia se espalhado na imprensa anteontem, quando os autores do trabalho abriram o acesso na internet a um estudo ainda sem revisão independente.

NO TWITTER
Só ontem o Cern organizou entrevista coletiva com os físicos, com perguntas via Twitter e transmissão em vídeo. Dario Autiero, líder do estudo, mostrou seus resultados com algum esforço para contemplar uma audiência que incluía de jornalistas leigos a físicos veteranos.
Quando sua apresentação chegou ao vigésimo gráfico detalhando a metodologia do experimento, a plateia local começou a ficar inquieta.
Alguns físicos já reclamavam que seria preciso ser especialista em sincronização de relógios atômicos por GPS para tentar compreender como as medidas eram obtidas no experimento. Jornalistas questionavam se um aparato de laboratório tão complexo e tão cheio de peças não seria vulnerável a falhas.
Autiero tentou mostrar que seu grupo de pesquisa levou em conta margens de erro para todo tipo possível e imaginável de interferência. Os resultados, afirma ele, permanecem sólidos após seis meses de rechecagem.
"O sr. levou em conta a rotação da Terra?", perguntou um físico que se levantou na platéia. "Sim", respondeu.
Até a interferência causada por carros no túnel de uma rodovia no caminho dos neutrinos foi considerada.
"Conseguimos que uma das faixas da estrada fosse bloqueada por algum tempo, mas só teríamos obtido mais precisão nas medições com um bloqueio completo", disse Autiero. A polícia rodoviária italiana negou o pedido, mais preocupada com congestionamentos de carros do que com o excesso de velocidade de neutrinos.
No geral, os físicos presentes respeitaram a maneira como o pesquisador rebateu as críticas mais técnicas.

ELOGIO DE NOBEL
Por fim, Samuel Ting, Prêmio Nobel em Física de 1976, estava presente e parabenizou Autiero. "O experimento foi feito muito cuidadosamente, com os erros sistemáticos bem checados", disse.
Elogios à parte, poucos físicos teóricos ficaram satisfeitos. Muitos acham difícil crer que a relatividade especial, teoria de Einstein que foi desafiada continuamente por mais de cem anos e sobreviveu a todos os testes até agora, esteja errada num de seus aspectos mais fundamentais.
É mais fácil acreditar em algum problema em Gran Sasso do que reescrever toda a física do século 20.
Num evento em que jornalistas pareciam ter medo de entrar na discussão, coube a um representante do Instituto de Física do Reino Unido fazer a pergunta mais constrangedora: "Vocês têm medo de passar ridículo caso se descubra que tudo isso se deve a um erro sistemático?".
Autiero respondeu, indiretamente, à pergunta. "Apesar de nossas medidas terem baixa incerteza sistemática e alta precisão estatística, e de nós termos alta confiança em nossos resultados, estamos ansiosos para poder compará-los com outros experimentos", ponderou ele.
Especulações teóricas sobre como explicar a anomalia dos neutrinos já surgiram ontem, apesar do ceticismo. A mais popular sugere que as partículas teriam atravessado uma dimensão oculta do espaço, pegando um "atalho" para chegar mais cedo.
Nenhuma teoria anterior, porém, havia previsto esse tipo de fenômeno.

SAIBA MAIS

Teste definitivo demora ao menos um ano

DE WASHINGTON

Cientistas devem levar no mínimo um ano para tentar realizar um novo teste sobre a velocidade dos neutrinos.
Um experimento americano, o Minos, vai entrar em sua segunda etapa até o fim do ano que vem e poderá confrontar os dados. Se o trabalho realizado na Itália teve alguma falha, provavelmente isso vai transparecer.
O Minos analisa um feixe de neutrinos que é emitido no Fermilab, na periferia de Chicago, e percorre 735 km até a mina de Soudan, no Minnesota, onde encontra o detector. (RG)



26 de set de 2011

Como evoluem as manchas no Sol

Edição Impressa 187 - Setembro 2011


Atividade solar: previsão com dois dias de antecedência

Pesquisadores da Universidade Stanford desenvolveram um método que permite prever com um ou dois dias de antecedência o aparecimento de manchas no Sol. Analisando dados do Solar and Heliospheric Observatory (Soho), espaçonave da Nasa e da ESA (a agência espacial europeia), o astrofísico Stathis Ilonidis e seus colegas da universidade californiana descobriram que a detecção de intensos campos magnéticos numa região interna da estrela, situada 65 mil quilômetros abaixo de sua superfície, é um indicativo do surgimento iminente das manchas (Science, 19 de agosto de 2011). O fenômeno se manifesta no interior do astro e se desloca para sua parte externa a velocidades entre 0,3 e 0,6 quilômetro por segundo. As manchas tendem a surgir no máximo 48 horas depois de campos magnéticos dessa magnitude terem sido flagrados. Prever o aparecimento das manchas é importante para evitar ou minimizar eventuais danos causados na Terra por fortes variações na atividade solar, que podem ocasionar quedas de energia elétrica e interrupções nos sistemas de comunicação e navegação por satélite. A eclosão das manchas solares também pode oferecer riscos para os astronautas em missão no espaço.


Pesquisadores do Reino Unido desenvolvem um vulcão artificial

Scientific American Brasil

Experimento vai bombear água a 1 km de altura para testar um método de resfriamento do clima.


Por Sarah Fecht

O experimento é o primeiro grande teste de um sistema de tubulação que poderá um dia lançar partículas de sulfato na estratosfera a uma altitude de 20 km; o sistema é apoiado por um balão de hidrogênio do tamanho de um estádio. O objetivo é a geoengenharia, ou a "manipulação deliberada do ambiente planetário em larga escala", nas palavras daRoyal Society of London, que concede aconselhamento científico aos decisores políticos. No caso em questão, os pesquisadores estão tentando recriar artificialmente os efeitos de erupções vulcânicas para resfriar a Terra.

O teste, ao custo de 30 mil dólares, faz parte de um projeto chamado “Injeção de Partículas na Estratosfera pela Engenharia Climática” (Spice, na sigla em inglês), e é inspirado na erupção do monte Pinatubo, nas Filipinas em 1991.

O monte Pinatubo expeliu 20 milhões de toneladas de partículas de sulfato na atmosfera, resfriando a Terra em 0,5 grau Celsius por 18 meses. Se os testes de viabilidade britânicos forem bem-sucedidos, essa engenhoca poderá ser usada para injetar partículas adicionais na estratosfera, refletindo maior quantidade de energia do Sol de volta para o espaço, e espera-se com isso reduzir alguns dos efeitos do aquecimento global.

"Esta é uma das primeiras vezes em que pessoas estão levando a geoengenharia para fora do laboratório", conta o cientista Matthew Watson. O pesquisador explica que sua equipe ainda precisa determinar quais substâncias seriam melhores para refletir a luz solar, o quanto é necessário para ter um efeito adequado e as possíveis consequências de injeção de partículas na atmosfera ─ como chuva ácida, destruição do ozônio ou interrupção do padrão climático.

Testes a serem realizados em outubro estarão focados principalmente na possibilidade de o projeto ser um método eficaz de lançamento das partículas para refletir a luz do Sol no espaço. Em um campo de pouso em Norfolk, Inglaterra, que não está mais em uso, um dirigível de hélio erguerá uma mangueira a 1 km do chão. Uma bomba de alta pressão jorrará até 1,8 litros de água da torneira por minuto, para um máximo de 190 litros. Os pesquisadores vão monitorar o desempenho do sistema e utilizar os dados para projetar uma instalação maior, de 20 km de altura.

No passado, cientistas propuseram métodos semelhantes usando armas, aviões, foguetes e chaminés. Em 2009, cientistas russos testaram avião em pequena escala. Mas Hugh Hunt, engenheiro da Spice e da Cambridge University, afirmou que o projeto do balão com a mangueira parece ser a opção mais rentável. Mesmo quando ampliado, a equipe espera que o design simples custe cerca de 5 bilhões de dólares, em comparação com os US$ 100 bilhões necessários para lançar particulas de uma aeronave.
Testes com água deverão ser inofensivos, mas vários grupos ambientalistas têm criticado o plano e a geoengenharia em geral. No ano passado, a Convenção das Nações Unidas sobre Diversidade Biológica divulgou um comunicado proibindo pesquisas de geoengenharia que possam causar impacto na biodiversidade. O Reino Unido aceita essa afirmação, contanto que o estudo da Spice não viole os acordos internacionais, afirma Jason Blackstock, físico do Canada's Center for International Governance Innovation.

No entanto, o Grupo de Ação sobre Tecnologia e Concentração de Erosão (ETC, na sigla em inglês), com sede no Canadá, está classificando os testes como internacionalmente irresponsáveis. Em uma declaração por escrito, o grupo pediu ao governo britânico o encerramento do projeto, acrescentando: "Esta experiência é apenas uma fase de um plano muito maior, que poderá ter consequências devastadoras, incluindo grandes mudanças nos padrões climáticos, como secas mortais".

Alan Robock, meteorologista da Rutgers University, compartilha algumas dessas preocupações. Ele criou simulações por computador, indicando que o sulfato nas nuvens poderia enfraquecer as monções de verão da Ásia e África, reduzindo a chuva que irriga as culturas alimentares de milhões de pessoas. “É prematuro conduzir experimentos de campo”, diz Robock. “Modelagem em mais computadores devem ser feitas primeiro para determinar como as partículas poderiam interagir com a camada de ozônio e com o ciclo hidrológico”, completa.

Hunt concorda que o experimento apresenta falhas e assevera que a equipe precisa de medições reais para verificar se o desenho do balão é viável. "Se não for agora, quando começaremos?", pergunta ele. "Neste ano, no próximo ano? Ou talvez devamos esperar que um grande bloco de gelo da Groenlândia caía? Minha escolha é ter todas as ferramentas cuidadosamente pensadas."

Para evitar perigosas alterações climáticas, alguns cientistas estimam que as emissões globais de CO2 devem ser reduzidas em pelo menos 80% até o final do século. A geoengenharia não vai ajudar a atingir essa meta a longo prazo, mas os efeitos do resfriamento são quase instantâneos, fazendo com que ela seja potencialmente valiosa em caso de crises climáticas agudas, como o derretimento do gelo do mar Ártico, o que poderia acelerar ainda mais o aquecimento global ao longo das décadas.

Os pesquisadores deixaram claro que não defendem o uso da geoengenharia como desculpa para a humanidade continuar emitindo dióxido de carbono e outros gases-estufa de forma imprudente. "A geoengenharia deve ser vista como uma correção de emergência", conclui Watson.



Astrônomos querem que você encontre uma galinha no céu

Redação do Site Inovação Tecnológica

Galinha Fugitiva

Acostumados com a infinitude do Universo, os cosmólogos e astrônomos parecem também não encontrar limites em seus esforços para chamar a atenção para suas pesquisas.

Você consegue ver uma galinha nesta imagem?[Imagem: ESO]

A última iniciativa do Observatório Europeu do Sul (ESO) foi criar um concurso para quem conseguir identificar uma galinha na imagem da Nebulosa Lambda Centauro.
A nebulosa é uma brilhante nuvem de hidrogênio, repleta de estrelas recém-nascidas, localizada na constelação de Centauro.
Segundo os astrônomos, a Lambda Centauro também pode ser chamada de IC 2944 ou de Galinha Fugitiva, devido a uma forma de ave que algumas pessoas conseguem enxergar em sua região mais brilhante.
Como sempre acontece nesses casos, em que pessoas conseguem enxergar coisas - das mais absurdas às mais criativas - em desenhos com um nível suficiente de complexidade, não há concordância onde exatamente está a galinha.
Quem quiser se arriscar poderá pegar a imagem e traçar sua própria galinha fujona, enviando o trabalho para a página do ESO no Flickr (www.flickr.com/groups/youresopictures).
Segundo a entidade, "haverá oportunidade de ganhar prêmios interessantes", sem precisar do que se trata - eventualmente uma galinha de louça, para colocar sobre a geladeira.

Glóbulos de Bok

De volta à astronomia, além do gás brilhante, outro sinal de formação estelar na IC 2944 está em uma série de glóbulos negros opacos, que aparecem em silhueta sob o fundo vermelho.
São exemplos de um tipo de objeto chamado Glóbulos de Bok. Eles aparecem escuros porque absorvem radiação do fundo luminoso.
No entanto, observações destes glóbulos escuros com telescópios infravermelhos, que conseguem enxergar através da poeira que normalmente bloqueia a radiação visível, revelaram estrelas se formando no interior de muitos deles.
O conjunto principal de glóbulos de Bok nesta imagem é conhecida como Glóbulos de Thackeray, em homenagem ao astrônomo que os descobriu, nos anos 1950.



Família de asteroides é inocentada da extinção dos dinossauros

Redação do Site Inovação Tecnológica - 20/09/2011

Com a queda da teoria, a extinção dos dinossauros voltou a ser um mistério: de onde teria vindo o asteroide?[Imagem: NASA/JPL-Caltech]

Mistério em aberto

A família de asteroides apontada como a responsável pela extinção dos dinossauros acaba de ser inocentada.

A descoberta reabre o caso que é um dos maiores mistérios da Terra.

O responsável pelo incômodo achado foi o telescópio espacial WISE, que mapeou o céu inteiro duas vezes, de Janeiro de 2010 a Fevereiro de 2011.

A porção caçadora de asteroides da missão, chamada NeoWISE, catalogou 157.000 asteroides, dos quais 33.000 eram desconhecidos.

Asteroide e dinossauros

Não é a primeira vez que a teoria sobre a extinção dos dinossauros fica ela própria em risco de extinção:



Embora os cientistas continuem bastante confiantes em afirmar que um grande asteroide caiu na Terra cerca de 65 milhões de anos atrás, levando à extinção dos dinossauros e de outras formas de vida, eles não sabem exatamente de onde veio tal asteroide, como ele fez o seu caminho até a Terra e nem mesmo exatamente onde teria caído.




Família Batistina

Um estudo de 2007, usando observações na faixa da luz visível, feitas por telescópios terrestres, sugeriu que o asteroide matador seria o remanescente de um asteroide gigantesco, gerador de uma família conhecida como Batistina (ou Baptistina).

Segundo essa teoria, o Batistina teria colidido com outro asteroide do cinturão principal, entre Marte e Júpiter, cerca de 160 milhões de anos atrás.

A colisão teria arremessado pelo espaço pedaços do tamanho de montanhas. Um desses pedaços teria então acertado a Terra, levando à extinção dos dinossauros.

Pontos ressonantes

Mas a teoria não suportou as observações em infravermelho do WISE, que descartaram qualquer participação da família Batistina no episódio.

Os novos dados sugerem que o Batistina-pai, que se quebrou para dar origem a toda a família observada hoje, quebrou-se há apenas cerca de 80 milhões de anos, o que é apenas metade do tempo calculado anteriormente.

"Isso não dá tempo para que os restos da colisão se movam para um ponto ressonante e sejam arremessados em direção à Terra," disse Amy Mainzer, coautora do estudo. "Acredita-se que esse processo leve dezenas de milhões de anos."

Áreas de ressonância são locais no cinturão principal de asteroides onde a interação entre a gravidade de Júpiter e de Saturno podem funcionar como uma máquina de pinball para disparar asteroides para regiões próximas à Terra.


Veja a materia O que mais não se sabe sobre os dinossauros...  dos pesquisadores do Observatório Nacional publicada, originalmente, no site do instituto em 19/02/2010.



 

Astrônomos sugerem nova teoria do nascimento das estrelas

Com informações da ESA - 15/09/2011


Parto normal

O telescópio espacial Herschel descobriu que não é preciso que as galáxias colidam umas com as outras para desencadear o nascimento de estrelas.
A descoberta contraria este pressuposto antigo e oferece uma outra visão da forma como as galáxias evoluem.

Esta pesquisa traça um quadro muito mais imponente do nascimento das estrelas do que a perspectiva anterior, com as galáxias crescendo lenta e naturalmente a partir dos gases que atraem das suas vizinhanças, sem exigir trombadas pouco usuais.[Imagem: ESA/AOES Medialab]

O cientista David Elbaz e seus colegas analisaram os dados do Herschel e descobriram que as colisões de galáxias desempenharam um papel menor no nascimento de estrelas, apesar de algumas galáxias jovens estarem formando estrelas a ritmos estonteantes.

Pela comparação da quantidade de raios infravermelhos emitidos por estas galáxias, em diferentes comprimentos de onda, a equipe demonstrou que a taxa de formação de estrelas depende da quantidade de gás que a galáxia contém, e não do fato de estarem ou não em colisão.

Matéria-prima das estrelas

O gás é a matéria-prima para as estrelas e este trabalho revela uma relação muito simples: quanto mais gás a galáxia contém, maior a taxa de formação de estrelas.

"É só nas galáxias que já não têm muito gás que as colisões são necessárias para fornecer este gás e desencadear as elevadas taxas de formação de estrelas," explica Elbaz.

Isto se aplica às galáxias da atualidade que, depois de 10 bilhões de anos formando estrelas, gastaram quase toda a sua matéria-prima gasosa.

Esta pesquisa traça um quadro muito mais imponente do nascimento das estrelas do que a perspectiva anterior, com as galáxias crescendo lenta e naturalmente a partir dos gases que atraem das suas vizinhanças, sem exigir trombadas pouco usuais.

Buraco da fechadura

A conclusão baseia-se nas observações de dois pedaços do céu, cada um com cerca de um terço do tamanho da Lua cheia.

É como espiar o Universo através de um buraco da fechadura - o Herschel viu mais de mil galáxias a diferentes distâncias da Terra, cobrindo 80% da idade presumida do universo.

Estas observações são únicas porque o Herschel pode estudar uma vasta gama de luz infravermelha, revelando uma imagem mais completa do nascimento das estrelas do que já tinha sido obtido.

Acredita-se que a taxa de formação de estrelas atingiu o seu pico no Universo jovem, há cerca de 10 bilhões de anos. Nessa altura, algumas galáxias estavam formando estrelas com uma intensidade dezenas ou até centenas de vezes superior à que acontece atualmente na nossa galáxia.

No presente, pelo menos nas nossas vizinhanças do Universo, é muito raro encontrar taxas tão elevadas de nascimento de estrelas e, quando ocorrem, parecem ter na sua origem na colisão de galáxias.

Daí que os astrônomos tenham assumido que isto era verdade ao longo do história.

O Herschel mostrou agora que não é isto que acontece ao observar galáxias que estão muito distantes - portanto, vistas tal como eram há bilhões de anos.



Bate-bate intergaláctico

Blog do Observatório

Nossa galáxia, a Via Láctea, é uma galáxia do tipo espiral. Este fato já era conhecido faz tempo e mais recentemente, lá pela década de 1980, foi encontrada a evidência de uma barra no seu centro. Essa evidência se confirmou e hoje classificamos a Via Láctea como uma espiral barrada. Mas por incrível que pareça não sabemos ao certo qual o tipo morfológico da nossa própria galáxia!
Pense no seguinte: como fazer um mapa da sua cidade sem poder sair do seu quarto? A única visão que você tem da cidade é pela janela e só, nada de Google Earth, sobrevoos, fotos de satélite ou passeios de balão. O problema em mapear a nossa própria galáxia é essencialmente esse: a gente só a enxerga a partir de seu plano.
Uma das minhas linhas de pesquisa é justamente tentar obter um mapa de nossa galáxia que possa ao menos dizer se ela é uma espiral com 2 ou 4 braços. Sim, nem isso temos certeza; sempre se admitiu que a Via Láctea tivesse 4 braços, mas resultados recentes (inclusive os nossos) apontam para apenas 2.



Saiu na quarta-feira (14) na Nature, uma das mais prestigiadas revistas científicas do mundo, um artigo muito interessante sobre a formação dos braços espirais da Via Láctea. Apesar de não falar nada a respeito do número deles, a explicação sobre sua origem pode dar pistas adicionais sobre a quantidade de braços dela.
De acordo com simulações em computadores feitas por pesquisadores da Universidade de Irvine, nos Estados Unidos, o padrão espiral da Via Látea foi criado por duas colisões da galáxia anã de Sagitário. No último post, eu disse que a nossa galáxia possui um séquito de galáxias que a acompanham – no total são 12.
Apesar de ser uma galáxia anã, a galáxia de Sagitário possuía muita matéria escura. Logo no primeiro impacto, entre 80 e 90 % desse material foi tragado pela Via Láctea. A grande força gravitacional da nossa galáxia fez com que a galáxia anã fosse se desintegrando aos poucos, deixando rastros de estrelas pelo caminho.
O primeiro impacto foi tão violento que teria causado instabilidades gravitacionais que foram amplificadas e formaram os braços e estruturas em forma de anéis nas partes mais externas da nossa galáxia. Hoje, a galáxia de Sagitário se parece muito mais com um aglomerado globular de estrelas sem gás ao seu redor do que uma galáxia propriamente dita. Ainda de acordo com essas simulações, uma nova colisão deve ocorrer nos próximos 10 milhões de anos, quando a galáxia de Sagitário deve atingir a face sul da Via Láctea.


Um filminho mostrando os resultados dessa simulação pode ser visto aqui.



 

O que mais não se sabe sobre os dinossauros...

Observatório Nacional

O asteroide (298) Baptistina ficou famoso em 2007, quando um estudo liderado por pesquisadores do South West Research Institute, nos EUA, anunciou que o objeto, cujo impacto criou a cratera de Chicxulub, no México (que tem sido associada à extinção dos dinossauros, há 65 milhões de anos), seria um fragmento da colisão que gerou a família dinâmica de Baptistina. Famílias dinâmicas são o resultado de colisões entre dois asteroides (ilustração abaixo), onde os fragmentos, gerados pela quebra dos corpos, se espalham em órbitas próximas das órbitas do asteroide original. Os astrônomos conseguem reconhecer essas famílias procurando por aglomerações de asteroides com parâmetros orbitais muito próximos. Tradicionalmente, essas famílias são designadas com o nome do asteroide mais brilhante (e presumivelmente maior) na família.



O estudo americano sugeria então que, finalmente, havia identificado o culpado pela extinção dos dinossauros. Este resultado foi amplamente divulgado, inclusive em documentários feitos para a televisão.

No entanto, astrônomos do Grupo de Planetologia do Observatório Nacional (ON), no Rio de Janeiro, não se convenceram. A família de Baptistina havia sido definida, pela primeira vez, em 2005, por três pesquisadores do ON: os Drs. Thais Mothé-Diniz (atualmente na UFRJ), Fernando Roig e Jorge M. Carvano.

Essa família tinha chamado a atenção dos pesquisadores exatamente pela diversidade de classes taxonômicas presente na família, localizada na parte interna do cinturão de asteroides. Classes taxonômicas são definidas a partir de espectros ou "cores" dos asteroides e têm uma relação com a composição dos objetos. Um detalhe do estudo americano, que chamou a atenção dos astrônomos do ON, foi que eles simplesmente assumiram que a composição de Baptistina era compatível com a do objeto que criou a cratera no golfo do México. Análises de sedimentos, datados da época da formação da cratera, feitas por diversos pesquisadores, sugeriam que o objeto que a gerou tinha composição compatível com a dos meteoritos tipo condritos carbonados CM2. Meteoritos deste tipo podem se originar de cometas ou de asteroides ricos em gelo. E, embora algumas das classes taxonômicas, que existem na família de Baptistina, fossem compatíveis com aquele tipo de meteorito, havia muitas outras composições que também o seriam.

Dispostos a refinar o conhecimento sobre a composição do maior objeto da família, o asteroide (298) Baptistina, os Drs. Daniela Lazzaro e Jorge M. Carvano montaram uma ampla campanha observacional. Usando observações realizadas no Gemini, um telescópio com espelho de 8 metros de diâmetro, localizado no Chile, com o qual o Brasil mantém acordo bilateral, e também dados obtidos em telescópios do Observatório Austral Europeu (ESO), também no Chile, e do Observatório do Pico dos Dias, em Minas Gerais, os pesquisadores do ON puderam determinar com grande precisão o albedo do asteroide. O albedo é a fração da luz solar que é refletida pelo objeto e o valor obtido para (298) Baptistina foi quase 7 vezes maior que o valor do albedo típico dos meteoritos CM2, que é a composição provável do corpo que gerou a cratera de Chicxulub. Esse resultado mostra que o asteroide (298) Baptistina não tem nada a ver com a extinção dos dinossauros. O trabalho foi apresentado na reunião anual da Divisão de Ciências Planetárias da Sociedade Astronômica Americana, realizada em Porto Rico em outubro de 2009. A primeira parte do estudo, que trata das observações de (298) Baptistina, acaba de ser aceita para publicação na revista científica britânica Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.

Os resultados deste estudo têm relação com a recente descoberta de uma colisão entre dois pequenos asteroides. Ao contrário do que foi publicado nos jornais, o maior fragmento desta colisão (inicialmente confundido com um cometa e denominado P/2010 A2) se encontra mais próximo da família de Baptistina. O estudo da distribuição de fragmentos e poeira, em torno deste objeto, certamente vai ajudar os astrônomos a entender melhor as colisões entre asteroides, como aquelas responsáveis pela formação das famílias. Mas não vão nos dizer nada sobre a extinção dos dinossauros...

Dr. Jorge Márcio Ferreira Carvano é pesquisador adjunto do Observatório Nacional. Tem experiência na área de Astronomia, atuando principalmente nos seguintes temas: Asteroides e Satélites planetários.



23 de set de 2011

Você conhece o Programa de Observação do Céu no Observatório Nacional?

O Programa de Observação do Céu do Observatório Nacional é inteiramente gratuito.


Este programa se insere num contexto amplo de divulgação para todas as faixas etárias, passando pelos jovens até chegar aos adultos. É a oportunidade de uma instituição de pesquisa colocar a serviço do país os conhecimentos que são produzidos por seus pesquisadores, democratizando assim o acesso à informação científica e motivando a sociedade para a ciência e a compreensão do Universo.




Sobre a Observação

Será utilizado um telescópio refletor robótico para realizar observações do céu. As observações serão feitas no campus do Observatório Nacional, Rio de Janeiro, com número limitado de 20 pessoas por dia de observação e, a princípio, uma vez por mês. O programa será constituído de observações de corpos do Sistema Solar (Planetas, Satélites Naturais, Cometas, Asteroides do Cinturão Principal). Também serão observadas: Estrelas duplas, Aglomerados de estrelas, nebulosas e Galáxias brilhantes.

O diferencial deste programa, em relação às clássicas observações astronômicas para o público, é que será usado um sistema de observação igual ao dos telescópios de grande porte.

 
Maiores informações no site do programa.








Ciclo de Cursos Especiais no Observatório Nacional

XVI CICLO DE CURSOS ESPECIAIS

07 a 11 de Novembro de 2011


Pelo décimo sexto ano consecutivo, a Divisão de Pós-Graduação do Observatório Nacional vem oferecer aos estudantes e pesquisadores das áreas de Astronomia, Astrofísica e Física o curso avançado denominado Ciclo de Cursos Especiais.

O XVI Ciclo será realizado na sede do ON no Rio de Janeiro, na semana de 07 a 11 de Novembro de 2011.
Como já foi feito em Ciclos anteriores, os cursos oferecidos abrangem diferentes temáticas como Astrofísica Extragaláctica, Astrofísica Estelar, Astronomia Galáctica e Ciências Planetárias.

Maiores informações no site do curso.

Queda de satélite vai poder ser vista no céu do Ceará, segundo instituto

André Teixeira
Do G1 CE

Satélite deve cair entre esta sexta-feira (23) e sábado.
Queda poderá ser vista em Fortaleza e no Sul do Ceará, segundo IFCE-CE.

O Núcleo de Astronomia do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia (IFCE) da cidade de Juazeiro do Norte, no Sul do Ceará, fará observação da queda do satélite americano UARS, que deve entrar na atmosfera terrestre entre esta sexta-feira (23) e sábado (24), de acordo com a Agência Espacial Norte Americana (Nasa).

De acordo com o membro do Núcleo de Astronomia do IFCE, Valmir Morais, a queda poderá ser vista no céu de Fortaleza e de Juazeiro do Norte por volta de 16h15. A previsão de Morais é feita com base em cálculo de programas de computadores, dados da Nasa e do Centro de Estudo de Detritos Orbitais, nos Estados Unidos.

Ainda de acordo com Morais, a passagem do satélite em queda deve se parecer com uma pequena bola de fogo, e poderá ser vista mesmo de dia a olho nu. O Núcleo de Astronomia promove a observação do evento no campus do IFCE da cidade.

O satélite Uars foi levado à órbita da Terra em 1991 e desativado em 2005. O equipamento pesa 5.675 quilos e tem o tamanho aproximado de um ônibus. Cientistas da Nasa calculam que o satélite vai se despedaçar e algumas peças chegaram ao solo. Ainda segundo a Nasa, a probabilidade de uma parte do satélite atingir uma pessoa é de uma em 3.200.




 

Será possível?

BBC BRASIL

Descoberta que contradiz teoria de Einstein intriga cientistas
Cientistas estão intrigados pelos resultados obtidos por cientistas do Centro Europeu de Investigação Nuclear (Cern, na sigla em inglês), em Genebra, que afirmaram ter descoberto partículas subatômicas capazes de viajar mais rápido do que a velocidade da luz.

Neutrinos enviados por via subterrânea das instalações de Cern para o de Gran Sasso, a 732 km de distância, pareceram chegar ao seu destino frações de segundo mais cedo que a teoria de um século de física faria supor.

Um dos pilares da física atual – tal e qual descrita por Albert Einstein em sua teoria da relatividade – é que a velocidade da luz é o limite a que um corpo pode viajar. Milhares de experimentos já foram realizados a fim de medi-la com mais e mais precisão.

Até então nunca havia sido possível encontrar uma partícula capaz de exceder a velocidade da luz.

"Tentamos encontrar todas as explicações possíveis para esse fenômeno. Queríamos encontrar erros – erros triviais, erros mais complicados, efeitos indesejados – e não encontramos", disse à BBC um dos autores do estudo, Antonio Ereditato, ressaltando a cautela do grupo em relação às próprias conclusões.

"Quando você não encontra nada, conclui, 'Bom, agora sou obrigado a disponibilizar e pedir à comunidade (científica internacional) que analise isto'."

Partículas aceleradas

Já se sabe que os neutrinos viajam a velocidades próximas da da luz. Essas partículas existem em diversas variedades, e experimentos recentes observaren que são capazes de mudar de um tipo para outro.

No projeto de Antonio Ereditato, Opera Collaboration, os cientistas preparam um único feixe de um tipo de neutrinos, de múon, e os envia do laboratório de Cern, em Genebra, na Suíça, para o de Gran Sasso, na Itália, para observar quantos se transformam em outro tipo de neutrino, de tau.

Ao longo dos experimentos, a equipe percebeu que as partículas chegavam ao seu destino final alguns bilionésimos de segundo abaixo do tempo que a luz levaria para percorrer a mesma distância.

A medição foi repetida 15 mil vezes, alcançando um nível de significância estatística que, nos círculos científicos, pode ser classificada como uma descoberta formal.

Entretanto, os cientistas entendem que erros sistemáticos, oriundos, por exemplo, das condições em que o experimento foi realizado ou da calibração dos instrumentos, poderia levar a uma falsa conclusão a respeito da superação da velocidade da luz.

"Meu sonho é que outro experimento independente chegue à mesma conclusão – nesse caso eu me sentiria aliviado", disse o cientista.

"Não estamos afirmando nada, pedimos a ajuda da comunidade para entender esses resultados malucos – porque eles são malucos. As consequências podem ser muito sérias."

 
 
 

21 de set de 2011

Vídeo registra aurora boreal no céu da Noruega

BBC Brasil

O cinegrafista Eirik Evjen registrou uma aurora boreal, no céu da Noruega.






Ele deixou sua câmera fixa no topo de uma montanha e registrou o céu da cidade de Lofoten, no norte do país, ao longo de oito horas.

O fotógrafo diz ter ficado impressionado com as imagens que conseguiu capturar.

A aurora boreal é causada pelos ventos solares que carregam um fluxo contínuo de partículas elétricas liberadas pelas explosões que ocorrem na superfície do Sol.

Quando estas partículas atingem os campos magnéticos da Terra algumas ficam retidas provocando a luminosidade intensa pela liberação de energia ocorrida com a colisão destas partículas com as moléculas e átomos presentes na atmosfera.



Vídeos mostram aurora austral do espaço e 'volta ao mundo' em 1 min

BBC Brasil

A Nasa divulgou imagens da aurora austral vista do espaço. O vídeo inédito foi capturado pela Estação Espacial Internacional, que orbitava a mais de 300 quilômetros de altitude entre a Austrália e a Antártida.
A imagem foi montada a partir de centenas de fotografias tiradas pelos astronautas.


Como o fenômeno aconteceu em uma noite encoberta, não foi possível visualizá-lo a partir da Terra.
A aurora austral - identificado pelas luzes verdes no céu - é um fenômeno ótico que acontece no Polo Sul do Planeta.
O cientista James Drake usou 600 imagens fornecidas gratuitamente no site da Estação Espacial Internacional e criou uma volta ao mundo em 60 segundos. As imagens são do Gateway to Astronaut Photography of Earth, e foram publicadas no site do cientista infinity-imagined.tumblr.com
O vídeo começa no Oceano Pacífico e percorre todo o continente americano, até chegar à Antártida.
É possível ver as cidades de Vancouver e Victoria, no Canadá, Seattle, Portland, São Francisco, Los Angeles e Phoenix, nos Estados Unidos, e Cidade do México.
Em seguida as imagens mostram Guatemala, Panamá, Colômbia, Equador, Peru, Amazônia brasileira e o Chile.
A montagem de James Drake virou um sucesso na internet.



19 de set de 2011

Primeiros passos na vida de uma estrela - Série de vídeos extraordinários que mostram o movimento complexo de jatos de matéria expelidos por estrelas-bebês

Scientific American Brasil

Por Caleb A. Scharf

Acompanhadas por mais de 10 anos pelo Telescópio Espacial Hubble, essas jovens estrelas estão a 1300 anos-luz de nós. Levam apenas alguns milhões de anos para tornarem-se adultas, rodeados por densos discos de gás e poeira que giram rapidamente no centro das jovens estrelas (ainda não comprimidas o suficiente para iniciar a fusão do hidrogênio em seus núcleos) esguichando jatos de matéria que se movem a centenas de milhares de quilômetros por horas. Provavelmente, são campos magnéticos mais canalizados e acelerados gerados pelos discos internos e das estrelas.

Conforme os jatos são lançados para o espaço interestelar, as partículas quentes despejam sua energia cinética em forma de fótons. Colidindo e destruindo. Essa matéria quente também empurra a nebulosa em torno das estrelas formadas. É uma fase incrível no ciclo de vida das estrelas, e coincide com os primeiros passos para a coagulação de corpos planetários nos ricos discos de matéria em torno deles.

Nasa


Na imagem, podemos observar três exemplos de estruturas produzidas como material de alta velocidade em protoestelares. Esse material, colide com os jatos em torno da matéria interestelar, produzindo "arcochoques", conforme os jatos supersônicos sofrem colisões em seu entorno.




Câmara e Senado estudam conjunto de leis para ciência

Folha de São Paulo

 
Código Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação será votado em 90 dias

Texto compila leis já existentes e cria normas novas para as atividades de pesquisa desenvolvidas no país

SABINE RIGHETTI
DE SÃO PAULO

As atividades de ciência e tecnologia no Brasil podem ter, em menos de um ano, um conjunto próprio de leis. Isso vai acontecer se o novo Código Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, que chegou à Câmara dos Deputados e ao Senado no final de agosto, for aprovado.
O texto compila leis atuais ligadas à pesquisa, relacionadas por exemplo à importação e compra de equipamentos, e cria regras novas. Dentre as principais mudanças está o processo de aquisição e contratação.
Pelo novo código, as ECTIs (Entidades de Ciência, Tecnologia e Inovação) terão normas próprias para as compras de material científico.
Na prática, isso significa que os cientistas terão mais liberdade para adquirir, sob justificativa, equipamentos mais caros ou importados.
Hoje, os pesquisadores são obrigados pela Lei de Licitações (Lei 8.666, de 1993) a optar pelo equipamento mais barato -que nem sempre atende suas necessidades.
"Outros países conseguem inovar mais ao usar aparelhos mais modernos", explica Breno Bezerra Rosa, que participou do grupo de trabalho para elaboração do código com outros cinco juristas.
"Nós tiramos o foco na economicidade. A Lei 8.666 trata empreiteiro e pesquisador do mesmo modo, como se comprar tijolos ou microscópios fosse a mesma coisa."
Outra mudança é que órgãos de controle só poderão contestar justificativas técnicas de cientistas se seus pareceristas tiverem pelo menos a mesma titulação.
Ou seja: técnicos não poderão mais contestar se um determinado produto desenvolvido por um pós-doutor é ou não uma inovação.

TRAMITAÇÃO
O novo código já foi incorporado pela Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara dos Deputados, presidida pelo deputado Bruno Araújo (PSDB-PE). A votação deve acontecer em até 90 dias.
Simultaneamente, o código está na comissão que leva o mesmo nome no Senado, comandada pelo senador Eduardo Braga (PMDB-AM). A ideia é que Câmara e Senado aglutinem sugestões para que o processo seja encaminhado à presidente Dilma Rousseff para sanção. De acordo com Rosa, o projeto "foi muito bem recebido" e, inclusive, já há audiências marcadas com os ministros Gleisi Hoffmann (Casa Civil) e Aloisio Mercadante (Ciência, Tecnologia e Inovação).
O deputado Sibá Machado (PT-AC), relator da proposta, já levantou a possibilidade de o governo transformar o a proposta em Medida Provisória "dada a sua relevância".
"Os cientistas não podem ser penalizados com a legislação atual", disse a presidente da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), Helena Nader. Ela falou com a Folhadurante a reunião anual da SBG (Sociedade Brasileira de Genética).
No mesmo evento, o presidente do CNPq (Conselho Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento), Glaucius Oliva, cobrou engajamento social. "Todo mundo deveria lotar as caixas de emails dos deputados pedindo a aprovação do novo código", disse.



Caça-planetas usará software brasileiro

Folha de São Paulo

 
Sonda europeia com lançamento previsto para 2017 vai detectar e caracterizar astros, inclusive os como a Terra

Satélite é considerado 'de segunda geração' porque conseguirá até estimar idade de outros sistemas planetários

SALVADOR NOGUEIRA
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

A ESA (Agência Espacial Europeia) está desenvolvendo, em parceria com o Brasil, a próxima geração de satélites caçadores de planetas.
O projeto, denominado Plato, deve ser capaz de caracterizar de forma mais completa os sistemas planetários que descobrir -e encontrar muitas potenciais Terras ao longo do caminho.
O satélite (cujo nome é a sigla de "trânsitos planetários e oscilações de estrelas") é uma versão aperfeiçoada dos dois atuais caçadores de planetas, o Corot (europeu) e o Kepler (americano).
"Ele será capaz de detectar e caracterizar planetas de todos os tipos, inclusive telúricos [rochosos] na zona habitável", disse Eduardo Janot Pacheco, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP, durante a reunião anual da Sociedade Astronômica Brasileira, nesta semana.
"Isso é uma coisa que o Corot não faz, e o Kepler deve acabar fazendo, mas só daqui a uns três anos."

NACIONAL
O envolvimento de cientistas nacionais com o projeto se deu graças às contribuições feitas para o satélite Corot, seu predecessor imediato, lançado em 2006.
Criado como um projeto francês, o Corot se abriu para parceiros para reduzir custos e melhorar seu desempenho. Sem recursos para investir na sonda, o Brasil participou com a estação de coleta de dados do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) em Natal, para receber transmissões. A eficiência do Corot quase dobrou.
Além disso, brasileiros ajudaram a elaborar um software para análise dos dados do satélite. Em troca, o Brasil passou a participar das decisões científicas da missão, como a escolha de alvos.
"Agora, com o Plato, como estamos no projeto desde o início, teremos mais participação", diz Janot. Um dos avanços é que agora o Brasil terá de produzir software de bordo para o satélite.
"É uma coisa muito mais complexa, porque ele não pode dar pane", afirma ele.

A IDADE REVELA
Um dos aspectos que colocam o Plato como um caçador de planetas de segunda geração é o fato de que ele não só será capaz de detectar outros mundos passando na frente de suas estrelas-mães como também coletará informações que permitirão determinar a idade desses sóis.
Como a idade da estrela corresponde mais ou menos ao tempo de existência do sistema planetário circundante, será possível saber quantos anos têm os mundos descobertos, com uma margem de erro de 400 milhões de anos (um décimo da idade do Sol).
Assim, será possível analisar um outro aspecto dos planetas extrassolares, comparando-os pela idade e estabelecendo padrões evolutivos para esses mundos.
Outra melhoria é o número de alvos que ele poderá sondar. "A missão está sendo projetada para durar seis anos, mais dois em extensão, e rastreará 50% do céu", diz Janot. "Serão cerca de 300 mil estrelas-alvo, número muito maior que o atingido por Corot e Kepler, cerca de 25 mil."
O Plato já está sendo desenvolvido, mas seu lançamento ainda pende por uma vitória: ele concorre com outros dois projetos por duas vagas no orçamento da ESA.
Além dele, há o Euclid (voltado para o estudo da energia e matéria escuras) e o Solar Orbiter (focado no estudo do Sol). O trio saiu de uma concorrência ainda maior, que envolveu 52 propostas.
A definição da ESA deve sair em outubro, e as chances de o Plato receber o sinal verde são boas, segundo Janot. Apesar disso, ninguém deve prender a respiração para esperar seus resultados: pelo cronograma da agência espacial, a decolagem não deve acontecer antes de 2017.